ROMANCES MENSAIS

LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL

CAPÍTULO VI — EMBRIAGUEZ

Luzes coloridas brilhavam no ritmo da música alta que Damon tocava ao lado do DJ da noite. Jovens da Universidade de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas Avançadas de Hawkins dançavam, beijavam, gritavam e cantavam completamente alterados pelas bebidas e drogas que haviam pela mansão Salvatore. Suspiro, desanimado e cansado demais para aquela multidão que havia no lugar.

Austin e Ben também não pareciam muito animados com isso, mas assim como eu, precisavam se distrair um pouco e talvez aquela festa luxuosa e exagerada, típica de Damon, pudesse nos ajudar a ocupar um pouco a mente. Enquanto Ben parecia enfrentar uma dura batalha consigo mesmo sobre seus sentimentos em relação a garota que passou anos odiando, Austin descobriu mais uma traição de Aaron e eu não conseguia parar de pensar na investigação de tia Tasha.

Olho em volta procurando por Cait, mas era difícil encontrar alguém em meio a barulhenta e embriagada multidão. As pessoas já estavam completamente fora de si e pela quantidade de alunos da UPH que ainda chegavam a mansão, eu tinha certeza que não demoraria muito para que a festa saísse completamente do controle.

— Acho que essa é a hora em que devemos encher a cara para suportar essa festa. — Ironiza Austin, quando um rapaz que reconheci ser da universidade aparece, oferecendo copos com alguma bebida alcoólica. Austin pega o copo e força um sorriso, enquanto o estranho estudante se afasta de nós.

— Ao menos pegue algo que você saiba o que é. — Repreende Ben, tomando o copo da mão de Austin. — E eu sei que está chateado, mas perder o controle só vai deixar Aaron mais feliz. E você tem que pensar em como você vai cumprir com a promessa que fez a sua família.

— Droga! — Resmunga Austin, frustrado. Ele então se vira para mim e suspira. — Vai logo procurar por ela. Nós ficaremos bem.

— O quê? — Pergunto confuso.

— A Caitlin. Eu sei que você só veio a essa festa para ficar com ela. Pode ir. Ben e eu vamos procurar pelo Oliver, a Sam e a Beth que devem estar no meio dessa multidão. — Explica o loiro, dando um fraco sorriso.

— Eu cuido dele. Não se preocupe. — Afirma Ben, dando um sorriso encorajador.

— Aproveita a noite e vê se desenrola esse relacionamento de vocês, porque eu estou quase perdendo as esperanças com o Ben. — Resmunga Austin, recebendo um tapa na nuca como resposta. — Pode me bater o tanto que for, mas você vai continuar sendo um trouxa.

— Você mal-humorado é insuportável. — Reclama Ben, revirando os olhos. Ele suspira e se vira para mim. — É sério, Barry. Vai se divertir. Nós também não vamos ficar aqui por muito tempo. Vamos ver se encontramos os idiotas dos nossos primos e depois vamos embora. E eu vou ficar de olho na criança birrenta aqui para ele não fazer nenhuma idiotice.

— Tudo bem. Qualquer coisa me liga. — Respondo e Ben assente, acenando com Austin em despedida.

Pego meu celular e tento ligar para a Cait, mas a ligação só vai para a caixa de mensagem. Procuro o número de Iris para tentar encontrar as garotas, mas o grito feminino chamando meu nome desperta a minha atenção. Surpreendo-me ao encontrar Cait rindo e acenando, enquanto a melhor amiga parecia fazer um enorme esforço para conseguir fazer com que a garota ficasse de pé. Desvio das pessoas que se tumultuavam o local onde as garotas e quando finalmente consigo as alcançar, noto que Cait estava completamente bêbada.

— Ei! É o Barry! Barry, Barry, Barry. Que engraçado! — Fala Cait, rindo. — Tenta falar o nome dele rápido três vezes, Iris. Eu... eu te desafio. Barry, Barry, Barry!

— Ah, finalmente você chegou! — Comemora Iris, tentando ajeitar Cait, que agora apertava o pescoço da amiga em um abraço forte.

— O que aconteceu com ela? — Pergunto, surpreso com o comportamento da garota. Ela ria e se mexia toda desengonçada.

— Cait é fraca para bebidas e deram algo forte demais para ela. Estou tentando fazê-la sentar, mas está difícil conseguir controlar o espírito festeiro dela. Amanhã, ela vai lembrar de tudo o que aprontou. É tão engraçado como ela fica morrendo de vergonha, enquanto lembra das coisas. — Conta Iris, rindo. — Poderia tomar conta dela, enquanto eu busco um pouco de água?

— Claro. Vem aqui, Cait. — Ajudo Cait a se afastar de Iris e a seguro pela cintura. A garota então me encara séria, antes de voltar a rir.

— Obrigada, Barry. Eu já volto. Espero que essa mansão tenha algo que não seja alcoólico. — Resmunga Iris, suspirando.

— Boa sorte. — Desejo e ela dá um sorriso fraco, antes de se arriscar no meio das pessoas que ocupavam a enorme sala de estar da mansão de Damon. — E o que nós fazemos com você?

— Barry! É você! — Fala Cait, pegando em meu rosto. Ela ri e acaricia meu rosto com uma expressão engraçada. A boca estava levemente aberta e os olhos um pouco caídos. — Você é muito, muito bonito, Barry. Não é justo.

— Obrigado. — Agradeço, rindo do bico que a garota faz. — Você também é muito, muito bonita, Cait. A garota mais bonita daqui.

Ela realmente estava linda. Os cabelos castanhos ondulados caiam como cascatas pelas costas. Cait usava um vestido preto curto de mangas longas e pedras. A maquiagem leve destacava seus olhos cor de amêndoas e seu sorriso a deixava ainda mais deslumbrante. Era incrível como ela conseguiu o feito naquela noite de parecer ainda mais bonita do que de costume.

— Mentira! — Esbraveja e dá um tapa em meu rosto, afastando-se em seguida. Sinto minha face arder com o tapa dado. Ela poderia estar bêbada, mas continuava forte. Seus olhos brilhavam como chamas. — Você acha a Sara mais bonita!

— Como? — Pergunto, surpreso. — De que Sara você está falando?

— Você sabe de quem eu estou falando! — Responde, irritada, enquanto tenta se manter de pé. Preciso agir rápido para segurar Cait, antes que ela caísse.

— Cait, eu realmente não sei de quem você está falando. — Afirmo, ajudando-a a se levantar.

— Lerdo! — Cait aponta para mim e me encara com repreensão.

— O quê...?

— E aí, galera! Sejam bem-vindos a melhor festa do ano! — O DJ grita, diminuindo o volume da música. As pessoas gritam animadas e Cait é uma delas. — E chegou o melhor momento da noite: o Karaokê! Quem quer ser o primeiro a cantar?

Todos gritam em resposta e Cait cambaleia em meio a multidão em direção ao palco que havia sido montado para o DJ. Tento alcançar a garota, mas de repente uma multidão se coloca a minha frente. Quando eu finalmente consigo passar pela quantidade absurda de pessoas que estava em frente ao palco, Cait já está lá em cima com um microfone em mãos.

— Droga, Cait! — Resmungo, sem acreditar o quanto aquela garota podia dar trabalho quando está sobre efeito de álcool.

— Barry! Vamos cantar! — Grita Cait, apontando para mim.

— Cait, desce já daí! — Peço, aproximando-me do palco.

— Eu quero cantar! Canta comigo, Barry! — Insiste a garota e as pessoas começam a gritar meu nome, incentivando que eu fosse. — Barry! Barry!

— É, Barry. Acompanha a gata no karaokê. — Fala o DJ, sorrindo animado.

Bufo, irritado e subo no palco, enquanto a plateia gritava animada. De cima, consigo ver Austin, Ben, Sam, Beth, Damon e Oliver reunidos com sorrisos divertidos em seus rostos e os celulares em mãos. É claro que meus primos não perderiam a chance de me ver passar vergonha e ainda gravar para jogar na minha cara. Tento puxar Cait para descer, mas os primeiros acordes de Summer Nights ecoam e a garota acaba se livrando.

De maneira bastante desafinada, Cait começa a canta, balançando a cabeça no ritmo da música. Aparentemente, ela havia decidido que cantaria as partes de Danny. Encaro meus primos, esperando alguma ajuda de Damon, já que ele é o dono da casa, mas tudo o que fazem, assim como a galera que assistia a apresentação, é rir ainda mais e aplaudir, incentivando a garota a continuar. Ela então me empurra para que eu cantasse a parte de Sandy. Sem saída, acabo entrando na onda de Cait. Ela cantava se divertindo e apesar de ser muito ruim, a garota se divertia ao som do dueto de Danny e Sandy em Grease.

Quando a música finalmente termina, recebemos os aplausos das pessoas e Cait tenta agradecer a todos com reverência, mas quase acaba caindo no processo. Rio e resolvo que já estava na hora dela tomar um pouco de ar e água para se recuperar. Pego a garota no colo, que abraça meu pescoço e encosta a cabeça em meu peito. Cait era surpreendentemente leve e em meio aos gritos e sorrisos maliciosos, sigo com a garota em meu colo para o enorme jardim da mansão de Damon.

Passamos pelas pessoas estranhas que pulavam na piscina e pareciam se divertir com as loucuras que faziam em seus saltos e assim que estamos afastados dos gritos e da bagunça que ocorria dentro da mansão, eu finalmente consigo respirar aliviado. Aproximo-me da mesa principal do jardim e suspiro aliviado por finalmente conseguir ter um pouco de silêncio. Coloco Cait no chão e ela me encara como uma criança.

— Você definitivamente é um perigo ambulante quando está bêbada. — Brinco, rindo. Ela continuava a me encara em silêncio. Eu estava começando a me preocupar com a falta das risadas sem sentido da Cait bêbada. — O que foi?

— Por que você chamou o nome dela? — Pergunta Cait e ela parecia magoada.

— Eu não faço ideia do que você está falando. — Respondo com sinceridade. Acho que aos poucos ela estava começando a recuperar um pouco da sobriedade. — Talvez seja melhor você se sentar um pouco. Eu vou ligar para a Iris e pedir para ela te trazer água aqui.

— Sara. Por que você chamou o nome dela enquanto dormia na minha casa? — Insiste a garota e finalmente entendo sobre o que ela estava falando. Cait então me dá um soco no peito e me encara com raiva. — Eu mexi no seu cabelo. Não ela! — Recebo mais um soco. — Não pode chamar o nome dela! Eu mexi! Não a Sara!

— Tudo bem. Eu entendi. — Digo, segurando o pulso de Cait com cuidado, quando ela tenta me bater de novo. A garota tenta então me bater com a outra mão, mas eu também impeço seu ataque. — É melhor você descansar um pouco, Cait.

— Quem é Sara? — Pergunta a garota de uma vez por todas. Suspiro, sentindo minha cabeça começar a doer. Eu não queria falar sobre esse assunto. — Fala, Barry!

— Sara Hopper. Ela é uma das minhas primas que morreu quando tinha doze anos. — Responde por fim e isso parece acalmar um pouco Cait. Solto os braços dela e suspiro mais uma vez. — Eu tinha oito anos quando ela morreu depois de anos lutando contra a leucemia. Ela foi o meu primeiro amor. No dia que eu dormi no sofá da sua sala, eu sonhei com a Sara. Ela costumava afagar meu cabelo e sorria como um anjo. Naquele dia, eu me lembrei disso. Fazia anos que eu não pensava na Sara.

— Ela morreu? — Sussurra Cait com tristeza. — Desculpa, Barry.

— Está tudo bem. — Respondo, acariciando o rosto entristecido de Cait. — Ela foi uma pessoa muito importante para mim. Quando minha mãe morreu, ela ficou comigo o tempo todo e fez de tudo para que eu não me sentisse sozinho. Mesmo sendo muito pequeno, eu ainda me lembro de toda a gentileza e amabilidade de Sara naquele dia. A morte dela foi um choque em nossa família, ainda que soubéssemos que ela não sobreviveria ao câncer. Sara estava pronta para morrer. Ela vivia cada dia como se fosse o último, ainda que todos lutassem contra a realidade.

De repente, Cait simplesmente começa a chorar. Eu não fazia ideia do que deveria fazer com a garota. Surpreendendo-me mais uma vez, ela me abraça e esconde seu rosto em meu peito. Em choque, acaricio a cabeça de Cait, correspondendo ao abraço. Ela parecia tão vulnerável. E então, ela se afasta de novo.

— Não é justo! — Afirma, enquanto as lágrimas desciam pelo rosto corado. Aquela noite eu estava conhecendo muitas facetas de Cait. — Eu não deveria ficar assim. Eu sou má. Meu coração é de gelo. Não existe ninguém mais grossa e intimidadora do que eu. Não tem! Eu sou a pessoa mais durona desse lugar!

— Certo. Você é muito má. — Concordo, rindo. Já não fazia mais sentido nenhum o que ela falava. Eu realmente precisava dar alguma coisa para Cait se recuperar da embriaguez.

— Então por que eu me sinto assim? — Pergunta Cait com os olhos brilhando, quase como uma criança. Ela realmente era muito bonita.

— Assim como? — Questiono, limpando o rosto molhado pelas intensas lágrimas.

— Não gosto como você me deixa vulnerável e confusa. Faz parar esses sentimentos malucos dentro de mim e essas vontades estranhas. — Pede, encarando-me com seriedade. Rio mais uma vez e recebo mais um soco em meu peito. Eu tenho certeza de que vou acabar ficando todo roxo pela manhã.

— Eu vou ligar para a Iris. — Aviso, pegando meu celular. No entanto, antes que eu pudesse procurar o número da garota, Cait coloca a mão sobre o aparelho e leva a outra ao meu pescoço, puxando meu rosto até que meu nariz tocasse no dela e nossas respirações se chocassem. — Cait...

— Eu odeio você. — Sussurra e encerra o espaço que havia entre nossas bocas.

Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Minha mente fica completamente em branco e acabo abaixando minha guarda. Cait aprofunda o beijo e tudo o que consigo fazer é corresponder. Sem qualquer controle do meu corpo, deixo meu celular cair levo minhas mãos a cintura da garota, puxando-a para mais perto, enquanto ela passa os braços por cima dos meus ombros.

Tudo era tão intenso, complexo e surpreendente. Cait supostamente deveria me odiar, mas estava me beijo. Eu supostamente deveria afastá-la, ela está bêbada e nem sabe o que está fazendo, mas eu a queria ainda mais perto de mim. Minhas emoções se misturavam e me confundiam. Sinto o seu perfume de flores invadindo o meu olfato, inebriando-me. Embriagando-me.

Cait então se afasta. Nossos olhos se encontram. Tento dizer algo, mas estava atordoado demais para conseguir emitir qualquer som. Nossas respirações irregulares ainda se chocavam e eu sentia que se não saísse de vez daquela posição, acabaria cometendo aquele erro mais uma vez. E então, ela faz a última coisa que deveria fazer naquele momento, onde meu coração se encontrava tão vulnerável. Cait sorri e a felicidade da garota chega como estrelas em seus lindos olhos cor de amêndoas.

Suspiro afetado e me afasto. Aquilo não era certo. Ela mesmo havia dito que me odiava. Cait está bêbada e nem mesmo deve se lembrar do que acabou de acontecer, então tudo o que me resta a fazer é ignorar o que aconteceu e seguir em frente, fingindo que nada disso aconteceu, que o sorriso de Cait não é o mais bonito que eu já vi em minha vida e que tudo o que eu mais desejava nesse momento era repetir tudo o que aconteceu.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Detenção de Março - Livro III: https://fanfiction.com.br/historia/787607/Detencao_de_Marco/