Notas iniciais
VOCÊS FICARAM BRAVAS COMIGO, CALMAAAAA! TODA MALDIÇÃO TEM UMA CURA

A primeira coisa que penso é que uma pegadinha. Fico em choque. Seus olhos não estão com aquele brilho que eu sempre via. Ela como ver uma estranha. Seu rosto ficou mais pálido de preocupação.

–Christopher, eu disse para esperar... –Ouso Karen atrás de mim.

–Quem é ele, Karen?

–É...

–Karen, por favor... –Encaro Olívia, ela parece que quer chorar. –Tudo é tão estranho... é como se eu não fosse eu mesma...

–Srta. Alves, você parece confusa.

Viro-me para Verônica. A mesma vai até o pé da cama de Ollie. Ainda estou congelado, sem conseguir dizer nada.

–E-eu... tudo parece tão novo e-e eu não sinto minhas pernas. –Ela começa a chorar, e eu quero ajuda-la, mas não sei se ela deixaria. Ela nem me conhece.

–Vou tentar resumir tudo, querida. Olívia, você sofreu um grave acidente. –Começa a doutora. –Você entrou em estado vegetativo por quase quatro semanas. Suas sequelas...

–Diz logo. –Digo me aproximando, vejo Ollie me olhar por um momento e depois voltar para Verônica.

–Seu córtex sofreu um grande dano, como já disse. O dano atingiu parte de suas lembranças... Não sabemos o certo o quanto. Em que ano você acha que estamos? Qual sua última lembrança?

–Ér... 2011? Oh, não... No começo de 2012, fevereiro. –Olívia diz com convicção depois de se confundir. –Minha última lembrança... Eu estou terminando de escrever algum trabalho.

–Olívia... Nós estamos no final de 2014. –Verônica diz rápido, não ligando para o choque da garota.

–Eu esqueci tudo que vivi em dois anos? Mas... –Ela coloca a mão na cabeça como se caçasse essas lembranças. –Eu posso recuperar?

–Provavelmente ela voltará ao poucos. Em fleches. Entende? –Estou encarando o rosto de Ollie. Ela balança a cabeça. –Mais uma coisa. Suas pernas...

–Eu perdi o movimento delas, não é? –Ela fecha os olhos.

–Eu sinto muito. –Verônica abaixa a cabeça.

–Eu... nunca poderei andar de novo? –Olívia pergunta baixinho, creio que só eu e a doutora ouvimos.

–Existe tratamento, Olívia. Você é jovem, e não foi tão grave. Olhe. –Verônica pega sua caneta e tira as cobertas que cobrem o pé de Olívia. Ela faz um movimento circular na sola do pé dela. –Sente? Sabe o quê eu fiz?

–Eu senti um formigamento. Mas não sei a forma.

Não aguento mais ficar longe dela enquanto vejo o sofrimento dela. Aquela é uma Olívia de 18 anos, não é mesmo? Quando vejo, estou colocando a mão em seu ombro como um conforto. Ela se vira para mim.

–Você se chama Christopher? Você tem um nome bonito. O quê você é meu?

Eu devo estar sorrindo. É algo que eu deveria saber que Olívia iria dizer. Ela não iria sucumbir à dor tão rápido. Ela levaria numa brincadeira, ou não deixaria ninguém saber da dor. Acontece que eu sei atravessar essa barreira.

–Eu era... sou... um amigo. –Digo.

Ela sorri para mim mais ainda, como se isso fosse um alívio.

–Cala a boca, Chris. Liv, ele é seu namorado, pronto acabou. –Karen diz e vejo o sorriso de Ollie sumir.

–Eu sinto muito. –Ela diz. –Eu gostaria de lembrar de você.

–Eu sei.

–O quê mais eu perdi?

–Estou grávida, do Stephen. –Diz Karen.

–Ooooh. –Vejo o susto no rosto de Ollie. –Meu Stephen?

Tento ignorar o MEU que dói. Ela nem me conhece agora, como posso ter ciúmes? Essa Ollie ainda gostava dele.

–Sim. –Karen sorri. –Isso arrumou muita confusão, Christopher até pensou que vocês iriam ter um filho.

Eu devo estar corado, por que isso era algo delicado. Ollie olha para mim e sorri.

–Bom, senhores, eu vou para o meu escritório, e deixarei vocês se despedirem. –Verônica sai e deixa-nos sozinhos.

–Eu vou também, tenho que avisar Stephen. –Karen sai correndo. Sei que foi por isso, uhum... Sente a ironia.

Observo Olívia. Ela está tão linda com a luz e a cor das flores batendo em seu rosto. Ela parece confortável ao meu lado, o que é estranho. Ela fica olhando para as pernas como se tentasse descobrir o porquê de não consegui mexê-las.

–Então você é meu namorado?

–Hum, sim...

–A gente... Já?

–Já. –Tento não mostrar minha confusão.

–Ufa, me sinto melhor agora. –Ela suspira. –Você... Você não sabe de nada né? Sobre como isso é um puro azar. Sobre como acho que não podia piorar. Sobre meus problemas...

–Eu sei. –Ela parece tomar um susto com isso.

–Quem é você?

–Sou Christopher Shane, sou cantor de uma banda famosa e sou assim, lindo e rico. –Sorrio.

–Nossa, quer dizer que eu namoro com esse deus grego famoso? Ui. –Ela sorri antes de dar aquela risada que tanto amo. –Como tive essa proeza?

–Nós meio que nos esbarramos e eu acabei derrubando seu café em você. –Rio com a lembrança, e ela me acompanha. –Então, para me esconder de perguntas eu te joguei no meu carro e te levei para longe.

–Eu devo ter pirado. E talvez batido em você.

–Claro. Você queria me bater, e começou a me tratar mal. Então eu elogiei seus seios. Você estava sem sutiã e de camiseta branca molhada, sabe...

–Uau... Você já sabia que eu era uma brasileira?

–Não, mas eu deveria ter desconfiado.

Rimos e ficamos encarando um ao outro. Eu a conheço toda. Sei os pontos que fariam gritar de prazer, e outro que a faria chorar. E eu saberia fazê-la sorrir. Mas ela não me conhece mais. Uma enfermeira aparece e diz que ela precisa descansar, então levanto.

–Deve ser horrível para você. –Digo num sussurro. Eu esperava tanto que quando ela acordasse, nós nos beijássemos e comemoraríamos, porém agora somos estranhos. É como ser deixado no vácuo. E isso doía, mas não tanto quanto perder praticamente Ollie.

–Poderia ser pior. Eu poderia ser a namorada esquecida. –Sorrio como uma despedida e vou para porta. –Ei.

–O quê?

Isso me lembrava de quando ela fez isso, e depois responder: “Fica comigo”. Mas sei que não vai acontecer. Viro-me para ela e tento sorrir. Parece que ganhei uma surra.

–A gente se amava?

Penso na resposta.

–Sim, a gente se amava. Pelo menos era o que eu disse e senti, e o quê você disse.

–Então eu te amava de verdade. –Ela sorri antes de se virar e deitar olhando para o teto. –Vai ficar tudo bem.

Volto a caminhar para porta, mas um novo EI me faz virar de novo. Ela está séria agora.

–Vai voltar amanhã?

–Vou voltar sempre.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^ Obrigada pela companhia e... POR QUÊ NÃO UMA RECOMENDAÇÃO? TTOTT ok... Eu quero revieeeeews :3 :3 :3 PORCOS-ALADOS