Como nunca imaginei
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Aperto seu pescoço com toda a força querendo torcê-lo com se torce um tecido recém-lavado!
“Querer me matar vai trazer seu maridinho de volta? Vai fazê-lo voltar a andar? Me solta sua louca!” Ela diz com sua voz vacilante pelo aperto que dou em seu pescoço. “Querer te matar pode não trazer isso. Mas o amor que sinto por Kaleb vale a pena me livrar de tudo que o fez sofrer, e nesse momento vadia, quero esganá-la com todas as minhas forças...” Digo e ela cospe em minha cara. A raiva sobe à minha cabeça e eu dou-lhe um soco no nariz. Ela resmunga de dor, leva a mão ao nariz e ao ver sangue voa em minha direção com ódio no olhar. Ela pula em mim me derrubando me fazendo indefesa.
“Eu quis e quero acabar com sua vida. Já consegui cinquenta por cento com Kaleb e agora falta você sua vagabunda. Tudo o que você tem era pra ser MEU!” Ela grita e me dá um tapa na cara. Ela está sentada em cima de mim e não consigo mover meus braços. “Você acabou com tudo, você acabou com meus planos maldita! Eu era pra ser a senhora Parker, eu era pra ser a dona daquela empresa, era meu nome que deveria estar naquela maldita lancha! E eu não vou descansar enquanto não acabar com vocês!” Ela agarra meu cabelo e eu dou uma joelhada em suas costas fazendo-a perder o equilíbrio. Rolo-a para baixo de mim e dou inúmeros socos em
seu rosto e ela grita. “Você. Nunca. Mais. Chegue. Perto. De. Mim. Ou. De. Kaleb. OUVIU SUA VADIA?” Grito e soco com toda força. Ela agarra meu rosto e crava a unha nele e eu a empurro pra longe e ela corre para seu carro.
Vou atrás dela e ela abre a porta rapidamente.
Ao chegar à sua frente vejo que ela puxa uma pistola e aponta em minha direção.
“Queria guardá-la para o final, queria guardá-la para ser o plano ‘b’ mas já vi que não tem jeito...” Ela diz passando sua mão livre por seu nariz ensanguentado. Alguns carros passam em alta velocidade, mas creio que por ser uma estrada deserta não percebem a movimentação.
“Agora eu não tenho nada a perder, vou acabar com você aqui mesmo e sumir do país!”
Meu coração está acelerado e minha boca resseca. Droga!
“Me matar também te fará melhor? Abaixe essa arma Rachel, você não sabe o que está
fazendo!” Digo tentando me aproximar e ela retrocede. Tento ter toda a coragem do mundo e caminho lentamente em sua direção. Ela esta trêmula mais mantém a arma apontada para mim. “Eu vou atirar na sua cabeça e ver seus miolos pularem para fora!” Nesse instante ouço sirenes de viaturas se aproximarem e sinto um frio na espinha do medo. Duas viaturas param e Helena desce com arma em punho em direção à Rachel e outros dois policiais a seguem.
“Largue essa arma agora e levante as mãos!” Rachel sorri maliciosamente e continua
apontando a arma para mim. Os carros passam em alta velocidade mas estou tão nervosa que a única coisa que consigo ouvir é o sangue bombeando em meus ouvidos.
“Que bom que você convidou plateia Loren, pois vou te mandar para o lado de sua irmã, logo depois Kaleb também irá”. Ela sorri mas vejo seus olhos se encherem de lágrimas. “Abaixe a arma Rachel, você está presa!” Ela solta um risadinha nervosa misturada com um choro.
“Agora não importa, já passei dos limites e acabou tudo, minha vida, meus planos... Não tenho
o que perder.” Ela funga, faz uma careta de dor pois seu nariz está ferido. Ela levanta a arma em minha direção e ouço um estrondo. “Não!” Helena grita e eu me abaixo cobrindo a cabeça com as mãos. Uma buzina soa forte e eu estremeço.
Ouço mais um estrondo, mas não de um tiro.
Levanto o olhar lentamente e fico horrorizada com a cena que encontro: Um ônibus, uma poça de sangue e Rachel em baixo do ônibus. Não pode ser!
Estou em choque... Não consigo me mover, não consigo respirar... Uma onda de náusea se forma em meu estomago e eu fecho os olhos que ardem pelas lágrimas. Helena corre para o meu lado e me abraça perguntando se estou bem. A única coisa que consigo fazer é assentir lentamente.
Continuo imóvel e de olhos fechados e ouço Helena falar ao telefone com o atendimento emergencial.
Minutos mais tarde a ambulância chega e uma equipe médica a imobiliza e a tira do local e eu continuo sentada na calçada com lágrimas nos olhos.
Helena se senta ao meu lado passa o braço pelo meu ombro e me aperta levemente. “Os paramédicos disseram que ela ainda tem pulso, mas não resistirá muito tempo...”
Volto para o hospital e vou ficar ao lado de Kaleb. Logo depois recebo a notícia que Rachel não resistiu e morreu a caminho do hospital.
Começo a refletir em minha vida e penso: Como a ganância e a maldade podem levar pessoas a tal ponto? Sempre sofri muito em minha vida, mas não deixei de perder a fé nela e jamais deixei a maldade assolar meu coração. E mesmo depois de tudo que passei continuarei aqui: Lutando pela vida e pelo amor, pois são esses que são a porta para a felicidade. O amor, que nunca foi fácil, e não será, mas será difícil o suficiente para nos mostrar sua real essência: A força.
Perdida em pensamentos fico ali no quarto, orando baixinho e observando Kaleb em seu sono e pensando em tudo que viemos passado e no que iremos ainda passar. Pois a vida é um processo, uma luta diária que irá levar todos ao mesmo caminho: A morte. Mas durante ela iremos decidir a melhor forma de aproveitarmos e vivê-la até chegar tal hora.
Sem perceber pego no sono na gelada cadeira de couro marrom com a mão estendida
segurando a mão de Kaleb.
Durante a madrugada sonho com Kaleb e eu na praia deitados olhando o céu coberto de
estrelas. Ele me puxa para os seus braços, eu olho em seus olhos e ele sorri para mim. “O amor supera tudo!” Eu o abraço com força e choro. “Calma princesa, tudo vai passar...” Eu o abraço como se não fosse vê-lo nunca mais. “Eu sinto falta do som da sua voz, do seu abraço, dos seus carinhos... Só me diz que vai ficar bem...” Ele acaricia meu rosto passando o polegar pelos meus lábios, me lança um sorriso triste e diz mais uma vez: “O amor supera tudo...”
Acordo assustada! Olho para Kaleb e mais lágrimas se formam em meus olhos. Me aproximo de seu rosto, beijo sua têmpora e digo: “Amor, iremos superar o que for preciso... Eu amo você!”
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Duas semanas depois continuo em minha rotina... Porém, agora fico pela manhã na empresa e a tarde vou para o hospital na qual passo o restante do dia lá. Os médicos ainda não tem previsão para alta. Emagreci demais esse último mês, minhas roupas estão completamente folgadas em mim. Helena, mamãe, Jacob, Jhonny e Diego estão sempre comigo.
Mary pediu demissão da empresa e somente ouvi falar sobre o enterro de Rachel.
Mesmo Kaleb estando em coma, eu costumo conversar com ele e cantar.
À noite, antes de dormir posiciono minha cadeira bem próxima a ele e conto-lhe como estão as coisas na empresa. Reparo que seus ferimentos do acidente estão sarados.
Seguro sua mão e começo a cantarolar baixinho a música que cantei em nosso casamento:
“(...) E eu não posso fazer essa coisa
Chamada vida sem você aqui comigo”
Uma lágrima atravessa a maçã do meu rosto e eu ignoro-a para não largar a mão de Kaleb.
“Porque eu estou, perigosamente apaixonada por você
Eu nunca irei te abandonar.”
Meu coração se aperta. De repente sinto o leve aperto de sua mão. Meu coração acelera na hora e eu congelo. Ele mexe lentamente o polegar na palma da minha mão e eu olho para ver sua expressão. Ele contrai os olhos como se sentisse dor ou algo assim. “Kaleb meu amor, consegue me ouvir?” Ele move mais uma vez o polegar na palma da minha mão. O sorriso toma conta do meu rosto e a esperança toma conta do meu coração. Ele abre um pouco a boca como se quisesse tomar ar. “Amor se consegue me ouvir mova o dedo por favor!”
Coloco minha mão sobre a dele com expectativa e sinto seu dedo mexer na palma da minha mão lentamente e eu sou atravessada por um emoção arrebatadora.
“Amor! Você está melhor!” Ele produz um som rouco e eu entendo que ele quer falar.
Chamo um médico e ele começa a reanimar Kaleb tentando fazê-lo falar enquanto tira seus inúmeros tubos com cuidado.
Ele me explica que como esteve muito tempo imóvel ainda irá demorar em se recuperar
totalmente do coma, porém o pior já passou.
Conto a novidade para Helena e Jacob e eles ficam radiantes de alegria tanto quanto eu!
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Uma semana depois estou deitada no quarto quando ouço a voz de Kaleb: “Loren?” Meu coração acelera e palpita de alegria. Sua voz é rouca e suave “Kaleb!” Corro para ficar ao seu lado na cama. Ele faz uma careta de dor e eu seguro sua mão: “Amor, que bom que você está aqui comigo!” Lágrimas brotam e rolam dos meus olhos como as cataratas do Niágara. Ele me olha com olhar triste, me dá um sorriso fraco e baixa o olhar para seu corpo. “Que bom que você ficou comigo nesse momento...” Beijo sua testa “Eu ficaria nesse momento e em qualquer outro. Eu amo você Kaleb e amor não é só os bons momentos... É quando o frio assola, a chuva inunda e o sol castiga.” Ele me dá um fraco sorriso novamente e fecha os olhos por um instante. Depois os abre, me encara e eu sou hipnotizada pelo perfeito azul de seus olhos. “Eu não poderei andar nunca mais não é?” Eu ponho sua mão com cuidado em meu coração e respiro fundo. “Tá sentindo? Ele está batendo não está?” Ele assente lentamente. “E
enquanto ele continuar assim eu irei lutar para que você possa tudo!” Ele recolhe a mão e lágrimas formam em seus olhos. “Eu amo você Loren!” Eu beijo levemente seus lábios.
“Amor se importa se eu deixá-lo só por um instante para falar com um médico?” Ele balança a cabeça levemente. Passa os olhos pelo meu corpo sem mexer a cabeça e diz: “Sim, contanto que você coma! Você perdeu uns 10 kg!” Sorrio e saio da sala.
Chego à sala dos médicos que estão cuidando de Kaleb e digo sobre ele estar acordado e falando.
Depois de um tempo de conversa o Dr. Petterson me olha preocupado e diz: “Você está preparada para as dificuldades que enfrentarão de agora em diante?” Com um sorriso e o coração cheio de fé digo: “Sim doutor! Estou completamente preparada... Só quero ver meu esposo feliz!”
Volto para o quarto e ele esta dormindo. Sua expressão é suave e terna. Beijo sua testa e me acomodo na cadeira. “Tudo vai dar certo! Deus, que tudo dê certo!” Oro em voz baixa e cochilo.
Pela manhã vou buscar café da manhã para Kaleb. Sei que ele pode comer frutas e tomar sucos naturais.
Entro no quarto e o recebo com um sorriso radiante. Ele sorri timidamente e desvia o olhar da minha direção. “Bom dia príncipe! Café na cama!” Beijo-o e ele retribui.
Tomamos café e conversamos sobre seu acidente. Explico o que aconteceu a Rachel e vejo seu olhar triste.
Durante o dia, todos os visitam e sinto sua alegria misturada com confusão. Ele recebe as visitas muito bem , mesmo em meio à tristeza e eu fico feliz por isso.
À noite eu canto para ele e ele sorri me fitando como se estivesse frente a algo sagrado.
“Podemos dormir agora sim?” Ele assente e eu me aproximo da maca subindo nela e ele me olha assustado. “Irei dormir aqui mesmo que acorde um caco... Só sairei se não estiver confortável para você ou o guarda do hospital me prender por violar as normas. Ele logo me envolve em seus braços um pouco imobilizados com cuidado pois ainda há ferimentos ali.
Dormimos abraçados e eu percebo o quanto senti falta do seu corpo colado ao meu.
Após as visitas Kaleb está sério e carrancudo.
“Loren precisamos conversar...” Sorrio carinhosamente e ele continua sua expressão triste.
“Eu quero você o mais distante possível e o quanto antes... Acabou pra gente Loren!”
Ahhhhh meu Jesus!
O que está acontecendo?
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