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33 Brigas e voltas


Notas iniciais
FELIZ 2019!!!! Oie, gracinhassssss! Primeiramente eu quero desejar um feliz ano novo a todos, que seja um ano incrível, Deus abençoe vocês e que dê tudo certo!!! Muito obrigada por tudo!! Obrigada a Mareena e a Veronicca Shadd pelos comentários maravilhosos, que novamente eu li, mas ainda não respondi pq queria postar esse cap antes de sair inahdjsjsnsjanssj. Sem mais delongas, boa leitura ♥

Trinta e três

Lucas cambaleou alguns passos para trás, segurando o rosto no local atingido. Agora, eles tinham toda a atenção do time, que parou tudo o que estava fazendo para olhar a cena, em silêncio.

⁃ Mas que merda... — o garoto exclamou ao ver sua mão suja de sangue. Antes que alguém pudesse fazer qualquer coisa, revidou o golpe em Benício, abrindo um machucado em seu lábio.

Ninguém até o momento achava que aquilo se tornaria uma briga real, já que infelizmente não era tão raro os membros do time se socarem por motivos banais. Eram brigas que se limitavam a um soco e um revide, e os próprios participantes tomavam a iniciativa de parar. Portanto, quando Lucas jogou Benício no chão depois dele ter virado um outro soco nele, demorou alguns segundos para o time correr separá-los.

⁃ Olha pra você, Benício! Olha tudo isso que você está fazendo! — Lucas cuspiu as palavras na cara do amigo enquanto era segurado por dois caras.

⁃ Cala a boca, você não sabe de nada! — Benício gritou.

⁃ Mas que merda está acontecendo aqui? — o treinador surgiu de sua sala, fazendo com que imediatamente o time todo ficasse em silêncio e Ben e Lucas parassem de tentarem se soltar das pessoas que os seguravam. Caminhou até os delinquentes, se colocando no meio deles.

O treinador encarou os dois, antes de chegar perto de Lucas e apertar a mão no local que sangrava, arrancando um suspirou baixo de dor do garoto. O homem suspirou e voltou seus olhos para o outro, vendo que este também não estava numa situação melhor. Respirou fundo para não gritar com os dois moleques.

⁃ Vocês dois, na minha sala. O resto volte ao que estava fazendo como se nada tivesse acontecido. — começaram a caminhar atrás dele e logo se pode ouvir o burburinho dos outros caras do time. — Eu disse, “como se nada tivesse acontecido”. — gritou, irritado e todos ficaram em silêncio.

Ao entrarem na sala, os machucados imediatamente sentaram nas duas cadeiras na frente da mesa principal, ainda cabisbaixos. O homem ficou em pé de braços cruzados, olhando para eles.

⁃ Eu não quero saber o motivo daquela ceninha ali fora, portanto, eu vou ser breve. — o homem começou a falar. — Eu poderia dar suspensão ou advertência para os dois, vocês sabem que eu posso fazer isso, mas já estamos na última semana de aula e eu não quero me desgastar por isso. Eu também poderia expulsar vocês do time, mas os dois filhos da mãe sabem que são meus melhores jogadores. — suspirou e passou uma mão pelas sobrancelhas, parecendo cansado. — Enfim, eu esperava essa droga de qualquer um dos caras ali fora, não de vocês. Era mais fácil vocês dois se juntarem para bater em alguém do que socarem um ao outro. Não façam isso, aliás. — Ben soltou uma espécie de risada curta e nasalada ao ouvir isso, mas não era de deboche. — Bom, eu não deveria dar meu voto de confiança, mas eu acho que os dois são perfeitamente capazes de resolver qualquer coisa necessária sozinhos, então... — fez menção de sair da sala, mas parou antes de abrir a porta e se virou para eles. — Se isso acontecer de novo, aí sim vocês podem ter certeza que estão ferrados.

Saiu da sala, deixando os dois sozinhos e sangrando em silêncio por alguns minutos.

⁃ Eu posso não saber o que aconteceu no dia do baile... — Lucas finalmente abriu a boca. — ...mas isso não justifica tudo o que você está fazendo e você sabe disso. Olha quantas pessoas você está magoando, usando. Você é melhor que isso, Benício. — fez uma pausa e o outro não se deu o trabalho de olhar em sua direção, então ele se levantou. — Sinta-se livre para vir falar comigo quando meu melhor amigo estiver de volta. — saiu da sala também, deixando Benício sozinho com seus próprios pensamentos e sangramentos por alguns minutos, até que se levantou e saiu da sala para se limpar.

~*~

Marjorie teve que se apoiar nos armários do corredor vazio para controlar as lágrimas e os sentimentos que pareciam querer explodir de dentro dela. Aquilo tudo era humilhante. Ser tão facilmente abalada para ela era pior que levar um soco, principalmente quando ficava desse jeito por causa de seu vizinho. Ali, escorada nos armários verdes-escuro, podendo ser facilmente vista por qualquer pessoa, desejou mais do que nunca que tudo que estivesse sentindo se resumisse em fúria, ódio apenas pelo fato de Benício ser tão idiota, mas ela sabia que era muito mais do que isso.

Respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar. Aproveitou que tinha um bebedouro ali perto e bebeu água até perder o fôlego. Alguma pessoas passaram pelo corredor enquanto ela se entupia, a escola já estava praticamente vazia. Caminhou lentamente até a saída, onde Armando já a aguardava. Quando viu a menina, o senhor percebeu que estava algo errado. Ela entrou no carro e ele deu a partida, mas antes de sair olhou Majô pelo retrovisor, com o olhar perdido na janela.

⁃ Está tudo bem, senhorita Majô? — Marjorie riu quando ouviu o modo que ele a chamava desde pequena, não importava o quanto pedisse para ele chamá-la somente de Majô. Hoje, encarava como um apelido carinhoso.

⁃ Sinceramente não, Armando. Mas vai ficar.

⁃ Tem algo a ver com o seu vizinho Ben? — Majô olhou de relance para ele através do espelho. — Olha, eu conheço o garoto desde pequeno, mas se ele te magoou eu posso muito bem dar uns tabefes nele. — a garota sorriu com os lábios, achando graça das palavras do senhor, mas o riso não demorou a passar, dando lugar a um desconfortável aperto no peito.

Majô levou a mão no lugar onde antes estava o colar de Ben.

⁃ É, mas eu acho que eu magoei ele também.

Armando olhou para a garota uma última vez e não foi dito mais nada o resto da viagem.

~*~

Ao ver o carro de seus pais parado na frente de sua casa, Majô esqueceu de tudo o que estava acontecendo por um momento. O carro mal estacionou e a garota já pulou para a calçada, correndo para dentro de casa.

⁃ Mãe! Pai! — ela gritou, procurando-os com o olhar freneticamente pela casa. Não demorou muito e sua mãe saiu da cozinha, usando um macacão jeans, uma blusa florida e secando as mãos na roupa. Quando viu sua filha, Julieta abriu os braços o máximo que pode.

⁃ Filha! — Majô correu até ela, a abraçando apertado. Especialmente naquela semana parecia que não via seus pais há anos e agora sua mãe estava ali, sendo tão ela com aquelas roupas e nada daqueles terninhos de executiva que ultimamente estava usando. Sentiu seu perfume característico entrando em seus pulmões e quase começou a chorar novamente. — Que saudades que eu estava de você. — afastou um pouco Majô para olhá-la nos olhos.

⁃ Eu também, mamãe, você não imagina o quanto. — Julieta percebeu o semblante caído de sua filha e franziu o cenho.

⁃ O que aconteceu? Andou chorando? — Majô passou a mão nos olhos rapidamente.

⁃ Ah, não, claro que não. — se apressou para falar. — Eu só... deve ser a lente e também a emoção de vocês chegarem em casa. Falando nisso, cadê papai?

Julieta encarou sua filha desconfiada, sabendo que teria que tentar arrancar informações dela aos poucos mais tarde. Balançou a cabeça.

⁃ Seu pai estava tomando banho, logo logo ele desce.

⁃ Mas eu me troquei correndo para vir ver minha florzinha. — ouviu seu pai gritar da escada e virou imediatamente para ele.

⁃ Pai! — exclamou e saiu correndo abraçando-o antes dele chegar no fim da escada.

⁃ Ah, minha garota! Que saudades.

⁃ Eu sei. É muito bom ter vocês de volta.

⁃ Voltamos para ficar um bom tempo dessa vez. — sua mãe falou e Majô se virou para ela. — Conseguimos uma folguinha da empresa. — Majô comemorou extremamente feliz.

⁃ Aliás, temos uma surpresa pra você. — seu pai anunciou. — Na verdade pra vocês. Vamos falar no jantar da sexta feira que vamos fazer nos Moretto. — o sorriso de Majô, que estava tão grande até aquele momento, se desfez lentamente.

⁃ Um jantar? Nos Moretto?

⁃ É! — sua mãe respondeu animada. — Tenho certeza que você e o Ben vão amar a novidade.

⁃ Ah, eu duvido. — ela disse baixinho.

⁃ Falou alguma coisa? — seu pai perguntou.

⁃ Não, imagina! Estou super animada, yey! — seus pais franziram o cenho com essa demonstração claramente falsa de animação. — Eu tenho lição de casa pra amanhã, então, eu já vou subindo. Tchau! — correu as escadas antes que qualquer um pudesse contestar qualquer coisa, deixando seus pais confusos para trás.

Fechou a porta de seu quarto rapidamente e se escorou na superfície de madeira fria, sentindo seu coração acelerado.

Um jantar na casa de seus vizinhos...

Será que ninguém nunca a deixaria ficar bem longe de Benício?

~*~

Quando o garoto viu o carro de seus pais na garagem, imediatamente soube que estava ferrado. Sim, estava feliz por seus pais terem voltado para casa, mas o corte em seu lábio superior e o grande olho roxo que enfeitava até uma parte considerável da maçã de seu rosto não o deixavam se prender a essa emoção. E ele estava certíssimo em ficar preocupado, já que, quando sua mãe virou seu rosto para ele com um sorriso, este imediatamente se desfez, dando lugar a uma expressão furiosa.

⁃ Benício de Castro Moretto, o que fizeram com seu rosto? — disse com uma voz alta, esganiçada e histérica. — Bernardo, venha ver o que seu filho fez. — gritou para o segundo andar.

⁃ Não sou mais seu filho também, mãe? — Ben perguntou debochado. Se arrependeu no momento que sua mãe o olhou com os olhos tremendo de raiva. Natasha socou o braço de seu filho, que soltou uma exclamação de dor e passou a mão no local, se afastando um pouco da baixinha invocada que fez muitos anos de muay thay.

⁃ Já não passamos da fase de você brigar com seus amiguinhos e voltar machucado, não, Benício? — o garoto revirou os olhos.

⁃ Esquece isso e vem dar um abraço no seu filho querido de você não vê há tanto tempo. — puxou sua mãe contrariada para seus braços, sabendo que amoleceria seu coração, nem que fosse um pouco.

⁃ Não vem querendo se safar não, Benício. Ainda vamos ter uma conversinha. — Ben fez pouco caso e apertou ainda mais sua mãe. Não demorou muito para ouvir os passos tranquilos como sempre de seu pai nas escadas.

⁃ O que é que está acontecendo aqui? — o homem fingiu estar bravo.

⁃ Bernardo, vê se pode. — Natasha finalmente desvencilhou dos braços de seu filho. — Parece que passaram a cara do Ben no asfalto. — explicou enquanto ele se aproximava.

⁃ Ah, ele deve ter merecido. — disse com humor e Ben revirou os olhos. Bernardo riu da cara do garoto e logo o puxou para um abraço. — Vem cá matar as saudades do seu pai também, filhão.

⁃ Falando assim, você parece que tem sessenta anos.

⁃ É, mas eu só tenho trinta e seis e se bobear estou mais jovem que você. Pelo menos minha cara nesse momento parece. — Ben revirou os olhos novamente, rindo.

⁃ Não fica de gracinha com ele não, precisamos tomar providências. — Natasha cutucou seu pai, que acenou com a cabeça.

⁃ Claro, senta aí Benício. — o garoto suspirou antes de se jogar no sofá. Os pais permaneceram em pé. — Quem fez isso? — Benício demorou um pouco antes de suspirar alto e responder.

⁃ Lucas.

⁃ Lucas? Aquele garoto que vive aqui em casa desde pequeno e é seu melhor amigo? — seu pai perguntou e o garoto acenou com a cabeça.

⁃ Ele mesmo. — disse por fim. Seus pais se entreolharam.

⁃ E por que ele fez isso, Ben? — dessa vez quem falou foi Natasha. O garoto mordeu a parte interna da bochecha antes de respirar fundo e responder.

⁃ Porque eu sou um idiota. — sua mãe arqueou a sobrancelha.

⁃ Você é um idiota? — repetiu descrente.

⁃ Sim. — seus pais se entreolharam de novo.

⁃ E você vai mudar isso?

⁃ Eu pretendo. — Natasha e Bernardo trocaram olhares mais uma vez.

⁃ Você... quer conversar sobre isso? — sua mãe começou cautelosa. — Sobre tudo o que está acontecendo, sobre o fato de você ser um idiota e tudo mais? — Ben balançou a cabeça.

⁃ Não... agora não, pelo menos. — a mulher acenou com a cabeça em positivo, compreendendo o filho, antes de respirar fundo e estender a mão para ele.

⁃ Passa o celular. — o garoto franziu o cenho, sem entender e sua mãe revirou os olhos. — Eu entendo que você não quer falar, deve estar acontecendo muita coisa com você para chegar o ponto de seu melhor amigo te bater, mas isso não muda o fato de que esse comportamento é inadmissível, Ben. Nunca aceitamos brigas dentro ou fora de casa. — analisou o rosto de seu filho. — Você está de castigo.

⁃ Mas mãe... — ele levantou do sofá como um garotinho que acaba de ser contrariado, mas sua mãe fez pouco caso dessa cena.

⁃ Você vai ficar sem celular até que tudo isso aí... — apontou para o rosto de Ben. — ...esteja cem porcento curado.

Benício bufou e tirou o celular do bolso, entregando para sua mãe.

⁃ Agora vai colocar gelo nesse olho. — disse e subiu as escadas. Ben suspirou e foi até a cozinha, sendo seguido por seu pai.

⁃ Acho que sua mãe esqueceu de perguntar, mas acho que isso preocupa ela também. — começou e sentou numas das cadeiras do balcão. Ben tirou a forma de gelo do congelador e pegou um pano de prato para fazer de bolsa, colocando tudo em cima da pedra gelada.

⁃ Pode falar.

⁃ Toda essa história aí não ter nada a ver com roubo, drogas e coisas ilegais no geral, ou tem? — Ben riu levemente, torcendo a forma em cima do tecido para cair os gelos.

⁃ Não, pai. Não tem. Mas, sinceramente, antes fosse. — Bernardo tentou, mas não conseguiu não rir.

⁃ Não fala besteira, garoto. — falou com humor, mas seu riso foi se desfazendo e ele olhou sério para seu filho. — Olha, eu sei que não passamos tanto tempo quanto deveríamos em casa e eu e sua mãe sentimos muito por isso. Mas não quer dizer que nós não nos preocupamos com você, Ben. A gente te ama e quer que você fique bem. Eu espero que você saiba que estamos com você.

⁃ Eu sei, pai. Vocês sempre foram incríveis... eu só... — parou de tentar tirar os gelos. — ...preciso desse tempo, sabe?

⁃ Sei... estar apaixonado não é fácil, Ben. Amar é menos ainda. — seu pai disse como se soubesse de tudo e saiu da cozinha antes que o garoto pudesse contestar qualquer coisa.

~*~

Na manhã seguinte, Majô acordou indisposta para ir à escola. Pensou em falar para seus pais que estava doente, mas no momento que pensou nisso soube que seria uma desculpa esfarrapada, que talvez até os faria rir. Doenças nunca impediram Majô de ir à escola. Mas, mais do que qualquer coisa, se irritou por até pensar em faltar.

Tratou de levantar da cama e preparar sua banheira, ultimamente tinha voltado a tomar seus famosos banhos relaxantes. Se arrumou e tomou café com a sua família, não demorando para se despedir e seguir para a escola.

Subiu as escadas do prédio confiante. Tinha chegado cedo, não precisava ir direto para a sala. Seguia para o pátio quando alguém enroscou o braço em seu próprio, ficando muito perto da menina.

⁃ Você viu? Você soube? — Jack perguntou abafado no ouvido dela.

⁃ Não, o quê? — Majô perguntou sem entender nada.

⁃ Vem comigo. — começou a arrastar Majô pelo corredor, levando-a mais rápido para o pátio.

⁃ Eu já estava indo para...

⁃ Shh... — continuaram seguindo, até que Jack parou bruscamente. — Veja. — apontou para um ponto específico do pátio, ainda grudado na garota. Ela apertou os olhos para enxergar melhor.

Eles, então, focaram no garoto que comprava um café e um pão de queijo na cantina do outro lado do pátio, com os olhos sonolentos. Mas não era isso que chamava a atenção nele. Os diversos tons de roxo e amarelo coloriam o rosto de Benício, além do machucado não muito pequeno em seu lábio. Majô não pode evitar arregalar os olhos e abrir um pouco a boca, surpresa e chocada ao mesmo tempo.

⁃ Está vendo isso? Lucas não está muito melhor também não. — Majô finalmente saiu da hipnose e olhou para seu amigo.

⁃ O que aconteceu? — Jack revirou os olhos.

⁃ Que isso? Deixou alguns parafusos dessa cabecinha em casa? Eles brigaram, Majô. E há boatos que dentre os inúmeros motivos, você está entre os maiores. — Majô franziu o cenho, sem entender nada. Voltou seus olhos para Benício novamente.

⁃ Mas... por quê? — perguntou baixinho, para ninguém em específico. Alguns segundos se passaram até que viu algo vermelho correndo e envolvendo o garoto rapidamente. Evelin abraçou Benício cheia de preocupação. Majô, de onde estava, suspirou.

⁃ Vamos, querida. — Jack chamou. — Você não tem mais nada para ver aqui. — segurou os ombros da garota e virou em direção as escadas novamente.

...

⁃ Ben! — o garoto ouviu Evelin gritar ao longe, mas sequer se deu o trabalho de olhar. Tomou um gole de seu café, sentindo o líquido quente e confortável descer por sua garganta.

De repente, sentiu o baque da garota ao envolvê-lo, fazendo com que o café derramasse um pouco na mesa. Contou até dez mentalmente para não se irritar.

⁃ O que fizeram com você? — perguntou com uma voz manhosa.

⁃ Nada que você precise se preocupar. — falou e mordeu o pão de queijo. Evelin se sentou na frente dele.

⁃ O diretor me liberou das aulas dessa última semana. Mas eu não vou poder ficar com você porque ele só me liberou para ter as aulas que o nerd está me dando. — revirou os olhos. Olhou para Ben, como se se lembrasse de alguma coisa. — Eu não te falei, né? Um garoto se ofereceu para me dar aulas, senão aparentemente eu repetiria de ano. — explicou fazendo pouco caso.

⁃ Legal da parte dele. — comentou Benício depois de dar mais um gole em seu café. Evelin franziu o cenho.

⁃ Está tudo bem? — o garoto suspirou brevemente.

⁃ Está... só que... ontem foi um dia cheio, como você pode ver. — apontou para seu próprio rosto. — Eu só quero descansar. — olhou para ela. — Sozinho. — Evelin inclinou levemente a cabeça, parecendo chateada.

⁃ Sozinho?

⁃ É... se você não se importar...

⁃ Imagina! — se apressou em falar. — Eu... eu entendo.

⁃ Obrigado. — ficaram em silêncio alguns segundos, com Ben continuando a tomar seu café, até que Evelin levantou bruscamente.

⁃ Tudo bem, então... eu estou indo. — hesitou para sair, olhando para o garoto, que sequer voltou seus olhos para ela. — Bom... tchau. — despediu-se e saiu apressadamente.

Enquanto Evelin caminhava pelos corredores até a sala que estudaria com Carlos, não pode deixar de pensar no que raios estava acontecendo com Benício e porque ele estava sendo tão seco com ela, tão do nada, sendo que no dia anterior ele tinha beijado-a na frente de duas escolas inteiras. Entrou cabisbaixa na sala, na qual Carlos já anotava algumas coisas no quadro. Olhou de relance para a garota por um segundo, mas logo depois voltou a escrever.

⁃ O que é isso? O remorso te corroendo? — Evelin sentou na primeira carteira e abaixou a cabeça, colocando as pontas dos dedos nas têmporas.

⁃ Eu realmente não preciso dessas suas palavras, Carlos.

⁃ Não precisa, mas merece. — disse, fazendo pouco caso. Evelin levantou a cabeça.

⁃ Por que você se ofereceu para me ajudar se me odeia tanto? — Carlos parou de escrever, mas sequer olhou para a garota a sua frente.

⁃ Ao contrário de você, Evelin, eu penso nas outras pessoas. — pegou uma pilha de papéis de sua mesa e jogou na carteira de Evelin. — Enfim, vamos ao que interessa. Não estou aqui para discutir sua falta de caráter.

Evelin fechou os olhos ao ouvir essas palavras, sentindo sua garganta queimar.

Será que Carlos sabia o quanto aquelas palavras doíam?

~*~

Marjorie fez o caminho todo de volta para sua casa aquele dia presa em seus pensamentos, sequer colocou alguma musica em seu iPod. Desde o dia anterior, Armando não havia falado mais nada, mas ele não deixava de se preocupar com a garota. Na verdade, ninguém tinha falado nada com ela sobre como ela estava agindo meio estranho. No final, todos eles, sua mãe, seu pai, Betsy e Armando só achavam que ela precisava desse tempo para ela.

Quando pisou em sua casa, Betsy veio ao seu encontro.

⁃ Oi, querida. — cumprimentou secando as mãos num pano de prato e dando um beijo na testa da garota.

⁃ Oi, Betsy. — fechou os olhos e sorriu ao receber o carinho.

⁃ Hoje de manhã chegou uma encomenda para você, deixei em cima da sua cama.

Ao ouvir isso, os olhos de Majô arregalaram, se lembrando do que Nate tinha lhe pedido no começo da semana. Pela primeira vez desde o baile, ficou genuinamente feliz e animada, agradecendo Betsy e subindo correndo até seu quarto. Pegou a pequena caixa de papelão em cima da cama e se sentou em sua escrivaninha, abrindo o notebook e entrando no Skype. Logo que o programa abriu, entrou no perfil de Nate e clicou para fazer a chamada de vídeo. Ela balançava uma perna freneticamente enquanto olhava para a caixa e ouvia o som da chamada.

Não demorou muito e Nate apareceu na tela, sorrindo e lindo como sempre. A garota olhou para ele e parou de balançar a perna, como se, de certa forma, ele a acalmasse. Majô ficou encarando ele com cara de boba por alguns segundos sem dizer nada, até que lembrou o motivo deles estarem ali. Pegou a caixa de Nate rapidamente e levou até a câmera.

⁃ Sua encomenda chegou! — foi a primeira coisa que disse, animada. O garoto riu.

⁃ Oi para você também, Majô. — dessa vez, ela riu.

⁃ Oi, Nate. — sorriu para o outro lado da tela. — O que é tão importante assim para eu ter que te ligar assim que eu recebesse esse presente?

Nate sorriu de lado, pela primeira vez parecendo nervoso.

⁃ Abra e verá. — Majô cerrou os olhos para ele, mas logo depois pegou o estilete do porta materiais perto dela. A garota sorriu novamente, passando a lâmina pela fita que lacrava a caixa. Afastou as abas de papelão, encontrando um monte de plástico bolha.

Tirou esse plástico e pôde ver uma caixinha branca no fundo da caixa, no meio de um monte de papel de seda. Olhou para Nate com uma sobrancelha arqueada, o garoto mordia a parte interna da bochecha. Eu sentir seu nervosismo, Majô sorriu.

⁃ Foi você que fez tudo isso? Está lindo. — falou, tentando aliviar o garoto. Pareceu que deu certo, pois Nate riu.

⁃ Foi sim. — sorriu de um jeito bonito para a garota.

Tirou a pequena caixinha de dentro da caixa de papelão. Tinha um laço muito bem feito verde água dando uma volta nela. Majô tirou a fita e olhou para Nate mais uma vez antes de abrir a caixinha.

Petrificou ao ver o conteúdo brilhar diante de seus olhos, sem saber o que fazer. Era uma correntinha prateada, com um pingente do mesmo material. Este era moldado formando um potinho pequeno de frozen yogurt, com colherzinha e tudo.

Majô passou o dedo por ele, sentindo as emoções daquele dia a invadirem, como se estivesse vivendo tudo aquilo de novo. Podia sentir os lábios macios e gelados de Nate sobre os seus.

⁃ Eu... bom... — Nate começou ao ver que Majô não ia falar nada. Ele parecia mais nervoso do que nunca. — Eu preciso confessar para você que desde aquele dia no shopping eu não consigo parar de pensar em você. E em seus lábios. — hesitou para falar a última parte. — Não que eu não pensasse antes. — se apressou em dizer. — Eu pensava sim, só que... — parou por alguns segundos, respirando fundo. Majô ainda parecia hipnotizava pela correntinha. — Eu percebi naquele dia que eu quero você e não só como uma amiga. Você não sai da minha cabeça desde aquele beijo e eu não quero que saia.

“Eu estou apaixonado por você, Majô. E, com esse colar, quero saber... Marjorie Martins, quer namorar comigo?”

Majô continuou olhando para o colar, mas tudo o que via era os últimos acontecimentos. Da semana, do baile. Lembrou de todas as palavras, de todos os sentimentos. E permaneceu sem falar nada para Nate.

⁃ Eu... eu sei que não é algo fácil, estamos há milhares de quilômetros um do outro, mas...

⁃ Sim.

⁃ O quê? — o garoto perguntou, sem entender. Majô finalmente olhou para o garoto.

⁃ Sim, Nate, eu quero namorar com você. — finalmente falou.

Notas finais
O que vocês acharam disso? Alguém é #teamNate aqui? Muito obrigada por lerem!! Bjossss, até o próximo ♥