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26 O Baile - parte 2
Notas iniciais
[leia as notas iniciais, por favor ♥]
O Baile — Parte 2
Ben chegou na escola, poucos já alunos estavam entrando. Se despediu de Armando, prometendo que ligaria quando estivesse na hora de buscá-los. Ajeitou o terno e a gravata enquanto caminhava até a portaria. Antônio o acompanhava com o olhar, até que o garoto terminou de subir as escadas e parou na sua frente.
⁃ Boa noite, Antônio. — Ben cumprimentou sorrindo.
⁃ Boa noite, Ben. Onde está Majô? — Benício franziu o cenho com essa pergunta.
⁃ Ainda não chegou, por quê?
⁃ Porque você só poderá entrar com ela no baile. — o garoto desfez o sorriso lentamente ao ouvir essa informação.
⁃ Isso é sério? — Antônio balançou a cabeça em positivo.
⁃ Seríssimo. — Ben bufou e revirou os olhos teatralmente.
⁃ Ah, não...
⁃ Desculpe, filho. São ordens do diretor. — passou as mãos pelo rosto antes de voltar a olhar para o segurança.
⁃ Você sabe quanto tempo Marjorie demora para se arrumar, Antônio? Muito. Ela demora muito. — o senhor focou os olhos em algum ponto atrás do garoto. — Eu a conheço desde que nasci e, acredite, toda vez que nossas famílias saíam para jantar, chegávamos no restaurante e a comida já estava entrando em decom...
⁃ Eu acho que você não vai precisar se preocupar com isso. — o homem interrompeu e Ben o olhou sem entender. Sem dizer mais nada, Antônio apontou com a cabeça para fora da escola. O garoto se virou e então viu.
Marjorie saía da porta traseira do carro preto. O vestido que ela desenhara moldava perfeitamente seu corpo, Ben notou. O tecido era leve e caía por sua silhueta, parecendo não pesar nada. Seus olhos encontraram os de Benício e ela sorriu. Os cachos soltos de seu cabelo balançavam com o vento e os brilhos de seu vestido e de sua tiara reluziam levemente conforme andava. E ela andava até ele.
⁃ Fecha a boca, senão entra mosca, filho. — Antônio falou em suas costas e só então Ben notou que ele ainda estava ali.
Balançou a cabeça, para tentar de se recuperar do transe que Marjorie havia provocado. Falhou miseravelmente quando a garota finalmente se aproximou deles e Ben foi envolvido por toda aquela atmosfera que ela emanava: um suave calor e um perfume delicado que o fazia querer aproximar para sentir melhor. Sua vizinha definitivamente ficava ainda melhor de perto.
⁃ Olá. — ela cumprimentou, Benício ainda a olhava de cima a baixo.
⁃ Boa noite. — Antônio falou e os três ficaram em silêncio por alguns desconfortáveis segundos. — Bom, eu vou buscar as algemas. — e sumiu em sua sala antes que qualquer um dissesse alguma coisa. Majô riu, nervosa sob o olhar do garoto.
⁃ Perdeu alguma coisa? — ela debochou.
⁃ Acho que não tive oportunidade de dizer... — a garota franziu o cenho, olhando para ele. Ben parecia olhá-la como se fosse a primeira vez.
⁃ O que, sobre o vestido? — se apressou em falar, tagarelando rapidamente. — Bom, ele poderia ter ficado melhor se alguém não tivesse mudado todo o tema do baile faltando um mês para...
⁃ Você é linda. — ele interrompeu e ela parou imediatamente de falar. Encarou-o por um milésimo de segundo antes de abaixar o olhar para seus pés. Podia sentir seu rosto adquirindo diversos tons de vermelho.
⁃ Aqui está. — Antônio voltou de repente. — Uma pena que essa coisa metálica não combine com o traje de vocês. — comentou e os três riram, minimamente aliviados com a capacidade do senhor em quebrar a tensão. Estenderam os braços, mas o segurança torceu o nariz depois de analisá-los por alguns segundos.
⁃ O que houve? — Ben perguntou.
⁃ Sugiro que esta noite Marjorie prenda o braço direito e o senhor o esquerdo, Ben. — os dois se entreolharam com o cenho franzido. — Acredite, vão me agradecer depois.
Dando de ombros, os dois inverteram os lugares e finalmente estenderam os respectivos braços, que foram logo envolvidos pelo metal gelado. Antônio sorriu de um jeito diferente para eles, balbuciou algo sobre eles aproveitarem o baile e logo voltou para sua sala.
Ben olhou para Marjorie um instante até sorrir daquele jeito que tirou o ar dos pulmões da garota por pouquíssimo tempo, o qual ela nunca admitiria, é claro. Então, ele estendeu o braço algemado para ela, que riu levemente antes de enlaçar o seu próprio nele. A proximidade fez com que ela sentisse o calor de sua pele, mesmo por cima do tecido. Não pode deixar de notar como aquela simples posição, os braços juntos, fizera seu coração começar a agir de um jeito estranho ao mesmo tempo que confortável. Ela se lembrou da montanha russa, mas já não tinha mais medo de cair dela.
⁃ Está preparada para receber os olhares? — ele perguntou e ela se assustou com a voz por motivos desconhecidos, mas esperava que o espasmo que deu não tivesse sido tão perceptível. Ao se recuperar, deu de ombros.
⁃ Deixei de me importar com eles há algum tempo. — não o olhou, mas quase podia jurar que ele estava sorrindo.
Começaram a caminhar silenciosamente até o local do baile, passando por toda a escola antes disso, claro. Só ouviam suas próprias respirações enquanto davam passos lentos e sem pressa, mesmo estando ansiosos para o que os aguardava por dentro das arquibancadas do ginásio.
Entrando finalmente, Majô teve que prender a respiração ao olhar para toda aquela composição. Da beleza que estava de dia, aquele baile não tinha um porcento. Porque parecia que toda aquela decoração sofrera metamorfose para se transformar naquela... coisa maravilhosa.
A grama da quadra havia sido coberta pelos tapumes de madeira que eles usavam para a formatura num formato de retângulo em paisagem. A entrada havia sido transformada por aquela fonte que jorrava água metros para cima e refletia as luzes coloridas colocadas dentro delas e que mudavam de cor a cada cinco segundos. Eles teriam que dar a volta por ela para chegar no lugar, que ficava bem no centro do ginásio e era enorme. As árvores iluminavam o caminho até lá, formando como se fosse uma trilha.
Pequenas mesas e bistrôs ornamentadas pelos arranjos de Jack estavam espalhadas em volta da pista de dança, que ficava bem na frente do palco, onde o DJ estava. As borboletas formavam um fundo atrás deste, além de estarem penduradas por todo o espaço. Algumas bolas vazadas de Majô estavam no chão em posições estratégicas, enquanto outras se misturavam aos balões de gás hélio, principalmente nos quatro cantos.
Do lado esquerdo, ainda, havia um apêndice circular, que destoava do resto da composição e abrigava os dois food trucks e mais algumas mesinhas. A iluminação ficava por conta das árvores, das borboletas, da iluminação que saia do palco e de dois fios que continham lâmpadas e vinham dos quatro cantos da estrutura, se entrelaçando no meio da pista de dança.
O lugar todo estava brilhando em tons de dourado, com pontos coloridos que ressaltavam a beleza do lugar. Estava simplesmente magnifico.
⁃ Uau. — foi tudo o que Majô conseguiu dizer. Benício olhou para ela, notando como seus olhos refletiam todos os pontos de luz que estavam ali.
⁃ É... uau. — permaneceu encarando, mas a garota não pareceu perceber até que duas pessoas entraram em sua frente.
⁃ Oi, Majô. Oi Ben. — cumprimentou uma voz fina e um tanto quanto tímida.
⁃ Oi, Lili e... Marcos? — os algemados olharam para os dois, que também estavam com os braços enlaçados. A garota abaixou a cabeça, ruborizando. — Nossa, quem diria. — Ben completou.
⁃ Pois é. — disse Marcos olhando para Lili com admiração. — Nesses dois dias descobrimos que temos muito em comum. Achei sensato pedir para a garota mais incrível que eu já conheci vir ao baile comigo. — seu par ficou ainda mais vermelho, se fosse possível.
⁃ Pode parecer precipitado, mas eu sinto o mesmo. — finalmente olhou para ele. Majô se apressou em abraçá-los, desenrolando o braço desajeitadamente de Ben.
⁃ Ah, eu estou muito contente por vocês. — chegou perto do ouvido de Marcos. — Mas de você estiver pensando em fazer alguma gracinha com ela, vou ficar mais feliz em te dar um soco. — o garoto riu.
⁃ Eu não duvido disso. Não se preocupe. — Ben cumprimentou seu amigo com um tapa nas costas.
⁃ Cuide bem dela, idiota. Lili é uma ótima pessoa, eu também não vou hesitar em te socar se algo acontecer com ela. — Lili deu uma risada sonora e Marcos o encarou ofendido.
⁃ Então você prefere ela a mim?
⁃ É claro. Quem não preferiria?
⁃ Obrigada, Ben. — a garota agradeceu.
⁃ É, eu também prefiro. — disse Marcos. — Bom, aproveitem a festa pessoal.
⁃ Vocês também. — Ben e Majô disseram juntos e o novo casal saiu para a parte dos food trucks. Marjorie olhou sorrindo para Benício.
⁃ Quais eram as chances de isso acontecer antes? — apontou para onde seus amigos tinham ido.
⁃ Nenhuma, definitivamente. — ele também sorriu, olhando em volta.
⁃ Isso é maravilhoso, sabe? Essa interação.
⁃ É, olha. — Ben puxou Majô mais para perto e apontou para quatro pessoas que dançavam animadamente na pista de dança. As garotas usavam vestidos parecidos e os garotos estavam iguais, salvo pelas gravatas, as quais uma era verde escuro e a outra era laranja. Eles seguravam a mão de seu par e a faziam dar uma voltinha a cada minuto. Marjorie soltou uma alta gargalhada ao olhar aquela cena.
⁃ As gêmeas e os coloridos. — comentou entre risos e seu vizinho acompanhou. — Essa cena fez o meu dia, sério. Nunca alguma pessoa combinou tão bem antes.
⁃ Ah, isso eu tenho que discordar. — disse como quem não quer nada, mas estava claramente implícito o significado. Majô mexeu nas unhas, um tanto quanto nervosa, não sabia exatamente o que fazer.
⁃ Tá com fome? — perguntou por fim.
Foram até os food trucks, encontrando um cardápio variado de doces e salgados. Hambúrgueres, crepes, churros, pipoca e até sorvete. As pessoas trabalhavam com habilidade e rapidez, de modo que nenhum aluno ficasse muito tempo esperando por seu pedido. Encontraram Margarida no meio daquele grupo e quando ela retribuiu o olhar, acenou animada para os dois.
Alicia e Jack estavam juntos numa fila e conversavam alto. Ao ver os dois algemados, o garoto acenou em movimentos amplos e animados para eles se aproximarem.
⁃ Majô, querida, você está simplesmente um arraso. Você nasceu pra isso, mulher. — ela riu.
⁃ Obrigada, Jack. Você também não fica para trás. — analisou o terno off-white que ficava perfeito em seu amigo. — Digno do Grande Gatsby.
⁃ Modéstia parte, mas eu sei. — deu um giro em volta do próprio corpo e eles riram. — E o senhor não está nada mal, Benício. Está de tirar o fôlego. Majô está certíssima em querer te dar uns beijos.
⁃ Jack! — exclamou Marjorie com a voz esganiçada e imediatamente ruborizou. Ben a encarou com um olhar divertido.
⁃ Ai, me poupe. Eles parecem duas crianças.
⁃ Jack... — Alicia falou baixo, como um aviso. Ben ria ao lado de Majô.
⁃ Que é? Falo mesmo, já cansei, já.
⁃ Valeu pelo elogio, Jack. — Benício agradeceu, meio que quebrando o clima tenso.
⁃ Você está linda, Alicia. — Majô finalmente pareceu voltar a saber falar, seu rosto já quase totalmente recuperado da vermelhidão. A garota sorriu para ela.
⁃ Obrigada, Majô. Você também.
Conversaram mais algumas amenidades, até que decidiram ir pegar alguma coisa para comer no outro food truck. E a noite continuou leve por algum tempo.
Os alunos que os viam logo vinham cumprimentar, muitas vezes parabenizando pelo resultado da festa. Aos poucos a festa foi enchendo, até que ficou difícil achar lugar para sentar. A playlist da noite estava bombando de modo que a pista nunca estava vazia, tinha música para todos os gostos e ritmos.
Cumprimentaram Evelin, que sorriu animada para eles. Cumprimentaram os amigos de Ben, que estavam de par com as amigas de Majô. As brigas do começo do mês pareciam ser esquecidas. Aquele momento estava perfeito, nenhuma desavença anterior iria comprometer aquela paz que predominava ali. Eles estavam tão bem e tão nervosos, mas definitivamente não era uma sensação ruim.
Majô estava tomando um sorvete de morango natural com calda de chocolate num dos bistrôs quando Can’t help falling in love começou a soar pelos auto falantes do baile. Ela viu os pares um a um saírem de seus lugares e tomando a pista de dança num movimento calmo. Eles se aninhavam nos braços um do outro, parecendo que o mundo em sua volta tinha desaparecido. Era uma cena linda.
⁃ Quer dançar? — ouviu a voz de Benício dizer suave ao seu lado. Quando ela direcionou seus olhos, viu que ele já a olhava.
⁃ Não sei se é uma boa ideia. — disse e riu pelo nervosismo.
⁃ Qual é, você não deve ser tão ruim. — ele debochou com uma sobrancelha erguida. Ela o olhou com a boca aberta, mas não estava realmente ofendida.
⁃ Eu sei dançar muito bem.
⁃ Eu só acredito vendo. — sorriu sacana. Sua vizinha revirou os olhos. — Qual é, Ma. Esse é praticamente o último dia que estaremos algemados um ao outro. Não acha que isso merece uma comemoração em grande estilo? Fechar com chave de ouro?
⁃ Elvis é realmente um grande estilo. — ela suspirou.
⁃ Realmente. — Ben sorriu antes de estender a mão que estava algemada para ela. Marjorie observou o anel de seu vizinho e também sorriu, finalmente aceitando o contato.
Wise man say
Only fools rush in
But I can’t help
Falling in love with you
(Homens sábios dizem
Que só os tolos se apaixonam
Mas eu não consigo evitar
Me apaixonar por você)
Quando suas mãos se tocaram, Majô pode sentir espasmos elétricos percorrerem seu corpo a partir daquela região. Olhou para o rosto de Ben e imaginou se os olhos ainda mais brilhantes dele eram verdade ou só uma projeção de sua mente. Ele começou a puxa-la levemente pela mão, não deixando de notar o quanto ela era macia. Começaram a caminhar até o meio da pista de dança, atraindo olhares e cochichos dos alunos, mas sequer ouvindo-os ou se importando.
Shall I stay?
Would it be a sin
If I can’t help
Falling in love with you
(Eu deveria ficar?
Seria um pecado
Se eu não consigo evitar
Me apaixonar por você?)
Pararam no meio da pista e Ben trouxe Majô para perto, pousando a mão na cintura da garota, que automaticamente levou a sua até o ombro do garoto, fazendo uma pressão leve. Os braços algemados foram elevados até o nível de seus ombros, e suas mãos entrelaçadas, pela primeira vez em muito tempo. Os corpos não se encostavam, mas a presença dos dois no corpo um do outro era inegável, as reações eram praticamente as mesmas. O coração de ambos estava batendo mais rápido e eles sentiam um tipo diferente de frio na barriga.
Like a river flows
Surely to the sea
Darling, so it goes
Some things are meant to be
(Como um rio corre
Certamente para o mar
Querida, é assim
Que algumas coisas estão destinadas a acontecer)
Majô olhava para todos os lados enquanto giravam lentamente ao som da música. Olha para a decoração, para as gêmeas e seus pares coloridos, para Lili e Marcos e todos os outros casais, sem realmente prestar atenção em qualquer um deles. Estava envolvida demais por aquela proximidade, por aquele perfume exclusivo que ela aprendeu a reconhecer e duvidava que era feito só com alguma colônia qualquer. Não, tinha certeza que aquele cheiro era dele. E só dele.
Take my hand
Take my hole life too
For I can’t help
Falling in love with you
(Pegue a minha mão
Tome minha vida inteira também
Porque eu não consigo evitar
Me apaixonar por você)
⁃ Sabe o que eu acho mais legal? — perguntou, finalmente encontrando voz.
⁃ O quê? — ele perguntou, calmo, parecendo imerso naquela música e naquele momento.
⁃ Cada pessoa aqui pode olhar para alguma parte dessa decoração e sentir orgulho por ter participado. — olhou nos olhos de seu vizinho, que retribuiu o olhar. — Isso é mágico. — ele sorriu e ela apertou mais forte sua mão.
⁃ Sim, faz com que eles se sintam mais próximos do baile. Isso é bom.
⁃ Tenho certeza que não estaria tão bom assim se a tempestade não tivesse acontecido e tudo estivesse pronto.
⁃ Não, não seria.
⁃ Obrigada, Ben. — agradeceu e ele a olhou sem entender. — Por ter feito tudo isso acontecer. Eu não teria conseguido sem você. — ele riu.
⁃ Não só teria conseguido como teria feito melhor. — ela também riu, revirando os olhos.
⁃ Como se isso fosse possível.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, só ouvindo e apreciando a música enquanto dançavam. Realmente, os dois faziam isso muito bem. Passos sincronizados, parecia que tinham sido ensaiados exclusivamente para aquele momento.
⁃ Take my hand...— Ben começou a cantarolar baixinho, só Marjorie conseguia ouvir. — ... take my whole life too... for I can’t help falling in love for you.
Então ela se perguntou se tinha algo a mais naquela música, que ao som da voz de Ben soava mais como um pedido, uma promessa. Decidiu deixar esses pensamentos, pelo menos por aqueles minutos, e, num segundo que deixou de pensar direito, encostou sua cabeça no tronco de seu vizinho, esquecendo-se das consequências daquele movimento e apenas sentindo sua voz reverberar por sua pele. Benício ficou tenso por um momento, mas logo relaxou.
Não se sabe quanto tempo se passou, a música terminou e foi substituída por outra lenta, mas sequer os dois estavam prestando atenção. Marjorie permanecia de olhos fechados, mas os dois continuavam girando.
⁃ Viu o que Antônio fez? — ela franziu o cenho, mesmo que ele não pudesse ver.
⁃ O quê?
⁃ Ele falou para mudarmos o lado para podermos dançar. — explicou com a voz baixa e Marjorie olhou para as mãos deles enlaçadas e levantadas, presa pelas algemas. Sorriu.
⁃ É verdade. — ficaram em silêncio por algum tempo.
⁃ Esse lugar ficou realmente bonito. — comentou Ben, observando todo o lugar.
⁃ Ficou mesmo. — respirou fundo, fazendo com que o perfume de seu vizinho entrasse com intensidade em seus pulmões. — Formamos uma boa dupla, Ben. — admitiu e o garoto sorriu.
⁃ Concordo. — suspirou antes de continuar. — Eu só tenho uma pergunta.
⁃ E qual seria? — ela perguntou, calma. Sentia que podia adormecer ali qualquer momento.
⁃ O que me impede de te beijar agora, Marjorie?
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