Competições de Abril
16 Ameaças
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
CAPÍTULO XV — AMEAÇAS
Seis homens armados nos cercavam, apontando as armas para nós sem se importar que alguém os visse. Barry apertava minha mão e tentava usar seu corpo para me proteger, no entanto, para todo lado que olhássemos, haviam homens enormes com expressões assustadoras prontos para atirar em nós. Eu sentia meu coração prestes a sair pela boca e o medo me consumia cada vez mais. Temia pela minha vida e a de Barry. Rezava para que qualquer entidade divina nos protegesse. Mais uma vez, nós estávamos de frente com a morte.
— O que vocês querem? — Pergunto, tentando encontrar uma forma de nos livrarmos daqueles homens. — Por que estão fazendo isso?
— Venham conosco. — Responde um dos homens, com um forte sotaque. Ele com certeza não era americano.
— O que vocês querem com a gente? — Insisto, tentando não me intimidar com o olhar ameaçador do homem de olhos pequenos e corpo musculoso. Aquelas pessoas sem dúvida pertencem a Yakuza. — Por que estão atrás de nós? Não fizemos nada de errado e não temos nada a oferecer a vocês. Por favor, nos deixem em paz!
— Cait. — Barry me interrompe ao ver que eu estava começando a perder a calma. Ele me dá um fraco sorriso como se dissesse que ficaria tudo bem e volta a encarar o homem que parecia ser o líder daquele grupo. — Eu vou com vocês, mas deixem ela em paz. É a mim que vocês querem, não é mesmo?
— O quê? Não mesmo! — Nego no mesmo instante. — Ou vamos nós dois ou os dois ficam aqui.
— Cait, por favor. — Insiste meu namorado, mas eu estava longe de concordar com aquele plano. Mesmo sem saber o que estava acontecendo, não permitiria que Barry fosse sozinho com aquele brutamontes para onde quer que eles planejavam nos levar. — Vai ficar tudo bem. Confie em mim. É a mim que eles querem, então eles não irão me machucar.
— Isso não tem discussão, Barry. Não vou deixar você ir sozinho com eles. — Respondo determinada e ele bufa, frustrado.
— Chega! — Vocifera o membro da Yakuza, impaciente. Ele coloca o cano de sua arma na barriga de Barry e nos encara de forma ameaçadora. — Vocês dois irão e acho melhor vocês colaborarem com a gente se não quiserem conhecer o inferno mais cedo. Agora vamos.
E de maneira brusca, Barry e eu somos empurrados por um caminho que deveria estar interditado e que levava a uma região isolada da universidade. Ao longe, conseguimos ouvir que o alarme de incêndio havia parado de tocar. Nesse momento, entendendo que a presença dos membros da Yakuza sempre teve o objetivo de realizar o nosso sequestro. No entanto, eu não conseguia entender o porquê deles nos quererem.
Por outro lado, meu namorado parecia saber exatamente o que estava acontecendo e, assim como no dia que fomos atacados a caminho da fábrica de queijo do pai de Robert, ele se mantinha calmo e não demonstrava qualquer intimidação por estarmos sendo levados por uma das maiores organizações criminosas do mundo. Era como se ele realmente estivesse acostumado com aquele tipo de situação.
Os criminosos nos conduzem até uma limousine preta que estava estacionada nos fundos do último bloco da universidade. Haviam mais dezenas de homens armados nos aguardando, enquanto vigiavam o perímetro. Sem se importar se nos machucaríamos, os homens nos empurram para dentro da limousine e três deles entram junto conosco. Os outros homens seguem para os outros carros que estavam ao nosso redor, dando partida logo em seguida.
Aquela situação era realmente aterrorizante. Sentado de frente para nós havia um homem de olhos puxados que aparentava ter mais de sessenta anos. Ele usava a típica yukata¹ japonesa masculina preta, um obi² dourado e geta, um calçado típico japonês feito de madeira. Apesar da aparência calma e expressão serena de um idoso, eu sentia que aquele homem era muito mais perigoso do que aparentava ser.
Durante alguns minutos, tudo o que ele fazia era nos encarar sem dizer uma só palavra, enquanto a limousine se movia pela cidade. Eu estava nervosa. A forma como ele parecia ter o controle da situação e não ter pressa alguma me deixava inquieta. Por fim, o homem pega um chá que era oferecido uma mulher que também trajava as típicas roupas japonesas, mas ainda mais elegante e delicada.
— Sejam bem-vindos. — Cumprimenta o homem depois de dar um gole em seu chá. Ele nos encara com um sorriso calmo. Nem mesmo parecia que Barry e eu havíamos sido sequestrados. — É uma honra tê-los aqui.
— Não que vocês tivessem nos dado muita escolha. — Comenta Barry com ironia. O homem dá um sorriso divertido e volta a beber mais de seu chá. — O que vocês querem com a gente? Por que a envolveu nisso? Pensei que vocês me quisessem apenas.
— Vocês americanos são sempre tão apressados. — Fala o homem, dando um pequeno sorriso. Ele bebe um pouco mais do chá e entrega a kobati³ onde tomava a bebida para a mulher que havia oferecido ao homem. — Deveria aprender um pouco sobre cortesia e boas maneiras com o seu tio, Sr. Allen. Clint Barton é um homem interessante. É sempre bastante divertido encontrá-lo.
— Vocês explodiram uma bomba na nossa universidade durante um dos eventos mais importante que temos, apontaram armas para nós e nos sequestraram. Agora você exige boas maneiras? — Questiono, rindo indignada. Depois de escutar a exigência absurda daquele homem, ao invés de medo, eu sentia revolta e fúria. — Não seja ridículo, vovô! Eu não ligo para o que vocês querem com a gente. Nos deixem em paz!
— Sempre tão intensa, Srta. Snow. Confesso que estou bastante surpreso de que os boatos sobre sua beleza, inteligência e personalidade sejam tão fieis. — Comenta o homem, parecendo não se importar com a forma como eu havia gritado. — Antes de conversar com vocês sobre o motivo de ter os trago aqui, creio que devo me apresentar. Eu me chamo...
— Kimanjiro Inugane. Um dos maiores líderes da Yakuza. — Responde Barry, interrompendo o homem, que sorri impressionado. — Eu sei quem você é, Sr. Inugane, o que eu não entendo é a forma desesperada como está agindo. Você é um antigo conhecido de meu tio. Eu tenho certeza de que ele não ficará nada feliz em saber o que está fazendo com a família dele.
— Você é realmente sobrinho de Clint. Não é em vão que tenha ganhado a competição de sua universidade. O trabalho que desenvolveram foi impressionante. Isso só confirmou para mim a magnitude da inteligência de vocês. — Afirma o homem que descobri ser um dos líderes da Yakuza. Sinceramente, esse caso de Sara e da agente Natasha está tomando proporções que eu jamais imaginei. Primeiro eu vejo minha colega de quarto levar um tiro, depois Barry e eu somos perseguidos pela cidade e agora somos sequestrados por um dos líderes da organização criminosa japonesa. — Assistir a apresentação de vocês só me fez ter certeza de que vocês são as pessoas que eu estava procurando para desvendar os mistérios do Mirakuru.
— O quê? Você só pode estar brincando. — Respondo, rindo incrédula. — Acha mesmo que nós possuímos algum conhecimento científico sobre esse soro? Creio que esteja nos superestimando demais, Sr. Inugane.
— Você pode não ter, mas seu namorado sim, Srta. Snow. Estou errado, Sr. Allen? — Pergunta o homem a Barry, dando um falso sorriso amável. Encaro meu namorado surpresa. Ele não esboça reação alguma diante da afirmação do criminoso. — Você é conhecido como o gênio da família Barton, ainda que todos vocês tenham o QI elevado. Eu não tenho dúvidas de que Clint contou tudo o que sabia sobre o soro a você.
— Tudo o que sei são apenas histórias, Sr. Inugane. Você deveria saber que até mesmo meu tio possui limites em envolver seus sobrinhos em assuntos perigosos como esse soro. Até algum tempo atrás, eu acreditava que tudo não passava de lendas japonesas criadas durante a Segunda Guerra Mundial. Eu nunca tive contato com o soro e menos ainda com estudos científicos sobre a fórmula dele. Não há garantia alguma de que eu consiga decifrar todos os mistérios por trás da fórmula milagrosa do Mirakuru. — Explica Barry, encarando o homem com seriedade.
— E é exatamente por isso que trouxemos a sua bela e talentosa namorada conosco. — Conta o Sr. Inugane, revelando um sorriso maquiavélico. O velho babaca finalmente estava começando a mostrar a verdadeira face dele.
— Você vai usá-la para me chantagear? — Questiona Barry com o tom de voz baixo, mas bastante intimidante. Ele parecia prestes a matar o idoso diabólico.
— De forma alguma. Não somos animais, Sr. Allen. — Afirma o homem, encarando-nos de forma calma demais para quem parecia pronto para atirar em nós. — Mas assim como você possui uma invejável inteligência, Sr. Allen, sua namorada também é uma pesquisadora exemplar. Além disso, diferente de seu tio que apenas se limitou a contar sobre a existência do soro, a Srta. Snow teve contato aos estudos científicos sobre o soro por causa de sua mãe, a Dra. Carla Tannhauser.
— Eu não faço ideia do que você está falando, Sr. Inugane, mas eu tenho certeza de que minha mãe não tem nada a ver com um soro milagroso que não deveria passar de uma lenda. — Respondo com confiança. — Minha mãe é apenas uma cientista com especialidades em biologia que trabalha em uma cidade do interior.
— A sua mãe, Srta. Snow, foi a cientista chefe das pesquisas realizadas pelo Hawkins National Laboratory sobre o soro em 2001. Ela conseguiu desenvolver descobertas surpreendentes com a ajuda da Dra. Maia Mullins, sua mãe desenvolveu o Projeto MKUltra. Infelizmente, o estudo foi encerrado no momento em que Ted Wheeler assumiu a presidência do laboratório, após a Dra. Mullins ser presa acusada de estar envolvida em esquema de corrupção e patrocinar os experimentos do Projeto MKUltra em seres humanos. — Explica o homem, surpreendendo-me. — Desolada, sua mãe retornou para a sua cidade e te deu todos os estudos que realizou no Hawkins National Laboratory sobre o Mirakuru. O que eu estou querendo dizer, Srta. Snow, é que você possui todo o material necessário para desvendar os mistérios do Mirakuru e é por isso que vocês dois irão nos ajudar. Caso contrário, vocês irão experimentar o verdadeiro poder da Yakuza.
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