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21 Parques e pelúcias gigantes


Notas iniciais
Olááá, gracinhasssss!! Tudo bem com vocês? Primeiramente eu gostaria de me desculpar mais uma vez pela demora desse capítulo. Gente, esse último mês foi tão corrido... sabe como é... terceirão, provas finais, formatura, outros bagulhos doidos, que eu simplesmente não arranjei tempo pra vir aqui postar pra vocês. Massssssss, a boa notícia (e um tanto quanto estranha e desesperadora) é que agora eu estou 100% livre de escolas (ainda é assustador) e cheia de inspiração pra escrever e olha só... já está chegando o famigerado baile (uma semaninha só, no tempo da história) e prometo que esse baile promete, hein?? Não digo mais nada. Enfim, muito obrigada a Mareena por ser essa pessoa tão doce e maravilhosa que sempre deixa comentários tão lindos aqui! Obrigada também a todos que favoritaram e acompanharam a história, vocês são demais, galera! Sem mais delongas, boa leitura e espero que gostem!!! ♥

Vinte e um

⁃ Bom dia, flor do dia. — Majô praticamente gritou e abriu as cortinas grossas da varanda em um movimento brusco. Benício se encolheu rapidamente, murmurando alguma reclamação e cobrindo o rosto com a coberta.

Majô olhou para o garoto, esperando que ele levantasse, ou que pelo menos se mexesse. Ao perceber que ele não faria nada disso, começou a cutucá-lo.

⁃ Acorda, Benício. Você já está aí há muito tempo. — seu vizinho bufou e colocou a cabeça para fora do amontoado de tecido.

⁃ Que dia é hoje? — ele perguntou com a voz rouca e com um olho meio aberto e outro meio fechado. Majô revirou os olhos.

⁃ Sábado, mané.

⁃ Fecha a cortina, minha cabeça vai explodir. — ele virou de lado na cama e fechou os olhos, rodeados por dois círculos roxos. Benício parecia péssimo. Ela se virou e pegou o copo que havia trazido de cima da escrivaninha.

⁃ Toma, bebe isso. Pesquisei receitas cura ressaca na internet e essa aqui foi muito comentada.

Ben olhou para o líquido viscoso marrom e franziu o cenho. Olhou para a sua vizinha, que sorria.

⁃ O que tem aí? — ela sorriu mais.

⁃ Nada que você precise se preocupar... — ele ainda estava desconfiado, mas sentou na cama e pegou o copo, tomando um grande gole, quase botando tudo para fora em seguida. Encarou a garota indignado.

⁃ Caramba, Marjorie. Quer me matar? Isso 'tá podre.

⁃ Hoje ainda não. Para de frescura e bebe, Benício. Você que se colocou nessa situação. — ele revirou os olhos, mas tapou o nariz e virou tudo em poucos segundos, fazendo uma careta em seguida. Majô riu e Ben a encarou irritado.

⁃ Como você chegou aqui, afinal? — perguntou e sua vizinha ficou repentinamente séria.

⁃ Não se lembra do que aconteceu ontem? — ela perguntou e quis sumir quando sua voz falhou um pouco. Ben passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o mais ainda.

⁃ Claro que não... eu estava bêbado. — Majô olhou para baixo.

⁃ Sério?

⁃ Sei lá, Marjorie. Eu lembro que eu estava numa festa e comecei a beber. Depois só... — fez um gesto com a mão. — ...nada. Agora você está aqui e eu nem lembro como isso aconteceu. — encarou a garota e arregalou os olhos logo em seguida. — A gente...? — não, completou a frase, mas Majô entendeu perfeitamente. Balançou a cabeça, sem acreditar naquilo, mas depois riu de escárnio.

⁃ Claro que não, Benício. Vindo de mim isso não aconteceria. Tenho cada vez mais certeza disso. — disse de um modo rude e Ben franziu o cenho, o que havia de errado? Majô se virou e ia sair do quarto, quando sentiu os dedos de Ben entre os seus, a puxando levemente.

Aquilo foi como um choque para ela. Afastou a mão rápido e encarou Benício numa expressão quase ofendida. Ele também já a encarava com o cenho franzido, como se tentasse desvenda-la.

⁃ Olha, se eu te xinguei ou alguma coisa assim, não leva muito a sério, tá? Eu não me lembro de ter ficado desse jeito há muito tempo. — explicou e Majô quis lhe dar um soco no outro lado do rosto bonito.

Quem ela queria enganar, o fato dele não se lembrar foi como um tapa para ela. Naquela madrugada parecia tão... real. Agora ela estava ali, se sentindo uma idiota por ter achado que ele se lembraria, enquanto seu vizinho nem tinha conhecimento sobre o ocorrido.

⁃ Esquece, Benício. Não importa. — se virou e começou a andar para a porta, deixando um Benício confuso para trás. Ele se jogou na cama, passou as mãos pelos cabelos, numa tentativa falha de ajeita-los, e olhou para sua escrivaninha, levantando bruscamente em seguida.

⁃ Majô, espera. — ele disse e sua vizinha voltou a encará-lo. — Eu marquei com a Char de ir ao novo parque de diversões da cidade. — ela revirou os olhos e bufou.

⁃ Bom, parece que você tem um longo dia pela frente. — se virou de volta, mas Ben, com uma velocidade duvidável para quem está de ressaca, entrou na sua frente, impedindo sua passagem.

⁃ Você acha que eu serei uma boa companhia para a minha prima nesse estado? — apontou para o seu corpo, como se explicasse seu ponto.

⁃ Você pareceu ótimo quando saiu correndo para chegar até aqui. — Ben a encarou descrente e ela respirou fundo. — Eu sinceramente não estou nem aí. Sua vida, suas escolhas. — foi a vez de Ben bufar e revirar os olhos.

⁃ Quantas vezes eu vou ter que pedir desculpas por qualquer coisa que eu te disse nessa madrugada?

⁃ Eu não quero suas desculpas, Benício. — ela disse alto e eles ficaram sem falar nada por alguns segundos.

⁃ Por favor, pela Char. — ele finalmente quebrou o súbito silêncio. — Ela não merece um dia de merda por minha causa. — Majô se pôs a pensar por alguns segundos. Depois suspirou e voltou a olhar para seu vizinho.

⁃ Eu preciso ir para a minha casa me arrumar e comer alguma coisa. Volto em meia hora. — disse e Ben sorriu abertamente.

⁃ Muito obrigado. — sua vizinha revirou os olhos e finalmente saiu do quarto.

⁃ Não se acostume. — disse e sumiu escada abaixo.

Então Ben finalmente suspirou e se jogou na cama novamente, tentando se lembrar de alguma coisa que aconteceu durante a festa. Resolveu parar quando sentiu que sua cabeça poderia explodir a qualquer segundo. Não lembrava como tinha chegado àquele estado, o porque se deixou afetar tanto pelos acontecimentos do dia anterior. Começou a se irritar por tudo que estava sentindo e levantou antes que pensasse demais.

Primeiramente fechou as cortinas, não estava aguentando aquela quantidade de claridade que emanava do dia ensolarado e sem nuvens lá fora. Desceu as escadas e foi até a cozinha, abrindo uma porta do armário e tirando a caixa de remédios de dentro. Pegou um copo de água e engoliu junto com a aspirina. Olhou para o lugar bem planejado e suspirou. Por que tinha combinado de ir ao parque com Charlote, mesmo? Amava sua prima, mas não podia negar que ele tomava decisões precipitadas. Ele devia decidir as coisas só no momento que elas iam acontecer. Achava que não seria a melhor das companhias, mas pelo menos tinha Marjorie para distrair a garotinha...

Marjorie... apesar de não querer, não pôde evitar voltar a pensar em sua vizinha. Então quer dizer que ela tinha o ajudado na noite anterior? Foi de volta para o quarto e entrou no banheiro. Jogou água fria no rosto, tentando despertar completamente, e se perguntando o porque que ela estava daquele jeito de manhã. Há menos de um mês ele tinha certeza que Marjorie realmente o deixaria definhar na madrugada, mas agora não era diferente? Quer dizer, eles fizeram uma trégua e tudo mais, então porque ela parecia tão... distante? Ele suspirou, percebendo que faria praticamente qualquer coisa para se lembrar do que tinha acontecido.

Resolveu tomar um banho. Sua cabeça estava começando a melhorar, mas usaria um óculos escuros de qualquer jeito, por causa das olheiras e da claridade ainda incômoda. Passou mais tempo que seria recomendado debaixo da água gelada, sentindo todos seus músculos doloridos, sem nem saber o porque. Estava terminando de se vestir quando ouviu a companhia tocar no andar de baixo. Pegou a toalha e desceu as escadas secando o cabelo, abriu a porta e deu de cara com a sua vizinha perfeitamente arrumada.

⁃ Óculos de sol? — ela arregalou um pouco os olhos. — Tá mal mesmo, hein, garotão?- ela comentou e ele revirou os olhos.

⁃ Eu já disse que eu...

⁃ “Não me lembro de ter ficado assim há muito tempo.” — dessa vez Majô revirou os olhos, fazendo uma voz grossa para tentar imitar a de Ben. — Eu já entendi. Só não entendo porque isso aconteceu, Senhor Fígado de Ferro. — o garoto olhou para baixo, subitamente lembrando dos acontecimentos da tarde anterior.

⁃ Esquece, não importa. — deu de ombros e Majô abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi impedida por um ronco de motor na frente da casa de seu vizinho.

Poucos segundos depois, uma animada Charlote desceu do carro antes mesmo de Jeff fazer o mesmo, e correu aos gritinhos até os dois, abraçando primeiramente Marjorie, como sempre, e fazendo seu primo revirar os olhos.

⁃ Agora vai ser assim, Char? Você nem conhece essa garota direito.

⁃ Mas ela é linda e legal. — disse ainda agarrada a Marjorie.

⁃ Coisas que você não é. — Majô comentou olhando pra ele.

⁃ Não é o que a maioria acha. — sorriu presunçoso.

⁃ Esse negócio na sua testa diz o contrário. Tomara que não fique uma cicatriz gigante. — ele a encarou ofendido e Charlote pareceu finalmente perceber o curativo no local.

⁃ O que aconteceu com sua cabeça? — perguntou.

⁃ Eu tropecei e caí, Char. — abaixou para ficar na altura da garota. — Por isso é importante que você sempre olhe para onde anda. — Marjorie não pôde evitar rir.

⁃ Estar sóbrio também evita esse tipo de coisa. — disse baixinho, mas Ben ouviu e olhou para ela.

⁃ A Majô vai com a gente? — Char perguntou inocente, quebrando a fina camada de gelo que havia se formado ali. Majô passou a mão pelos cachos loiros da garotinha.

⁃ Vou sim, linda. Seu primo praticamente implorou para que eu fosse. — os olhos brilhantes se voltaram para o garoto, que deu de ombros.

⁃ Eu só perguntei.

⁃ Não importa, vai ser muito divertido! — gritou e começou a puxar os dois pela mão até o carro. Ao entrarem, os dois cumprimentaram Jeff, que rapidamente tomou o rumo para o novo parque de diversões da cidade.

Ao chegar, Charlote começou a olhar as luzes coloridas com os olhos brilhando, nunca tinha estado num parque antes. Jeff os deixou logo na frente do local, já que aquele era seu dia de folga. A garotinha saiu animada do carro, dando as mãos para os dois e correndo para os brinquedos.

⁃ Aqui é tão bonito! Eu quero ir em todos.

⁃ Você nem tem tamanho pra ir em todos, baixinha. — Ben bagunçou os cabelos de sua prima, que desviou rapidamente e mostrou-lhe a língua.

⁃ Mas nós vamos em todos que você puder, Char. — Majô disse.

⁃ Eu quero ir naquele. — apontou para as xícaras gigantes coloridas girando rapidamente a alguns metros deles. Ben sentiu seu estômago revirar só de olhar.

⁃ Quer saber? Vão vocês duas nesse aí. Eu fico aqui mesmo. — disse e Majô revirou os olhos. Charlote fez um bico.

⁃ Por quê? — perguntou.

⁃ Eu estou com um pouco de dor de cabeça, Char. Vocês podem ir e eu fico aqui. Aproveitem que a fila está pequena. — disse e Majô pegou a mão de sua prima.

⁃ Vamos, Char. Ele pode ir nos outros com a gente. — a garotinha ainda relutou um pouco, mas logo começou a andar com Marjorie até o brinquedo.

Entraram na fila e viram uma placa que dizia que a partir de onde elas estavam, seria dez minutos de espera. Charlote não parou de falar um segundo, o que deixou a garota muito feliz. Já tinha visto Charlote pequenininha nas festas de aniversário que tinha junto com Benício, mas já tinham parado com isso há muito tempo, desde que começaram a ter voz própria e a não aceitar a ideia de comemorarem com quem não gostavam. Mas lembrava que ela era uma menininha muito doce e esperta. Agora mais ainda.

Logo estavam girando e rindo dentro da xícara cor de rosa da composição da prataria. Majô já estava ficando enjoada, enquanto Charlote parecia nem se abalar com todo aquele movimento. As duas saíram cambaleando e rindo muito, principalmente quando a garotinha se recuperou rapidamente e ficou rindo de Marjorie ainda atrapalhada. Encontraram Benício a alguns metros delas as encarando, sorrindo e segurando dois algodões doces em formato de flor. Charlote deu um gritinho, correu até seu primo e tomou um de suas mãos, logo tirando um pedaço e enfiando na boca.

⁃ Hum... que gostoso. É pra mim? — perguntou.

⁃ Nem que não fosse, né? Já comeu metade do negócio. — riu. Majô se aproximou, já recuperada.

⁃ E eu suponho que esse... — disse olhando para o algodão doce. Ben estendeu para ela.

⁃ Obrigado por essa madrugada. — disse e Majô sorriu.

⁃ Não vou te dar um pedaço. — arrancou um e enfiou em sua boca, como uma provocação. Charlote observava tudo sorrindo.

⁃ Onde vamos agora? — finalmente disse.

⁃ Eu andei por aí e vi um que acho que você vai gostar, Char. — Ben comentou.

⁃ Então o que a gente está fazendo aqui? Vamos logo!

Ben as conduziu até a atração: um castelo rosa e brilhante enorme, chamado, obviamente, Castelo Encantado. Charlote se animou e correu para dentro, revelando um pequeno riozinho e uma canoa rosa, toda decorada, que cabia mais ou menos quatro pessoas.

⁃ Ouvi dizer que cada parte do castelo conta uma história de conto de fadas diferente. — Benício disse e sua priminha o olhou com os olhos brilhantes.

⁃ Que demais. — prolongou as sílabas da frase e os dois riram, depois entraram na canoa.

A iluminação de cada cômodo do castelo vinha apenas das atrações, que podiam ser vistas dos dois lados da canoa. Elas contavam cada história, com bonecos que, por incrível que pareça, não pareciam sinistros. Eles brilhavam com glitter e muitos paetês coloridos, que eram refletidos pelas luzes e pela água. E a música de fundo ambientando a cena e todo o local. Era realmente um show. Charlote balançava o barco indo para lá e para cá, mal lembrando que os dois estavam lá, mas não era só ela que estava gostando. Ben olhava Marjorie sorrindo. Os olhos da garota demonstravam a emoção e o entusiasmo que seu corpo não permitia. Ela estava maravilhada com tudo aquilo, parecia que eles tinham voltado a ser crianças, dessa vez sem brigar por tudo.

O passeio acabou depois de vários minutos, mas nenhum dos três viu o tempo passar. Foram em muitos mais brinquedos e a energia de Charlote parecia nunca mais acabar, enquanto a dos dois parecia ter acabado faz tempo. Eles andavam pelo parque, a menininha em sua frente animada e dos dois num silêncio confortável mais atrás. Até que ela parou bruscamente e apontou para um lugar boquiaberta. Os dois olharam para a barraca, onde estava pendurado um panda e uma girafa gigante. Os dois andaram até Charlote.

⁃ Vocês sabiam que pandas e girafas são meus animais preferidos? — ela disse sem acreditar.

⁃ Não diga. — quem disse foi, é claro, Benício.

⁃ Digo! Eu nunca vi daquele tamanho. Eu quero! — ela disse e Majô riu.

⁃ Esses negócios só dão alergia. — Ben disse rabugento.

⁃ Qual é, Ben. Depois eu que sou velha e não sei me divertir. — Majô disse e ele revirou os olhos. — Vamos lá ver quanto custa. — se dirigiram até a barraca, onde o atendente mascava um chiclete entediado, Ben resmungava a todo tempo. Ele suspirou e se aproximou, apoiando-se no balcão.

⁃ E aí cara? Queria saber quanto é esses dois bichos aqui. — disse e o cara o encarou como se ele fosse idiota.

⁃ É uma barraca de tiro ao alvo. Para a ganhar, você precisa acertar todos aqueles alvos ali. — apontou sem muito esforço para os círculos coloridos. — Mas ninguém ganhou até agora, desde quando abriu, então, se quiser perder seu tempo, fique à vontade. Muitos coraçõezinhos saíram partidos daqui hoje por causa do panda e da girafa. — Ben o encarou com as sobrancelhas arqueadas, aquele cara estava falando sério? Quem tinha o contratado? Olhou para Marjorie que estava atrás conversando com Charlote e a chamou para se aproximar.

⁃ Olha só, Marjorie. — disse carregado de sarcasmo. — Esse cara aqui me falou que muitos coraçõezinhos saíram partidos daqui por causa desses bichos e falou que vamos perder nosso tempo. — a garota cruzou os braços.

⁃ É mesmo? — olhou para o atendente e depois para Ben.

⁃ Sim. — o cara resolveu responder. — E duvido que vocês... — olhou para Marjorie de cima a baixo. — Principalmente você, consigam. — Majô o encarou indignada. Aquilo era realmente sério?

⁃ Sorte sua que eu estou doida para perder meu tempo. Vamos? — perguntou ao olhar para seu vizinho, que sorriu cúmplice para ela e depois se voltou para o cara.

⁃ Quanto é?

⁃ Cinco reais. Dez alvos, dez tiros, sessenta segundos. — disse como se o último lugar que ele quisesse estar fosse ali. Ben tirou uma nota de dez da carteira e colocou em cima do balcão. Os dois se dirigiram aos respectivos lugares e pegaram as armas, posicionando-as perto do ombro num movimento praticamente sincronizado.

O atendente nada profissional, então, ligou a máquina e os alvos começaram a se mexer rapidamente, o relógio grande brilhando os números em vermelho, caindo a cada um segundo. Os dois começaram a atirar, concentrados, derrubando os alvos um a um. No final, o atendente estava boquiaberto e os dois sorriam presunçosos. Não puderam evitar encarar o garoto com um ar de superioridade enquanto ele tirava os dois bichos do gancho pendurado em cima da barraca e Charlote comemorava extremamente feliz e animada.

O cara entregou os bichos para eles, que entregaram para a garotinha e deram um toque, ainda sérios, mas logo começaram a rir. Char começou a andar na frente com uma pelúcia em cada braço, sendo as duas quase maiores que ela.

⁃ Você viu a cara dele? — Majô perguntou, rindo. — Ele estava tão constrangido e irritado que eu queria ter tirado uma foto.

⁃ Nem me fale. — Ben disse também rindo. — “Ninguém nunca ganhou isso.” — fez uma voz imitando o atendente. — Ah, me erra.

⁃ Aquele cara é um idiota. Ele estava com um ar de superioridade que eu quis socar a cara dele. Onde já se viu?

⁃ Ele te subestimar me irritou.

⁃ Não é? Me irritou também. Babaca. — riram novamente e depois ficaram num silêncio confortável, o céu já ganhava tons róseos, alaranjados e azuis.

⁃ Quer dizer que você nunca bebeu, Majô? — ele perguntou provocativo, do nada.

⁃ Eu não... — disse como se fosse óbvio. — Não gosto da ideia de beber e depois esquecer tudo no dia seguinte e ter uma bela dor de cabeça. Pra que, afinal?

⁃ Pra se divertir?!

⁃ Se divertir? — ela riu. — As maiores e melhores coisas acontecem sóbrio, Benício. E pelo menos você se lembra delas. — provocou, mas ele não pareceu entender.

⁃ Ponto interessante, Marjorie.

⁃ Muito interessante. — olhou seu celular. — Bom, pessoal... — disse e os dois a olharam. — Está ficando tarde e eu preciso ir, tenho compromisso essa noite.

⁃ Com o Nate... — Ben revirou os olhos. — Ouvi dizer que vocês saíram ontem.

⁃ Estava me seguindo, Moretto? — perguntou provocativa.

⁃ Eu tenho meus contatos, Martins. — ela riu. — Cuidado, viu? Você não conhece esse cara.

⁃ Ah, e você conhece? — perguntou e logo se voltou para Charlote. — Tchau, minha linda. Hoje foi muito divertido.

⁃ Sim! Vamos fazer mais vezes, com certeza. — beijou a testa da garotinha.

⁃ Com certeza. Tchau, Benício. — começou a andar para longe dos dois.

⁃ Não deixe Nate chegar muito perto. — falou alto brincando, para que a garota pudesse ouvir de onde estava, mas não sabia se tinha conseguido esconder a inevitável irritação na voz com sucesso.

⁃ E o que você vai fazer? Atirar bolas de paintball nele?

⁃ Isso ou bichos de pelúcia gigantes. — disse e Majô riu.

⁃ Tchau. — disse e voltou a caminhar até a saída do parque, sendo acompanhada com os olhos pelos dois que sobraram. Charlote finalmente olhou para o primo, que ainda mirava onde a garota tinha saído.

⁃ Você gosta dela. Tipo, de verdade. — afirmou com um sorriso de orelha a orelha. Ben voltou a olhar para a garotinha. Riu e pegou em seus ombros, a girando e a empurrando de leve, fazendo-a andar.

⁃ Fica quieta. — Charlote riu e começou a caminhar na frente do primo, mas logo se voltou para ele com um olhar sapeca.

⁃ Ben. — chamou.

⁃ Que foi? — ele revirou os olhos.

⁃ Isso não foi um “não”. — disse como se fosse algo proibido e saiu correndo, deixando um Ben pensativo para trás. O garoto suspirou depois de alguns segundos.

⁃ É, não foi. — falou pra ninguém em específico e começou a caminhar atrás da garotinha.

Notas finais
E entãooooo? O que acharam?? Muito obrigada por terem lido, gente!! Espero que tenham gostado, beijooooos