Como odiar o amor II

13 Feels like my last kiss


Notas iniciais
Guardem as armas, eu posso explicar! Sério, tudo que podia acontecer para eu não postar, aconteceu. De verdade, desculpa! Eu vou tentar postar o próximo mais cedo. Desculpaaa

POV Jill

A cena de Ricky sendo levado ainda mexia com a cabeça de Jill. Fora muito assustador assistir àquilo, principalmente vendo Ricky chorar. Ele sempre parecera tão invulnerável à sentimentos no geral que saber que havia lago que o detonava daquele jeito a deixava insegura.

Seu sentimento a lembrava da vez que descobrira que papel perdia para tesoura, que perdia para pedra, que perdia para papel. Era um ciclo. Ela lembrava que havia ficado desconcertada, porque havia sido a primeira vez que entendera a derrota: ninguém é imune à ela. Tudo bem, era infantil, mas foi a maneira mais fácil de aprender que o mais impenetrável, insensível ou até monstruoso poderia ser levado ao chão por algo.

Como havia acontecido com Ricky.

Ele era apenas um menino, não devia passar por aquele tipo de coisa. Não devia nem entender o sofrimento. Mas passou, durante a vida toda fora posto para enfrentar situações pesadas e complicadas, o que acabou por formar um monstrinho como se vê nele. mas se você olhasse profundamente em seus olhos, era possível ver a angústia e agonia em que ele se encontrava permanentemente.

Outra coisa que a afligia sobre o “sequestro” era o modo como Nico reagira à ele. Jill pode ver que ele se sentia como seu guardião, seu protetor, e sabia que isso se relacionava à Bianca. Nico se sentira na posição dela, queria dar a alguém o conforto que ela lhe dera quando ele precisou. Jill sabia disso, costumava ser uma irmão do meio antes de... bem, ela costumava ser a irmã do meio. É o que importa. Ela sabia como era ser protegida e dar proteção. E quando queria dar proteção, sentia-se horrível caso falhasse, e suas falhas resultavam no máximo em um sofrimento equivalente à um cotovelo ralado. Não pode imaginar a tortura dentro de Nico ao ver quem queria proteger sofrendo tanto.

E talvez por isso ele havia decidido ir embora.

Nico queria consertar as coisas, e estava mais focado nisso do que na missão. Entretanto, sabia que os amigos não concordariam com sua partida e contou apenas à Jill.

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– Eu volto, juro – Nico disse – completo a missão. Mas Ricky também. Não vou deixar ele nos braços de Joseph assim, fácil.

– Nico, acho melhor não... – ela murmurou, insegura – será perigoso.

– A missão também! – ele segurou-a pelos ombros – e eu já disse que não vou abandonar a missão, mas ele precisa de alguém. Ricky não sabe lutar, ele usa o outro contra ele mesmo. Mas Joseph é imune à isso, Ricky não teria chance caso tentasse fugir sozinho.

– Você nem sabe onde ele está – ela reclamou, brincando com seu pingente de coração – talvez nem ele saiba onde está! E você também não sabe o que Joseph quer.

– Bom, eu sei que ele não quer dar amor e carinho. Desculpa, Jill, eu preciso ir.

– Mas para onde? – ela soltou o pingente – Por onde você começaria?

– Eu não sei – ele a abraçou – mas vai dar certo, tudo bem? Eu vou tomar cuidado. Eu vou voltar para você, Jill.

Ela olhou-o nos olhos escuros, mas sua visão logo se embaçou com as lágrimas que se acumulavam.

– Não chore – ela percebeu que ele também estava prestes a chorar – eu vou voltar.

– E se não voltar? – ela forçou para que a voz não falhasse – pode acontecer.

– Se acontecer, eu quero que você saiba que eu lhe agradeço. Por tudo, esse tempo que tivemos juntos e o que ele fez comigo. Também quero que você vá em frente, ouviu? Não sofra por mim. E, por último, eu quero que você saiba que eu te amo... – ele ficou vermelho – e estou falando sério, amor não é algo que me atinge fácil.

Jill conseguiu sorrir. Abraçou-o com muita força. Queria dizer que também o amava, mas a voz não saía. Ela o empurrou do abraço.

– O que foi isso? – ele parecia até um pouco magoado.

Ignorando a pergunta, Jill levou as mãos à nuca e tirou seu colar.

– Leve isso – ela estendeu seu braço à ele — Por favor.

Ele segurou o bronze nas mãos, sorrindo. Colocou-o no pescoço.

– Você está ridículo – ela sorriu.

– Mas me sinto bem – ele sorriu de volta, tirando o anel de prata e entregando-a. Jill colocou-o no dedo indicador imediatamente. Antes que a menina pudesse dizer uma só palavra, Nico puxou-a para perto de si e colou seus lábios nos dela, em um beijo repleto de esperança que não fosse o último.

Parecia o último.

Mas Jill não sentiu Nico se afastar. Sentiu-o sumir.

Sem mais nem menos, sem um último olhar ou últimas palavras, Nico interrompeu o beijo com uma viagem pelas sombras. E se foi.

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– Como assim “ele se foi”?! – Scott se desesperou, assim que Jill contou o que havia acontecido.

– Ele se foi – ela respondeu com a voz embargada – simples assim.

– Ele nem nos avisou – Cori parecia tonta – e se ele se machucar? Nenhum de nós sabe viajar nas sombras!

– Nem se soubéssemos! – Scott andava de um lado para o outro – onde ele está? O que ele vai fazer? Ele tem um plano? Por que ele está fazendo isso?

– Eu já falei – Jill queria acalmar os amigos – ele quer salvar Ricky.

– Por quê?! – o amigo parecia mais irritado do que preocupado – Ricky não precisava estar conosco. Não tivemos uma perda quando ele foi embora. Não tínhamos um elemento a menos, tínhamos o que planejávamos!

– Scott, acalme-se, por favor... – Jill pediu enquanto olhava para Cori, que, apoiada na parede, não se mexia.

– “Acalme-se”? – ele virou-se para ela bruscamente — Você quer que eu me acalme? Como eu posso me acalmar com essa situação?! Se aquele pirralho não tivesse entrado no caminho, eu...

– Não jogue a culpa em Ricky! – Jill cortou-o, com a voz mais agressiva do que esperava. Viu os olhos de Scott passarem por um rápido susto, e ele respirou fundo.

– Desculpe – ele olhou para o chão – mas é que eu sentia como se Nico fosse aquilo que nos protegia, que nos mantinha junto, e principalmente, que nos salvaria sempre. Falando sério, nenhum de nós aqui venceria ele em uma luta. Quanto mais um monstro que tem chances de vencê-lo. – Jill respeitou o que o amigo tinha a dizer. Era importante que ele botasse para fora o que sentia para se tranquilizar um pouco – eu só fiquei confuso... por que ele faria isso por alguém que ele conhece há menos de uma semana?

Cori encarou Jill subitamente.

– O que? – ela estranhou. Arrumou o cabelo e imaginou se tinha algo preso em seu dente – o que foi?

– Você sabe por quem ele era apaixonado, não sabe? – a menina perguntou.

– Percy Jackson, não?

– Você acha que... – Scott fechou um olho e abriu a boca, acompanhando lentamente a linha de raciocínio de Cori – esse tipo de coisa não simplesmente some...

– Espera aí – Jill riu, nervosa – o que não some, exatamente?

– Como eu posso te dizer isso de uma forma delicada? – Scott deu um sorriso com o canto da boca – bichice.

– Homossexualidade – Cori deu um pescotapa em Scott, corrigindo-o, e depois virou-se novamente para Jill – faz sentido, Jill...

– Não, não faz nenhum sentido — ela negou, rindo — Nico não... ama... Ricky. Não dessa forma. Ele me ama dessa forma – Scott tossiu – o que foi, engraçadinho?

– Nada – ele riu.

– Você acha graça? – Jill estava nervosa – não ria, Scott! – ele segurou a risada – escutem, Ricky tem onze anos, Nico tem quase quinze. Eles se conhecem há menos de uma semana. Nico já tem um relacionamento romântico comigo, e até onde sei, sou uma menina. Não tem como ele ter ido atrás dele por amor. Não esse tipo de amor.

– Era só uma sugestão – Scott levantou as mãos – mas à qual tipo de amor você se referia?

– Amor de irmãos – Cori respondeu por ela – claro. A Bianca tem estado na mente dele esses dias por causa da missão.

Jill concordou com a cabeça. O silêncio reinou por um tempo, mas Jill acabou por se lembrar de algo.

– Ah, ele pediu para que a gente continuasse a missão sem ele, disse que daria um jeito de encontrar-nos...

– Foi o que ele pediu? – perguntou Scott.

– Exatamente – ela confirmou.

– Então é o que vamos fazer.

– Mas, Scott... – Cori começou a protestar.

– É o que vamos fazer. Ele pediu para que fosse, então será. Além disso, se não fossemos, estaríamos duvidando de sua capacidade, e eu pessoalmente não duvido nada.

Cori calou-se. Scott olhou para Jill, que ainda refletia em sua fala.

– Vá pilotar esse barquinho – ele ordenou, com um sorrisinho. Ela respondeu o sorriso e correu para a cabine.

É o que Nico quer, ela repetia para si mesma no caminho, duvidando se estavam fazendo o que era certo.

Voltando para a cabine, Jill teve a oportunidade de passar por lugares do barco que ainda não havia visitado, incluindo até mesmo os próprios quartos. Nesse corredor, ela teve que desacelerar o passo para apreciar as pinturas às portas que identificavam qual quarto era de quem.

O seu era o primeiro, sendo seguido pelo de Cori e Scott. Chegando à porta do quarto de Nico, a menina encostou-se na madeira e passou a mão na tinta seca que formava uma figura da uma simples caveira. Torcia por Nico. Queria que ele estivesse no barco, mas nesse caso, ele não estaria bem consigo mesmo, então ela queria que ele estivesse onde estava. Ela não entendia mais.

Só queria que ele estivesse bem.

Respirou fundo e continuou andando, percebendo outra porta logo ao lado. Estranhou, pois ninguém estava programado para entrar na missão à ponto de ter um quarto. Aproximou-se dela, encarando-a de frente. Na madeira, estava escrito “para visitas inesperadas”. Logo abaixo de linhas de sangue grosso que desenhavam o nome "Ricky". Jill tocou no sangue, já seco.

Ah, Ricky..., ela lamentou-se, balançando a cabeça e continuando seu caminho. Até que eu gostava de você...

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POV Rikcy

Era impressionante o que algumas horas de choque podiam causar.

No orfanato ele demorava alguns dias para matar alguém, às vezes até uma semana. Se não fosse muito com a cara da pessoa, uns dois dias só bastavam.

Mas ali? Naquele quarto? Minutos eram mais do que o suficiente.

Uma vítima atrás da outra. Garotos chegavam de repente, confusos, e acabavam morrendo muito rápido. Até mesmo algumas meninas haviam chegado lá, tentando sair, sem sucesso. Os semideuses eram enviados para lá com um espaço de tempo minúsculo entre um e outro, e mortos quase no mesmo tempo.

Os choques eram insuportáveis.

A intensidade aumentara, assim como o ódio incontrolável de Ricky. Ele tentava se acalmar às vezes, mas ia contra sua natureza, e sempre acabava forçando a morte. Os corpos eram retirados sem que ele percebesse, como se sumissem, o que o fazia pensar se o que estava acontecendo era verdade mesmo, ou uma espécie de pesadelo. Mas acabou por concluir que os choques estavam o levando à insanidade, o que era realmente o mais provável.

Ricky assistiu à um menino morrer. Devia ter por volta de treze anos. Quando ele caiu no chão, morto, Ricky teve a coragem de gritar, mesmo sabendo que se arrependeria dessas palavras quando a onda de choques cessasse:

– Que venha o próximo! – ele riu – venha, vamos! Até que não sobre ninguém! Então, que venha você, seu infeliz – mirou seu pensamento em Joseph. Os choques pararam por um tempo.

Ricky começou a contar os segundos. No trinta e quatro, exatamente, uma voz atrás dele soou:

– Com licença...

E ele sentiu um choque.

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POV Nico

Ele não se arrependia de ter ido. Sentia-se mal por ter deixado os amigos na mão daquele jeito, mas pelo menos eles tinham um ao outro. Ricky precisava de alguém.

Mas Jill estava certa. Ele precisava se preocupar consigo mesmo. Nem ao menos tinha um plano, e se deu conta disso só enquanto já estava viajando. Aliás, para onde estava viajando? Nunca fazia uma viajem sem saber seu destino. Isso só havia acontecido uma vez, e acabou no orfanato... não queria ter uma experiência parecida. Ele tinha um foco.

Mas não sabia onde Ricky estava. Não sabia para onde ir.

Poderia ter pensado nisso antes de entrar na sombra, ele se arrependeu. Já estava se cansando da viagem.

Resolveu tentar algo novo: se concentrar em alguém, ao invés de algum lugar. Pensou em Ricky.

Talvez funcionasse. Talvez até mesmo viesse a chegar exatamente ao menino, bem à sua frente!

Que sorte isso seria, pensou, focando-se nessa cena.

Queria chegar bem à frente de Ricky.

Notas finais
comentem por favor, ajuda muuuito (ajuda a postar mais cedo :3 )