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23 Ginásios e soluções


Notas iniciais
Oiiiee, gracinhas!! Tudo bem? Primeiramente gostaria de dizer que: FELIZ 2018!!! Que o ano de vocês seja maravilhoso e repleto de alegrias, felicidades, momentos inesquecíveis e muito sucesso!! ♥ Junto com o ano novo tem uma novidade: CAPA NOVA (que surpreendentemente eu que fiz e que deu um trabalhão pra colocar aqui sianjsshasuhs)!! Me digam o que acharam, se gostaram dessa ou se preferem a outra, quero muito saber a opinião de vocês! E vai ter uma surpresinha nas notas finais, não é nada muito grandioso, massss é uma coisa que eu acho bem legal. Muito obrigada a Nana e a Mareena pelos comentários cheirosos e a todas(os) que acompanharam e favoritaram a história! Vocês são demais! Sem mais delongas, espero que gostem do cap Boa leitura ♥

Vinte e três

Benício encarou todo o grupo, sem saber o que fazer. Alicia e as gêmeas entraram no pequeno depósito, apenas para constatar o que todos já sabiam: estavam ferrados. Ben se sentiu frustrado, irritado e impotente. Tinham dado tão duro por esse baile, ele mesmo nunca tinha se esforçado tanto. Agora tudo estava arruinado, era mais fácil listar as coisas que não tinham do que as que tinham.

Olhou para sua vizinha, que estava praticamente enrolada no chão. Ela não emitia quase nenhum som, mas ele podia ver os pequenos espasmos que ela dava. De todas as pessoas ali, ela com certeza era quem mais estava abalada com tudo aquilo. Se Ben já estava com raiva, imagina Marjorie. Era o primeiro ano que ela era a responsável pelo comitê e pela organização, tinha trabalhado para que tudo saísse perfeito.

Observou, então, ela erguer a cabeça, respirar fundo, passar as mãos pelos cabelos e levantar. Seus olhos e nariz estavam vermelhos, ela parecia completamente perdida. Todo o grupo a olhou.

⁃ Eu... — tentou, mas sua voz falhou. — Eu não sei o que fazer... — admitiu, abaixando a cabeça. Começou a andar para trás lentamente. — Preciso de um tempo, ok? — sua voz não passava de um fio. — Só... me desculpem. — disse e começou a correr em direção ao prédio da escola.

⁃ Majô... — Alicia chamou e começou a andar atrás da garota, mas Ben a impediu.

⁃ Calma, deixa ela. Ela precisa disso. — a garota acenou com a cabeça, logo desviando dos braços de Ben. Ficaram em silêncio por algum tempo, só digerindo.

⁃ Então é isso? Acabou? — Lili subitamente perguntou, indignada, seus olhos cheios de água. — Todo esse trabalho, para dar nisso? — apontou para o depósito.

⁃ Deve... — Ben começou incerto, sem saber o que dizer. — Deve ter alguma coisa que a gente possa fazer, nós...

⁃ Esquece, Ben. — Lara se pronunciou, com a cabeça baixa. — Não está vendo? Acabou. Não tem como refazer tudo isso. — Ben olhou para cada um ali.

⁃ O que vocês acham? — eles deram de ombros.

⁃ Lara tem razão. Não temos tempo e nem verba para refazer. — dessa vez foi Rafael.

⁃ Mas nós trabalhamos tanto... vocês não querem nem tentar? — Ben perguntou indignado, Alicia bufou, sem paciência.

⁃ Escuta, Ben. — começou, com irritação na voz. — Todo mundo aqui está frustrado por isso, não só você! Mas temos que ser realistas, apesar de tudo. — abaixou o tom de voz. — Não tem como. Sentimos muito.

⁃ Então é assim? — Ben bufou, ninguém o olhava nos olhos. — Tudo bem. Dá mesmo para ver o quanto vocês sentem muito. — disse irritado e saiu a passos duros. Lili encarou todo mundo, que estavam cabisbaixos, e correu até o garoto.

⁃ Ben. — chamou e ele olhou para trás, esperando a garota chegar até ele. — Olha, não liga, não, eles estão muito abalados. A real é que ninguém sabe o que fazer. Com a Majô fora, então... — riu sem humor. — Escuta. Se você conseguir pensar em alguma coisa, eu vou ficar feliz em ajudar. Tenho certeza que todo o grupo também, só dê um tempo para eles. Eu vou tentar pensar em algo. — Ben suspirou, balançando a cabeça.

⁃ Tudo bem, Lili. Obrigado. — sorriu sem mostrar os dentes, antes de voltar a caminhar.

~*~

Majô não sabia há quanto tempo estava ali no seu jardim secreto, apoiando os cotovelos no muro e olhando para o horizonte da escola. Pela primeira vez não sabia o que fazer, nem quando Benício resolveu mudar todo o tema do baile ela esteve tão perdida. Pensou em todo o trabalho, em todas as tardes perdidas, todo o planejamento e todo o esforço colocado naqueles preparativos. Estava tão esperançosa que tudo daria certo, tudo parecia estar indo tão bem...

Fungou, sentindo as lágrimas rolando pelo seu rosto novamente, como já havia ocorrido varias vezes desde que estava ali. O que fariam agora? Sem um lugar, sem decoração... pensou em inúmeros planos e tentativas para dar a volta por cima, mas no final parecia tudo sem saída. Estava encurralada e toda agonia que estava sentindo era uma dor quase física.

O que diria para todo mundo? Eles contavam com eles, com ela. Como suportaria aqueles olhares frustrados?

De repente, começou a se irritar, com tudo, com todos. Com quem planejou aquele depósito idiota que não aguentava uma tempestade, com aquele ginásio idiota que também não aguentava nada. Quis gritar e estava prestes a realmente fazê-lo, quando ouviu passos no pequeno corredor. Rapidamente passou as mãos pelo rosto para enxugar as lágrimas, não queria que quem quer que fosse a visse naquele estado.

Voltou a posição que estava antes, como se nada tivesse acontecido, como se não estivesse prestes a surtar. Virou a cabeça para trás e viu seu vizinho surgir na varanda e se aproximar, com all star preto e jaqueta jeans que caia muito bem nele. Imediatamente sentiu um aperto no coração, mas não soube dizer se era uma sensação boa ou ruim. Ele parou ao seu lado, há uns bons centímetros dela e também começou a olhar para o restante da escola. Ficaram em silêncio por algum tempo e Majô começou a se sentir estranhamente melhor. Seu peito ainda doía muito, mas era quase como se a presença de seu vizinho de alguma forma a acalmasse.

⁃ Que merda, hein? — ele finalmente disse. Ela riu, mas logo depois fungou.

⁃ Uma grande merda. — suspirou e voltaram a fazer silêncio. — Eu estou tão frustrada. Eu não consigo sequer achar palavras para descrever como eu estou me sentindo nesse momento. — começou a desabafar, se sentindo um pouco mais leve. — Nós nos dedicamos tanto, todo mundo se dedicou, mas nós passamos todas as nossas tardes do último mês aqui, pelo amor! — e as lágrimas voltaram, mas ela não se importou em deixá-las correr na frente de seu vizinho. — Eu estou odiando isso, odeio não poder fazer nada, odeio... — não conseguiu mais falar, as palavras saiam como soluços. Cobriu o rosto com as mãos, chorando mais.

Por um segundo pensou em como aquela cena poderia estar sendo ridícula e que seu vizinho poderia estar pensando tudo de ruim dela naquele momento. Ele poderia falar que aquilo era um drama desnecessário, mas ele certamente não sabia como doía. E como doía ver tudo despedaçado.

Por achar tudo isso, por um segundo não conseguiu se mexer quando sentiu os braços de seu vizinho a envolvendo, juntamente com o seu perfume familiar e inebriante. Seu toque era seguro, firme, como se tentasse passar tudo isso para ela. Passado o susto inicial, Majô permitiu se agarrar a ele, forte, retribuindo aquele abraço como se precisasse dele para se sustentar. Apoiou a cabeça em seu tronco e sentiu o coração de seu vizinho bater forte, no mesmo ritmo que seu próprio.

Chorou mais ainda, provavelmente molhando toda a camisa de Ben. Ele passou a mão pelo cabelo da garota, acariciando de leve. Apoiou o queixo na cabeça de sua vizinha, sentindo o corpo dela estremecer por causa do choro.

⁃ Por favor, não solta. — ela disse com a voz fraca, num sussurro. Ele suspirou.

⁃ Não vou.

Ficaram assim por um certo tempo, mas não estavam contando. Aos poucos Majô foi se acalmando. Ben afrouxou um pouco o aperto, para poder olhar em seus olhos. Ela levantou a cabeça, o olhando também. Ele hesitou por um segundo, mas logo depois levou as mãos no rosto de Marjorie, passando o polegar levemente pelas lágrimas que ainda insistiam em cair. Ela fechou os olhos com o toque.

⁃ Por favor, não fica assim. Eu detesto te ver chorando. — pediu e a garota abriu os olhos novamente, mais brilhantes que o normal. — Vamos dar um jeito. — ela franziu o cenho.

⁃ Como, se...

⁃ Confia em mim. — ele interrompeu. — Pela primeira vez, Majô, confia em mim. — ele olhou em seus olhos com uma profundidade até então desconhecida. — Vai para casa descansar, já chamei Armando para vir te buscar.

⁃ Mas... o pessoal...

⁃ Eles vão entender. Você deu muito duro até aqui, deixa o resto comigo, pelo menos por enquanto. — Majô ainda relutou, quebrando o contato visual. Ben ainda acariciava seu cabelo. — Por favor. — ele respirou fundo. — Eu prometo que eu ainda vou te fazer sorrir com esse baile.

Majô voltou a olhar em seus olhos, que estavam confiantes e prometiam o que palavras não podiam prometer. Subitamente ela quis chorar de novo, mas não tinha certeza se dessa vez era por causa do baile. Sentiu algo a mais ali, enquanto os braços de seu vizinho a envolviam. De repente, ela queria abraçá-lo mais. A sensação de frio na barriga, como se estivesse naquela montanha russa, a atingiu por inteiro.

Pela primeira vez no dia, ela conseguiu sorrir. Um sorriso pequeno, mas o mais verdadeiro até aquele momento, que refletiu em seus olhos. E, finalmente, ela confiou.

⁃ Tudo bem. — ele também sorriu.

Sem dizer mais nada, os dois desceram pelo elevador e Ben acompanhou a garota até a saída, onde Armando já a esperava. Ela assinou o papel de saída, Benício de algum jeito já havia explicado a situação a quem quer que fosse que pudesse liberá-la.

Assim Majô foi embora, ainda mal com tudo isso, mas com uma pontinha de esperança crescendo em seu peito.

~*~

Ela acordou de manhã sentindo um nó desconfortável nos ombros. Com tudo o que aconteceu, ela estava tensa, mas tinha tomado a decisão de não jogar tudo para o alto. Ela ia lutar pelo baile, principalmente agora que sabia que teria a ajuda de Benício. O garoto tinha lhe dado esperança e ela viu em seus olhos que ele estava sendo sincero sobre o que disse.

Portanto, ela não ia mais chorar, já tinha gastado lágrimas demais no dia anterior. Ela colocaria um sorriso no rosto e faria o seu melhor para contornar aquela situação, com a ajuda de quem estivesse disposto. Tomou um café da manhã reforçado, se arrumou e saiu de sua casa, já encontrando seu vizinho arrumado do jeito bagunçado característico dele. Quando ele percebeu ela ali, sorriu e se aproximou.

⁃ Que sorriso bonito, Marjorie. A que devemos essa honra? — ele perguntou despojado.

⁃ É que ontem alguém me convenceu de que eu tenho que lutar pelo o que eu quero. E eu quero esse baile. — Ben soltou uma risada.

⁃ Sério? Bom saber.

Sem dizer mais nada, os dois entraram no carro e seguiram até a escola num silêncio leve. Chegando lá, a entrada estava vazia, mas já sem as folhas da tempestade do dia anterior. Os dois saíram do carro e ficaram parados lá na frente, olhando para o prédio.

⁃ Tem certeza que quer fazer isso? — Benício perguntou e Majô suspirou.

⁃ Sim, quer dizer, o máximo que pode acontecer é dar tudo errado. Mas isso já aconteceu. — Ben riu, Marjorie o olhou. — E eu até pensei numas coisas. — ele arqueou uma sobrancelha.

⁃ Ah é? Quais? — começaram a andar até Antonio.

⁃ Podemos usar a verba restante para comprar as coisas para decoração numa loja de departamento que fica meio longe daqui, mas que é muito mais barato. Vamos precisar de mais pessoas para ajudar, podemos pedir a Betsy e a Tereza, elas são muito boas com isso. Além dos alunos, é claro. — Antonio já tinha colocado as algemas nos dois, agora eles caminhavam pelos corredores. Majô falava muito rápido. — Podíamos dar desconto no ingresso para os alunos que ajudassem. E também temos que pedir para o diretor mais tempo. Mobilizamos a escola inteira para uma guerra de comida, por que não pra ajudar no baile também?

⁃ Calma, respira. — Ben parou no corredor e olhou para ela sorrindo. — Você já pensou em tudo, não? — Majô sorriu, deu de ombros e olhou para baixo. — Mas eu também já pensei em algumas coisas.

⁃ Sério? — ela olhou para ele, que lançou um daqueles sorrisos bonitos.

⁃ Vem comigo, quero te mostrar uma coisa.

Ele segurou sua mão, a que estava algemada, e começou a puxá-la para fora do prédio. Tomou o rumo até a parte detrás da escola, no ginásio de gramado descoberto onde acontecia os jogos de futebol americano e as aulas de atletismo da educação física. A grama já não estava mais molhada e lamacenta. Ele parou bem no meio, abriu os braços, e fez um som como se mostrasse tudo. A olhou com expectativa e animação, mas ela o olhou sem entender.

⁃ O quê? — perguntou e seu vizinho se aproximou.

⁃ Está vendo esses fios aqui? — apontou para as linhas paralelas acima deles, que ia de uma parte a outra no ginásio. Majô fez um som concordando. — Eles são ligados a cabos de energia, para pendurar luzes e o que mais você quiser. Tipo suas borboletas. — ele sorriu e a encarou por um segundo. — Podemos cobrir essa grama com as madeiras que eles usam todo ano na formatura. Não dá para cobrir todo o ginásio, mas fica um tamanho bom para o baile, assim todo mundo fica mais junto e o lugar parece estar cheio. E eu conferi a previsão do tempo e nada de chuva para esse final de semana, essa tempestade já deu tudo o que tinha que dar. Então, Majô... — ele voltou a olhá-la, mas os olhos da garota já estavam nele. — ... temos um lugar para o baile. — sorriu bonito e ela permaneceu o encarando.

“Além disso, eu já pedi para o diretor tempo extra para fazer tudo. Ele liberou o dia todo hoje, amanhã e sábado para fazermos o que precisar. E sobre os materiais... eu liguei para uma papelaria ontem e ela se compadeceu da nossa situação. Nos deu cinquenta porcento de desconto sobre toda a compra, o que economizou bastante. Eu usei a lista que você tinha feito para pedir os materiais. Eles devem ter deixado tudo aqui hoje mais cedo.”

Ele sorriu para ela novamente, muito animado.

⁃ O que você achou? — perguntou, mas Majô só ficou o olhando com a expressão indecifrável. Ele franziu o cenho. — Ah, não. Não me diz que você não gostou, Marjorie, porque, se sim, eu estou falando, eu jogo tudo pro alto e...

Ele parou no meio da frase, pois não conseguiu falar mais nada ao sentir os lábios de sua vizinha delicados em sua bochecha e suas mãos em seu ombro. Ele arregalou os olhos, pela primeira vez sem saber como reagir ao movimento de uma garota. Majô olhou para ele, agradecida.

⁃ Obrigada, Benício. De verdade. — ele sorriu, colocou a mão na costa da garota e eles se olharam nos olhos por alguns segundos.

⁃ Ei, vocês aí! — Jack apareceu do nada caminhando até eles. Os dois se desvencilharam constrangidos, mas não sabiam o porquê. — O que vocês estão fazendo? Acham que a gente tem todo o tempo do mundo? Pois não temos. Vamos logo.

⁃ Já estamos indo, Jack. — Ben respondeu. O garoto saiu e os dois se entreolharam antes de segui-lo.

Notas finais
Bommm, com tudo o que aconteceu eu gostaria de dizer que só faltam dois capítulos para o grande dia! E muita coisa vem por aí... E a pequena surpresinha é que eu fiz uma capa especial para o baile, que eu vou postar no próximo capítulo pra vocês verem como ficou, se tudo der certo, eu coloco de verdade durante os acontecimentos do baile hushuhas ♥ Eu espero que vocês tenham gostado, eu amei escrever esse cap sbauhbsjhbbjhba. Muito obrigada por lerem. Beijooos e até o próximo ♥