Completa-me

33 Capítulo XXXIII


Notas iniciais
Eu sei... Você passou meses sem postar! O que estava pensando? Sua louca destruidora de corações de leitores!! Eu queria muito poder explicar o que me aconteceu nesses meses, mas, ao invés disso, lhes darei um capítulo novo. Que tal? Bora voltar a ler CM??

Por Aaron Warner

— Todos para o barco — gritava Levine — Agora! Não temos muito tempo!

As poucas pessoas que ainda não tinham saído do vilarejo corriam para longe do caos que ameaçava se instalar em poucos segundos. O barulho dos caminhões se aproximando era inegável e o medo fazia parecer pior. No meu caso, o meu medo era não era da iminente batalha em si, mas do meu coração que ameaçava partir-se em dois.

Juliette estava perdida no meio daquela confusão. Eu a deixei lá. Eu a abandonei chorando e pedindo perdão e sozinha e sem proteção naquela maldita estrada. E agora, mais do que nunca, eu me senti culpado por ela estar sem apoio.

Porém, Kat ainda estava nos meus braços. Assustada e tremendo. E eu não queria deixá-la. Eu queria ter a certeza de que ela estava segura e bem. Que minha filha sairia dali sem nenhum arranhão.

Mas Juliette ainda estava lá.

— Kat, eu preciso achar a sua mãe — falei, descendo-a do meu colo — Você vai atravessar o rio com as outras pessoas e me esperar lá do outro lado.

— Não, eu não quero ficar longe de você!

— Eu sei, mas Juliette precisa de mim. Você não quer sua mãe aqui, a salvo, com você?

Ela pareceu pensar enquanto me olhava com aqueles olhos verdes gritantes e úmidos — Tudo bem — ela disse, me abraçando — mas você vai voltar, não vai? Você e a mamãe?

— Claro, meu anjo. Eu acabei de encontrar você, acha que vou perdê-la? Eu vou ficar bem.

— E a mamãe também?

— E a mamãe também. Agora você vai com a Levine para o barco e vocês...

— Eu vou ficar — declarou Levine.

— Tem certeza? — perguntou Adam, surgindo da cabana mais próxima, acompanhado de Lia — Quero dizer, você...

— É cega? — Levine riu — Acredite, eu enxergo melhor que você nos seus melhores dias. Eles não vão destruir minha casa sem que eu revide.

— Eu levo você, Kat — ofereceu-se Lia. Kat agarrou-lhe a mão sem vontade — Vocês têm dois minutos.

E saiu, levando Kat para o barco fim do rua única do vilarejo, que atravessaria o rio e colocaria as pessoas daqui em segurança. Kat olhou para trás e a aflição em seu olhar me fez querer me juntar a ela. Apenas sorri, tentando tranquiliza-la.

Não pareceu funcionar.

E ela se foi.

Sai caminhando em direção aos trilhos.

— Ei, ei, aonde pensa que vai? — questionou Adam, segurando-me pelo ombro.

— Preciso encontrar Juliette.

— Tudo bem, mas ela não está sozinha. Não se preocupe. Kenji está com ela e Tristan e Juno já foram procurá-los. Temos que ficar aqui e encontrar um lugar seguro antes de decidirmos o que fazer.

As palavras de Adam pouco me acalmaram. Não era ela estar em perigo o que me afligia, eu sabia perfeitamente que Juliette era capaz de se proteger, mas eu tinha que estar ao lado dela. Eu tinha que segura-la em meus braços e ter certeza de que ela estava bem

Eu poderia até parecer egoísta, porém era por mim e por minha sanidade que eu precisava estar com ela.

— Adam — soei desesperado — Eu tenho que estar com ela.

Ele me olhou bem e suspirou alto — Sei que está se culpando por ela estar lá. Posso ver isso nos seus olhos. Mas a melhor maneira de salvá-la é protegendo a sua filha. Faça isso e Juliette ficará bem e com você pelo resto da vida.

Balancei a cabeça segundos depois em concordância — Venha, eu tenho um plano.

— Que funcionará — declarou Levine.

Corremos até a última casa. Entrei e virei todos os botões do fogão, logo saindo pelos fundos, achando árvores grossas e ricas em verde.

Reuni toda a energia que mantive guardada de Juliette. Com nossa intimidade, o mais simples toque me era fonte de energia e poder. E, com o tempo, aprendi a guardá-los por mais tempo. Não quis assustar Kat com a necessidade de liberar aquela força contida, então mantive-a sob controle.

Senti o peso familiar me subjugando os punhos, concentrei-os nas paredes e deixei ir, tirando a casa de seu lugar original e empurrando-a para o meio da avenida solitária. O cheiro forte de gás acompanhava o caminho da estrutura que rangia e chiava a cada movimento. Quando ela estava exatamente no centro, virei e corri para dentro da floresta, acompanhado de Adam e Levine.

Os carros fizeram barulho ao derraparem no início do vilarejo.

— Espere dez segundos — pediu Levine.

Contei mentalmente e quando cheguei a zero, saquei a Glock dourada de Juliette, que foi a única arma que vi antes de tudo, e disparei no balancin da cozinha, fazendo a construção ir pelos ares, destruindo boa parte da frota e separando com o fogo os Mockers da minha filha.

Tiros foram dados para todos os lados e tivemos que avançar rumo à faixa de trilhos, de onde se ouvia um quebrar e mais tiros. Ao chegar lá, vi Juno com os braços oliváceos estendidos, concentrando nos mais carros que chegavam, recebendo tiros que nunca acertavam seu alvo, porque Juliette estava ao seu lado, usando seu poder e protegendo-as. E ela estava inteira e a salvo e linda.

Reparei em Kenji em cima do trem, acertando pneus e capotando veículos e Tristan extremamente pálido, com as mãos nas têmporas como se estivesse com dor de cabeça.

A mão de Juno tremeu e o primeiro carro da fileira virou e acertou uma árvore, fazendo ambos logo pegarem fogo. Ergui as sobrancelhas em surpresa ao mesmo tempo em que vários outros carros desviavam de sua rota, não pelo poder de Juno, mas porque eles estavam saindo da rota como se por vontade própria.

— Tristan está muito cansado — falou Levine — Ele não vai aguentar muito tempo — pensei em perguntar e ela logo respondeu — Tristan consegue distorcer a realidade de acordo com seu desejo. Ele pode fazer você pensar que está indo para a esquerda quando você está indo para a direita. Mas o desgasta muito. E Juno é telecinética. Para ela é mais fácil, não a consome tanto.

— Então eles não vão segurar por muito tempo. Temos que ajudar.

— Não conseguiremos passar sem que nos acerte. Temos que trazê-los para cá. A floresta é mais segura. Tente chamar a atenção de Kenji. O resto deles não pode se distrair.

Pensei em atirar bem próximo de onde Kenji estava, mas era capaz de ele revidar e acertar alguém. Tive uma ideia e tirei a caixinha azul marinho que sempre andava comigo. Abri-a, pegando a mim mesmo admirando mais uma vez aquele maldito anel. O círculo dourado era fino, formando a pequena aliança, e tinha uma pedra discreta de grandidierite. Escolhi essa pedra por me lembrar da cor dos olhos de Juliette.

Ergui a joia e balancei-a para que a luz a fizesse brilhar, torcendo para que Kenji pudesse enxergar o iluminar sútil da aliança que eu sempre quis ver brilhar em Juliette.

Notas finais
Eu realmente sinto muito pela quantidade absurda de tempo sem postar, mas, como já disse: há coisas sobre o qual eu não tenho controle. Espero que voltem a amar CM. Beijos de perdão. BL.