Como dizer adeus em robô

3 Mas onde eu esconderia o corpo?


Notas iniciais
Desculpem pela demora! Eu tinha o capitulo inteirinho planejado, mas não conseguia escrevê-lo. Sei lá, falta de inspiração. Eu acabei de terminar esse capítulo, então se tiver algum erro aí (principalmente "Parkinson". O corretor mudava toda hora para Parkison), relevem porque nem eu li ainda. Passei aqui para mandar umas beijocas e agradecer a Amanda pela recomendação em F&A. Não sei se ela lê CDAER, mas resolvi agradecer. Enfim, boa leitura e espero que gostem.

— Sonserinos não brincam em serviço — Rony dissera ao meu lado.


— Precisava de tudo isso? Eles não cansam de serem uns metidos? — resmunguei.


— Hermione, por favor, dê um jeito no seu homem — Harry dissera, o que fez ele ganhar um tapa e um “toca aqui” de Ron pela gracinha.


Eu tive vontade de ir no campo de Quadribol, exatamente onde aquela maldita serpente estava, e arrancar-lhe a cabeça como um boneco Ken. Mas, infelizmente, isso não passou de vontade.


Quer dizer, Hogwarts nunca tinha ficado naquele estado... Por pouco, elas faziam acampamento fora das aulas do Malfoy. E, não importa se ele estava saindo do banheiro, saindo a enfermaria, saindo do corujal, tinham meninas para cantar a continuação DA MINHA MÚSICA.


E, para piorar, a Sonserina plantou uma tenda no meio do campo de Quadribol para poder “avaliar” as candidatas, garotas que se diziam ser EU.


— O que ele está fazendo é péssimo! Ele está divulgando minha música! – reclamei baixinho para Rony e Harry, fuzilando o olhar para a maldita tenda. Mas infelizmente não importava o quanto eu o olhava ameaçadoramente… a cabeça grande dele não explodia. – E essas garotas não tem um pingo de amor próprio! Quem em sã consciência se prestaria a um papel desse?


— Ainda não dá para acreditar que é você… – Rony suspirou se inclinando para falar. Olhei para ele irritada – Quer dizer, não sabíamos desse seu talento.


— 'Cause you love love love when you know I can't love — cantarolei rápido e baixinho voltando a prestar atenção na tenda formada no meio do campo de Quadribol para a busca da amada do Malfoy. – É claro que sou eu, Ronald.


— Você tem alguma ideia do que vai fazer? – Harry perguntou meio hesitante.


Apesar de achar péssimo toda a exposição, eu não queria fazer nada a respeito. Por mim, Malfoy buscava essa garota até nos confins do inferno e eu não abriria a boca para falar um “a”.


Porque ele não merecia saber.


Eu abri a boca para discutir quando uma garota saiu da tenda chorando e Ronald me olhou sarcástico.


Tive vontade de consolá-la, o que me fez me sentir mais humana e não um robô, como Lilá bem me definia.


— Você vai contar – Ron dissera e me olhara confuso: – Não vai?


— Isso tudo é culpa da Lilá! – acusei apontando ameaçadoramente para Rony. Ele abaixou a minha mão, calmo.


— Se isso reponde sua pergunta – Harry disse olhando para ele.


— Eu não posso fazer isso, eu não posso contar para ele — respondi vacilante — É como assinar minha sentença de morte.


— Espera aí — Rony começou rindo — É o Malfoy, não um Dementador.


Vimos outra garota sair da tenda chorando. Harry e eu sorrimos sarcásticos para Rony.


— Tem razão, ele vai ser horrível – Rony concordou.


— Sempre achei que os Malfoy descendiam de dementadores – falei olhando para a tenda.


— São parentes distantes – Harry concordou.


Suspirei e cruzei os braços. Olhei para a tenda, olhei para Malfoy, olhei para a fila de garotas no campo. Olhei para Harry, olhei para Ronald e voltei a olhar para a tenda.


— Você acham que…


Mas antes que eu pudesse terminar de falar, Rony e Harry me empurraram para o campo.


— Sim, vai — eles disseram em uníssono.


Só de pisar naquela grama, fiquei com vontade de chorar. O que iria dizer? "Caro Dementador, eu sou ela”?


— Mas… — me virei para eles.


— Vai – Rony disse.


— Mas, ah…


— Vai — Harry me empurrou mais.


Voltei olhar para tenda e para meus supostos amigos. Respirei fundo e atravessei o campo.


Não vou dizer que me senti como uma lagosta mergulhando no óleo quente, porque isso seria exagero, mas minha vontade era de dar meia-volta e ficar trancada no meu quarto pelo resto do ano letivo. Ou até alguém me dizer que Malfoy caiu da vassoura no último jogo de Quadribol.


É claro que Hermione Granger caminhando até a tenda de Draco Malfoy no Campo de Quadribol era muito estranho. Mas era de se esperar que Hermione Granger, monitora da Grifinória, estivesse preparando uma detenção para Draco Malfoy por usar o Campo de Quadribol, a não ser pelo fato de que, infelizmente, eu não estava indo até a tenda para advertir Malfoy e, nossa!, que triste, acabar logo com aquilo. E talvez aquilo foi o que chamou mais atenção.


— Isso é algum tipo de show de talentos? – perguntei ao me aproximar.


— Veio para se inscrever? – Alec Foster disse se encostando numa cadeira.


— Vocês têm permissão para ficar aqui? – perguntei de testa frangida, ignorando o comentário de Alec.


— Claro que não – Malfoy disse sorrindo. – Mas você não vai falar nada para McGonagall.


— Como se McGonagall precisasse que eu contasse sobre essa sua artimanha. – respondi – Mas ainda não entendi, Malfoy. O que pretende com isso?


Numa cadeira, Parkinson riu irônica.


— Acredite, também me faço essa pergunta – ela disse – Você nem sabe com essa garota é.


— Sem essa, Pansy – Malfoy disse. Ela revirou os olhos – E pode falar o que quiser, Granger, não vou sair daqui.


Revirei os olhos e Blaise Zabini me fez sentar em uma cadeira ao lado de Malfoy.


— Fica aqui, Granger – Zabini disse batendo no meu ombro. Frangi o cenho. — Vai adorar cada segundo.


— Hã, essa vai ser boa – Parkinson comentou.


— Acha mesmo que eu ajudaria essa doninha com o seu… caso de amor impossível? – perguntei.


— Não acho, até porque o que você sabe sobre gostar de alguém? – Malfoy respondeu pedindo para a garota da fila, uma corvina bonitinha, se aproximasse.


— Você é tão idiota – falei.


— Não tenho tempo para isso, Granger. Hoje não.


Eu tinha desistido de me jogar da Torre de Astronomia. Eu queria jogar ele.


— Olha só quem está se aproximando. Kim era quem faltava aqui! Estamos brilhando! — Alec dissera.


Vimos Kim vindo em direção a tenda em passos firmes e com cara de poucos amigos. Kim era monitora da Corvinal, fazia parte do Clube de Teatro e talvez eu tenha trocado duas palavras com ela a vida toda.


Kim entrou na tenda e Zabini rapidamente puxou uma cadeira para ela se sentar.


— Não, não – ela dissera abanando as mãos – Não me envolve nisso. Vim saber o que está acontecendo aqui. Com que direito vocês armam uma tenda no meio do Campo de Quadribol? E até você está metida nisso, Hermione?


— A tenda não está atrapalhando – Malfoy falou, me cortando – E a temporada de Quadribol ainda nem começou, Kim.


— São regras, Malfoy!


— Isso são regras da Corvinal. Aqui, não seguimos regras da Corvinal — ele discute.


Kim ia discutir, mas olhou pra mim. Abri um sorriso fraco.


— Concordou com isso, Hermione? — ela perguntou, ainda de cara fechada.


— Na verdade, acho que está contribuindo para um senso de comunidade e pertencimento muito forte entre essas garotas — apenas falei, o que fez os quatro sonserinos me olharem admirados e surpresos com a resposta.


Kim não discutiu e puxou a cadeira para se sentar.


Malfoy ainda me encarava surpreso.


— Não me olhe assim — falei baixo.


— Senso de comunidade? Incrível — ele dissera.


— Quer minha ajuda ou não? — resmunguei.


Ele levantou as mãos em rendição, dando o assunto como encerrado.


Era tudo um pouco ridículo. Malfoy chamava uma por uma para poder se apresentar e contar sua parte da história, e poucas pareciam coerentes e vinham recheadas de acontecimentos mirabolantes, mas nenhuma de fato falava sobre a música e como tinha sido aquela noite.


Uma lufana bonitinha começou contar uma história de como foi parar na cozinha naquela noite, porque era onde ela achava que Malfoy a tinha escutado. Ela contava alguma história que envolvia sonambulismo e um pedaço bolo. Eu sinceramente me perdi.


— Tá, tá – Kim interrompeu – E a música?


— Ah, eu não tenho a música – ela disse meio hesitante. Kim com certeza faria ela chorar e Pansy Parkinson parecia que estava se divertindo muito com aquilo.


— Mas… e a música? Você lembra como canta, né? – Parkinson dissera.


— Não, mas…


— Próxima!— Kim gritou.


— O quê? Mas vocês nem deixaram ela continuar – Malfoy protestou.


— Ela estava no caminho certo, então? Você estava na cozinha naquela noite? – perguntei retoricamente sem pensar, perdendo a paciência.


Malfoy ficou me olhando, até dizer:


— Sabe o que eu acho?


— Estou muito curiosa…


— Que você está com ciúmes – ele disse.


— Eu? Com ciúmes? – ele assentiu – De você? – assentiu novamente – Hã, arranquem-me uma perna.


— Ontem você estava muito estranha no corredor…


— Eu não estava estranha e você estava ouvindo coisa – protestei.


— Eu ouvi direito.


— Eu não falei nada – briguei.


— Falou sim e você sabe sobre alguma coisa – ele discutiu.


— Claro que não – discuti. Aquilo não parecia convencê-lo. Eu sei que falei aquilo. Minha boca foi mais rápida que eu, mas eu não iria admitir, de forma alguma, que a pessoa que ele estava procurando era eu. — Próxima – chamei ignorando Malfoy.


Algumas garotas conseguiam contar histórias melhores e tinham vozes incríveis, mas nenhuma conseguiu cantar Love Love Love e por isso não conseguiam sustentar a mentira. Porque, para elas, Love Love Love era uma música de amor.


Oh, maybe I'm a crook


(Oh, talvez eu seja uma trapaceira)


For stealing your heart away

(por roubar seu coração)


And maybe I'm a crook


(e talvez eu seja uma trapaceira)


For not caring for it


(por não me importar com isso)


Yes, maybe I'm a bad, bad, bad, bad person


(Sim, talvez eu seja uma má, má, má, má pessoa)


But baby I know


(mas, baby, eu sei)


Cause you love, love, love


(Porque você ama, ama, ama)


When you know I can't love


(Quando você sabe que eu não posso amar)


— Você tem a música escrita? — Kim perguntou chocada quando Malfoy mostrara o pergaminho com suas anotações.


— Eu acho que desde que ele ouviu essa música, ele dorme com esse pergaminho — Pansy zombou, revirando os olhos.


— Você nunca vai achar ela, Malfoy — Kim dissera lendo a música — Maybe I'm a crook for stealing your heart away.


Fiquei o mais longe possível daquele pergaminho porque não queria ver nada da música. Era praticamente a arma de um crime.


Malfoy tinha mesmo gostado, argh.


— Obrigado pelo apoio, Kimberly — ele dissera, sarcástico. E talvez um pouco triste.


— Quer dizer, sério, não é uma música de romance e todas elas acham que é — Kim tentou se corrigir.


— Ela vai aparecer — ele apenas dissera, dando de ombros.


Mas como se não bastasse vê-lo à tarde no Campo de Quadribol, ainda encontrava aquela serpente no Clube de Teatro. Naquela noite, encontrei o Malfoy na biblioteca para terminar nosso roteiro de Cidade dos Anjos. Eu achava que tinha feito a maior parte, claro, mas caí do cavalo quando ele chegou com o roteiro pronto apenas para eu revisar e fazer anotações.


— Como fez isso tão rápido? — perguntei folheando os pergaminhos.


— Eu lembrei que tinha esse roteiro no acervo particular da minha mãe. Ela me mandou essa semana — ele respondeu — Eu fiz alguns ajustes, mas você pode mexer no que quiser.


Olhei para ele e olhei para a pilha de pergaminhos na mesa, fazendo esse movimento pelo menos umas três vezes até me tocar.


— Essa é a versão original? — eu perguntei.


Malfoy abriu um sorriso: — Está na família há anos. E é todo seu agora. Considere isso como uma forma de agradecimento.

— Vindo de você? Me parece suspeito — respondi voltando a folhear os pergaminhos. — Mas me diz – eu comecei, traiçoeira — O que vai fazer com essa informação?


— Que informação?


— Da garota que está fazendo sua cabeça. Você está apaixonado? — fingi ânsia de vômito.


— Não sei – ele respondeu e parecia sincero – Talvez.


Ficamos em silêncio mais uma vez. A biblioteca conseguia ser um pouco aterrorizante durante a noite. Arrisquei olhar para o lado, mais além das prateleiras e só vi escuro. Engoli em seco.


— Podemos ir para outro lugar, se quiser – Malfoy sugeriu.


— Não – respondi apertando os braços contra meu peito. Me virei para ele rapidamente, que mexia em alguns livros na prateleira atrás de mim. Malfoy se encostou na prateleira, com os braços cruzados, e arqueou as sobrancelhas como quem diz “o que foi dessa vez?” – Malfoy, isso é ridículo! Acha mesmo que essa garota estaria numa fila no meio do Calpi de Quadribol para poder falar com você? – eu me ouvi reclamando. – Não vê que ela não iria atrás de você? Prestou mesmo atenção na música?


— Você parece saber muito bem o que ela quer, não é? — foi o que ele respondeu.


Ela quer te afogar no Lago Negro.


— É meio óbvio – falei.


— A questão, Hermione, é exatamente essa — ele começou, colocando as mãos nos bolsos da calça – É por isso que preciso encontrá-la.


— E é exatamente por isso que ela não entraria numa fila para poder falar com você – rebati.


Malfoy deu de ombros, como se aquele já fosse um assunto que ele passara madrugadas pensando.


— Eu vou encontrá-la.


— Ok, mas e se ela não for tudo isso que você imagina? E se ela não te quiser?


— Todo mundo gosta de mim. É a minha maldição.


— Você é ridículo – falei.


— Mas, se não for o caso, a vida segue... E ela vai aparecer. Uma hora ela vai.


Passamos o resto da noite na biblioteca e não voltei tocar no assunto. Quando terminamos, Malfoy deixou eu ficar com a versão original de Cidade dos Anjos e eu aceitei de bom grado.


Sentia que, já que ele tinha uma coisa minha, minha música, eu poderia ter alguma coisa dele.


Rony riu quando contei para eles na manhã seguinte e Harry chegou engasgar com o suco enquanto ria junto.


— Esse é o seu plano? – Rony perguntou ainda rindo.


— Foi minha melhor ideia até agora.


— Não, você sabe qual foi sua melhor até agora… – Harry me lembrou. Fuzilei o olhar, fingindo meditar.


— Mas onde eu esconderia o corpo? — falei, fazendo ele me olhar sarcástico. — E eu também apagaria a memória dele se não tivesse medo de errar…


— Não é disso que estou falando – Harry me interrompeu.


— A história vai de tornar mais divertida se você contar – Rony disse.


— Eu não posso contar – briguei – Ele está apaixonado por ela. Tem ver o jeito que ele fala dela!


— Apaixonado por você… O jeito que ele fala de você… – Rony murmurou. Olhei ameaçadoramente para ele e ele disfarçou bebendo um pouco do seu suco.


Antes que pudéssemos falar alguma coisa, fomos interrompidos por Pansy Parkinson. Ela se sentou ao lado de Harry (NA MESA DA GRIFINÓRIA!) e se inclinou pra mim.


— Granger, preciso falar com você – ela sussurrou.


— O quê? Por quê?


— Não faz pergunta – ela esticou o braço e me puxou pela mão – Vem logo.


Bebi mais um pouco do meu suco e a segui até a saída achando que aquele seria meu último dia de vida.


Parkinson só parou de andar quando chegamos no Campo de Quadribol, onde a tenda dos sonserinos estava estendida, mas não tinha filas. Malfoy estava sentado sozinho e, quando uma garota se aproximava, ele dizia, educadamente: "encontro você depois, obrigado".


— É você — ouvi Parkinson dizer. Saí do meu transe e me virei para ela.


— Oi?


Parkinson sorriu ironicamente, mostrando todos os dentes. Eu fiquei com medo por um segundo.


— É você – ela repetiu. – A garota da música.


— Eu não sei do que você está falando — eu ri, nervosa.


— Sabe, sabe sim — ela insistiu — Eu sou mais atenciosa que o Draco. É óbvio que é você.


Uma luzinha vermelha acendeu na minha cabeça: PERIGO! PERIGO! PERIGO!


Abri a boca para protestar, mas nada saia. Ok, Pansy Parkinson sabia… ah, estou tão ferrada.


Senti como se minha vida fosse uma bomba-relógio na mão dela e queria sair correndo.


Respire. Respire. Respire mais um pouco, Hermione.


Não sabia o que falar para ela. Não sabia como mentir para ela.


— Tudo bem, sou eu – admiti, e por um momento me senti incrivelmente aliviada. Foi como tirar um peso das costas – Eu estava na sala de teatro e ele me escutou. Eu não tinha ideia de que Malfoy estava lá, eu achava que estava sozinha.


— Maybe I’m a bad bad bad person, você é muito certinha para isso…


— Eu tinha acabado de brigar com Lilá – protestei – Estava sensível e inspirada…


— E o quando vai contar pra ele? – ela perguntou. Epa, epa, epa! Espera aí… o que é isso? Rony Weasley e Harry Potter versão feminina?


— Ah, não pretendo contar…


— Sabia que não – ela sorriu. Oh, Merlin, um sorriso sonserino… senti novamente a bomba-relógio na mão de Parkinson. Por favor, não exploda. – Eu quero voltar com Draco. E com essa história de Cinderela, ficar procurando uma garota que obviamente não quer ser achada, Draco mal lembra que existo.


— Isso não é problema meu, Parkinson — eu falei, mais sincera do que esperava — Eu não posso me envolver mais.


— Calma, me escuta – ela pediu – Com essa história, Draco tem me evitado, porque está apaixonado, mas…


— Mas…?


— Quando ele descobrir que é você, ele vai desapaixonar, óbvio.


Fiquei estranhamente ofendida. Frangi o cenho e Parkinson me olhou indignada.


— Você gosta dele? – ela perguntou, séria.


— Claro que não! — falei rápido.


— Eu só preciso que você fale a verdade, que é você e que não tem interesse nenhum nele, assim as coisas voltam ao normal, como tem que ser… Que é eu e ele juntos – ela sorriu mais sonserina ainda.


— Tenho certeza que você consegue fazer isso sem mim — falei, tentando encorajá-la.


— Granger, eu faço qualquer coisa.


— Por que você apenas não fala que a música é sua? Como essas meninas estão fazendo? — perguntei cruzando os braços, sem ter noção de que aquela era uma ideia ridícula.


Pansy riu.


— Malfoy me conhece, sabe que eu nunca faria isso. Por isso, você que tem que falar.


Eu suspirei: — Parkinson, como vou falar para ele?


— Faça a continuação da música.


— Você está doida.


— Hermione, por favor.


Ela me chamou de Hermione.


Hermione.


O que está acontecendo com o mundo? Só falta o Profº Snape dar 10 pontos para a Grifinória.


Passei a mão na testa, meio hesitante.


Ok, eu faria de tudo para Malfoy parar com essa palhaçada e deixar minha música em paz, mas eu não sabia se queria ou não fazer a continuação da música.


E, infelizmente, parte de mim – que eu nem sabia que existia – queria ajudar Parkinson.


— E então? Temos um trato? — ela disse esticando a mão para mim.


Eu hesitei, mas sentia que já estava ferrada mesmo. O que era mais um problema?


— Sinto que vou me arrepender – e apertei a mão dela de volta.