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29 O que fazer no dia seguinte?


Notas iniciais
Eu seiiii, eu estou atrasada, e muito :( Olá gracinhasss (ou as gracinhas que sobraram depois dessa demora para postar um capítulo)! Tudo bem?? Gente, eu gostaria de começar pedindo desculpas de verdade pelo atraso na postagem... primeiro que eu viajei e ficou absolutamente impossível arranjar tempo para escrever e outra que depois disso veio uns bagulhos da faculdade (eu entrei na faculdade, que misto de sentimentos agora disndjwksndj) e eu to tento que arranjar todas as coisas, espero que me perdoem e continuem acompanhando a história! Novamente, muito obrigada a Mariana Oliveira, a Mona Vanderwaal, a Nana, a Malu (leitora nova, yeyyy, seja bem vinda, querida) e a Mareena pelos comentários lindos de bonitos os quais eu li, mas ainda não respondi porque eu queria postar esse capítulo o mais rápido possível hihi. Como sempre, vocês são muito maravilhosas, cara, como lidar. Enfim, espero que gostem! Boa leitura ♥ ♥

Vinte e nove

⁃ Você quer conversar sobre ontem? — sua vó perguntou e levou a xícara de café com leite a boca, sem desviar o olhar da menina sentada a sua frente com os olhos pequenos e vermelhos.

Majô respirou fundo, mexendo a colher na caneca para misturar o achocolatado.

⁃ Gostaria, mas nem eu sei o que aconteceu. — Emília inclinou levemente a cabeça e franziu o cenho.

⁃ É por causa do Ben, não é? — Majô sentiu um aperto no peito ao ouvir seu nome. Deu de ombros e apoiou a cabeça em sua mão. — Você gosta dele?

⁃ Ele me chamou de cadela fútil na frente de todos os alunos daquela escola. — suspirou. — Acho que não tem como gostar de alguém assim.

⁃ Mas por que ele falou isso? — sua vó perguntou compreensiva. Flashes dos acontecimentos da noite anterior passaram por seus olhos e ela deu de ombros novamente.

⁃ Eu não sei. — sua vó suspirou e fez um barulho com a boca.

⁃ Sabe, essas coisas de adolescentes são complicadas. — soltou uma pequena risada, olhando para a cozinha como se lembrasse de alguma coisa. — Seu avô sempre foi muito melhor para lidar com essas coisas do que eu. Em todos os aspectos.

Majô finalmente sorriu quando imagens do senhorzinho sorridente, sempre com seu chapéu fedora, invadiram sua mente.

⁃ Sinto saudades do vovô. — comentou e sua avó acenou com a cabeça.

⁃ Eu também. Se ele estivesse aqui, provavelmente diria uma coisa muito sábia e que faria todo o sentido para você. Enquanto eu... — se levantou e foi até o forno, colocando as luvas térmicas penduradas na lateral do balcão. — Bom, tudo o que eu posso fazer é te encher de biscoitos.

Majô riu, sentindo o cheiro adocicado e com um toque de baunilha invadirem seus pulmões. A senhora colocou a assadeira em sua frente e a garota observou os diferentes formatos espalhados por ali.

⁃ Já é mais que o suficiente, vovó, obrigada. — sorriu agradecida para a senhorinha. A garota voltou seus olhos para a forma novamente, seu sorriso murchando vagarosamente. — Eu não quero voltar para casa.

⁃ Quer morar aqui? — ela perguntou em um tom de brincadeira.

⁃ Bem que eu gostaria, mas eu não quero ser fraca. Sair do baile correndo já foi o suficiente para mim. — suspirou. — Eu só não quero encontrar... ele.

Demorou alguns segundos para sua vó falar alguma coisa.

⁃ Por que não fazemos assim: você termina de comer esses biscoitos, se arruma, a gente vai direto para o shopping passar uma tarde lá e depois eu te levo na sua casa, o que acha?

⁃ Parece ser uma ótima ideia. — sorriu levemente.

⁃ É porque é! — riu. — Vamos, tira esse bico da cara porque hoje eu vou me divertir com a minha neta como faz tempo que eu não faço.

E fazia mesmo muito tempo. Desde que seu marido partiu, Emília resolveu sair viajando pelo mundo, sempre estava arrumando suas malas para conhecer mais um canto da Terra, vivendo a vida ao máximo. Marjorie admirava o fato de ela ter conseguido seguir em frente, mesmo sem o amor de sua vida.

Seguir em frente. Será que era isso o que ela precisava fazer? Depois da crise de choro que a assolou na noite anterior, ela se pôs a pensar no que tinha acontecido para chegar naquela situação. O porque de Benício ter falado todas aquelas coisas horríveis.

O olhar dele para ela quando tudo aconteceu fora tão frio, tão vazio, que ela sentiu algo quebrar dentro dela. Foi um olhar que nunca tinha visto ele lançar antes, nem para ela e nem para ninguém. E doía de um jeito que ela não sabia ser possível quando essa imagem voltava a sua mente.

Mesmo assim, algo dentro dela a fazia não querer desistir. Tinha que ter acontecido alguma coisa, algum mal entendido, não era possível. Ele não falaria aquelas coisas à toa, pelo menos era isso que ela queria acreditar. Ou talvez tenha sido sua intenção desde o começo machucá-la.

Suspirou enquanto colocava um vestido florido. Estava perdida, no escuro. Ela precisava saber o que estava acontecendo, precisava olhar nos olhos de seu vizinho e encontrar aquele brilho que ela descobrira no último mês novamente. Bastava um único olhar e ela saberia.

Por enquanto, se contentava em passar a tarde com sua vó, tinha certeza que seria ótimo. Além disso, apesar de querer muito, não sabia se estava pronta para encontra-lo novamente, só de pensar na possibilidade ela sentia algo estranho dentro de seu peito, diferente das coisas que havia sentido até então. Suspirou e desceu as escadas, encontrando a senhora no hall de entrada a esperando.

⁃ Olha só, quem diria que esse vestido ficaria bom em você. — comentou, pegando a mão de sua neta e fazendo-a girar. Majô riu levemente.

⁃ Você tem um bom gosto incrível, vovó. — disse ao voltar a posição original.

⁃ Acho que eu tenho um gosto meio jovem demais para minha idade. — deu de ombros como se soubesse que ela não tinha jeito. — De qualquer forma, fique com ele. Fica melhor em você, mesmo. — Majô sorriu agradecida e logo as duas seguiram para a porta, entrando no carro esportivo da senhora. Majô colocou seu vestido arruinado dentro de uma sacola no banco de trás antes de Emília dar a partida e as duas percorrem as ruas até seu destino.

~*~

⁃ Posso ficar aqui mesmo ou você quer que eu desça, querida? — sua avó perguntou ao parar na entrada do condomínio. Majô olhou em volta e suspirou.

⁃ Tudo bem, eu posso ir andando daqui mesmo. — se despediu dando um beijo na bochecha da senhora e pegou suas coisas no banco de trás.

Caminhou até o portão ouvindo o potente motor do carro se afastar atrás de si. Mordeu os lábios e apertou os dedos, seus pensamentos voltando para mais cedo, quando disse que queria encontrá-lo. Que mentira. Agora, na frente de seu condomínio, há casas de distância de realmente vê-lo, ela só pensava em sair correndo.

Sorriu para o simpático porteiro e perguntou como ele estava. Começaram a falar de amenidades e Majô agradeceu por poder adiar o momento que tanto estava temendo. Acabando o assunto da conversa, a garota suspirou e começou a andar condomínio abaixo.

Sentiu seu coração acelerar a medida que chegava perto de sua casa. Não sabia se corria para não encontrar com ele, ou se andava calmamente sem fazer barulho. Começou a passar em frente à fachada de seu vizinho e por um segundo ousou desviar os olhos para a sacada. Suspirou de alívio ao constatar que tudo estava em sua perfeita ordem e calma.

Entrou em sua casa e, como esperado, não havia ninguém ali. Seus pais viajavam e domingo era o dia de folga de Betsy, então estava sozinha até o dia seguinte. Estava feliz com isso, apesar de amar a companhia de sua família. Ligou para a senhora para dizer que chegara bem em casa, forçando uma voz firme para não desabafar ali mesmo sobre tudo o que havia acontecido. Ainda bem que a mulher havia saído junto com Majô na noite anterior, porque senão tinha certeza que seria bombardeada com perguntas às quais definitivamente não estava com vontade de responder. Se despediu dela e depois fez uma breve ligação para seus pais, dizendo que contaria tudo sobre o baile quando eles voltassem de viagem.

Recolocou o telefone na base suspirando longamente. Agora só precisava ocupar sua mente até que o dia seguinte chegasse.

~*~

Quando o despertador tocou naquela segunda feira, Majô já estava acordada há algum tempinho. Deitava de barriga para cima, com as mãos apoiadas em seu tronco, e encarava o teto enquanto a música, a única que tinha achado de graça no iTunes, reverberava pelo quarto. Não demorou muito tempo até que Betsy colocou a cabeça dentro do quarto animada, falando para Majô descer logo que havia preparado algo especial para ela. A garota murmurou algum agradecimento antes de levantar e começar a vida.

Escolheu uma roupa qualquer, tomou um banho que durou mais tempo do que seria o recomendado, se arrumou cuidadosamente, já que não queria que sua aparência demonstrasse o que realmente sentia, e finalmente desceu as escadas até a cozinha, onde Betsy colocava waffles quentinhos em um prato. Quando o cheiro maravilhoso entrou em suas narinas, Majô percebeu que talvez estavam mimando-a demais.

⁃ Percebi sua voz tristinha ontem no telefone e vim mais cedo para preparar esses waffles para você. — explicou e em seguida colocou uma taça de salada de frutas no balcão. — Aconteceu alguma coisa ontem? — Majô suspirou, olhando para aquela mesa linda.

⁃ Aconteceu, mas, me desculpa Betsy, não quero falar disso agora. — a senhora sorriu como se para confortá-la.

⁃ Tudo bem, querida. Mas se precisar de alguma coisa, você sabe que pode contar comigo. — Majô sorriu e lhe deu um abraço apertado em agradecimento antes de se perder naquele café de manhã maravilhoso e a mulher continuar com seus afazeres.

Depois de algum tempo, Betsy voltou a cozinha, com um misto de receio, preocupação e tristeza estampados no rosto. Apertou os lábios antes de encarar Majô, que já a olhava com uma expressão interrogativa enquanto levava uma colher da salada de frutas a boca.

⁃ Hum... Manuel pediu para te avisar... ele quem vai te levar hoje. — Majô parou a colher no meio do caminho. Encarou a senhora em sua frente antes de balançar a cabeça vagamente em positivo.

⁃ Tudo bem, obrigada, Betsy. — disse sem muita voz.

Encarou o colorido das frutas em seu prato, de repente sem muita fome. Novamente sentiu mais um pedaço de seu coração quebrar quando percebeu que Benício estava fazendo de tudo e mais um pouco para não ter que vê-la, sequer respirar o mesmo ar que ela. É claro, voltar as coisas como eram antes tinha sido ideia dele. Toda aquela situação estava sendo pior do que ela tinha imaginado.

Levantou, decidindo que estava na hora de sair. Subiu as escadas novamente somente para escovar os dentes e logo estava fora de sua casa. Olhou para o seu redor, o carro dos Moretto não estava mais lá. Encarou Manuel, que sorria polido, mas Majô percebeu que ele estava diferente. É claro, a essas alturas todo mundo sabia que havia algo estranho.

Gastou o caminho até sua escola ouvindo musicas bem alto pelo seu iPod. Se despediu do motorista e começou a caminhar prédio a dentro, recebendo olhares curiosos dos alunos, cheios de estranhamentos. Ótimo, a olharam feio quando estava algemada com Benício, quando começou a vir no mesmo carro que ele e agora porque estava sozinha? Eles nunca ficavam satisfeitos?

Levantou a cabeça e começou a andar até seu armário, decidida que não se abalaria por eles mais uma vez. Pegava os livros que seriam necessários naquele dia quando aconteceu. Sentiu a atmosfera mudar, como sempre acontecia quando estava perto dele. Quase pode sentir as pessoas em sua volta prenderem a respiração, principalmente devido ao que viram naquela noite de sábado.

⁃ Olha só quem decidiu aparecer. — Majô olhou para ele e a primeira coisa que notou foi como ele estava diferente, não na aparência, mas em toda a sua postura, seu porte. Era como uma versão pior do Benício que a odiava há um mês. Seus olhos praticamente queimavam e o sorriso sarcástico era permanente em seu rosto. Ele estava com um braço em volta dos ombros de Evelin. — Achei que não teria essa coragem, Majô. — reforçou o apelido dela como um xingamento.

Ela fechou os olhos por um segundo antes de — tentar — voltar sua atenção para os livros dentro do armário, tentando lembrar que aulas teria hoje. Vendo que ela não falaria nada, Ben aumentou o seu sorriso.

⁃ Você fez um ótimo trabalho no baile, realmente excelente. Uma pena que seja a única coisa que saia boa de você, porque o resto... — riu de escárnio. — ...é tudo podre.

Ouviu algumas pessoas abafarem o riso em sua volta, na pequena multidão que havia se formado em volta deles.

Então, ela finalmente soube. Aquele Benício dos acontecimentos do último mês não existia mais, talvez nunca tivesse existido. Se sentiu uma idiota por achar que tudo aquilo tenha sido um pequeno mal entendido, que ela olharia em seus olhos e ainda encontraria o cara por quem havia se... Arrependeu-se por ainda quer vê-lo depois de tudo o que ele havia falado, enquanto ele só queria destruir o que restava dela.

Ele passou por ela lentamente, rindo com todo aquele ar de superioridade que ela detestava. Sentiu a raiva aos poucos crescer dentro de si e apertou seus livros até que os nós de seus dedos ficassem brancos.

Ele queria o pior dela e era isso que ele teria.

⁃ Você diz essas coisas... — finalmente falou com a voz mais forte do que imaginava e Benício parou de costas para ela, ouvindo. Ela finalmente se virou para ele. — ... mas não diz que sábado você estava praticamente implorando para beijar essa podridão que eu sou.

Ele se virou lentamente para ela, como se não acreditasse no que estava ouvindo. Quando encontrou com a garota determinada a sua frente, riu, se desvencilhou de Evelin e se aproximou dela, até ficarem com os rostos a centímetros um do outro. A plateia olhava vidrada.

⁃ Eu tenho nojo de você. — disse entredentes. Majô levantou a cabeça mais um pouco, os braços estavam cruzados sobre seu peito.

⁃ Que bom. — disse lentamente.

Os dois se encararam por mais alguns segundos, até que Benício riu e começou a voltar ao caminho que estava fazendo, com Evelin em seu encalço. Majô esperou os dois viraram a esquina e o corredor esvaziar consideravelmente para bater seu armário com força e soltar um grunhido cansado antes de encostar a testa na superfície gelada.

Respirou fundo algumas vezes para evitar de desabasse ali mesmo.

⁃ Flor, o que foi isso? Eu podia jurar que vocês dois estariam só no amor depois do baile. — falou uma voz ao seu lado.

Majô encarou Jack sem humor.

⁃ A gente ia até fazer um bolão apostando sobre isso, mas ninguém achava o contrário.

⁃ Obrigada, Jack, isso ajuda muito. — ela disse com a voz cansada e sarcástica.

⁃ Ah, me desculpa. Mas há uns boatos que a senhorita fez algo que Ben não gostou no dia do baile.

⁃ Ah, eu fiz. — Majô disse simplesmente. Jack franziu o cenho.

⁃ Fez?

⁃ Claro, fiz tudo o que Benício disse que eu fiz. — o garoto suavizou a expressão.

⁃ Está brincando. — disse sorrindo, mas Majô endireitou sua postura e o olhou seriamente.

⁃ Não, Jack. Sei lá o que Benício acha, mas ele veio do nada e começou a me atacar, falar tudo aquilo... tudo isso... — se corrigiu, apontando amplamente para o corredor. — ...sem me perguntar ou tentar saber o que aconteceu... — riu sem humor. — Então, se ele quer que eu seja a vilã, eu serei. Portanto, sim, eu fiz tudo o que ele acha que eu fiz. — Jack suspirou profundamente.

⁃ Nossa, Majô... — balançou a cabeça em negativo. — Enfim, não foi para isso que eu vim.

Estendeu a maravilhosa coroa dourada ornamentada por pequenas pedras de brilho para a garota, que não havia percebido que ele a segurava até então.

⁃ Parabéns, Rainha Do Baile. — Majô encarou a delicada peça na mão de seu amigo e, de repente, os acontecimentos bons do baile vieram à sua mente, junto com a lembrança da história que seus pais tinham lhe contado.

Se lembrou do olhar admirado de Ben para ela e de como ela se sentiu linda sob ele.

Se lembrou das palavras de sua mãe: “Foi quando seu pai disse pela primeira vez que me amava”.

Encarou Jack.

⁃ Quem foi coroado rei? — o garoto suspirou.

⁃ Quem você acha? — perguntou e Majô assentiu, voltando a olhar para a coroa.

Se lembrou da sensação do calor de Ben irradiando nela enquanto sua cabeça encostava em seu peito. De sentir o movimento da respiração de seu vizinho. Se lembrou de como se sentiu estranhamente segura daquele jeito, de como suas mãos encaixavam perfeitamente e o aperto em sua cintura, ao mesmo tempo que fazia seu coração acelerar, parecia tão certo.

“Aquele baile mudou nossas vidas, Majô, mas foi naquela dança que eu tive a certeza de que eu queria passar o resto da minha vida com a Rainha Do Baile mais bonita que eu já vi”.

Majô voltou os olhos embargados para Jack novamente, que a olhava com expectativa.

⁃ Jogue fora. — mandou antes de caminhar até sua sala.

~*~

Pela primeira vez em um mês, os dois se sentaram o máximo de distância possível um do outro, Majô ao lado da janela, na primeira fileira, e Ben da última fileira, na outra ponta da sala, em seus respectivos antigos lugares. O clima era meio tenso na sala, os outros alunos perceberam, mas os dois protagonistas não trocaram nenhuma palavra.

A aula ocorria normalmente na medida do possível até que a mocinha do corredor entregou um bilhete para o professor, que anunciou em voz alta que Ben e Majô deveriam se encontrar com o diretor na hora do intervalo. Os dois bufaram ao ouvir isso.

Acabando as aulas do primeiro período, os dois caminharam até a sala do diretor por caminhos diferentes, não juntos como faziam antes. Ben chegou e Majô já estava sentada numa das cadeiras da recepção. Ele cumprimentou Sara e logo ocupou a cadeira mais longe possível da garota. Ficaram uns cinco minutos ali esperando.

⁃ Parabéns pela coroação, Rainha do Baile. — ele quebrou o silêncio e Majô o encarou lentamente, com um ar cansado. — Era o que você queria, não?

Aquilo era golpe baixo. Ele sabia de toda a história de seus pais e suas expectativas para o baile. Era cruel ele falar aquilo.

⁃ Você não se cansa de tudo isso? — ela perguntou sem vontade.

⁃ Cansar? Ah, Majô... eu só estou começando.

⁃ Podem entrar, vocês dois. — Sara disse por trás do balcão.

Caminharam em silêncio até a sala do diretor. O homem apontou as cadeira em sua frente e os dois sentaram.

⁃ Eu realmente acreditava que vocês tinham melhorado. — comentou com desapontamento na voz. — Que a coisa toda das algemas finalmente tinha funcionado... mas então eu presencio aquela cena no baile de sábado, Marjorie deixando a marca de seus dedos no rosto de Benício e tudo o que eu pensei foi “o que aconteceu?”. Depois disso, ainda ouvi de vários alunos os xingamentos que Benício direcionou a Marjorie. — suspirou, os dois permaneceram em silêncio. — A vida é de vocês e vocês têm o direito de não me contarem o que está acontecendo se não quiserem, mas eu não posso deixar algo tão grave e que aconteceu dentro das dependências da escola sair impune.

⁃ Olha, se o senhor pensa em nos algemar de novo, pode esquecer, eu já sei de todo o planinho idiota de você com os caras. — Majô quase não pode evitar olhar para ele. Ele sabia? — E garanto que não vai funcionar de novo. — disse com uma certa irritação na voz. O diretor balançou a cabeça.

⁃ Não, isso já foi usado e além disso, eu mantenho a minha palavra, eu disse que vocês não ficariam algemados essa semana e não vão. Mas vão ficar aqui na manhã de sábado substituindo a professora que não pode vir ficar com os alunos do integral. Só esse sábado.

⁃ Ah, ótimo. — Benício reclamou. — Tenho cara de babá, por acaso? — perguntou mal humorado.

⁃ Sugiro que mude seu tom, Senhor Moretto. Você não está falando com um de seus colegas. — disse firme e Benício bufou. — Passo as instruções para vocês durante a semana. Dispensados.

Sem ao menos trocar um olhar, os dois saíram da sala, tomando rumos diferentes como há muito tempo não faziam.

Notas finais
O que estão achando das atitudes dos dois? Nosso casal tá em conflito, gente... dói meu coração ver eles assim... Muito obrigada por lerem e por ainda estarem aqui, vocês são extremamente importantes ♥ Milhões de beijos e até o próximo! ♥ Desculpe novamente e as coisas vão melhorar, prometo jansjsnehansb