Como a número um
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Pov Olívia.
Ele havia se afastado, e provavelmente não sabia como isso me causava mal. Quase uma semana havia se passado e Chris só vinha, trocava poucas palavras comigo e saia.
Desde o primeiro instante que eu o vi, chamando meu nome como uma benção, eu soube. Eu soube que ele era especial. E quando fomos nos conhecendo, vi que isso era claro. Meu corpo parecia programado para ele. Porém eu tinha medo que fosse um daqueles casos que essa “nova” velha eu não conectasse com a de antes do acidente.
Isso não aconteceu. Logo depois, vi que ele tinha e sempre terá meu coração. Era como um vírus que não podia sair do meu corpo. Sem ou com memória, isso era certo.
Mas eu queria ter certeza. Então dançamos, eu queria ficar perto e senti-lo. E não posso dizer o quanto eu fiquei tão perto dele. Parecia que eu ia explodir. E para o nosso susto, a música que ele cantou era conhecida. Era algo que eu sabia que tinha há ver com nós, e eu lembrava.
Foi assim que eu soube a resposta. Beija-lo não estava no meu plano. Mas quando olhei para ele, era como ver aquela coisa que você tem vontade de apertar fazendo algo fofo, com uma mistura de... TUDO QUE EU AMO! Assim eu o beijei.
Fora a melhor experiência da minha vida.
Fora o melhor beijo.
Fora amor.
Porém Christopher não viu isso. E isso me matava.
–Srta. Alves?
–Sim...
–Você ouviu o quê eu disse? Que você terá tendo consultas em casa depois da alta? –Concordo com a cabeça para o médico. –Você já está conseguindo ter o movimento delas, Olívia, você consegue senti-las não é?
Olho para minhas pernas, consigo sentir a mão do homem sobre minha perna e um pouco do seu calor, mesmo ainda sentido uma coceira no local. E eu consigo mexer os dedos! Sorrio.
–Sim!
–Perfeito, continue assim e não desista. –Ele se levanta e no mesmo momento a porta abre. Verônica entra.
–Ele chegou. –Ela sorri. –Tudo pronto?
Aponto para as malas, e sorrio como ela. Com ajuda, sento-me na cadeira de rodas. Com ele, me aproximo da porta, que se abre depois. Christopher está ali com um buque de peônias rosa. Minhas favoritas.
–Para a minha Sunshine! –Sorrio mais ainda aceitando o presente.
–Obrigada, caro cavaleiro. –Digo dando minha mão para ele.
Christopher pega minha mala, e depois que nos despedimos, vamos para o carro. Ignoro as câmeras e gritos. Só espero ser colocada dentro do carro, Chris guardar a cadeira e a mala. Eu vou continuar em sua casa. Quando ele perguntou isso, eu aceitei na hora, recusando a oferta da minha melhor amiga.
–Espero que isso não atrapalhe. –Chris diz ao entrar no carro.
–Tudo bem, é legal. –Digo balançado as mãos. Olho para a janela, é tudo tão novo. –Seu apartamento é muito longe?
–Não. –Ele sorri.
Eu queria conversar com ele, mas ficamos em silêncio por todo o caminho. Havia mais gente fora do apartamento quando paramos na frente dele. Chris saiu para pegar minha cadeira, e depois me ajudou a sentar nela.
O prédio era bonito dentro e fora. Entramos no elevador vazio, não ia caber mais de duas pessoas além de mim se eu estivesse com mais pessoas. Chegamos ao andar e Chris me guiou até a porta do seu apartamento. Quando entramos senti num ambiente familiar. Sabe quando você vê algo ou alguém que te lembra de algo, mas não se lembra muito bem?
Senti isso quando vi Christopher pela primeira vez. E eu sabia que essa recordação era boa, aliás, quando o vi, meu coração bateu mais rápido. Claro, ele era lindo.
–Se lembra de algo?
–Um pouco. –Respondo. –É como montar um quebra-cabeça sem conhecer a imagem. É confuso.
–Acredito que seja.
–Sabe o quê é pior? As lembranças de andar são tão antigas... Eu ouvi os médicos dizendo que a falta da memoria também piora as melhoras...
–Você vai voltar a andar, eu tenho certeza. –Chris se agacha na minha frente.
–Me responda algo: Por que você está fazendo isso, sendo que eu quase não me lembro de você?
–Por que eu te amo, não importa se você lembra ou não. –Ele sorri gentilmente se levantando. –Espera ai.
Chris sai e volta logo depois com um gato velho. Meus olhos se enchem de lágrimas. Nem acredito, Frajola parece tão mais delicado agora. O pego no braço e aperto-o bem forte.
–O meu bichano. –Ele se enrosca em mim, e ele não é muito de fazer isso.
–Ele estava insuportável sem você.
–Imagino.
Fico apertando ele e sentindo seu perfume felino e Christopher continua a me observar. Como a médica diz, alguns flashes passam por minha cabeça: Várias cenas do gato pulando em mim e pedindo coisas como um bebê. E depois de Christopher tentando alimenta-lo. Solto uma risada.
–O quê foi?
–Eu me lembrei de algo. –Sorrio. –Você estava lá.
–Sabia que esse pulguento ia servir para alguma coisa. –Ele balança seu cabelo loiro e eu sorrio.
–Ei. Ele é limpinho. –Dou beijinho no nariz do gato. Mas sinto uma tontura. –Eu estou com sono. Não sei por que, eu fiquei naquele hospital sempre e nem coloquei o pé no chão.
–Você ainda não tomou seu remédio. E deve estar com sono mesmo. Vou te levar para o quarto.
Aquela sensação de conhecimento passa por mim enquanto Chris me leva para o quarto. O corredor, as portas, a decoração... O quarto dele é confortável. Ele me põe na cama delicadamente.
–Eu achei que você ficando no quarto meu poderia ajudar, e que seria melhor eu dormir com você. Sabe, caso haja algo. Eu vou dormi no chão. –Ele está vermelho como um pimentão, e isso faz rir. –Mas se não quiser, eu vou para o quarto de hospedes...
–Tudo bem, Christopher. –Olho para sua cara estranha. –O quê foi?
–Você me chamou de Christopher.
–E? Eu queria saber como seu nome inteiro fica quando o pronuncio.
–Fica bom. E-eu gosto.
Eu sinto minhas bochechas queimarem quando penso em algo meio pervertido.
–O quê? –Ele parece curioso com um sorriso malicioso.
–Nada.
–Nada, é?
–Nadinha de nada. –Confirmo com a cabeça ainda vermelha.
–É... –Então ele começa a fazer cosquinhas em meu pescoço.
–Ei, não! Não!
–Diga.
–Não! –Grito rindo como uma louca. Dói. –Tá, tá... Eu digo.
–Diga então. –Ele para e fica esperando.
–Hum... Christopher sai muito hum... sensual, nos meus lábios.
Ele me encara, e depois meus lábios, depois meus olhos de novo. Olha para os lados, e morde os lábios. Depois me encara de novo, com um sorriso.
–Diga meu nome de novo.
–Christopher.
–Você está certa. –Ela sai do quarto e eu quero morrer.
Por que ele tem que ser tão gostoso? Seria melhor se ele não fosse! Não me sentiria tão culpada por não me lembrar dele. E como eu queria! Apenas mais uma lembrança dos seus beijos, sem ser aquela trágica no hospital.
Chris volta depois com o almoço e meu remédio. Assistimos alguns filmes juntos, na cama. Ele sempre um pouco distante, e isso era ruim. Já era quase de noite quando adormeci. E se não me engano, abraçada nele.
Ooooooooooo
Eu estava beijando o Christopher. Meu vestido vermelho estava caído em alguma parte do quarto, e meu corpo nu estava sendo conhecido pelas mãos macias de Chris. Então depois eu estava na agua. Sendo puxada para o fundo por causa da corrente. As ondas batiam em meu rosto e eu não conseguia ver nada. Estava me afogando.
Mudou outra vez. Eu estava numa sala cheia de computadores e pessoas com cabelos coloridos falando coisas interessantes como aquelas que meus sonhos são. Mas o sonho acabou, e as lembranças voltaram. Eu estava brigando com alguém. Chris, eu acho. Vejo-me o expulsando de casa. Depois estou correndo em um penhasco, mas o sonho foge e é tomado pela cena de eu me vendo num espelho. E juro que me vi com um vestido branco, antes de acordar gritando.
Lágrimas caem por todo o meu rosto, e estou gritando. Minha garganta dói e meu corpo todo coça e treme. Vejo na escrivaninha ao meu lado o relógio. Já é de madrugada. Vejo um corpo pulando em cima de mim e ligar a luminária. O mesmo me abraça.
–Calma... Calma. –Ouso Chris sussurrar.
–Oh, Chris... – Minha voz parece tão fininha.
Ficamos assim até eu me acalmar. Seu calor me esquenta. Tento parar o soluço. Seu corpo está grudado no meu.
–Olívia... Eu pensei que você estava tendo um ataque, ou não sei... Eu quase pirei. –Sinto-o respirando fundo. –Foi um pesadelo?
–O pior é que eu não sei. –Digo baixinho. –Dra. Verônica diz que é a mistura de sonhos e lembranças. E-e é tão aterrorizante. Não saber a resposta.
–Você já teve isso antes?
–Todas as noites...
–Por que não me contou? –Ele ainda pergunta gentilmente e me abraçando.
–Não queria te preocupar.
–E com que você sonhou?
–Várias coisas. –Não coro quando falo a próxima frase. –A primeira fomos nós dois.
–Nós dois?
–Sim. Eu estava nua, e você estava quase. A gente se beijava e o meu vestido...
–Era vermelho?
–Sim.
–Então aconteceu. –Ele ri como um bobo, se lembrando de algo. –Foi nossa primeira vez.
Agora eu coro, pensando que eu já sonho com isso á semanas.
–E foi boa?
–Eu poderia te mostrar, mas você ainda está em choque. –Sei que ele está tentando melhorar meu astral. Mas não posso me impedir de querer que ele me mostre.
–Christopher.
–Sim?
–Dorme comigo? –O vejo ficar duro como pedra. –No sentindo dormir mesmo, seu pervertido.
–Sim, claro. – Ele se deita e me coloca sem eu peito. –Bom?
–Perfeito.
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