Como nunca imaginei
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Meus olhos marejam e um nó imenso se forma em minha garganta. “Como?” Ele olha para suas pernas imóveis, pensativo, levanta levemente olhar na minha direção. Não posso deixar de admirar seus olhos azuis oceano. Como senti falta de olhá-los, admirá-los... Senti falta de sentir meu coração acelerar e ser hipnotizada por seu olhar. Kaleb era lindo até em um quarto de hospital após tempos em estado de coma. “Loren, pro seu próprio bem, se afaste de mim. Continue com os mesmos pensamentos que estava antes do acidente. Eu serei um estorvo na sua vida!” As lágrimas caem pesarosas e minha cabeça gira. “Você quer que eu o abandone depois de tudo que vivemos? Depois de tudo que passamos? Depois de todo o amor que sinto por você?” Ele continua com a cabeça baixa. “Eu não sirvo para você Loren, eu não sirvo para mais nada... Não poderei construir uma família, não poderei administrar uma empresa... Eu não poderei mais viver nessas condições...” Sua voz começa a embargar e ele se cala sem me encarar. Além da tristeza a raiva toma conta de mim. Pego minha bolsa e saio correndo dali. Sinto minha visão turvar e sei que logo a cachoeira descerá de meus olhos.
Encontro Helena e Jacob em um restaurante. Conto-lhe o que aconteceu aos prantos e eles me acalmam.
“Loren tenha paciência, será difícil Kaleb aceitar sua realidade depois de tudo que viveu...” Diz Jacob. “Tente se por no lugar dele Lô, ele te ama, e com certeza deve ser doloroso para ele ver a mulher que ama sofrendo tanto por ele.” Dou um gole na minha água e digo: “Mas mesmo assim Helena, eu não o amo por sua beleza ou por seus bens, eu o amo pelo que ele representa pra mim. E eu vou ficar ao lado dele em qualquer circunstância!” Logo as lágrimas se acumulam em meus olhos e recebo um abraço duplo de Helena e Jacob.
Me acalmo e logo após começamos a tagarelar sobre a gravidez de Helena, sua barriguinha já está começando a aparecer e eu a mimo com todo meu amor.
Saímos do restaurante e vejo que chove um pouco. Eles me deixam em frente a minha casa e eu resolvo que não conseguirei ficar ali lembrando de Kaleb e a tristeza cresce mais e mais em mim.
Saio para dar um volta. Estou tão desconsolada que saio em meio à chuva.
Paro no bosque próximo a minha casa para admirar o lago. A chuva cai forte e se mistura com o líquido salgado que escorre pelos meus olhos. Vejo o sorriso de Kaleb no dia em que ele entrou na sala da State Center quando seu falecido pai anunciou sua presidência. Vejo seu rosto aflito quando após uma serenata no aeroporto eu disse a ele que o deixaria e nada mudaria minha decisão. Soluços reverberam da minha garganta e fico sem saber aonde ir e o que fazer.
Sinto uma mão em meu ombro e saio dos meus devaneios assustada.
Me viro e vejo Zeki.
Sua camisa está molhada e colada ao corpo e ele veste por cima um moletom aberto e calças de flanela. Ele abre os braços e o que sinto é uma vontade imensa de abraçá-lo. Abraço-o e ele me aperta contra si e beija o alto da minha cabeça.
A chuva cai sobre nós e eu choro ainda mais.
“Se quiser conversar eu to aqui!” Ouço-o dizer. Desfaço o abraço e pergunto: “O que está fazendo de volta ao Brasil e como sabia que eu estava aqui?” Ele dá seu lindo sorriso e responde minhas perguntas: “Eu estava chegando a sua casa e vi seu carro sair e te segui. Vi você parada na chuva e te observei por um longo tempo. Seu pai me contou tudo o que aconteceu e eu imaginei que precisasse de apoio de um amigo... Amigos nunca são demais.” Dou um sorriso fraco e baixo o olhar. “Kaleb acabou de me rejeitar... Desculpe não quero te encher com as minhas merdas...” Ele segura minha mão e a beija. “Loren, sou seu amigo e se quiser desabafar estou aqui para ouvi-la.”
Conto tudo a ele sem me importar com a chuva e ele ouve atentamente.
Ele me acalma e me aconselha da mesma forma que Helena e Jacob fizeram. Acolho seu conselho de ser paciente e me despeço dele com um abraço.
Vou para casa, tomo um banho demorado deixando a água lavar minha tristeza e vou para o hospital.
Entro no quarto onde está Kaleb e no momento uma enfermeira está realizando algum exame nele.
Ponho minha bolsa na cadeira e me aproximo da maca. Ele me olha por um instante e então seu olhar triste volta a olhar para a enfermeira que recolhe sangue de seu braço.
A enfermeira me dá um sorriso, faz algumas anotações e então se despede de mim e de Kaleb. Me aproximo dele e dou um beijo em sua boca e ele fica rígido, mas logo depois cede e me beija ardentemente. “Kaleb, você pode tentar me afastar de você de qualquer jeito, foda-se, eu amo você e mesmo que não queira estarei sempre aqui... Eu amo você, eu amo seu sorriso, eu amo seu corpo e amo você inteiro independente da situação que se encontra.” Seu olhos tristes se enchem de lágrimas e eu acaricio seu lindo rosto. Sua barba está por fazer e seus cabelos maiores que de costume. “Loren, eu não posso mas ficar com você... Eu não poderei fazer você feliz do jeito que sempre quis... Você é jovem e poderá arrumar alguém que não tenha as limitações que terei e farei você ficar presa a mim.” Uma lágrima desce por sua face e eu a limpo com o polegar, acaricio seu queixo e sorrio em meios as minhas lágrimas também. “Pra ser feliz eu preciso de você ao meu lado Kaleb de qualquer jeito. Você é a fonte da minha felicidade... Eu amo você!”
Deito-me ao lado dele com cuidado pois ele ainda está usando colete e ele me abraça. Seus dedos estão limitados a se movimentarem, mas mesmo assim ele me acaricia. Pego meu IPod na bolsa e coloco Lifehouse – Everything para ouvirmos.
“Amor preste atenção nessa letra, isso é tudo que quero te dizer.”
“Você e a força
Que me mantém vivo
Você é a esperança
Que me mantém firme
Você é a vida
Para a minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo”
Ele se emociona a cada trecho e eu acaricio seu perfeito rosto.
“Pois você é tudo que quero
Você é tudo que preciso
Você é tudo, tudo”
Sem perceber pegamos no sono e eu sonho com Kaleb correndo atrás de uma linda menininha de olhos azuis e cabelos negros no jardim de nossa casa.
Meu sono é interrompido por um som de tosse e eu abro os olhos e vejo Dr. Petterson nos observando.
“Com licença, Sra. Loren por favor não se deite na maca do Sr. Kaleb, é perigoso para a coluna dele.” Coro e logo desço. “Tudo bem Dr. Petterson, me sinto melhor dormindo com ela aqui do que com ela nessa cadeira desconfortável por mais de dois meses.” O Dr. Petterson dá um sorriso e se aproxima com uma prancheta em mãos.
“Tenho boas notícias ao casal. Tenho acompanhado seus exames e sinto-lhe informar Sra. Parker, seu esposo é um mutante! Nunca vi nenhum paciente se recuperar tão rápido de um acidente grave como ele tem se recuperado.” O sorriso do Doutor é contagiante e eu sorrio com a boa noticia. “Ah que ótimo doutor! Ótima notícia!” Seguro a mão de Kaleb e o olho com ternura e ele devolve o olhar.
“Ainda não terminei! Amanhã pela manhã seu esposo já poderá ir para casa. Ele receberá alta mas eu passarei as restrições e contra indicações para seguirem. Continuarei acompanhando e uma fisioterapeuta também.” O rosto de Kaleb está tenso. “Obrigada pela maravilhosa notícia doutor... Estou completamente feliz por poder levar meu marido para casa!”
O doutor me dá todas as indicações, me explica os exames e eu ouço atentamente.
Após o doutor nos deixar a sós ainda sinto Kaleb rígido.
“Qual é o problema amor? Queria morar no hospital?” Digo bem-humorada
“Ainda estou assustado com essa coisa de cadeiras de rodas, vida cheia de limitações e dependente de você... Não quero atrapalhar sua vida Loren...” Bufo e reviro os olhos
“Kaleb eu sou dependente de você desde que te amei... Sou dependente do seu amor. Então se você mais uma vez disser que irá atrapalhar minha vida eu chuto seu rabo na cadeira de rodas da rampa do hospital!” Ele sorri e eu fico radiante ao ver seu lindo sorriso novamente.
Seis Meses depois
Kaleb está sentado em sua cadeira de rodas em nossa sacada olhando o mar e o sol se pondo.
Nos últimos seis meses ele tem feito fisioterapias intensas, tem ficado carrancudo com as limitações para deficientes físicos e tem reclamado muito da sua ereção falha. Tenho tido toda paciência e mesmo que a ereção de Kaleb não dure o suficiente para termos uma relação, ele me faz gozar com sua língua e seus dedos perfeitamente.
O doutor Petterson nos explicou que a ereção é controlada pelo cérebro e estimulada com bastante erotismo, mas ao chegarmos perto do ato ele falha. Me explicou que dependendo do nível de lesão ele pode ter uma “ereção psicogênica” fazendo o coito durar pouco e não ser finalizado e “ereção reflexa” que é a ereção causada pelo toque, e que este é o caso de Kaleb. Ele me aconselha ter paciência e ser bem quente com ele para que ele tenha uma “ereção reflexa” na qual poderemos ir até o fim do coito. Pois a lesão dele mostra que ele pode ter esse tipo de ereção, suas falhas se dão por insegurança.
Kaleb começou a tomar os remédios mas está mau humorado por pensar em não me satisfazer.
“O que foi amor?” Ele continua em silêncio por alguns minutos olhando a bela vista e então me olha. “Você tem certeza que está feliz comigo?” Sento-me em seu colo e o beijo ardentemente. “É claro que sim! Agora vamos para cama pois sua cara de mal me deixou com tesão!” Ele dá um sorriso torto e eu o levo para dentro.
Consigo deitá-lo e ele me ajuda com a força dos seus braços. Sento-me sobre ele e o beijo ferozmente. Tiro sua camisa e ele também tira a minha. Saio de cima, tiro completamente minhas roupas e tiro as suas também. “Quero sentir seu corpo no meu” Ele dá um sorriso perverso e me puxa pela nuca para ele. Beijo seu queixo, pescoço e sigo até seus mamilos. Sua ereção cresce no meio das minhas pernas pressionando meu clitóris e fazendo-o inchar. Me esfrego nele e desço mais ainda. Chego até seu pau duro e ponho em minha boca. “Ahh” Ele geme e eu sinto o calor aumentando em meu corpo. Chupo e lambo seu pau deixando-o bem molhado e sentindo-o endurecer mais e mais em minha boca. Passo a língua entre as suas bolas e me delicio com elas. “Hum Loren, sinto que vou gozar se você continuar me chupando assim sua safada!” Sinto o meio de minhas pernas úmidas e quente. Ponho minhas pernas ao lado de sua cabeça e levo minha vagina até sua boca e me abro toda pra ele. “Hum, adoro o sabor da sua bocetinha molhada e quente em cima de mim. Abre mais essa xota pra mim que eu vou lambê-la todinha!” Abro meu lábios para ele e ele mete sua língua com fome em mim. Gemo e me contorço de prazer ao sentir o orgasmo se aproximando. “Goza pra mim Loren, quero beber seu doce suquinho” E ao ouvir essas palavras explodo em sua boca gritando.
Espasmos tomas minhas pernas mas me recomponho enquanto beijo-o sentindo meu gosto em sua boca. Desço e sento sobre seu pênis sentindo-o latejar em minha vagina. Ficou louca ao pensar que hoje sua ereção está dura como pedra. Sem querer perder tempo, encaixo-o em mim e me sinto preenchida por seu membro avantajado. Gemo e rebolo para senti-lo se encaixando dentro de mim. “Nossa amor, você está muito molhada. Isso, rebola no meu pau gostosa!” Subo e desço no seu pau sentindo a sensação de que tanto senti falta por esses meses. Sento e rebolo e sinto mais um orgasmo se formar em mim. “Ah Loren vou gozar, continua!” E eu acelero o ritmo e gozo sentindo seu jorro quente em mim. “Ah Kaleb!”
Levo-o para o banheiro e tomamos banho. Eu sento em seu colo em baixo do chuveiro e o beijo. “Eu te amo Príncipe!” ele sorri “Eu também te amo princesa!”
Estamos sentados assistindo TV no quarto quando ouço meu celular tocar. Vejo o lindo sorriso de Helena, agora com seu rosto inchado pela gravidez. “Oi linda!” Ouço sua respiração ofegante do outro lado da linha e me preocupo na hora. “Amiga? Está tudo bem?” Ela respira fundo e diz: “Está sim, só que... acho que... vai nascer.” Dou um pulo da cama correndo para o closet para pegar uma roupa e ir até onde está. “E onde você está? Estou indo agora para aí.” Ela dá uma risadinha e logo depois ouço-a gemendo de dor. “Estou indo para a maternidade da Barra com Jacob, ele te passa às coordenadas pelo whatsapp... Estou com muita dor!”
Me emociono ao saber que minha amiga dará a luz. “Ah fica bem amiga, eu e Kaleb estamos chegando!” Digo colocando a calça segurando o celular com o ombro. “Tá ok Lô. Aaaaaiiiiiii... Até looooogo” Meu coração se aperta ao imaginar as contrações que minha amiga está sentindo.
Corro para um lado e para o outro no quarto e Kaleb me observa. “Amor aconteceu algo?” Jogo as roupas dele na cama e procuro o telefone para chamar Alef para me ajudar a descê-lo. “Helena vai ter o bebê e está indo para a maternidade com Jacob. Vou te vestir agora e vamos correndo pra lá!” Vejo sua expressão de preocupação no rosto. Vou até a cama e dou um beijo em sua testa. “Calma amor, vai ficar tudo bem com ela!” Ele assente e eu o visto.
Alef me ajudou a descer Kaleb e a colocá-lo no carro. Depois de sua paralisia, adaptamos a casa e compramos um carro com funcionalidades para cadeirantes.
Chego ao hospital e na sala de espera Jacob me informa que ela já está em trabalho de parto e que preferiu não assistir pois desmaiaria. Kaleb zomba de Jacob e os dois se abraçam. Vejo os olhos de Jacob brilharem de alegria.
De repente a porta se abre e uma senhora de meia idade,negra e com um lindo sorriso simpático diz: “Sr Jacob, seu menino nasceu!” Jacob faz uma farra abraçando eu e Kaleb a todo tempo. “Posso vê-lo?” Diz com os olhos cheios de emoção. “Sim claro, se quiserem acompanhar também entrem, mas só poderá visitar um por vez.” Diz a doutora com simpatia.
Ao entrarmos Jacob corre para sala com expectativa. Kaleb e eu aguardamos no corredor com expectativa.
Minutos mais tarde ele sai com seu rosto molhado e um sorriso do gato da Alice. E minha vez de entrar.
Helena está deitada e o bebê ao seu colo. Me aproximo deles e sou tomada pela emoção. “Parabéns mamãe!” ela sorri e não posso deixar de admirar o lindo bebê que está em seu colo. “Ele é lindo Helena!” Ela sorri sem parar enquanto da de mamar ao bebê! “E agora que sabe o sexo, já sabe tem nome?” Ela me olha e em meio às lágrimas diz: “Você que irá escolher... Já tem em mente?” Levo às mãos a boca e me emociono mais ainda com a surpresa. Eu escolher o nome da criança! Que alegria! “Então tá! Ele irá se chamar: Enzo!” Seu sorriso aumenta “Ótima escolha amiga, amei o nome!”
Depois de muitos mimos e emoções, eu e Kaleb vamos para nossa casa e continuamos nossa noite de amor.
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