Como você me fez enxergar
6 Safados!
Rimos e conversamos bastantes juntos. Apesar de terem bastante dinheiro eram pessoas boas. Eu estava começando a me acostumar com o calorzinho no coração que eu estava sentindo sempre que ficava perto do Pedro. Minha irmã se comportou bem e não falou mais nenhuma coisa absurda, o que foi ótimo, porém, esse é o sol depois da tempestade porque nós acabamos brigando. Sim, eu, Clara, briguei.
Eles queriam que nós ficássemos com eles no apartamento até conseguirmos achar um novo lugar para morar. Eu achei aquilo um absurdo. Tá bom que são pessoas boas e generosas, mas eles não sabem se sou uma golpista ou uma ladra e mesmo assim querem me acolher. Depois da briga que tivemos minha irmã me puxou para o canto e falou delicadamente comigo, ou tão delicada quanto ela consegue ser, para eu deixar de ser tão orgulhosa e aceitar logo a ajuda deles. E pensando aqui comigo mesma, acho que estou sendo bem orgulhosa mesmo, por isso vou aceitar a bondade deles sem ficar reclamando tanto, vou continuar trabalhando e vou juntar dinheiro economizando bastante, e assim que eu conseguir um aluguel barato vou logo me mudando com a minha irmã. Vou ficar na casa do Pedro, pois dessa forma posso pegar uma carona com ele para o trabalho de uma vez.
Quando deu umas dez horas da noite, a dona Lana teve que ir embora para a casa dela, o que até que não me atingiu tanto. Pedro estava sendo bem simpático comigo. Mas aí eu lembrei. Eu ainda tenho que fazer papel de mãe com a pirralinha da minha irmã.
— Anna — Chamei a adolescente que estava concentrada mexendo no celular. — Tá na hora de dormir, né? — Fiz a pergunta retórica.
— Tá não. — Respondeu com a mesma cara de encrenqueira de quando queria arrumar barraco.
— Foi uma pergunta retórica. Vai para a cama por favor
—Senão você vai fazer o que? — Me perguntou.
— Vou esconder seu celular por uma semana. E você sabe que em meus esconderijos você nunca acha, né? — Perguntei
— Na verdade, na nossa casa os seus esconderijos eram maravilhosos, agora não estamos mais em nossa casa, estamos na casa do Pedro. Então, como vai ser? — Fez aquela cara de diabinha. Ninguém merece.
— Na verdade, Anna. Eu posso ajudar a sua irmã a arrumar um esconderijo. — Pedro chegou falando. Não faço ideia de onde esse ser humano saiu.
— De onde você saiu, criatura? — Minha irmã perguntou colocando meus pensamentos em palavras.
— Eu estava ali na porta. Já ia entrar, mas achei a briguinha de vocês muito engraçada, então resolvi não atrapalhar e apreciar o show.
— Hmmm — Ela fez.
—Hmmm — Eu fiz também, para segundos depois pular em cima dela para pegar o celular. Resultado: Caímos no chão e saímos rolando.
— AI SUA GORDAA!! SAI DE CIMA DE MIM! — Berrou.
— PEGUEI! — gritei ao conquistar o celular
—NÃÃOOOOOO! — Gritou ela como se o mundo fosse acabar. Como se o apocalipse zumbi fosse começar. Como se o titanic fosse colidir com um iceberg. Como se estivesse perdendo um celular, e realmente estava.
Levantei correndo e taquei o celular na direção do Pedro.
— Corre pedrooo!! — Berrei em alto e bom som.
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PEDRO
Saí correndo como um louco enquanto gargalhava alto. Fui correndo pelo corredor e adentrei o meu quarto correndo. Tinha que esconder o celular.
— VEM ESCONDER O CELULAR COMIGO CLARAAA!! — Gritei por ela. Em segundos vi ela chegar correndo e rindo. Ela entrou no quarto e eu logo fui trancar a porta.
— Onde você quer esconder o celular? — Perguntei.
— Não sei. Vou deixar essa arte para você dessa vez. — Falou.
— Estou honrado... — Rimos juntos. Olhei o quarto e logo tive a ideia de colocar o celular encima do guarda roupa. Mesmo que ela achasse, nunca conseguiria pegar. Subi na cama e me certifiquei que o celular tinha capinha e película. Depois joguei ele lá em cima.
— Meu Deus! Nunca teria pensado nisso! — Clara falou enquanto dava uma risada.
Observei como ela ria. Era muito linda. Fui me aproximando devagar. Seu olhar logo foi para o meu enquanto continuava estática em seu lugar. Logo nossos nariz se tocaram, mas nossos olhares continuavam um no outro. Fomos aproximando nossas bocas até que...
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CLARA
Nossas bocas estavam quase se tocando. Conseguia sentir sua respiração em meu rosto. Fui aproximando minha boca da sua lentamente, até que alguém bate na porta. Com força, muita força. Nos separamos quase automaticamente.
— É né seus safados. Se trancam no quarto e ficam só de boa. Eu vou dormir. Façam a quantidade de barulho que precisarem, eu tenho sono pesado.
— Ai meu Deus, Anna! — Berrei sentindo minhas bochechas queimarem.
— Boa noite — Ouvi a voz dela mais afastada. Praga de garota!
— Ai meu Deus, Pedro! Me desculpa! Minha irmã não sabe o que fala! Ela não tem nenhum tipo de filtro... Nenhum! Desculpa! — Pedi sentindo meus olhos se enchendo de lágrima. Certeza que agora ele me expulsava da casa dele.
— Ei, calma! — Ele falou dando uma risadinha. — Não tem problema. Foi engraçado. Sua irmã é uma peça. Além de que, você ficou uma fofura com as bochechinhas vermelhinhas. — Falou com um sorrisinho de canto.
— Ai que vergonhaa!! — Falei, já ficando vermelha de novo. Ele riu e me abraçou.
— Relaxa... O único problema foi que ela interrompeu a gente. — Falou já olhando diretamente em meus olhos de novo.
— Ahnn... e-eu, acho que eu v-vou dormir. Ãnn, tchau. Falei enquanto praticamente corria em direção a porta. Tentei abrir, mas logo percebi que estava trancada. Estragou minha saída fenomenal. Droga.
— Pedro. — O chamei sem me virar. Não podia olhar para ele. — Pode me emprestar a chave, por favor... — Pedi.
Ele não espondeu nada. Apenas abriu a porta para mim. Droga, mil vezes droga.
Assim que vi a porta aberta saí e fui em direção ao meu quarto, ele já havia me indicado onde era. Não consegui fazer nada. Apenas me deitei na minha cama e fechei meus olhos. Um sorriso involuntário se abriu em meus lábios.
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