Como a número um
56 Capítulo 56
Notas iniciais
Estou deitada no peito nu de Chris quando ouvimos uma batida na porta. Dorothéa diz que a minha sogra está aqui. Eu e Chris vestimos os roupões e saímos do quarto. Lola está com cara de sono enquanto a mãe de Chris parece um vulcão prestes a explodir.
–Filho! –Ela corre até ele e o abraça. É bonitinho de se ver. Aceno para Lola. Chris vai até ela e a mesma se joga nos braços deles. Oito segundo depois se afasta como se nada tivesse acontecido. Depois Sarah vem até a mim e me abraça como filha.
–A lua de mel foi boa, imagino. –Diz Sarah.
–Ótima, quer dizer, passamos por tanto países e...
–Mãe, falando nisso. Temos que te contar uma coisa. –Chis começa, alegre.
–Christopher, nem temos certeza ainda. –Ralho.
–Claro que temos. –Ele mostra a língua. –Você vai ser avó.
Tudo se paralisa quando Lola grita e cai no chão de tanto rir. Nós três nos olhamos sem entender, enquanto a menina magrela de cabelo verde gira. (Ela está tão mudada).
–Vocês, pais? Coitado do bebê. –Diz no final.
Sarah suspira e se vira para nós.
–Ignorem ela. –Então sorri. –Estou tão feliz. Ah, parabéns.
Ela abraça Chris de novo e depois eu. Ela passa a mão pela minha barriga, que não mostra nada de diferente.
–Quantos meses? –A senhora sorri.
–Ainda não sabemos. Não fomos ao médico ainda.
–Mas devem ir. –Ela aprece chocada. –Rápido.
Olho para Christopher.
–Ér... Precisamos ir. –Dizemos juntos.
oooooooo
–Sr. e Sra. Shane. –A doutora diz gentil. –Vocês são bem jovens não é?
Olho para Chris sem saber o quê responder. Mordo o lábio e dou um sorriso para a Dra. Kate. Ela é sempre falsa assim?
–Você com certeza está grávida. –Sorri. – Venha, venha, vamos ver na ultrassonografia
Ela me leva para a maca e pede para eu levantar as pernas depois de tirar minha roupa de baixo. Ela pega a sonda (um palito gigante) e enrola o plástico em volta. Tento não pensar que ela vai enfiar aquilo em mim. Olho para Chris, que está confuso.
–O quê é isso?
–É uma sonda, para ver o bebê, já que ele é pequeno demais provavelmente. –A Dra. Sorri de novo, ela é muito alegre.
–Você vai enfiar isso nela?
–Sim. –Sinto um pouco de incomodo quando ela coloca a sonda dentro de mim. Depois de mexer no seu computador, uma imagem escura aparece na tela. Com ruídos estranho.
–Ali, ali ó. –Ela dá pulinhos. –É aquela bolinha ali.
Olho para tela, e encontro a tal bolinha. É tão pequena... Christopher pega a minha mão e aperta.
–Deve ter umas quatro semanas... Ou menos. –Ela confere se está tudo bem. –Perfeito, venha, vamos conversar.
Depois de me arrumar e sair da “cama”, com ajuda de Chris me sento na cadeira. Respiro fundo quando percebo que o sorriso da Dra. Kate sumiu, sendo substituído por uma carranca enquanto lê minha ficha.
–Oh. Isso é mal.
–O quê é mal? –Pergunto.
–Sua epilepsia. Isso é mal. – Isso eu já sabia.
–O quão mal? –Pergunta Christopher com o rosto nervoso.
–Em toda gravidez, se a gestante tomar um susto grande ela pode perder o bebê. No caso de Olivia, qualquer susto pode fazer isso, por causa do ataque epilético. A gravidez será agitada. –Ela diz séria. –Também tem o fato que além do bebê poder nascer prematuro, durante o parto... –Ela não continua.
–O parto?
–A dor. Seu cérebro pode agir com um ataque durante o parte. –Ela diz baixo. –Isso quer dizer que tem poucas chances dos dois sobreviverem.
–O quê isso quer dizer? Quê ou ela ou ele vão sobreviver? –Christopher grita quase.
–Ou nenhum. Mas calma, também tem chance de tudo ficar bem. Existe Deus, sabia?
Ouso Christopher respirar fundo, ele parece que vai morrer. Já eu, estou paralisada. Sempre soube que ia dar nisso. Tusso, procurando a voz.
–Ele pode nascer com alguma... coisa? Sequelas? –Digo desesperada. Não queria ter um filho com minha prima, eu não... aguentaria de novo.
–Toda criança pode ser um desses casos, é muito cedo para termos certeza que a sua é um desses casos. –A Dra. Diz voltando a sorrir. –Tudo pode dar certo, se seguirmos a seguintes coisas. Se alimentar bem, relaxar e não ser metida á preocupações.
–Eu ia começar a trabalhar...
–Não quero dizer que você tem que fazer nada, pelo ao contrário, ioga faz bem. É só não se estressar. Trabalho mais relaxados talvez...
–Dra. Ainda temos chances certo? –Christopher aperta minha mão.
–Sempre temos, e se depender de mim, esse neném vai nascer perfeito.
Oooooooooooo
Assim que pisamos para fora do consultório, começo a chorar. As lágrimas vem e vem, e não param. Christopher me abraça, e sei que está chorando. Ele beija minha testa e afaga meu cabelo.
–Eu sabia, eu sabia... –Choro. –O bebê nem nasceu e sou uma péssima mãe.
–Ollie...
–A culpa é minha. Eu sou a culpada se algo acontecer...
–Olívia, olhe para mim.
–Não, não... Sou tão inútil. Meu bebê, eu vou mata-lo.
Christopher me empurra e segura eu pelos ombros. Chacoalha-me e encontro seus olhar. Engulo o choro. Ele suspira.
–Não chore, ainda é cedo. Podemos fazer isso dar certo.
–É, como? Como, Christopher?!
–Não sei, vamos fazer o melhor. Os pais fazem isso. –Ele me beija. –Vamos conseguir, ele vai nascer bem e saudável. Eu sei.
–Promete?
–Sempre. Sempre vou prometer tudo para você. Por que eu te amo, e amo essa bolinha aqui. –Ele passei a mão por minha barriga.
–E se... –Christopher coloca um dedo contra meus lábios.
–E se tudo der certo? Você não pode se preocupar Ollie, pensamentos positivos.
–Podemos fazer isso dar certo.
–E vamos.
Ele me beija outra vez, e espero acreditar em suas palavras. Seus lábios lisos e macios que eu tanto amo. Suas mãos que apertam minha cintura. O seu fruto que cresce em mim. Estava muito bom para ser verdade. Tento não pensar que tudo pode dar errado. Já que, tudo pode dar certo também. E vai, claro que vai. Vou ser mãe, custe o que custar.
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