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18 Caça ao tesouro e surpresas


Notas iniciais
Olá! Tem alguém aí? ~Silêncio, grilos, mais silêncio, mais grilos~ Bom gracinhas, olha a pessoa irresponsável voltando... será que ainda existe alguém aqui?? Gostaria de pedir mil, milhões de desculpas por esse atraso terrível. Eu passei algum tempo sem internet e consequentemente sem entrar aqui, mas depois a escola querida me bombardeou com milhões de trabalhos e provas e consequentemente tristezas dbahihihbsjhbakhbskhba tô brincando, e eu meio que travei e fiquei sem tempo para postar aqui, então me desculpa, me desculpa, me desculpa, espero que vocês não tenham desistido da história, da Majô e do Ben, de todo mundo e de mim. Bom, a caça ao tesouro finalmente chegou e está bem grande dhiuhauihsuihaiua... foi tão complicado pensar nas coisas para escrever esse capítulo, sos, mas eu finalmente consegui, está aqui e eu sou suspeita, mas eu gosto muito desse aqui. Obrigada como sempre a Mareena, a Nana e a Bex Valdez pelos comentários SUPER MARAVILHOSOS, LINDOS E CHEIROSOS que eu simplesmente AMO ler, sério, meninas, vocês fazem meu dia, vamos se abraçar shihaihsihhaihbsjhh (eu li, apesar de não ter respondido ainda, me desculpem por isso também :( ♥) Boa leitura e até as notas finais.

Dezoito

⁃ Eu espero que você tenha entendido. Com isso, Ben finalmente vai ser meu. — foi como Evelin acabou de falar, depois de meia hora planejando com Sabrina. Elas estavam sentadas na arquibancada da quadra da escola, rabiscando o plano no caderno durante o horário de almoço.

⁃ Entendi. — sua amiga coçou a cabeça, desconfortável. — Mas não sei, Evelin, não é muito... maldoso? — a garota respirou fundo, mas depois sorriu, pegando a mão de sua amiga.

⁃ Sabrina... olha. Você sabe muito bem que desde o primeiro ano eu sou apaixonada por ele. Eu só queria... não sei... que ele se sentisse como eu me sinto. Eu acho que eu posso até... amar ele. — Sabrina a olhou com pena e suspirou.

⁃ Tudo bem, Evelin. Vamos fazer. — esta se recompôs e sorriu.

⁃ Ai, obrigada, você é a melhor amiga do mundo. — a abraçou. — Mas lembra, ninguém pode saber. — Sabrina revirou os olhos.

⁃ Eu sei, Evelin. Ninguém vai saber nada de mim. — fez uma pausa, pensativa. — Mas não acha que tudo isso vai ser muito complicado? — foi a vez da Evelin revirar os olhos e bufar, impaciente.

⁃ Ai, Sabrina... você está perguntando demais... se você não quiser fazer, não faça, eu arranjo outra pessoa. Não é como se eu precisasse de você.

⁃ Não, não. Não foi isso que eu disse. Eu vou te ajudar. Eu só espero que dê tudo certo.

⁃ Vai dar. Mas para isso você precisa ir falar com uma certa pessoa primeiro, não? — ela perguntou sugestiva. Sabrina franziu o cenho.

⁃ Quer que eu vá agora?

⁃ Já era pra ter ido. — sua amiga balançou a cabeça positivamente e levantou rápido.

⁃ Tudo bem, eu vou. — bateu a mão na calça pra tirar a poeira e correu para a saída.

Evelin ficou lá, fechou o olho e encostou a cabeça no banco de trás e permaneceu assim até ouvir um barulho estranho. Levantou rápido e começou a olhar para os lados, até que viu uma sombra embaixo da arquibancada. Franziu o cenho, levantou lentamente e começou a caminhar para dar a volta e ver o que era. Começou a se aproximar e viu um garoto deitado na grama, de olhos fechados. Será que ele tinha ouvido o plano? Como se sentisse a presença de uma segunda pessoa ali, ele acordou, logo focando os olhos em Evelin.

⁃ Ah, olá. — ele cumprimentou.

⁃ Está aqui faz tempo? — perguntou apreensiva.

⁃ Ah, não... só foi tempo o suficiente pra ouvir seu plano de destruição do Ben e da Majô. — disse como de fosse algo patético. Evelin cruzou os braços, irritada.

⁃ É melhor você não abrir essa sua boca, nerd. — o "nerd" balançou a cabeça em negativo e riu.

⁃ Você está tão preocupada em destruir a vida alheia, que não vê o que está bem na sua frente, Evelin. — a garota franziu o cenho.

⁃ E quem é você? — ele se levantou.

⁃ Carlos. — estendeu a mão para cumprimentá-la.

⁃ Ah, o garoto responsável por juntar aqueles dois. Obrigada, se não fosse por você eu não estaria fazendo nada disso. — ela não aceitou a sua mão.

⁃ Se você tivesse alguma chance de ficar com o Ben você não estaria fazendo nada disso. — ele disse recolhendo sua mão. Evelin abriu a boca indignada.

⁃ Quem é você? Como ousa falar assim comigo? Se você soubesse o que é estar apaixonada por alguém por um tempo enorme e não ser correspondida entenderia o que eu estou fazendo.

⁃ Acredite, eu sei como se sente. Mas ainda não entendo porque você está se rebaixando a esse nível.

⁃ Não estou me rebaixando. — ela disse na defensiva. Carlos riu.

⁃ Você não era assim. — ele disse baixinho.

⁃ O quê? — ele passou por ela e começou a sair.

⁃ Tudo o que eu estou dizendo é que você não precisa disso, Evelin. Se apenas você soubesse... não estaria tentando destruir a felicidade alheia tentando achar a sua.

⁃ Soubesse o quê?

⁃ Para de fazer isso e começa o olhar para o que está na sua frente. Existe mais e melhores coisas que isso. E que valem mais a pena. — Carlos finalmente saiu, deixando uma Evelin pensativa para trás. O que foi aquilo?

~*~

⁃ Tudo bem... eu acho que... é isso. — Majô disse analisando tudo o que tinham feito naquela tarde de quinta feira. Bateu pensativa na sua prancheta com seu marca texto rosa. — Ok, pessoal. Eu falo as decorações e vocês falam se elas já estão prontas.

⁃ Tudo bem. — disseram em coro.

⁃ Cartazes.

⁃ Os melhores cartazes que você já viu estão prontos, Marjorie. — Ben disse e garota revirou os olhos.

⁃ Borboletas para pendurar no teto.

⁃ Prontas. — Lili e Alicia falaram.

⁃ Arranjos de penas.

⁃ Prontos. — André e Manuel disseram.

⁃ Árvores iluminadas.

⁃ Prontas. — Sarah e Lara falaram.

⁃ As bolas vazadas estão prontas... — Majô disse e Ben riu. Essas bolas vazadas... — Serpentinas.

⁃ Prontíssimas, querida. — Jack falou.

⁃ Balões brancos.

⁃ Estão aqui e vamos encher com hélio no dia. — Ben comentou.

⁃ E o gás hélio?

⁃ Encomendados, vão chegar semana que vem.

⁃ Aquela fonte maravilhosa que deu pra alugar.

⁃ Também vão chegar semana que vem. — Jack disse.

⁃ Ok. Vamos fazer a última prova do buffet segunda. — respirou fundo e sorriu, orgulhosa. — Pois é, pessoal. Eu fico extremamente feliz em dizer que... — fez uma pausa dramática. Todos a olharam com expectativa. — A decoração está pronta! — gritou e todos comemoraram, batendo palmas, assoviando e cumprimentando-se.

⁃ Vamos levar para o resto para o depósito do ginásio, como o diretor falou. Acho que se a gente deixar aqui mais um dia a professora de artes bate na gente. — Ben comentou.

⁃ Tudo bem. Cada um carrega uma coisa. Acho que a gente vai precisar de mais de uma viagem. — todo mundo começou a se espalhar e encher as mãos de coisas. Majô pegou uma árvore brilhante grande.

⁃ Eu te ajudo. — Ben ofereceu e pegou a base da árvore.

⁃ Não precisa.

⁃ Vamos levar juntos. Uma mão segura a árvore e outra leva outra coisa. Produtividade, Marjorie. — o garoto insistiu e Majô cedeu, pegando duas bolas vazadas logo em seguida.

O grupo fez três viagens no total, indo do último andar de um prédio para o outro lado da escola, a sorte que uma boa parte das coisas já estava no depósito, mas mesmo assim estavam exaustos. Finalmente terminaram e olharam orgulhosos para o trabalho feito, com uma sensação de dever cumprido. Não paravam de sorrir um para o outro, depois de quase um mês de trabalho duro depois de Ben fazer o favor de mudar tudo.

⁃ Conseguimos, afinal. Antes do prazo até.

⁃ Ainda bem, né, 'more'? Não aguentava mais ficar aqui todo esse tempo.

⁃ Imagina pra esses aqui, que vieram todo dia. — Alicia apontou para os dois.

⁃ Ah, até que foi legal. — Ben falou baixo, mas não impossível de ouvir e todos os olharam.

⁃ Benício amou fazer parte disso. Quem sabe no ano que vem não vem desde o começo e não quase nos coloca em apuros. — Majô provocou. Benício sorriu estranho.

⁃ Não contaria muito com isso. — ele disse dessa vez realmente baixo.

⁃ O quê? — Majô perguntou.

⁃ Eu disse: "é claro, Marjorie". — sorriu bonito e a garota franziu o cenho, mas depois deu de ombros.

⁃ Tudo bem, galera. Isso é tudo por essa semana. Descansem bastante que semana que vem vai ser uma correria. Obrigada por tudo e parabéns para nós. — sorriu, começou a aplaudir e todos a acompanharam, logo depois tomando seus devidos rumos. Depois que todos saíram, Majô puxou o portão e trancou com cadeado. Ben se aproximou, com as mãos nos bolsos.

⁃ Quer uma carona? — ofereceu e a garota se virou, o olhando.

⁃ Pode ser, obrigada. Só preciso deixar essa chave na diretoria.

⁃ Então vamos. — estendeu os braços como se tivesse dando passagem e começaram a andar.

Chegaram na diretoria e Majô entregou a chave para Sara, a secretária. Estavam prestes a sair, quando o diretor saiu de sua sala e os chamou.

⁃ Ben e Majô. Terminaram a decoração?

⁃ Finalmente sim, diretor.

⁃ Que bom. Se lembram que amanhã é o tão esperado caça ao tesouro de vocês, não?

⁃ Como poderíamos esquecer? Todo dia vem alguém e nós lembra. — Ben revirou os olhos.

⁃ Isso vale a última semana de aula separados. Não querem mais fazer?

⁃ Claro. — Majô disse com a voz esganiçada depois de hesitar por segundos quase imperceptíveis. Ben a olhou, mas logo se voltou para o diretor, concordando apenas com a cabeça.

⁃ Então tudo bem. Estarei no pátio esperando vocês entrarem na escola. Boa sorte amanhã. — o diretor sorriu misterioso e voltou para sua sala sem dizer mais nada. Os dois se entreolharam, mas depois deram de ombros. Tomando o caminho para irem para casa logo em seguida.

~*~

Sexta-feira. Chegou o grande dia. O dia da decisão. Mais uma semana juntos, ou não? Eis a questão. No começo tudo o que queriam era se livrar um do outro, mas e agora? Seria isso o que realmente queriam? Quer dizer, não que gostassem um do outro ou de suas companhias, lógico que não. Mas será que valia a pena perder aulas e tanto esforço por uma semana?

Depois de se arrumarem e tomarem café da manhã compartilhando esses mesmos questionamentos, os dois se encararam na porta de suas respectivas casas, misto de sentimentos passando pelos seus olhos. Caminharam até o carro dos Martins e pararam de frente um para o outro. Ben a olhou de cima a baixo.

⁃ Vai numa caça ao tesouro de saia rodada e salto alto? Não acha que vai ser um pouco desconfortável? — Majô revirou os olhos.

⁃ Não tenho problema com salto e estou de shorts por baixo, babaca. E o que você está falando, veio de calça jeans. — Ben olhou para suas pernas.

⁃ São muito confortáveis. Você que é a arrumadinha.

⁃ Ah, cala a boca. — o empurrou e entrou no carro, Ben só riu.

Percorreram o caminho em silêncio, como o de costume. Ao chegar na escola, todos os olharam. Durante essa semana os olhares tinham amenizado, após o dia que vieram juntos, mas parece que agora voltaram com mais força ainda, todos deveriam saber sobre a "caça ao tesouro" que fariam juntos. Estavam passando por António quando ele os chamou.

⁃ Onde pensam que vão? — ele perguntou.

⁃ Com o diretor, lá no pátio. — Ben respondeu.

⁃ E as algemas?

⁃ Vamos precisar delas? — dessa vez foi Majô.

⁃ Claro, vocês vão fazer o joguinho de vocês algemados.

⁃ O quê? Isso é um absurdo. Vai dificultar muito mais. — Majô exclamou indignada. Ben revirou os olhos.

⁃ Acho que esse é o objetivo deles. — estendeu o pulso para António. Majô o encarou um segundo, mas depois suspirou e copiou o movimento.

⁃ Boa sorte para os dois. — o senhorzinho sorriu sapeca e os dois começaram a caminhar para o pátio.

⁃ Essa escola é maluca. A gente fazia caça ao tesouro pra procurar ovo de Páscoa com quatro anos. — Ben reclamou. Majô riu.

⁃ Verdade, a gente fazia juntos. As pegadas do seu coelho eram verdes, as minhas eram rosas. — Ben sorriu, se lembrando daquele tempo.

⁃ É... era legal.

⁃ Você sempre ficava emburrado porque eu achava tudo antes de você. Sorte a sua que dessa vez a gente vai procurar juntos e não um contra o outro, né? — Ben a empurrou de leve.

⁃ Isso é passado, Marjorie. Hoje quem ficaria emburrada é você.

⁃ Sei...

⁃ Queria mesmo que tivesse chocolate no final de tudo isso. — o garoto comentou e Majô riu.

⁃ Seria bom mesmo.

⁃ Olha quem chegou. — o diretor comentou o todos olharam para eles. Havia tipo uma rodinha de briga bem no centro do pátio, só que o diretor estava no meio. A rodinha se abriu para eles caminharem até o centro. — Animados?

⁃ Não... — Ben disse baixo e Majô deu-lhe uma leve cotovelada.

⁃ Enfim, não importa. Antes de começaram, algumas regras e esclarecimentos importantes. Primeiro: vocês terão até dez minutos antes do primeiro intervalo para completar tudo, ou seja, uma hora e meia, nem um segundo a mais. Segundo: não podem pedir ajuda a ninguém, são só vocês dois mesmo. São dez pistas no total, se terminarem tudo, devem trazer o que encontrarem até esse mesmo lugar, e colocar numa mesa que estará aqui. Por enquanto é só isso. — estendeu um envelope para eles. — Essa é primeira dica. Abram quando bater o sinal, aí que começa a caça. Todos para suas salas agora. — todos os alunos dispersaram. — Boa sorte. — desejou e saiu.

Logo depois do diretor desaparecer no meio dos prédios, bateu o sinal. Majô rasgou o envelope rapidamente.

⁃ Tudo bem. Vamos lá. — desdobrou o papel. — "Beba-me".

⁃ Sério? — Ben se aproximou para ler o papel. — Onde estamos? No País das Maravilhas?

⁃ Aparentemente. Isso pode ser qualquer coisa. Só está escrito isso. — disse virando o papel. Ficaram em silêncio por alguns segundos até que Ben estralou o dedo, com uma ideia.

⁃ Pode ser um bebedouro. Não é "beba-me", mas é "beba de mim".

⁃ Tá, faz um pouco de sentido. Mas qual? Tem um monte. — Ben olhou para os lados, pensando. Até que começou a puxar Marjorie.

⁃ Não sei, vamos ver em todos. Como eles querem dificultar, deve estar no último andar, no último lugar que a gente procuraria. Vamos no prédio do museu, mal tem bebedor lá.

⁃ Tá, mas calma. Essa é sua ideia genial? Não tem nenhuma base para você pensar essas coisas.

⁃ Tem alguma ideia melhor? — Majô pensou um pouco, mas depois bufou.

⁃ Não...

⁃ Então vamos. — começaram a correr em direção do prédio do museu e tocaram o interfone para entrar, impacientes. Uma senhorinha fofa de óculos abriu a porta, e os dois entraram afobados.

⁃ Por favor, onde tem um bebedouro aqui? — Majô perguntou e a senhora sorriu simpática e apontou para um corredor, e saíram correndo. Examinaram minuciosamente cada parte dele, bufando ao não encontrar nada.

⁃ Tem mais algum? — Ben perguntou esperançoso.

⁃ Tem um em cada andar, podem subir. — os dois sorriram e agradeceram. Majô estava prestes a ir para o segundo andar quando Ben a parou, ela o olhou sem entender.

⁃ Vamos direto para o terceiro. — Majô olhou para o bebedouro no final do corredor.

⁃ Mas...

⁃ Confia em mim. — Ben pediu e a garota voltou a olhá-lo. Suspirou, cedendo.

⁃ Tudo bem. — o garoto sorriu e os dois subiram escada acima. Começaram a examinar até que Ben apalpou um papel atrás da caixa de metal. Sorriu bonito para Majô e descolou o envelope da segunda dica da superfície gelada, estendendo para a garota.

⁃ Segunda dica em menos de dez minutos, isso vai ser fácil.

⁃ Quem diria, você estava certo.

⁃ Seria estranho se eu não estivesse, Ma. — piscou para ela, que apenas riu e revirou os olhos.

Rasgaram o segundo envelope, como fizeram com os outros próximos.


...

⁃ Isso está mais difícil do que eu pensava que seria. — Majô disse, se abanando pelo calor, estavam correndo, e muito. O diretor fez questão de colocar as pistas distantes uma do outra, fazendo com que eles tivessem que correr de um lado para o outro da escola. Benício rasgou o oitavo envelope. — Estou preocupada. — olhou no relógio de pulso de Ben. — Temos só mais vinte minutos. E mais três fases.

⁃ É... e eu não me animaria se eu fosse você.

⁃ Como assim?

⁃ "Parabéns. Mas ser os primeiros sempre tem seus pontos positivos e negativos."

⁃ Só isso?

⁃ Só isso. — o garoto sentou ao seu lado, no corredor. Majô bufou e passou a mão no rosto.

⁃ Tudo bem. Aqui fala "os primeiros", então deve ser alguma coisa que a gente fez juntos.

⁃ E que a gente se saiu bem. Muito bem, pelo jeito. — os dois permaneceram em silêncio por um minuto, pensando. Até que Ben arregalou os olhos. — Os relatórios. — Majô olhou para ele.

⁃ Tiramos A nos dois. Fomos muito bem... mas e aí? — Ben mordeu o lábio.

⁃ Dois As... AA... é um tipo de pilha. Lado positivo e negativo... — a garota abriu a boca.

⁃ Faz muito sentindo. — ela pareceu se lembrar de algo e chacoalhou Ben. — O próximo relatório que a gente tem que fazer é sobre as Pilhas de Daniel. Então quer dizer que eles fizeram o experimento ontem. — eles se entreolharam.

⁃ Está pensando o mesmo que eu? — Ben perguntou e Majô sorriu.

⁃ Laboratório de Química. — Ben também sorriu, se levantou e puxou a garota para cima. — Os experimentos ainda devem estar lá. — Marjorie concordou e saíram correndo para o terceiro lugar, onde ficava o laboratório. O diretor dessa vez não fez eles correrem para o outro lado da escola.

Quando finalmente chegaram, viram através da janela de vidro da sala que o experimento ainda estava lá. Correram para porta e felizmente não estava trancada. O envelope estava grudado na parte de fora da vidraria.

⁃ Isso! — Majô comemorou e pegou o envelope, rasgando-o e lendo-o.

"No deserto de minha alma
 O desejo clama, reclama e se inflama.
Não tenho mais segredos minha metade,

Que sei ainda não preenchida está sofrida, partida.
O oásis pode ser você...
Venha ser a fonte!" — Lucio Ernesto Caixeta

⁃ Tocante. Mas o que é isso? — Majô olhava para o nada, pensativa.

⁃ Não sei... realmente não sei. — respirou fundo. — Talvez... a história.


⁃ Que história? — Ben perguntou.

⁃ A do jardim. "Minha metade que ainda não preenchida está sofrida, partida". A mulher que entrou em depressão pela morte do filho... o antigo dono da escola fez aquele jardim para ela. Lá tem uma fonte, lembra?

⁃ Será que...

⁃ Vamos ver.

E mais uma vez saíram correndo, dessa vez para o outro lado da escola, na varanda que Marjorie havia mostrado para Ben, situação que parecia fazer dez anos. O garoto não pode deixar de notar que faltava apenas quinze minutos para o tempo acabar e ainda faltavam mais duas pistas. Por sorte o elevador já estava no térreo, iria demorar mais se fossem de escada. Entraram correndo no jardim bem cuidado, indo direto para fonte.

⁃ Onde está? — Marjorie disse se apoiando na borda.

⁃ Ali. — Ben apontou com o dedo para o meio de toda aquela água, onde a estátua de anjo segurava um envelope creme junto com a flecha. Estava a uns dois metros deles. Majô suspirou alto.

⁃ Você não alcança? — ela quase suplicou.

⁃ Claro que não. Vamos ter que entrar. — a garota arregalou os olhos.

⁃ Mas... — olhou para sua roupa. — esse negócio tem um metro de profundidade, vai nos molhar.

⁃ Não temos tempo, Marjorie.

⁃ Mas... — Ben revirou os olhos e se virou para ela.

⁃ Estamos quase no final, Ma. Vai desistir agora por tão pouca coisa? — perguntou. Majô balançou a cabeça depois de alguns segundos. Logo abaixou e começou a tirar seus saltos.

⁃ Tudo bem. Vamos. — disse decidida ao terminar. Ben sorriu e com alguma dificuldade os dois entraram na fonte, Majô reclamando da água gelada molhando um pouco mais da metade de sua saia, Ben molhando menos sua calça por ser mais alto e rindo da garota. Rapidamente pegaram o envelope e saíram da fonte. Majô saiu com uma careta engraçada de reprovação. Benício riu.

⁃ Logo seca. Essa é a última. — rasgou o envelope. Leu rapidamente e olhou para frente, franzindo o cenho. Era mesmo aquilo?

⁃ O que é? — a garota tentou tirar o papel de sua mão, mas ele desviou.

⁃ Vamos. Eu sei onde é. — começou a puxá-la. Ela travou no lugar.

⁃ Espera. Sabe mesmo? — o garoto revirou os olhos.

⁃ Vamos logo, temos dez minutos. — Majô o encarou com o cenho franzido, até suspirar e começar a correr junto com ele.

Ben guiava Majô, segurando a mão da garota que estava presa a ele pelas algemas. Ela segurava seus saltos em uma mão e seu cabelo estava despenteado de tanto correr. Passaram o grande ginásio e o depósito entrando na floresta que tinha atrás da escola. Majô franziu o cenho. Aquilo não era perigoso? Correram por pouco tempo por uma trilha estreita, com os galhos arranhando algumas vezes a perna descoberta da garota. Ela nem mesmo percebeu por conta de tanta adrenalina correndo pelas veias, já que o tempo acabando, aquela situação, tudo contribuía para aquilo.

Ben finalmente parou de modo brusco, fazendo a garota quase bater em sua costa. Marjorie finalmente olhou ao seu redor, abrindo a boca em um perfeito "o" ao ver a beleza daquele lugar. Era uma espécie de clareira, com apenas uma árvore com muitos galhos bem no meio, o sol passando através das folhas e iluminando o lugar. Era lindo. Permaneceu boquiaberta olhando para tudo, até que seus olhos focaram em algo específico. Benício olhava para todos os lados.

⁃ Deve estar aqui em algum lugar. Talvez no chão ou enterrado. Me ajuda a procurar. — ele disse um tanto quanto desesperado.

⁃ Ben. — Majô chamou, balançando o braço algemado.

⁃ O quê? — ele olhou para ela, que apenas apontou para cima e o garoto acompanhou seu olhar.

⁃ Ah não. — suspirou. Uma chave prata brilhava contra o sol, pendurada num galho um pouco abaixo do topo da árvore junto com o último envelope. — Já era. Acabou. — Marjorie olhou para ele.

⁃ O quê?

⁃ Você está sem tênis, certamente se machucaria. Além de que seria difícil subir. — Majô hesitou. Ele estava preocupado com ela? Não, devia ser só coisa de sua mente. Respirou fundo, jogando os saltos, que ainda segurava, no chão.

⁃ Que se dane. — alongou seu pescoço. — Vamos subir. — dessa vez Benício a olhou.

⁃ O quê?

⁃ Vamos, Benício... você não vai desistir agora no finzinho, vai?

⁃ Mas... — balançou a cabeça ao ver o olhar que a garota o lançou. — Tudo bem, mas pelo menos coloca o meu tênis. — ele abaixou para tirar seu sapato, mas Majô o impediu.

⁃ Não temos tempo. Vamos logo. Eu vou tomar cuidado. — o garoto suspirou.

⁃ Tudo bem.

Então, com alguma dificuldade, começaram a subir a árvore, muito mais devagar do que gostariam. Benício foi para cima e arrancou a chave e o último envelope, logo voltando ao nível da garota.

⁃ Vai demorar muito tempo para a gente descer. Vamos pular. — ela falou decidida e ele a olhou, com a testa franzida.

⁃ Nossa... Quer tanto se livrar de mim assim?

⁃ Não é mais questão disso. Agora eu só quero ganhar. — Ben sorriu bonito.

⁃ Sorte sua que eu também. — estendeu a mão para algemada para ela. — No três? — Majô concordou com a cabeça. — Um.

⁃ Dois.

⁃ Três.

⁃ Não, espera! — Majô gritou, mas era tarde demais. A algema a levou junto e ela caiu em cima do garoto, que soltou um som de dor. — Ai, me desculpa, eu não sei o que aconteceu. — ela tentou sair de cima dele, mas a algema enroscou e a puxou bruscamente de volta, fazendo seu rosto ficar a centímetros do do garoto.

⁃ Tudo bem. — ele sorriu, ainda falando com um pouco de dificuldade. — Acho que só estralou. — ela logo saiu de cima dele, constrangida com a proximidade, e os dois levantaram. — Temos três minutos.

⁃ Corre.

...

No pátio, o diretor já os esperava junto com alguns alunos, a maioria que tinha acabado de sair das provas. O homem olhou para seu relógio.

⁃ Bom, a partir de agora faltam dez. — ao começar a contagem regressiva, os alunos o acompanharam, formando um coro. — Nove.

Oito.

Sete. Nenhum sinal deles.

Seis.

Cinco.

⁃ Espera! — os dois surgiram no horizonte, correndo e balançando o que tinham na mão. — Estamos aqui!

Quatro.

Três. Todos os alunos abriram espaço para eles, que corriam com toda a força.

Dois.

Um. Bateram a carta e a chave na mesa, completamente ofegantes.

⁃ Chegamos.

O diretor intercalou o olhar entre eles e o que estava em cima da mesa. Depois de alguns segundos, sorriu.

⁃ Parabéns. Vocês conseguiram. — e começou a bater palmas para os dois, logo sendo acompanhados pelos alunos que estavam ali. — A última semana de aula vocês estão livres, parabéns. Agora aproveitem esses minutos antes do intervalo para descansar. — os cumprimentou e voltou para sua sala, levando a chave e o envelope juntos. Logo os outros alunos também dispersaram. Quando não tinham mais ninguém ali, começaram a gritar.

⁃ Conseguimos! — num momento de euforia, se abraçaram por alguns segundos. — Conseguimos! — quando perceberam o que estavam fazendo, se separaram, constrangidos.

⁃ Até que formamos uma boa dupla. — Ben comentou e Majô riu.

⁃ Sim... e Ben a acompanhou até que olhou para os pés da garota e seu sorriso sumiu.

⁃ Você se machucou. — Marjorie também parou de rir e acompanhou o olhar de Ben.

⁃ Ah, não é nada, nem percebi.

⁃ Como não é nada, está sangrando muito. — ele bufou, irritado. — levanta esse pé do chão e vem cá. — passou o braço de Marjorie pelo seu pescoço e segurou sua cintura, para ajudá-la a andar, mas ele praticamente estava carregando sua vizinha. Colocou ela sentada em um banco no meio do pátio. — Fica aí, eu vou procurar um kit de primeiros socorros e já volto.

Ele saiu correndo, deixando-a sozinha olhando para o nada. Marjorie pensou na última uma hora e meia e sorriu. Até que tinha sido divertido. Ficou tão presa em seus pensamentos que só percebeu que seu vizinho voltara quando este estendeu uma garrafinha de água gelada para ela.

⁃ Bebe, você deve estar com cede. — Majô sorriu para ele.

⁃ Obrigada. — Ben deu de ombros e se ajoelhou, puxando o pé de sua vizinha e analisando o corte.

⁃ Idiota teimosa. Eu disse que era para você ter colocado o tênis. — começou a mexer na pequena caixa de curativos que trouxe.

⁃ Ei! — ela exclamou pelo xingamento. — Se eu tivesse parado para colocar a gente teria perdido, seu babaca. — ele parou o que estava fazendo e a olhou profundamente.

⁃ Não teria importado. — ele falou grave e Majô sentiu um arrepio na espinha. Por algum motivo, sabia que isso tinha mais significado. Eles sustentaram o olhar por alguns segundos, até que Ben voltou a focar no corte. — Vai arder. — jogou a água oxigenada para limpar e Majô teria puxado o pé ao sentir a dor se o garoto não tivesse segurado. Ele fez toda a limpeza e passou um remédio com cuidado, enfaixando o pé de sua vizinha logo depois. — Pronto.

⁃ Obrigada. — sorriu e ele retribuiu. Benício começou a guardar as coisas na caixinha e Majô começou a olhar para os lados, até que focou em algo em especial e arregalou os olhos.

⁃ Nate?

⁃ É Ben. — seu vizinho disse ao olhar para ela, que balançou a cabeça em negativo.

⁃ Não... — apontou para algo em sua frente. — Nate.

Ben franziu o cenho e se virou para onde Marjorie apontava, abrindo a boca surpreso e desacreditado logo em seguida. Saindo do prédio principal do outro lado da escola estava Nate, o loiro protótipo de Ken olhando para todos os lados, arrastando uma mala em cada mão.

Notas finais
TÁ PEGANDO FOGO, BIXO! Esperavam por essa? E o que acharam da Evelin? Vocês acham que o capítulo ficou muito corrido? Me contem, me contem! Foi bem complicado escrever a parte da caça ao tesouro, comentem para eu saber o que acharam! Eu espero de coração que vocês tenham gostado, desculpem novamente pela demora, eu vou tentar de todo o coração não fazer mais isso. Beijooooss e até o próximo ♥