Competições de Abril
6 Festa
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
CAPÍTULO V — FESTA
Barry estava acompanhado de uma mulher ruiva muito bonita quando chegamos na lanchonete em frente ao departamento de polícia da cidade. Mesmo sabendo que o rapaz trabalha no mesmo local que o pai de Iris, eu não esperava a coincidência de o encontrar assim tão facilmente. Minha melhor amiga sorri e se aproxima da mesa, enquanto nós nos encarávamos intensamente.
Por algum motivo, eu estava curiosa para saber a identidade da ruiva que o acompanhava, por isso, mesmo agindo de forma totalmente atípica, eu concordo com a ideia estranha de Iris de nos aproximarmos de Barry e a linda mulher que o acompanhava. Eu não sabia o que deveria dizer e nem se deveríamos estar interrompendo os dois, mas as lembranças do dia em que ele dormiu em meu sofá e chamou por alguém chamada Sara enquanto dormia ainda me incomodava. Talvez aquela mulher fosse a Sara. E se fosse, provavelmente é a namorada dele. Quer dizer, a mulher é realmente linda.
— Oi Barry. — Cumprimenta Iris, sorrindo gentil.
— Oi Iris. Oi Cait. — Cumprimenta Barry, correspondendo ao sorriso, enquanto continuava a me encarar. Ouço a ruiva ri discretamente e acabo desviando o olhar para encará-la. — Que surpresa encontrar vocês por aqui. Veio encontrar com o seu pai, Iris?
— Cait e eu estávamos fazendo compras aqui perto e eu resolvi passar na delegacia para dar um oi ao meu pai, mas ele parecia bastante ocupado, então viemos lanchar. Está no seu intervalo? — Pergunta minha melhor amiga com curiosidade. — Espero não estar atrapalhando vocês.
— De forma alguma. — Responde a ruiva, levantando-se. A mulher me encara por um tempo, como se estivesse me analisando e isso acaba me deixando nervosa. — Eu tenho que voltar ao trabalho, então fiquem à vontade.
— Obrigada. — Agradeço, um pouco intimidada com a presença marcante daquela linda mulher desconhecida. Talvez ela fosse mesmo a namorada de Barry.
— E você, mocinho, fique longe de problemas. Esqueça esse caso e se concentre no seu projeto da faculdade. Estou com altas expectativas em vocês. — Alerta a ruiva, dando um olhar sério a Barry, que bufa, parecendo contrariado. Ela coloca uma pasta debaixo do braço e pega o copo de café que estava bebendo.
— Tudo bem. Vejo você depois? — Pergunta Barry, esperançoso.
— É claro que sim. — Ela responde, dando um beijo na testa dele antes de acenar para nós em despedida e sair.
Iris e eu observamos a mulher deixar a lanchonete sendo alvo de todos os olhares do lugar. A interação dela com Barry me deixa realmente confusa. Depois do beijo doce e casto na testa de Barry, eu já não tinha mais certeza sobre o relacionamento dos dois. O rapaz então suspira, chamando nossa atenção. Ele parecia frustrado.
— Podemos nos sentar com você? — Pergunta Iris e Barry assente, concordando. — Obrigada.
— Imagina. — Responde o rapaz, dando um gole em seu café.
Coloco a bandeja com nosso lanche sobre a mesa e nos sentamos de frente para Barry. Ele parecia um pouco pensativo com a cara de desligada típica dele. Novamente, a curiosidade de saber quem era aquela mulher me incomoda. Não era da minha conta. Nem amigos direito nós somos. Ainda assim, o nome Sara continuava a martelar em minha cabeça de maneira irritante.
— Aquela garota era a sua namorada? — Questiona minha melhor amiga sem esconder a curiosidade e, por impulso, acabo dando uma cotovelada nela. Isso me lembrava do desastre que tinha sido quando a atendente de uma das cafeterias da praça de alimentação da universidade achou que Barry e eu namorávamos. — Ai, Cait.
— Desculpa. — Digo, lançando um olhar nada amigável para a falta de noção da morena.
— O quê? Foi só uma pergunta inocente. — Responde Iris, dando de ombros, antes de beber um pouco de seu suco de laranja.
— Não. Ela não é minha namorada. — Explica Barry, sorrindo despreocupado.
A reação dele é completamente diferente do que aconteceu na universidade. Ele realmente não parecia se importar com a pergunta e até a forma de negar foi muito mais serena. Será que é tão horrível assim para ele ser comparado como meu namorado que um relacionamento entre nós é impossível? Não que eu queira um relacionamento com ele. Quer dizer, eu nem gosto dele. Mas ainda assim, por que ele negou tão veemente?
— Na verdade, ela é ex-namorada do meu tio de consideração. — Continua o outro a explica, nostálgico. — Tio Tasha e tio Clint eram um casal incrível. Mesmo que o relacionamento deles tenha durado pouco tempo, ela se tornou alguém muito importante para a família. Já faz dez anos que eles terminaram e agora que ela voltou a cidade, é como se nada tivesse mudado. Ela ainda me trata como uma criança.
— Entendi. — Responde Iris, pensativa. — Ela é muito bonita.
— Sim. — Concorda Barry e no mesmo instante o celular de Iris começa a tocar. Ela pega o aparelho e olha o nome no visor da tela.
— Eu já volto. — Fala a garota, indo em direção ao banheiro enquanto atende o celular.
Observo Barry, enquanto tomo meu suco. A mulher que o acompanhava era Natasha Romanoff, ex-namorada de Clint e a única mulher que ele amou, segundo Mon-El. Eu tinha ouvido falar muito sobre a ruiva e suas histórias com os sobrinhos de Clint. Como Barry havia dito, o relacionamento deles durou pouco tempo. Se não me engano, um pouco mais de um ano, mas ainda assim, ela esteve presente nos momentos mais importantes da vida das crianças.
— Você está tão calada hoje. Não disse nada desde que chegou. — Comenta Barry e somente nesse momento, noto que eu realmente não havia dito nada. — Está tudo bem?
— Sim. Apenas pensando algumas coisas sobre o nosso projeto. — Minto, sorrindo levemente. Seria estranho se ele descobrisse que eu sabia quem era aquela mulher, mesmo que essa fosse a primeira vez que eu a via. Eu teria que explicar como eu conheço a história de sua família e isso colocaria a minha identidade no Hawkeye em risco. — E você? Parece um pouco desanimado. Aconteceu alguma coisa?
— Eu não devia estar falando sobre isso, mas estou um pouco frustrado. Você se lembra daquele caso que eu fiz a minha primeira autópsia, em que a CIA e o FBI estavam envolvidos também? — Pergunta e balanço a cabeça, concordando. — Tia Tasha é a representante da CIA. Eu sinto que tem algo por trás desse caso que eles não querem me dizer. Eu encontrei amostras de um elemento que eu nunca tinha visto antes e que acho que pode ter interferido na morte deles. Tanto a CIA quanto o FBI disseram que isso é impossível, já que eles tinham levado tiros na cabeça e essa era a causa da morte oficial. Só que eu não entendo. Se eles realmente acreditam que a causa da morte foi hemorragia interna pelos tiros, então por que insistiram que eu refizesse a autópsia e ficaram em cima de mim até que encontrasse algo de diferente nos corpos das vítimas? E se estamos falando de drogas novas, por que eles não me disseram mais nada sobre isso? Já que lidamos com casos mais comuns, não seria melhor nós descobrimos mais sobre esse elemento ao invés de tentar esconder de todos?
— Realmente, parece que tem alguma coisa de errada. — Comento, encarando o copo em minhas mãos. — Mas talvez o problema não seja o elemento em si. Talvez seja as pessoas que estão por trás disso. Sua tia pareceu bastante determinada a te manter afastado da investigação. E levando em consideração que esse caso está envolvendo polícia federal e o serviço de inteligência estadunidense, existe algo muito maior envolvendo esse caso. Então eles devem estar querendo proteger você e a sua família de um perigo que talvez você não dê conta de lidar.
— Eu sei. Mas eu sou um cientista, Cait. Você deve entender o meu desejo de descobrir a verdade, de desvendar esse mistério. É muito frustrante não poder fazer nada, quando eu sei que posso ajudar. — Responde, contrariado. E sim, eu entendia sua frustração e o sentimento fervoroso de encontrar a resposta de um enigma científico.
— Por enquanto, o melhor que você faz é tentar esquecer esse caso e focar na nossa pesquisa. Você é um cientista brilhante. Eu tenho certeza de que no momento certo, a Natasha deve revelar a você o motivo de tantos segredos e qual é a origem desse elemento. — Respondo e ele me encara pensativo.
— Eu te falei o nome da tia Tasha? — Pergunta o rapaz com curiosidade e é nesse momento que eu percebo o meu erro. Barry nunca chama a ex-namorada do tio pelo nome completo. Assim como todos os sobrinhos de Clint, ele a chama como tia Tasha.
Tento pensar em uma desculpa para ter acertado o nome da agente da CIA, mas nada vem na minha cabeça. Eu estava nervosa e isso não era nada bom. No entanto, para a minha sorte, Iris retorna do banheiro com um grande sorriso no rosto e deixando claro que havia boas notícias para nós.
— Voltei. — Fala minha melhor amiga, sentando-se ao meu lado. — Eu tenho ótimas notícias.
— O que aconteceu? Por acaso você ganhou no PowerBall¹? — Pergunta Barry, curioso pela animação exagerada de Iris.
— Vocês conhecem o Damon Salvatore? — Indaga minha melhor amiga, quase pulando de felicidade. Damon Salvatore é o filho do diretor da universidade e um dos caras mais populares da Universidade de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas Avançadas de Hawkins.
— Claro. Ele é o melhor amigo de um dos meus primos, o Oliver. O que tem o Damon? — Para o meu alívio, Barry parece ficar cada vez mais interessado na história de Iris e acaba esquecendo do meu deslize.
— Vocês sabem o quanto é difícil ser chamada para as festas dele, certo? A Caroline me ligou dizendo que vai rolar uma festa hoje na mansão dele e que todos estão convidados para ir. O que vocês acham? — Pergunta Iris, animada. — Vamos para a melhor festa da cidade?
— Eu não sei, Iris. — Respondo, hesitante. Eu não me sentia no clima para ir em uma das festas onde encontraria toda a universidade por lá.
— Ah, qual é, Cait? Vamos! Eu sei que você está de folga do trabalho hoje. E você e o Barry merecem se divertir um pouco. Vocês conseguiram terminar a primeira parte do projeto de vocês com sucesso. Essa é a chance de vocês celebrarem essa conquista. Depois de tantos anos querendo se matar, finalmente vocês conseguiram trabalham em equipe e estão realizando um projeto incrível. Vamos, por favor! Vamos, Barry!
— Claro. Oliver, Austin e Ben devem ir também. Eles sempre vão nessas festas do Damon. Eu não gosto muito de ir, porque eu sempre me sinto um pouco deslocado, mas você tem razão. Concluímos uma parte do projeto e merecemos nos divertir um pouco. — Responde Barry, dando de ombros.
— Está vendo, Cait? Até o Barry vai. Vamos, por favor. Por favor. Por favor. — Implora Iris, encarando-me com aqueles olhos pidões. Desvio o olhar para Barry, que balança a cabeça, como se dissesse que eu deveria aceitar de uma vez por todas a ideia maluca de Iris.
— A ideia de diversão de vocês é tão cansativa. — Reclamo, suspirando. — Tudo bem. Eu vou. Mas eu vou ficar pouco tempo. Quando eu me cansar, eu vou embora.
— Isso! — Comemora Iris, abraçando-me, quase soltando fogos de artifícios. Rio de sua loucura. — Eu tenho certeza de que você não vai se arrepender. Será a melhor festa de todas!
— Espero que dessa vez você tenha consideração de ficar perto de mim. Da última vez que fomos a uma festa, você começou a beber e simplesmente esqueceu que eu existia. Foi uma lutar encontrar você no meio daquela multidão. — Alfineto a garota, que me encara com culpa. Eu sabia o quanto ela se sentia mal pelo o que aconteceu na última festa em que ela me arrastou.
— Eu sinto muito, muito mesmo, Cait. Aquilo não vai se repetir, eu prometo. Vou ficar o tempo todo ao seu lado na festa de hoje. — Promete Iris, com aquela expressão de cachorro abandonado, enquanto me abraçava apertado. Encosto minha cabeça na dela e sorrio.
— Eu sei. Eu estou apenas brincando com você. — Respondo, tranquilizando a garota.
— E não se preocupe, Cait. Mesmo que a Iris desapareça, eu não permitirei que você fique sozinha essa noite em momento algum. — Afirma Barry, abrindo um bonito sorriso. Encaro o rapaz surpresa. — Isso é uma promessa.
As palavras de Barry fazem meu coração bater mais rápido. Era ridículo eu me sentir tão afetada por uma promessa boba como essa. Ainda assim, como uma idiota, eu me sentia feliz em saber que ele faria questão de me fazer companhia em uma festa onde ele sabia que seus primos e melhores amigos estariam presentes. Eu devo estar realmente enlouquecendo.
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