Como odiar o amor II
7 Weird moments
Notas iniciais
POV Nico
Assim que Leo deixou a sala, os olhares se voltaram para Ricky com uma rapidez impressionante.
– Que foi? – ele perguntou, sem saber direito para onde direcionar seu próprio olhar – vocês também querem que eu saia?
– Sim, mas não da sala – Scott respondeu.
Ricky fez uma careta.
– Eu posso sair da missão se quiserem – ele sorriu para Nico.
– Não senhor, você vem – o outro fez questão de responder rápido.
– Mas porque? – Scott insistia – ele não sabe usar os poderes. Tinha dito que hoje foi a primeira vez, e ele desmaiou.
– Esse foi um dos poderes – Ricky interviu – e pode deixar que daqui a pouco eu te mostro o outro.
– Ah, mas não vai mesmo – Nico segurou o amigo – Scott, sossega, por favor? Ele sabe usar os poderes melhor do que você imagina. E sim, ele vem com a gente. Você não tem noção do que ele faria em um captura a bandeira, por exemplo.
– Eu uso meus poderes melhor do que você – o mais novo murmurou para Scott.
– Eu não tenho poderes – ele retrucou.
– Ah, deuses, do que você estava reclamando então?!
– De um garoto de onze anos de idade com um sotaque britânico ridículo que matou mais pessoas do que sabe contar me acompanhar em minha primeira missão logo depois de sair de um orfanato-hospício.
– Em primeiro lugar, meu sotaque é muito mais bonito do que o americano esquisito de vocês. Em segundo, o problema já não é mais meu em questão de acompanhar – os olhos deles brilharam – já falei que topo ficar, se necessário.
– Você vem com a gente! – Nico insistiu.
– Cara, deixa, ele prefere ficar – Scott sorriu.
– Não prefere não. Ele é só muito manipulador.
– Aww, obrigado – Ricky beijou a palma da mão e assoprou para o amigo.
– Dá para parar com essa discussão idiota? – Jill reclamou.
– Deixa o garoto vir com a gente de uma vez – Cori concordou — se precisar, é só amarrar e pronto.
Ricky estremeceu com a palavra “amarrar”.
– Eu vou me comportar, okay?
– E ser educado? – Nico perguntou.
– Sim – ele mostrou a língua para Scott – viu? Poderia ter sido algo a mais.
– Tanto faz – Jill se mostrou irritada – temos uma missão para enfrentar, lembram? Ou será que preferem continuar discutindo como se não estivessem no mesmo time? Sinceramente, garotos, que infantil, eu esperava mais de vocês. Temos algo mais importante para resolver, não acham?
Nico se sentiu levemente envergonhado com o que a amiga dissera, assim como Scott aparentou se sentir. Ricky parecia não dar a mínima, ou até mesmo querer ver o circo pegar fogo e começar tudo de novo.
– Sim, mamãe – disse o mais novo – então, me expliquem linha por linha desse poema tosco.
– Profecia – Cori corrigiu.
– São quase sinônimos – ele lançou-lhe uma piscadela – come era mesmo?
– “O morto na luta pelo...” – Cori começou, mas foi interrompida pelo mais novo.
– Não não, boneca, na verdade eu não quero saber. Eu só preciso entender levemente. Eu me viro.
– Não me chame de boneca.
– Desculpe, boneca.
Jill revirou os olhos e soltou um suspiro. Scott parecia estar contando até dez mentalmente, mas era como se estivesse no nove e não estivesse dando efeito.
Surpreendentemente, Cori parecia gostar da atitude de Ricky. Parecia orgulhosa. Talvez pensasse que a arrogância e sarcasmo serviriam futuramente. Bom, Nico não discutiria com uma filha de Apolo em relação à isso.
Ignorando totalmente a fala de Ricky, Cori recitou, de repente, a profecia, quase sem respirar e falando muito rápido. Assustou Nico um pouquinho, se quer saber.
– Mas por que você falou isso se eu já disse que eu não quero saber? – Ricky jogou a cabeça para trás – sério, você é muito esquisita. Ninguém pediu para você fazer isso.
– Porque você precisa – a menina respondeu, ignorando a segunda parte do comentário – precisa entender que o morto é o Nico, a luta é o Scott e o amor é a Jill. Em “me acompanhar”, eu sou o “me”.
– Legal – Ricky ironizou, mas Cori não pareceu entender – mas a segunda linha fala que a gente vai para a terra ressecada?
– Sim.
– Com um barco?
– Sim.
– Como?
– O barco voa.
– Claro que voa. E a gente vai buscar... uma coisa.
– Duas, uma minha e uma dele – Cori apontou para Nico.
– Aham. E quem é o deus castigado?
– A gente derrotou o Cupido – Jill sorriu, como se tivesse dito à professora que tinha feito a lição de casa.
Ricky fez um biquinho e apertou os olhos.
– Isso é muito confuso. A pior parte é que eu não me importo – ele se balançou para frente e para trás várias lentas vezes. A cena foi ficando cada vez mais estranha — e eu acho que vou desmaiar.
– Isso é sério? – Nico alarmou-se – o que houve?
– Sei lá – o mais novo parecia uma criança sob o efeito de anestesia – eu estou com um sentimento ruim.
– Obviamente, se você estivesse com um sentimento bom, não desmaiaria – Scott insistia em implicar como garoto.
– Eu quis dizer pressentimento – o biquinho de Ricky passou de fofo para irritado, o que na verdade, Nico achou, deixou mais fofo – como se alguém... – e o garoto sorriu, como se tivesse entendido o que estava acontecendo.
– Que foi? Ricky?
O menino tombou no chão, desacordado. Todos da sala já iam checar se ele estava bem quando, de fora da enfermaria, escutou-se um berro.
Os amigos se entreolhavam, desconfiando da cena. E tudo piorou no momento em que, ainda desmaiado, Ricky levantou a cabeça e disse:
– Água gelada queima.
Todos na sala empalideceram, menos Cori.
– O que isso significa? – perguntou a garota, meio perdida.
– Não sabemos – Scott respondeu – mas você falava isso dormindo.
Ela e Scott começaram a conversar sobre isso, e talvez Nico até tivesse prestado atenção, se não estivesse focado na estranha atitude que Ricky estava tendo desmaiado. Ele levou as mãos ao pescoço e ficou deslizando-as ali, calmamente, como se quisesse tirar algo, talvez uma mão que o sufocava, mas devagar. Em pouco tempo, ele começou a murmurar:
– Não, por favor... não... não, pare, por favor, pare...
Suas palavras foram ficando cada vez mais altas e seus movimentos cada vez mais fortes, até que os amigos de Nico o acompanharam em sua observação curiosa ao mais novo.
– Não, por favor, não... – ele passava as mãos mais rápido e com mais força, deixando até mesmo algumas marcas vermelhas – não, por favor, pare...
– Ricky? – Jill se arriscou a chamar.
– Por favor. Pare. – ele começou a se debater no chão.
– Ricky! – Nico se preocupou.
– Pare! Não, por favor! – se ele não estivesse desacordado, pareceria prestes à chorar. Debatia-se e arranhava o pescoço agressivamente – Pare!
– Ricky! – Nico pulou em cima do amigo, tentando fazer com que ele parasse – Ricky, acorde, acalme-se!
– Não, por favor... – ele lutava contra Nico — Joseph, pare!
E com essas duas últimas palavras, ele acordou tossindo.
– Ricky! Você está bem?
– Sai de cima de mim – ele empurrou o amigo para o lado – é claro que eu estou bem. Por que não estaria?
Ele recebeu olhares confusos o suficiente para se atrever a perguntar:
– O que aconteceu?
– Quem é Joseph? – Scott perguntou.
– Como conhece Joseph?
– Eu acho que a gente precisa contar para ele o que aconteceu antes – Jill quase queimou Scott com o olhar. Ela abriu a boca para contar quando a situação voltou a ficar estranha e a interrompeu.
A porta escancarou-se e Leo entrou na sala.
– Leo, a gente pediu um tempo sozinhos... – Nico virou os olhos.
– São esses? – uma voz soou atrás dele. Uma menina bonita o acompanhava, mas era como se ela não estivesse lá; como se fosse um espírito à orientá-lo – são esses os donos do barco?
– Sim – ele respondeu, meio hipnotizado – são eles.
– Lembra do que fazer para ser o novo dono de algo, meu querido Leo?
– Sim – ele andou em passos duros em direção à Nico – me tornar o herdeiro.
Nico recuou, assustado.
– Matar, matar, matar – o amigo cantarolou.
– Isso mesmo – a garota riu – mate-os.
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