Como o Fogo
6 Capítulo 5 - Lucy
Notas iniciais

24 de junho de 2005, Frankfurt, Alemanha
Cinco dias haviam se passado desde que Makarov chegara à residência dos Heartphilia. E o espanto da pequena Lucy conseguir se comunicar com espíritos, ainda mais com a sua falecida irmã mais nova, o fascinava. Não que ele não tivesse conhecimento dos médiuns espalhados pelo mundo, mas ela era diferente. Era como se ela não se comunicasse com os espíritos em si, mas com os resquícios de suas almas que ainda habitavam a terra e vagavam solitários entre os humanos.
Não havia explicações para isso, era simplesmente fascinante, Lucy era única.
E como se isso só não bastasse, a garota ainda conseguia manipular a matéria do seu corpo, dando outra forma para o mesmo ou simplesmente mudando a cor de um olho, que era o que Lucy conseguia fazer até agora disfarçando seu olho direito. Mas, mais para frente Makarov tinha confiança de que ela poderia mudar de forma por completo. Além disso, Lucy conseguia ter um conhecimento parcial da vida de uma pessoa com um simples toque.
Mas isso seria um desavio, já que nunca fora encontrado um ser humano com essa espécie de mutação. Seria perigoso coloca-la perto de outros mutantes. Não só pela sua inocência e pelo poder que sua mutação lhe dava, mas sim pelo tal de Zeref conseguir manipula-la da forma que quisesse. Era visível que a garota lutava contra isso, porém, como ela mesma falava, Zeref era seu único amigo, claro, além da estranha pelúcia de gato azul intitulada de Happy pela menina, mas este era um ser inanimado, então não contava.
– Sinto em dizer isso, Jude. – começou Makarov. Os dois homens estavam sentados na varanda da parte de trás da casa, vendo a pequena Lucy correndo descalça de um lado para o outro com Happy em suas costas – Mas Lucy é um caso raro, nunca tivemos igual. Temo por ela se a colocarmos dentro da escola.
O olhar desolado de Jude já explicava a sensação que o homem sentia, palavras não eram necessárias.
– Papi, papi. – Lucy vinha correndo na direção dos dois homens – Falei com o Zeref e ela finalmente aceitou viajar com a gente. E prometeu se comportar e não fazer nada de ruim pra ninguém.
– Lucy... – começou Jude – Sobre a viagem, temos que conversar.
– O que aconteceu? – perguntou ela preocupada apertando Happy em seu peito – Pare Zeref.
– Makarov acha melhor você ficar aqui.
– Por quê? –perguntou ela.
– No seu caso, a melhor maneira de conseguir finalmente controlar seus “dons”, seria ficar em um ambiente estável, confiável e familiar. – começou Makarov – E aqui seria melhor do que ficar em uma cidade nova cheia de gente que você não conhece.
– Mentira. – disse Lucy com uma expressão fechada.
– Lucy, querida, você tem que entender que só estamos pensando no melhor para você. – tentou explicar Jude se levantando e andando em direção à filha.
– Mentira. – continuou ela se afastando do pai – Mentira.
– Lucy, entenda. Esse é o melhor para você. – falou Makarov.
– O melhor pra mim ou menos trabalho pra você? – perguntou ela com os olhos lagrimejantes – É sempre assim. Não aguento mais, não quero que o papi se desgaste cada vez mais.
– Não estou me desgastando querida, é só minha idade batendo na porta, isso é algo normal.
– Não, não é. Papi esta morrendo. – chorou ela tentando esconder o rosto entre as mãos – Sua alma esta ficando cada vez mais apagada. Zeref diz que é isso o que acontece quando as pessoas estão morrendo.
– Lucy... — Jude se aproximou da filha, na tentativa de abraça-la e acalma-la, porém a menina rejeitou seu gesto de carinho correndo para longe, para o pequeno bosque que havia atrás da casa.
– Não é melhor ir atrás dela? – perguntou Makarov preocupado.
– Não, ela sempre faz isso. Conhece o bosque como a palma da mão dela, sempre vai pra lá quando tem algo que a incomoda ou quando esta triste. – suspirando Jude se virou para o senhor que se levantara – Vamos entrar já esta escurecendo.
– E é por esse motivo que você deve ir atrás dela. – irritado o mais velho tentava discutir com Jude.
– Acredite, eu já tentei. Nunca da certo. Ela entra em uma espécie de transe, se desliga do mundo a sua volta e algo fica ao redor dela, como se a estivesse protegendo.
– Zeref.
– Sim, até hoje tenho minhas duvidas quanto a ele. Porém sou eternamente grato por quem quer que ele tenha sido, afinal de contas, foi ele que cuidou da minha filha enquanto eu estava fora.
Arqueando uma sobrancelha, Makarov continuou encarando o local por onde Lucy havia corrido. Balançando a cabeça negativamente, o velho seguiu o conselho de Jude e entrou na casa, não percebendo que este ficou para trás observando o bosque com um pequeno sorriso nos lábios.
– Quando pretende partir? – perguntou assim que entrou na casa deixando a porta encostada.
– Assim que possível, mas provavelmente amanha de manhã. – respondeu Makarov se sentando numa das poltronas que Jude ainda possuía na casa – É uma viagem longa, quero pegar a estrada o quando antes para chegar ao aeroporto.
– Espero que amanhã vocês tenham uma boa viagem. – sorriu Jude.
– Vocês? –perguntou Makarov.
– Sim, você e seu estranho motorista. – respondeu dando uma pequena risada – Bem, acho que vou me deitar, amanhã vou ter trabalho com a Lucy, então, boa noite e mais uma vez, boa viajem.
– Igualmente. – respondeu Makarov que permaneceu por mais alguns instantes até que finalmente subiu os degraus da barulhenta escada e rumou para o quarto que Jude ajeitara para sua estadia – Amanhã vai ser um longo dia.
Com os pensamentos de finalmente estar pondo o pé na estrada e que na madrugada do dia seguinte finalmente estaria em casa, deixavam o velho relaxado, a ponto de fazer o estranho gesto de ficar balançado o espeço bigode de um lado para o outro.
Aquela noite se passou rápida, sem nenhum problema ou surpresa como nas anteriores, como quando Makarov acordou e deu de cara com uma Lucy curiosa o observando dormir ou quando a menina tinha os ataques de sonambulismo e sai andando pela casa cantarolando palavras desconexas.
O sol tentava sair por entre as nuvens, mas parecia que o dia estava como Makarov, com muita preguiça. Mas mesmo assim o velho se levantou fez sua higiene matinal e arrumou suas roupas na mala. Quando estava devidamente pronto, desceu as escadas para logo encontrar Jude sentando em uma cadeira tomando uma xicara de café.
– Quer? – o ofereceu quando avistou o pequeno homem descendo as escadas.
– Não, obrigado, quero logo por o pé na estrada. Mas obrigado mesmo assim. – agradeceu – E Lucy?
– Voltou de madrugada, estava chorando bastante. E pela visão dos pés machucados dela, correu bastante, esta dormido e acho que não vai acordar tão cedo.
– Bem, mande um abraço a ela por mim, já estou indo. – foi então que ouviu a buzina do carro – Foi um prazer te conhecer Jude, e obrigado mais uma vez por ceder a sua casa para minha estadia.
– Eu que agradeço Makarov, você cedeu seu precioso tempo pra nós e acabamos o desperdiçando.
– Não foi um desperdício no final das contas, descobri a raridade que a sua filha é. Sinto por não poder ajuda-la.
– Esta tudo bem, acontece. – dando um pequeno sorriso amarelo Jude apertou a mão de Makarov em sinal de despedida – Tenham uma boa viajem.
– Vamos Bob. – exclamou Makarov estregando a mala para o motorista que a colocou no porta-malas e seguiu com seus passou graciosos para o banco do motorista dando a partida no carro.
– Boa viagem Lucy. – sussurrou Jude sorrindo enquanto bebericava o café na xícara.
O carro seguiu viagem em velocidade constante, sem parar por imprevistos ou para uma simples pausa para o lanche. Ambos, motorista e passageiro queriam logo acabar com aquela viajem e chegar a suas devidas casas e aproveitar o final da noite.
– Então. – começou Bob – Como foi com a jovem mutante?
– Interessante. Uma joia rara aquela.
– Então por que não a trouxe junto?
– Uma longa historia.
– Conte tenho tempo. – ironizou Bob.
– Mas eu não tenho paciência, pode simplesmente dirigir de boca calada? – a irritação matutina acabava de atacar Makarov.
– Você quem manda. Só fiquei curioso do porque o Sr. Heartphilia, nos desejar boa viagem se quando ele chegou eu já tinha ido para a pousada mais próxima.
Com a cabeça encostada no vidro do carro e os olhos fechados, Makarov deu pouca importância para o que Bob acabara de falar. Estava cansado, a noite passara rápida demais para o seu gosto e levantar cedo não era com ele, e isso só contribuía para a sua irritação aumentar cada vez mais. Suspirando mais uma fez, Makarov se acomodou mais ainda no banco do carro, tentando achar uma posição confortável, uma em que o sinto não o tentasse matar por asfixia. E, sem que percebesse, caiu no sono mais uma vez.
A sensação que temos do tempo enquanto dormimos é diferente para aqueles que estão acordados, isso é meio que obvio para todos. Mas Makarov só descobrira aquilo naquela manhã, quando Bob o acordara avisando que já haviam chegado ao aeroporto principal de Frankfurt e o jato particular de Makarov o estava esperando na pista de decolagem.
– Tenho que dormir mais enquanto estamos viajando, o tempo parece passar mais rápido. – resmungou o baixo senhor saindo do carro e andando de forma torta até o outro carro que os levaria até a pista de decolagem.
– Prefiro não falar nada. – resmungou rancoroso Bob que possuía olheiras profundas embaixo de seus pequenos olhos.
– Cale essa boca e suba logo nesse maldito avião. – esbravejou seu chefe.
– Já vi que essa viagem de volta vai ser um porre.
Se jogando na poltrona e colocando novamente o sinto de segurança, Makarov acenou para a comissária de bordo que veio prontamente lhe servindo um copo de whisky. Agradecendo com um aceno positivo com a cabeça, Makarov se preparou para a decolagem tomando um longo cole da bebida, quase tomando o copo todo e uma vez.
– Papi disse que faz mal tomar bebidas de uma vez. – a voz infantil o fez acordar de seus devaneios se engasgando e quase cuspindo seu próprio pulmão quando teve a imagem de Lucy sentada na poltrona a sua frente abraçada ao seu inseparável companheiro Happy e brincando tranquilamente de cama de gato com um barbante fazendo nós e voltas em seus pequenos e finos dedos – Agora é a sua vez. – disse esticando os braços para frente o máximo que conseguia, tentando fazer Makarov participar do jogo – Você não sabe brincar de cama de gato?
– Ele sabe, só é rabugento demais para brincar. – respondeu Bob se inclinando para ficar próxima a menina e fazendo o próximo movimento do jogo – Sua vez.
– Mas o que porra você esta fazendo aqui?
– Sem palavrões na frente de crianças Makarov, não queremos que a Lucynha tenha um mal exemplo não é? – advertiu Bob em um tom brincalhão enquanto via o rosto concentrado da menina tentando entender como tiraria os barbantes das mãos de Bob – Nunca chegou até, não é?
– É difícil jogar cama de gato sozinha, geralmente quando você tenta mudar os barbantes eles enroscam nos meus dedos e tenho que esperar o papi chegar pra poder tirar eles.
– É porque cama de gato não se joga sozinho flor. Olha, você coloca o dedo indicador nesse buraco e outro no outro. Isso. Agora você os puxa para baixou e tadaa pronta para o próximo nível. – brincou Bob tirando uma gargalhada de Lucy.
– Bob. – a voz estressada de Makarov se fez presente – Pode me dizer o que ela esta fazendo aqui.
– Bem, eu tentei te avisar no carro, mas você me ignorou e ela fez uma carinha tão fofa para vir conosco que não pude resistir.
– Não, você não me avisou. – esbravejou Makarov tentando se levantar do banco, o que foi uma tentativa falha já que este esqueceu que estava de sinto e caiu sentado novamente fazendo com que Lucy risse ainda mais.
– Sim, eu avisei. Falei que achei estranho Jude nos desejar boa viajem se quando ele chegou eu já tinha ido para a pousada mais próxima e fiquei por lá nesses cinco dias.
– Então quer dizer que...
– Papi já desconfiava que você não fosse me levar para a escola, então me mandou fingir estar magoada e correr para o bosque então ele daria o sinal e eu correria e me esconderia no porta-malas do seu carro. – simplificou Lucy retirando os barbantes dos dedos e abraçando Happy.
– O que eu vou fazer agora? – irritado Makarov passava as mãos pelo rosto tentando achar uma luz que o guiasse para o caminho certo.
– Por favor, me deixe ficar. – pediu Lucy – Prometo não trazer problema e controlar Zeref, mas, por favor, não me mande de volta para casa. Não quero que o papi se sinta pior ainda.
– E por que você acha que ele se sentiria pior se que te mandasse de volta? – perguntou sarcasticamente Makarov encarando a criança a sua frente.
– Porque ele acha que tudo que da errado na minha vida é culpa dele. – respondeu ela simplesmente – Quando na verdade, eu sou a culpada por tudo dar errado.
Deem uma olhadinha nas notas finais
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