Como você me fez enxergar
8 Cap.7 Grossa!
PEDRO
Eu tentei me controlar, mas ela era uma peça! Quando vi já estava gargalhando horrores do que ela disse. "Tudo o que eu toco eu destruo!"
Eu ri, e ri muito, ai ai.
— Por que você está rindo de mim? — Perguntou, mostrando estar um pouco brava. Na hora eu parei de rir.
— Hã... Desculpa, achei engraçado o que você disse.
— Você acha engraçado eu ser igual ao menino do dedo verde? — Perguntou muito séria. Não aguentei e comecei a rir novamente. Menino do dedo verde! Essa menina deveria ser comediante.
Ela vendo que eu não pararia de rir tão cedo, emburrou ainda mais o rosto, cruzou os braços e se dirigiu a saída.
Percebi que ela não estava brincando quando disse que iria de ônibus. Ela estava realmente irritada e a culpa era minha.
— Ei! Eu estou brincando com você! Volta aqui sua mal humorada. — Falei enquanto apressava o passo para acompanhá-la.
— Não me siga! — Disse. Como pode uma menina tão quietinha ser tão geniosa?!
— Clara! Me desculpa, tá bom? Não pensei que você fosse ficar tão irritada! Largue de ser cabeça dura e entre no carro. Prometo que vou ficar quietinho até chegarmos a empresa
— Mas eu vou quebrar seu carro! — Falou enquanto parava no meio do caminho para argumentar
— Você não vai quebrar meu carro. Não quero ser esnobe, mas se os carros que você andava antes quebravam com um simples toque, você deveria realmente experimentar andar no meu. — Falei, fazendo de tudo para fazê-la entrar no carro.
Por fim, vi ela finalmente revirar os olhos e andar em direção ao meu carro. Garotinha complicada.
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CLARA
Depois daquele cena vergonhosa do "entra, não entra" no carro, saímos do prédio e iniciamos o percurso para a empresa de Pedro. Ficamos em silêncio durante o trajeto, além do mais, eu não seria tão cara de pau a ponto de puxar conversa com uma pessoa que eu estava encrencando a minutos atrás.
Assim que chegamos em frente ao estabelecimento, ele me olhou e disse brincando.
— Eu vou sair e abrir a sua porta por fora, para você não ter que encostar na minha maçaneta e quebrar ela, ok?
— Hahaha! Engraçadinho você, né.... Por favor, faça isso — Falei super séria. Ele desatou a rir novamente e saiu do carro, dando a volta, e finalmente abrindo minha porta assim como prometido.
— Eu estou realmente atrasado agora, então não vou poder entrar e pedir um uniforme para você, mas minha secretária já já desse para resolver isso.
— Tudo bem. Muito obrigada por me abrigar em sua casa, me arranjar um emprego, me dar uma carona e me desculpe por fazer pirraça e te atrasar. — Falei sentindo minhas bochechas levemente coradas. Eles deu um daqueles seus sorrisos charmosos arrasa corações e se despediu, entrando novamente no carro e o levamos para o estacionamento do prédio.
Respirei profundamente criando coragem para entrar no meu novo trabalho.
Assim que passei pelas portas, o cheirinho de café invadiu meu nariz, me fazendo apreciar bastante estar aqui. Olhei para o balcão e percebi que aquela funcionária que havia sido grossa comigo no outro dia, estava ali e, surpresa! Eu teria que falar com ela.
Caminhei com insegurança em direção ao balcão.
— Hã, oi? — Chamei tentando usar uma voz mais doce para não irritar tanto a senhora azeda. Vi ela virar em minha direção. Ficou me olhando por uns longos segundos, até que o reconhecimento finalmente passou pelo seu rosto.
— Você? Não acredito que o chefe realmente te deu o cargo.
— Sim, ele me deu, mas... Eu não estou querendo incomodá-la, só gostaria que me explicasse como devo proceder e que me entregasse o meu uniforme, por favor.
— Como devo proceder... — Me imitou com uma voz de criança. Santa paciência, quantos anos essa mulher tem? — Deixando uma coisa bem clara queridinha. O fato de você ser peguete do chefe, não te faz ter privilégios, e se você está esperando isso de mim, pode esperar sentada. — Disse enquanto cruzava os braços e acentuava a cara de bunda.
— Mas eu não sou...
— Shhhhh! Calada! Desde quando vaca fala? Vou te entregar o seu uniforme agora. E sobre como “proceder”... Você vai limpar o chão e as mesas. Quando alguém chegar vá perguntar o que o cliente quer, volte aqui e prepare.
— Mas e você, faz o que? — Perguntei achando estranho. Achei que uma pessoa atendia as mesas enquanto a outra preparava.
— Além de dar apoio moral? Sentar e observar. Ah! E quando estiver muito cheio posso te ajudar com o cafezinho. Vou buscar suas roupas. — Disse. Joguei pedra na cruz!
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PEDRO
Olhei o relógio mais uma vez. Pelo tom de Lorena no telefone, ela estava vem irritada com o meu atraso, suponho eu.
Entrei o elevador dando uma última arrumada nas mangas da minha camisa social. Uma boa imagem de um chefe é tudo.
Saí do elevador já cumprimentando alguns funcionários que me davam bom dia. Entrei na minha sala ciente de que deveria ser rápido para pegar os papéis destinados a reunião que havia começado há 5 minutos atrás.
Abri a porta como um furacão, dando de cara com uma Lorena nem um pouco amigável.
— Está atrasado. — Me disse secamente enquanto colocava todos os papéis necessários em meus braços.
— Ahhh muito obrigado! Estava procurando.
— Não, não estava. Anda logo que você está muitíssimo atrasado para a reunião.
Sabia que ela estava certa, mas as vezes irritá-la era muito bom.
— Ah, Lorena. Um bom CEO nunca deve chegar na hora nas reuniões. Isso mostra que os outros devem estar a sua disposição. — Falei, mesmo sabendo que estava tudo errado.
— Ahhh! Claro! Assim como uma rainha nunca se atrasa, os outros que se adiantam, certo? — Disse enquanto piscava um olho, começando a apresentar o que poderia ser o indício de um sorriso.
— Sim, sim! Você é rápida para inventar frases bonitas, tenho que admitir.
— Mas eu não inventei, é de Diário de uma.... Esqueça. — Suspirou pesadamente, parecendo lamentar o fato de eu não ter entendido a referência. — Pedro. — Me chamou.
— Sim?
— Não se esqueça que o homem com que vamos tratar agora, pode ser um tanto quanto... Delicado de se lidar, então tenha paciência.
— Relaxe. Vai dar tudo certo, como sempre. Não sei por que se preocupa. Paciência é meu nome do meio.
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