Como a número um
42 Capítulo 42
Notas iniciais
Entro no quarto e o encontro sozinho. Ela deve ter ido fazer alguns exames. Sento-me na cama calmamente. Olívia acordou uma semana e meia, e todo esse tempo eu venho visita-la. Acredito que ela pensa que sou como um amigo.
Eu havia contado sobre a gente, desde o começo. Ela ria sobre tudo, e eu ria com ela. “Um ótimo livro” era o quê ela dizia. E claro que todos sabiam sobre o ocorrido, e o mundo inteiro parecia ter pena de mim e desejar-me força.
–Oi.
Viro-me e encontro Ollie numa cadeira de rodas sendo empurrada por uma enfermeira. Ela está sorrindo como se algo muito bom tivesse acontecido. Ela acabou de voltar da fisioterapia.
–Chris, olha. –A enfermeira se afasta e ela começa a rodar as rodas e dar uma volta no quarto até mim. –Viu, viu? Eu já estou aprendendo!
–Isso é ótimo, Ollie! –Aperto sua mão.
–E sabe o quê mais? O Sr. Will disse que se eu continuar assim como estou, em menos de algumas semanas estarei andando de novo, com ajuda de uma bengala, mas é a mesma coisa! Estou tão feliz!
–Posso ver.
–E eu conversei com a minha mãe. –Seu sorriso some por alguns segundo depois volta. –Aproveitei o uso do computador, e entrei em sites...
Sei o quê vai dizer.
–Tem muitas fotos nossas. Você é mesmo famoso.
–Ér...
–Então, você disse que tinha algo sobre meu apartamento. –Ela se senta mais confortável quando a enfermeira sai.
–Ele meio que... Explodiu em chamas.
–O QUÊ? –Ela grita.
–Ele pegou fogo. –Conto para ela tudo.
–E minha porta?
–De tudo você se preocupa com a porta? –Digo irônico.
–Meus livros... Você vai comprar outros, claro. O meu gato tá com você. Minha porta marroquina é o que sobra! –Ela diz dando nos ombros.
–Na verdade, essa porta não existe mais.
–O que. Você. Quer. Dizer. COM ISSO?
–Você teve um ataque uma vez e eu fui te salvar, mas a porta estava trancada. Então eu a arrombei.
–Obrigada. Por me salvar, mas a porta...
–Eu comprei outra. Coreana...
–Sério?! –Ela sorri. –Sempre quis ter uma.
–É, sou demais. –Rio. –Ah, tenho que ir. Só vim te ver mesmo...
–Christopher, que dia é amanhã?
–O quê?
–Dia.
–27 de novembro de 2014. –Digo com dúvida.
–Ah... –Ela sorri. –Tchau.
–Tchau. –Aproximo-me e dou um beijo em sua bochecha. Saio do quarto e então lembro.
Amanhã é o aniversário dela.
Ooooooooo
Estou numa loja. Não faço ideia do que comprar para ela. Tem tantas coisas, e não sei se algo que a Olívia 1.8 (como chamo ás vezes) gosta.
–Posso ajuda-lo? –Ouso a voz da atendente.
–Ér... Presente de aniversário.
–Para a namorada?
–Uma amiga.
–Não parece. –Ela dá um sorriso depois de falar baixinho, mas escuto. –E o que ela gosta?
Penso. O que as minhas duas Olivias gostam? Tem que ter algo. Ah, claro, já sei.
–Livros.
–Venha comigo.
A moça de cabelos escuros me guia para um corredor lotado de livros. Alguns chamam atenção e outros. Vejo muitos que com certeza ela já leu. A mulher para numa ala.
–Ela gosta de distopias?
–Sim.
–Então, olha esse. –Ela me mostra um livro. –Está fazendo muito sucesso, principalmente depois do filme.
–Acho que ela já leu.
–E esse?
–Também.
–E esse?
–Também.
A nova Olívia talvez não, mas ela um dia ela vai lembrar-se de tudo. Eu sei. Todos os livros que ela mostrava eu sabia que Ollie já havia lido.
–E esse? Acabou de chegar. –Ela mostra com um sorriso. Beta, é o nome do livro. Lembro-me de Olívia dizendo algo sobre esse livro, que o adoraria ler ou algo assim.
–É, acho que ela vai gostar.
Compro o livro e mando embrulhar para presente. Como hoje já é o aniversário dela, estou indo para o Hospital. Sei que Karen foi mais cedo, junto com “todos”, mas eu queria ter um tempo sozinho com ela.
Quando chego no seu quarto, encontro-a olhando para a janela e com dois pedaços de bolo ao seu lado. Paro na porta, e fico a observando. Cada dia melhor. Ela se vira para mim e sorri.
–Karen fez. Eu guardei um pedaço para comer com você. –Quando vê o presente em minha mão sorri ainda mais. –Pensei que tinha esquecido.
–Nunca.
–Vem.
Aproximo-me dela e entrego o presente. Sento ao seu lado e vejo ela o abrindo e sorrindo para o livro. Numa rapidez começa a ler a sinopse e parece muito curiosa.
–Uau, esse livro deve ser ótimo.
–Foi o quê você me disse. –Digo e ela se vira sem entender. –Quando viu pela primeira vez.
–Sério? Então, vou começar a ler logo. –Ela me dá um pedaço do bolo e começamos a comer. O bolo está bom.
Ficamos um contando para o outro, piadas ou acontecimentos. Ela disse que Karen pode descobrir o sexo do bebê logo, e que ela pegou uma enfermeira se agarrando com o seu médico de fisioterapia, Sr. Will. Rimos mais ainda.
–Chris. –Ela diz quando estamos olhando para as estrelas, como a noite já caiu. Alguém havia deixado velas pelo quarto, então as acendi.
–Sim?
–Canta para mim?
–Claro.
Começo a cantar músicas que sei que ela gosta e outras que são minhas mesmo. Ela está sorrindo, mas então ela coloca a mão na minha boca.
–Sei que está cantando musica que gosto, ou suas mesmo, mas canta uma que você gosta.
Penso por um momento, então começo a cantar músicas que gosto. Ela sorri mais ainda e tenta me acompanhar, mesmo sem conhecer a música.
–Chris, eu quero dançar.
–Como?
–Me ajuda.
Olho para ela sem entender, mas mesmo assim ajudo-a a se sentar. Pego suas pernas e coloca para fora da cama, lentamente. Seguro em sua cintura, e faço seus pés ficarem em cima dos meus. Ela enlaça seus braços no meu pescoço, enquanto seguro seu corpo.
Começamos a dançar lentamente, então começo cantar uma música que nós dois sempre amamos. Nossa música. E me surpreendo ao vê-la cantando comigo, como se soubesse a letra sempre. Vejo-a surpresa também, mas ela encosta a cabeça em meu ombro e continua a cantar. Ela ainda me ama, eu sei disso.
Ficamos dançando por muito tempo, eu guiando ela, até que ela se afastou de mim e colocou as mãos em minhas bochechas. Olhou bem nos meus olhos, como se tivesse apenas gravando tudo e tendo certeza que é real e está certa.
–Christopher, eu quero te beijar. E eu vou.
Então ela selou nossos lábios. Era estranho beija-la depois de tanto tempo e perceber que ainda está como sempre foi. Macio, confortante e tudo que sempre amei. Aperto-a mais num abraço e sinto-a brincar com o meu cabelo. Nosso beijo delicado se transformou num urgente que eu tanto senti falta. Mas então paramos em busca de ar. Seu rosto estava corando como os lábios, e seus olhos brilhantes.
–Ollie...
–Chris... –Ela morde o lábio inferior. –Eu precisava disso.
–Por quê?
–Eu queria saber se era real, se era como antes. Ou se era só por obrigação.
–Obrigação?
–Sim. Se o que estou sentindo é só por quê estou mau por você perder um amor e querer te recompensar fingindo te amar.
Aquilo é como um tapa na cara. Ficamos em silêncio por muito tempo. Ela diz que que sua perna está doendo e a coloco na cama. Começo a ir embora depois disso, mas logo viro.
–Olívia, é real ou é obrigação?
Ela dá um sorriso como o gato da Alice. Ele se torna alegre, convencido e malicioso.
–Eu te beijei mais que o necessário, não é? –Ela se vira de costas para mim. –Até amanhã, Chris. Vou sonhar com você.
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