Como você me fez enxergar

7 Tudo o que eu toco eu destruo!


Pipipipi... pipipi...pipipi

Levantei a cabeça preguiçosamente procurando pelo despertador. Apesar de acordar cedo seja algo que eu não aprecie tanto eu estava animada. Também, quem não estaria? Eu estou em um novo emprego! Bom, um emprego que eu não posso perder de jeito nenhum, senão perco minha moradia temporaria também.

Apesar de que eu vou começar a procurar um lugar para ficar assim que receber o primeiro pagamento.

Me levantei, e ainda de pijama fui para a cozinha. Coloquei o despertador para despertar mais cedo para que desse tempo de fazer tudo. Tomar café, banho, escolher uma roupa.

Assim que cheguei na frente da geladeira pensei. Essa casa não é minha para eu sair pegando qualquer comida por aí. Me sentei na mesa com apenas um copo de água na mão.

— Clara. — Dei um pulo quilometrico com o susto que eu levei. — Desculpa, eu não queria te assustar. – Disse Pedro atrás de mim.

— Ah! Não tem problema, não. — Disse já me sentindo um pouco envergonhada sobre o que aconteceu na noite passada.

—Por que não está comendo nada? — Me perguntou. Resolvi finalmente me virar para ele, dando de cara com ele apenas com uma bermuda, sem camisa.

— Ah... Eu.. hmm... — Precisei de alguns segundo para me recompor da visão maravilhosa que tive agora a pouco. — Eu não sabia se podia pegar algo da sua geladeira.

— Pelo o amor, Clara! Claro que pode! Sinta-se a vontade para fazer o que quiser nessa casa agora!

—Certo... Obrigada. — Disse enquanto abria a geladeira novamente e pegava um pão de forma e uma muçarela.

— Pode comer com calma. Quando você terminar me chame que nós vamos juntos para a empresa. — Disse, antes de dar um sorriso charmoso e sair. Gente! Que homem é esse!

Resolvi parar com meus devaneios, já que eu tinha que ficar pronta logo. Passei manteiga no pão de forma, e ainda aproveitando que ele estava quentinho por ter acabado de sair da torradeira coloquei um pedaço de queijo por cima.

Comi tudo com um pouco de pressa e fui para o meu quarto me arrumar. Quando cheguei lá que percebi. Eu deveria vestir um uniforme.

Saí do quarto em busca do Pedro. Atravessei o corredor e bati timidamente em sua porta.

— Hã, Pedro? — Chamei. Ouvi um som abafado que supus que seria sua voz me respondendo, porém não entendi nada. Bati de novo.

— Pedro? — levou apenas alguns segundos para que a porta se abrisse e ele botasse apenas a cabeça para fora.

— Sim?

— É só que, eu gostaria de saber se eu teria que usar algum uniforme, sabe? Eu me lembro que eu vi algumas das funcionarias usando um uniforme do café, e sabe, acho que eu deveria usar também. Mas, não se preocupe, de jeito nenhum, se você não tiver nenhum com você não tem problema nenhum, nenhum mesmo e eu...

— Ei! — Ele riu — Calma aí. Relaxa. Você pode ir com roupas normais hoje que eu vou fazer o pedido de um uniforme para você, ok? — Apenas concordei. Não conseguia falar nada depois do meu ataque. Estava começando a sentir vergonha, muita vergonha.

— Eu vou me vestir. — Falei enquanto sentia meu rosto queimando. Quase saí correndo em direção ao meu quarto.

Me troquei rapidamente, coloquei um vestidinho rosa com uma jaqueta por cima.

Saí do quarto e fui direto chamar a Anna. Deixei ela não ir na escola hoje, porque sabia como estava cansada, mas amanhã ela vai sair bem cedinho.

Bati na porta dela, só por educação, e depois fui colocando a cabeça para dentro.

— Anna? — A chamei.

Como imaginei, ela estava dormindo igual pedra. Eu ficava com tanta dó de a acordar quando ela estava dormindo profundamente desse jeito. Resolvi simplesmente a avisar que estava saindo para o trabalho e depois deixá-la dormindo mais um pouco.

Entrei no quarto com passos leves, e assim que estava do seu lado, me agachei perto de sua cabeça e acariciei seus cabelos.

— Irmãzinha. Psiu. — Tentei inutilmente a acordar, mas quando digo que ela tem um sono pesado, não estou brincando. — Anna, Anna, Anna...

— Ai, me deixa. — Resmungou, com a voz ainda meio grogue de sono. Finalmente consegui alguma reação.

— Eu to saindo para trabalhar, lembra que você está na casa do Pedro, então tenha modos. Qualquer coisa me ligue. — Ela soltou um resmungo qualquer que supus que fosse uma concordância. Depois disso, saí de seu quarto e fui esperar na cozinha.

Quando cheguei, vi que Pedro é que estava me esperando, o que significa que eu estava atrasando ele.

— Ai, me desculpa... Eu não queria me atrasar, eu só estava falando com a minha irmã.

— Não tem problema, ainda estamos dentro da hora. Vamos? — Disse, com aquele jeitinho simpático de sempre.

Saímos juntos. Dentro do elevador ficou um silêncio constrangedor já que ninguém falava nada. Chegamos no térreo, e ele foi se dirigindo para a garagem.

Levei um baita susto quando vi em que carro ele pretendia ir. Um carro, que eu supunha ser muito, muito caro, estava a nossa espera. Arrisco que poderia ser uma lamborghini.

Fiquei um bom tempo olhando estática para aquilo. Se me falassem uma semana atrás que eu alguma vez em minha vida iria andar em uma lamborghini, nossa. Nem imagino qual seria minha reação.

— Você vem? — Me perguntou, o que me fez perceber que eu fiquei uns bons minutos ali, olhando com cara de retardada.

— Ah, bem, na verdade. Não seria nenhum incomodo ir de ônibus. Muito obrigada por me deixar dormir na sua casa. — Dei um sorrisinho sem graça e me virei, andando rapidamente para fora do prédio.

Não demorou nem 2 segundos para eu já ouvir sua voz perto de mim.

— Ei, ei, ei! Tá doida? Claro que eu vou te levar, vamos para o mesmo lugar, logicamente, vamos juntos, qual o problema.

Mesmo depois de ele me falar aquilo, continuei parada como uma pateta, olhando estática para o carro dele, imaginando como seria andar naquela coisa. Nunca que eu entraria naquilo!

Ele seguiu meu olhar, percebendo que eu estava olhando para o automóvel.

— Você está com medo de ir nele? — Perguntou.

— Não, é só que... cada peça desse carro deve custar mais de mil reais. Eu não tenho nem dinheiro para o aluguel, imagina para consertar esse tipo de coisa.

— Hã, desculpa. Eu não estou te entendendo. Você não vai dirigir.

— Ah! Eu sei! Mas tudo o que eu toco eu destruo. — Falei.

Notas finais
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