ROMANCES MENSAIS

LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL

CAPÍTULO VII — RESSACA

Minha cabeça estava pesada, minha boca seca e eu sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de mim umas três vezes. Eu estava enjoada e sentia que meu estômago estava em uma batalha feroz dentro de mim. Mas, nada disso superava a dor na consciência que eu sentia nesse momento. Eu duvido que alguém me odeie mais no universo do que eu mesma depois de todas as merdas que eu fiz ontem à noite.

Eu definitivamente estou proibida de chegar perto de qualquer bebida alcoólica pelo resto da minha vida. De todas as decisões idiotas que eu já tomei em minha vida, com certeza, beber um copo com bebida entregue por um dos alunos do curso de Tecnologia da Informação que estava alegrinho demais, sem nem saber o teor alcoólico daquela coisa exatamente na festa onde Barry estaria foi a pior das burrices que cometi em minha vida.

Iris dormia ao meu lado, com o braço jogado sobre o meu corpo. Manter os olhos abertos era um sacrifício, mas eu precisava urgente levantar e procurar um analgésico. Minha cabeça estava para explodir a qualquer momento. Então, reunindo todas as poucas forças que ainda me restavam, empurro Iris para o lado e me levanto mais rápido do que deveria. Preciso de alguns instantes para me recuperar da tontura e segurar a vontade de vomitar.

Por sorte, minha melhor amiga tem o sono pesado e simplesmente vira para o outro lado. Olho em volta e noto que estamos em seu quarto. Eu usava apenas sutiã e calcinha, provavelmente havia dado trabalho a minha melhor amiga e ela tinha desistido de me dar banho. Sabendo que ela não se importaria, decido pegar uma de suas roupas e tomar um banho primeiro. Eu estava péssima de todas as formas possíveis. Não tinha condições alguma de aparecer daquele jeito na cozinha da família de Iris. Por ser ainda sete horas da manhã de um sábado, o pai, a madrasta e as duas irmãs de Iris ainda estariam em casa e era melhor evitar constrangimentos.

Enquanto tomo um banho, aos poucos vão retornando a minha mente. Eu simplesmente havia sido a pessoa mais ridícula da noite. Para piorar, só faltou eu começar a tirar a roupa. Eu gritei, dancei como uma louca, cantei de maneira ridícula com o Barry e... Ai Meu Deus! Não! Não podia estar acontecendo. Foi um sonho. Isso. Com certeza foi um daqueles sonhos malucos que nós temos e rimos quando acordamos, porque são surreais demais.

Fecho o registro do chuveiro, ainda rindo das peças que minha mente está pregando em mim. Pego uma toalha limpa no armário do banheiro e me seco. De frente para o espelho e passo a mão para desembaçar o vidro. No entanto, quanto mais eu tentava ignorar as sensações e a imagem de estar beijando Barry, mais cenas daquela noite continuavam a retornar. Depois do karaokê, Barry me pegou no colo e me levou para fora da mansão Salvatore. Nós passamos pela piscina e seguimos para o jardim da mansão.

Como a estúpida e carente pessoa que me torno, exijo respostas sobre a identidade de Sara a Barry e isso só me faz ficar com ainda mais vergonha. Por que eu tinha que prestar esse papel humilhante logo na frente da última pessoa no mundo que deveria descobrir sobre esse meu interesse em sua vida? Eu realmente tenho o dom de passar vergonha. É impressionante.

Ele então me revela que a pessoa que ele chamou naquele dia era Sara Hopper. Eu sabia brevemente sobre a história dela por causa de Mon-El, que também chegou a conhecer a garota. Sobrinha mais velha de Clint, Sara tinha uma saúde frágil e morreu depois de anos lutando contra a leucemia. Ela era melhor amiga de Nancy e parecia ser muito querida pela família e amigos. Depois de sua morte, a situação na família de Clint ficou bastante complicada.

Barry contou também que ela foi o primeiro amor dele e que ela tinha o costume de afagar o cabelo dele. Como eu havia feito isso enquanto ele dormia, Barry acabou sonhando com a garota e se lembrou dela, por isso disse seu nome. Como se a situação já não estivesse humilhante o suficiente, eu choro pela tristeza que vi nos olhos do rapaz ao contar sobre Sara e o abraço, tentando oferecer algum conforto, mas ao invés disso, eu sou confortada por Barry.

Eu definitivamente preciso ficar longe do álcool. Quanto mais eu lembro da minha noite fracassada, mais eu tenho certeza de que nunca mais vou conseguir olhar na cara de Barry. Por que eu não posso ser uma daquelas pessoas que bebem e esquecem tudo o que faz? Seria muito mais reconfortante para a minha saúde mental.

E então chega o momento em que eu me lembro da pior das ações daquela noite. Barry e eu estávamos sozinhos no jardim da mansão de Damon. Eu estava chorando com o rosto escondido no peito de Barry. Seu perfume era realmente muito. Ele acaricia a minha cabeça, correspondendo ao abraço. E então, eu me sinto frustrada e me afasto dele.

— Não é justo! Eu não deveria ficar assim. Eu sou má. Meu coração é de gelo. Não existe ninguém mais grossa e intimidadora do que eu. Não tem! Eu sou a pessoa mais durona desse lugar!

— Certo. Você é muito má.

Alguém poderia jogar um raio em cima de mim nesse momento. Pelo amor de Deus! Eu sou má? Que droga é essa que eu fui dizer? Esse deveria ser o momento em que desmaiava e evitava passar vergonha. E o pior é que ele concorda, rindo. Com certeza deveria estar pensando que eu era a pessoa mais ridícula do mundo.

— Então por que eu me sinto assim?

— Assim como?

— Não gosto como você me deixa vulnerável e confusa. Faz parar esses sentimentos malucos dentro de mim e essas vontades estranhas.

Nesse ponto, meu orgulho já tinha sido massacrado pela minha boca há muito tempo. Mas obviamente, a Caitlin Snow bêbada parecia achar que isso ainda era pouco. Ela tinha que ir lá e me humilhar ainda mais na frente daquele que até um mês atrás era o meu pior inimigo. Por que eu tinha que me confessar para ele? Por quê, sua burra?

— Eu vou ligar para a Iris. — Avisa Barry, pegando o celular em seu bolso. Quando ele procura pelo número de minha melhor amiga, eu coloco a mão sobre o celular dele e depois o puxo pelo pescoço, até que nossas bocas estivessem a milímetros de distância e nossos narizes colados. — Cait...

— Eu odeio você.

E aí chega na parte mais humilhante, como se todo o resto não fosse nada demais. Ele avisa que vai ligar para Iris e o que eu faço? Isso mesmo, eu acabo com a chance de viver em sociedade. Eu digo que odeio ele e o beijo. Eu simplesmente o beijei! Como é que eu faço uma idiotice dessas? Eu envergonho Barry a noite inteira, dou trabalho para ele e de quebra, ainda o beijo! Sim, eu definitivamente sou a pessoa mais idiota do mundo.

— Cait! Já terminou? Eu preciso usar o banheiro! — Pede Iris, batendo na porta. — Anda logo!

— Iris! — Choramingo, odiando-me a cada minuto que passa. — Por que você me deixou beber?

— O que foi? Está passando mal? — Pergunta, abrindo a porta do banheiro. Viro-me para a minha melhor amiga e a abraço apertado. — O que foi, Cait? Você está me deixando preocupada.

— Não deveria ter me deixado beber. — Resmungo, enquanto ela dá leves tapas em minhas costas em uma tentativa de me consolar. — Eu acho que chegou o momento em que eu devo me isolar do mundo. Sem contato com qualquer espécie humana.

— Deixa de drama. — Repreende Iris, revirando os olhos enquanto me afasta. — É verdade que a sua performance no karaokê foi péssima. Se não fosse pelo Barry, você tinha destruído completamente Summer Nights, mas não acho que isso seja motivo para você entrar em desespero assim. E você tem que agradecer ao Barry por ter cuidado de você e trago a gente em casa. Ele foi um verdadeiro herói ontem. Não saiu de perto de você em nenhum minuto e ainda impediu que você fizesse mais alguma coisa que acabasse de vez com a sua imagem.

— Você não está entendendo a situação, Iris. Eu fiz uma merda muito grande. — Digo, pegando nos ombros de minha melhor amiga. Ela me encara confusa. — Eu beijei o Barry.

[...]

Três dias se passaram desde a festa maldita de Damon Salvatore e durante esse tempo, eu havia evitado Barry de todas as formas. Mas a minha sorte não duraria para sempre. Mesmo que eu tenha faltado a aula de hoje, eu ainda teria que me encontrar com ele na universidade, afinal, temos as mesmas aulas e precisávamos começar a segunda parte do projeto. Infelizmente, eu não poderia continuar fugindo do rapaz para sempre.

Barry havia me mandado mensagem e me ligado diversas vezes, mas covardemente, eu tenho o ignorado. Eu ainda não estava pronta para ver seu rosto e menos ainda para levar um fora do rapaz. Já havia sido bastante complicado aceitar meus sentimentos por ele, mas depois de muito pensar em minhas ações, eu não podia ignorar que eu realmente estava gostando de Barry. Ou talvez, eu sempre tenha gostado, mas por causa de meu maldito orgulho e competitividade, eu jamais fui capaz de admitir que aquele garoto extremamente inteligente, bonito e de personalidade amável me atraía.

Mas o que mais me incomodou durante esses dias foi a estranheza de Iris depois de descobrir que Barry e eu nos beijamos. Não que ela tivesse parado de falar comigo ou me repreendido de alguma forma, pelo contrário, ela tentou me animar e tentou me tranquilizar. Ainda assim, eu vi um brilho triste e hesitação em seus olhos. E mesmo insistindo ela insistindo que estava tudo bem, no fundo, eu sabia que havia algo de errado. E isso me levava a acreditar que talvez, Iris também tenha desenvolvido sentimentos por Barry.

Suspiro frustrada. Se Iris está mesmo apaixonada por Barry, gostar dele é a última coisa que eu deveria sentir. E ainda tem o fato de Barry parecer ainda ter sentimentos pelo seu primeiro amor, Sara Hopper. Não que ele tenha dito algo do tipo, mas se ele ainda sonha com ela e chama seu nome dormindo, isso pode significar que ele ainda não a superou. De qualquer forma, quanto mais penso sobre essa situação, mais arrependida por ter bebido e beijado Barry eu me sentia.

— Cait? — Olho para Elena, que sorria gentil, enquanto me encarava preocupada.

Nós estávamos no camarim do Hawkeye nos preparando para começar as apresentações da noite. Observo a roupa de Elena e como o nosso traje de apresentação havia lhe caído bem. Hoje usaríamos calça suplex cirrê e collant de manga longa pretos com tachas douradas sobre os ombros e botas cano curto de salto alto fino.

— Sim? — Respondo, pegando o batom preto metalizado para finalizar a fantasia de Nevasca, o meu nome artístico como membro das Beauty Swans, o grupo de dança burlesca do Hawkeye.

— Está tudo bem? — Pergunta, analisando-me.

Encaro minha colega de trabalho e sorrio, acenando positivamente. Elena Gilbert é uma das dançarinas das Beauty Swans. Por causa das lentes vermelhas, os longos cabelos escuros e a pele extremamente branca, ela ganhou o nome artístico de Vampira. Obviamente, isso só mostrava que nosso chefe era péssimo para nomes artísticos. Elena também é uma das sozinhas postiças de Clint, ainda que fosse por associação, como ela gostava de dizer. Isso, porque na verdade, ela é realmente prima de Barry por parte de mãe.

— Está sim. — Afirmo, sorrindo para acalmar a garota.

— Você e Barry brigaram de novo? Barry ficou quase o fim de semana se lamentando, dizendo que você não está respondendo as mensagens dele. — Elena me encara com curiosidade e eu apenas balança a cabeça, negando.

— Na verdade, fui eu que fiz. Eu tive a brilhante ideia de ir a festa do Damon Salvatore na sexta e acabei bebendo demais. Você sabe, eu sou fraca para bebidas. Barry cuidou de mim a festa toda, eu acabei fazendo muita merda na frente dele e não sei como encarar o seu primo. — Confesso e Elena revira os olhos, antes de rir. Eu preferi ocultar a parte onde eu o beijei, para não ter que lidar com os surtos de Elena, que torce para que eu namore com seu primo.

— O Damon sempre faz essas festas descontroladas. Ele é um rebelde sem causa. Não deveria ter ido. É uma perca de tempo. — Afirma a garota, ajeitando o topete de sua peruca preta. Elena conhece Damon e o odeia desde que eram crianças, quando ainda frequentavam os acampamentos de Clint, então sempre que tem a oportunidade, ela não perde tempo em reclamar do rapaz. — E não se preocupe. Eu não sei o que você fez, mas o Barry tem um ótimo coração e eu sei que ele não se importou.

— Meninas, está na hora de irmos. — Avisa Ally, aparecendo na porta do camarim, já arrumada como Roxy Rocket, com sua peruca loira com quadrados rosas nela.

— E vamos lá para mais uma noite de trabalho. — Digo, colocando a peruca branca que completava a minha personagem.

Elena e eu seguimos Ally para o salão do Hawkeye com as outras dançarinas do Beauty Swans. Ao todo, nós somos seis dançarinas e uma cantora no centro da apresentação. Como trabalhamos por escala, cada noite temos dançarinas diferentes e cantoras diferentes. Hoje seríamos Elena, Susan, Wanda, Emma, Gwen e eu como as dançarinas e Ally como cantora. Com sua voz doce, ela se apresentaria como a estrela da noite, enquanto nós iremos dançar e animar o público. Fora dos palcos, todas as setes assumem o papel de garçonetes do Hawkeye. Realizamos três apresentações de dança e o restante da noite o DJ assume o controle da pista de dança.

Já em posição para entrar no palco, ouvimos os primeiros toques do som envolvente de Earned It de The Weeknd e é possível ouvir os gritos e aplausos do público. Todas sorrimos e unimos nossas mãos, desejando boa sorte, antes de Ally entrar. Atrás da garota, nós nos sentamos nas cadeiras posicionadas no palco e iniciamos a coreografia, sempre sorrido e exibindo o máximo de nossa sensualidade.

Ally vai para trás das cadeiras e a plataforma onde ela estava se eleva, totalmente iluminada. Ao ouvirem a voz doce de Ally com sua plataforma subindo e nossa dança com as cadeiras, as pessoas gritam, eufóricas. Era incrível ver os rostos com os sorrisos embasbacados da plateia, que se surpreendia a cada novo movimento. Eu amava a sensação e não cansava de sentir aquela adrenalina de estar no palco dançando, mesmo depois de anos trabalhando no Hawkeye.

Quando a canção e a coreografia terminam, a plataforma de Ally volta a posição inicial. Nós nos reunimos de mãos dadas e reverenciamos, agradecendo ao público. As pessoas gritavam e pediam para que nos apresentássemos mais uma vez. Sorrimos e descemos do palco, acenando. Havíamos feito uma apresentação¹ incrível.

Descemos do palco pela parte da frente, onde recebemos as bandejas das mãos de Black que usava máscara preta, roupas da mesma cor e a letra "B" na cor dourada estampada em seu peito em seu típico traje extravagante. Cumprimentamos alguns clientes frequentes no Hawkeye, que nos parabenizavam pela excelente performance. Ainda apresentaríamos mais duas coreografias Chair Dance na noite e pela primeira apresentação, eu não tinha dúvidas que as pessoas ficariam para assistirem as outras.

Seguimos para o balcão onde Mon-El, devidamente caracterizado como Lar Gand, seu nome artístico no Hawkeye, preparava os drinks com todo o seu talento como bartender. Levaríamos os pedidos feitos durante a apresentação para as mesas, como de costume. O que eu não esperava era encontrar Austin, Barry e Ben no balcão, encarando-nos com admiração. Prendo minha respiração, sem acreditar que justamente a pessoa de quem tenho fugido os últimos três dias, estava de frente para mim e, o pior ainda, visto a minha apresentação.

— Cait? — Vejo o rapaz sussurrar ao meu reconhecer.

— Merda. — Digo, virando de costas para ele. Os olhos de Elena se encontram com os meus, confusa com o meu comportamento. — Você precisa assumir o meu lugar.

— O quê? Por quê? O que aconteceu? — Pergunta, mas ao olhar por cima do meu ombro, parece entender o meu desespero. — Bom, ele está vindo.

— Droga. — Resmungo e me apresso em fugir dali. Eu sabia que as meninas conseguiriam me cobrir e no meio da quantidade enorme de pessoas que haviam no salão do Hawkeye, talvez eu conseguisse escapar de Barry. Infelizmente, a minha cota de sorte havia se esgotado e o rapaz consegue pegar em meu braço, antes que eu chegasse a área de funcionários.

— Cait! Espera! Nós precisamos conversar. — Pede Barry, encarando-me com seriedade. Seus olhos praticamente imploravam para que eu o ouvisse. — Por favor.

— Eu estou trabalhando no momento. Não dá para conversar agora. — Respondo e ele bufa, frustrado.

— Tudo bem. Eu espero você sair do trabalho. — Afirma, soltando o meu braço. — Ficarei aqui até o Hawkeye fechar, mas por favor, vamos conversar. Você me evitou o fim de semana inteiro, não respondeu as minhas mensagens e nem atendeu as minhas ligações. Fui em sua casa e você não estava. Você nem mesmo foi para a universidade hoje de manhã e eu sei que você não estava doente. Eu não sei o que eu fiz, mas ao menos me dê a chance de me desculpar, se eu te magoei de alguma forma.

Suspiro, sentindo-me culpada. Barry não havia feito nada de errado. A culpa era toda minha. Eu que não sabia lidar com meus sentimentos e preferia fugir a encarar a realidade. Respiro fundo, tentando criar coragem. Já estava na hora de enfrentar meus temores e receber a resposta de Barry, seja ela qual for. Nós somos adultos e maduros o suficiente para lidar com as consequências de nossas ações.

— Tudo bem. Vem comigo. — Digo, pegando no pulso de Barry para guiá-lo aos fundos do Hawkeye. Eu queria um pouco de tranquilidade e privacidade, algo que não teríamos em lugar algum na casa burlesca.

Assim que saímos, fecho a porta e solto o braço de Barry. Encaro o rapaz, que analisava minha aparência, surpreso pelo que via. Minha pele estava ainda mais branca para combinar com o meu nome artístico. Eu usava uma peruca com o cabelo branco ondulado, lentes de contato azul-claros e batom preto metalizado. Com certeza eu deveria estar estranha aos olhos do rapaz.

— Você está incrível. — Comenta Barry, quebrando o silêncio. — Parece uma super-heroína poderosa.

— Obrigada. — Agradeço, um pouco envergonhada pela forma como ele me encarava. Desvio o olhar para as caixas que estavam amontoadas no fim do beco sem saída que é os fundos da casa de show. — Vamos nos sentar.

— Tudo bem. — Ele concorda e me acompanha até o local onde se senta ao meu lado. Barry suspira e me encara com preocupação. — Por que está me evitando?

— Desculpa. — Lamento, encolhendo-me. Eu me sentia intimidada pelo o olhar intenso de Barry sobre mim. — Eu não sabia como te encarar depois de tudo o que eu fiz na sexta.

— Cait, você não fez nada demais. Elena bêbada é muito mais trabalhosa que você. — Responde Barry, rindo. Ele pega em meu queixo e o levanta, obrigando-se a encará-lo. — Olha, está tudo bem. Você estava bêbada e não sabia o que estava fazendo. Confesso que fiquei surpresa em como você canta mal, mas claro, não é todo mundo que consegue acompanhar a minha voz de anjo. — Dou um tapa em seu braço e ele ri, divertindo-se com a minha reação.

— Eu... eu me lembro de tudo. — Confesso, encarando Barry. — Eu lembro que eu te... te beijei.

— Ah, isso. — Barry coça a nuca, parecendo sem graça. — Não se preocupe. Eu sei que você só fez isso por impulso. Não foi nada demais.

— Não, Barry. Eu te beijei, porque eu queria te beijar. — Afirmo e vejo as bochechas dele ficarem avermelhadas. Droga! Ele fica tão fofo corado de vergonha. Dá vontade de apertar e o encher de beijos.

— Eu sei. A bebida faz a gente agir por impulso. Mas está tudo bem mesmo, Cait. Eu sei que você estava fora totalmente fora de si. Então não tem motivos para me evitar só por estar com vergonha. Nós somos amigos agora. Por isso, confie um pouco mais em mim. — Responde Barry e agora eu estava com vontade de apertar o Barry em um Mata-Leão e o encher de porrada. Como esse garoto conseguia ser tão lerdo?

— Por Deus, Barry! Eu gosto de você. — Afirmo e ele ri, ainda sem acreditar.

— Eu também gosto de você, Cait. Você é uma pessoa incrível. É divertida, inteligente, determinada e muito bonita. Eu fico feliz que a gente tenha se tornado amigos. — Responde e eu juro que mais um pouco, eu ia pagar uma das caixas de madeira em que estávamos sentados e faria questão de quebrar na cabeça dele.

Bufo, frustrada, enquanto ele me encarava confuso. No entanto, antes que eu tentasse mais uma vez contar para o idiota por quem eu estupidamente estou... apaixonada — ainda é difícil acreditar e admitir para mim mesmas que eu realmente estou apaixonada por ele -, uma mulher loira e roupas brancas aparece lutando contra dois homens no corredor em que estávamos.

Barry e eu nos levantamos, assustados. Mesmo que estivesse batendo mais do que apanhando, nós não sabíamos se deveríamos interferir na luta ou chamar por ajuda. Ela então parece perceber nossa presença e no momento em que um dos homens atiraria em nós, ela entra na frente e acaba levando em nosso lugar.

A loira cai de joelho no chão, enquanto os dois homens aproveitam a oportunidade para fugir. Ela se levanta e pega uma espécie de comunicador, provavelmente avisando para alguém a direção em que os dois homens haviam ido. Preocupada com o que estava acontecendo, corro para ajudar a mulher que sangrava junto com Barry.

— Ei! Você está bem? — Pergunto, assim que alcanço a mulher. No entanto, no momento em que ela me encara, não consigo evitar a surpresa. — Sara? O que você está fazendo aqui?

Notas finais
Apresentação da chair dance: https://www.youtube.com/watch?v=4G3IfQ7WnNk