Como o Fogo
10 Capítulo 9 - ?
Notas iniciais

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Sua visão estava turva, dificultando o reconhecimento do estranho local onde estava sendo mantido. Sua mente já não trabalhava tão bem quanto antes, flashes de memórias passavam diante de seus olhos como um filme sendo projetado na tela de um cinema qualquer.
Tentou falar, mas sua garganta estava seca demais para isso. Acabou por conseguir emitir somente um grunhido animalesco, que assustou a si próprio.
Com a vista desfocada, e com os membros de seu corpo pesando, tentou achar uma saída tateando por onde conseguia esticar o braço.
Sua respiração já estava ofegante quando finalmente conseguiu tocar em algo. Era gélido e tinha uma textura áspera. Forçou seu corpo a se aproximar mais ainda do estranho objeto.
Quando finalmente conseguiu arranjar forças, rastejou, forçando seus braços e pernas e sentindo uma queimação quase insuportável em seu pulmão quando finalmente conseguiu alcançar a peça. Estava ficando cada vez mais difícil de puxar o ar. O desespero começou a surgir quando ficou sem conseguir respirar por longos três segundos.
Estava aterrorizado.
O suor escorria de sua testa misturando-se a suas lágrimas e caiam sem ao menos perceber. Em seus braços, veias saltadas mostravam o esforço que fizera para percorrer esses poucos centímetros, mas que pareceram quilômetros.
Tinha que dar o fora dali.
Tentou normalizar a respiração, puxando o ar com calma, pensando que logo estaria fora daquele lugar e poderia sentir o sol lhe aquecer a pele e o vento fazer uma leve caricia em seu rosto.
Mas era estranho, desejava tanto por isso, mas não sabia o porque. Não se lembrava de um dia já ter sentido essas sensação tão prazerosas. Não se recordava de nada antes de estar preso nesse maldito lugar escuro. E agora, se tocou que não se lembrava de muita coisa, quase nada pra falar a verdade.
Frustrado e com os pensamentos mais confusos ainda, soltou outro grunhido segurando com força o objeto gélido com ambas as mãos.
A imagem de um homem ruivo apareceu subitamente em sua cabeça, como se um lâmpada tivesse sido acesa. E tão rápida quanto apareceu, sumiu. Deixando-o começar a se sentir mais calmo, porém seu discernimento ai se esvaindo aos poucos.
Sua visão turva agora estava negra por completo. Seus braços ficaram moles e soltaram o objeto, para logo ficarem pendidos ao lado do seu tronco. Sua cabeça balançava para frete e para trás, como se ele estivesse pegando no sono e lutasse contra isso.
– Se entregue, você sabe que não pode... Não. Você sabe que não consegue lutar contra isso. – ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido.
Surpreso, tentou procurar pelo dono da voz, mas estava quase a mercê da inconsciência, não conseguiria fazer muito, e mesmo que conseguisse, duvidava que fosse conseguir lembrar-se de algo quando acordasse.
Se acordasse.
Um soluço escapou por entre seus lábios secos e rachados, as lágrimas se intensificaram, dobrando de tamanho e quantidade, seu peito doía com o medo de não poder sentir as sensações que aquelas estranhas memórias haviam lhe mostrado. Mas não estava conseguindo aguentar.
Estava com medo. Medo de nunca mais poder acordar. Medo da tão temida morte, mas não iria conseguir pleitear.
Estava fraco demais.
Debilitado demais.
– Isso, se entregue a para a sua mais profunda escuridão. – a voz sussurrou mais uma vez em seu ouvido – Não tema, isso não vai doer... Muito.
E, antes de se perder por completo no mar da inconsciência, conseguiu ouvir uma gargalhada com a mesma tonicidade da voz, logo sendo seguida por outras e mais outras.
Passos foram dados na direção do inconsciente, parando enfrente ao mesmo.
– Luzes. – ordenou a voz. O lugar antes escurou como breu, agora estava iluminado, mostrando que aquilo tudo não passava de uma brincadeira – para as estranhas vozes, claro – Coitadinho do meu pequeno bebê, não tenha medo do escuro, logo ele será o seu melhor amigo.
Com um olhar psicótico e ambicioso, o dono da voz olhava para o objeto gélido, que depois se mostrou ser uma das grades da cela, que tinha agora uma aparência retorcida, com a forma da mão dele.
Queridos, só lhes peço um favor, leiam as notas iniciais e finais, por favor.
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