Sonhou com um teto de pedra branca e lisa e com cheiro de bebida, de cigarro e de sangue. Em toda a volta, as pessoas gemiam ou choramingavam, e de tempos em tempos, um grito feminino rasgava o ar, espesso de dor e seguido por outro muito mais fino e fraco. Quando tentou se mover, descobriu que tinham enfiado tubos em seus pulsos enfaixados. O ar estava cheio de um odor forte que trazia-lhe lágrimas aos olhos.

Estou chorando? Não posso deixar que meus pais vejam. Sou um Lemnsack Hentz, irmão do herdeiro dessa dinastia dourada. Um leão, tenho de ser um leão dourado, rugir como um, não chorar como um gatinho.

Mas doía tanto… e não era em seu corpo, era muito mais profundo.

Fraco demais para gemer, deixou-se ficar no meio dos gritos de agonia e do cheiro de álcool e de excrementos humanos. Escutou as blasfêmias proferidas em vozes vazias e sem esperança e perguntou a si mesmo se estaria morrendo também. Passado algum tempo, a sala desvaneceu-se.

Deu por si fora dali, caminhando por uma estrada cheia de Sombras. Corvos pretos atravessavam um céu cinzento e sem vida apoiados em grandes asas pretas, enquanto seus irmãos pretos desciam numa nuvem preta para cima dos corpos pretos carbonizados meio soterrados nas beiras da estrada. Larvas brancas do tamanho de trens escavavam túneis, rugindo gemidos de lamentação. O sol era uma moeda fria e cinza, brilhando sem vida sobre um mar de prata que corria a não muitas milhas dali, e dele saíam tentáculos negros e grossos que não podiam erguer o corpo de seu dono de volta para a superfície porque pilares muito altos e brancos impediam sua passagem com uma parede invisível e indestrutível. Suas ventosas tinham mil dentes cada e vomitavam Sombras, agarrando os corvos que por aqueles ares se aventuravam.

Aves estúpidas, pensou Nicholas Hentz.

A princípio, não havia qualquer som em seu mundo, mas após algum tempo começou a ouvir as vozes dos mortos, baixas e terríveis. Choravam e gemiam, suplicavam um fim para a dor, gritavam por ajuda e pelas mães. Nick chegou à conclusão de que nunca conhecera a sua. Caminhou sozinho por entre Sombras, tentando se lembrar de como chegara ali.

Tantos mortos, tantos mortos. Seus cadáveres pendiam uns sobre os outros, flácidos, seus rostos estavam irreconhecíveis, inchados e cinzentos, com enormes olhos brancos revirados, só vagamente humanos. Nick percebeu que matara todos. Alguns tinham cabelos longos e brancos, tão brilhantes quanto à neve. Outros tinham cabelos e olhos pretos, peles descoradas e rasgadas por lâminas, tão inchadas e repuxadas sobre os ossos que pareciam agasalhos. Por que matei todos? Nunca o soubera, mas de algum modo sentia que tinha esquecido.

Estava escuro quando voltou a acordar. A princípio não viu nada, mas após algum tempo as vagas silhuetas de diversas camas com corpos silenciosos surgiram à sua volta. Ele estava numa delas. O quarto era longo e azul-claro. As cortinas encontravam-se fechadas, mas via os fracos raios de luz que tentavam entrar pelas frestas, sem sucesso. Devia estar amanhecendo. Por baixo de seu corpo, estendia-se a suavidade complacente de um colchão surrado e usado. O travesseiro que tinha sob a cabeça era duro como pedra. Ele nunca estivera tão confortável.

Com as cortinas fechadas, fazia calor mesmo sob o fino pedaço de tecido que o cobria. Estava suando. Febre, pensou hesitantemente. Sentia-se muito fraco, a dor foi como uma punhalada quando lutou para levantar a mão. Desistiu do esforço. A cabeça parecia-lhe pesada demais para erguê-la do travesseiro. Quase não sentia o corpo, apenas as dores. Ressaca. Como vim parar aqui? Tentou se lembrar. A garrafa de uísque dezoito anos voltou à sua memória aos poucos, cheia de um líquido marrom de odor acre, antes de se tornar só mais uma garrafa vazia. Depois o brilho cruel e prateado da faca deslizando pela pele delicada de seus pulsos, tingindo-os de vermelho, antes que ele a derrubasse sem querer lá em baixo, setenta metros abaixo. Sentado na beira do telhado do prédio bêbado como um gambá, era difícil manter a ordem das coisas.

Lembrou-se de ter ligado para Ethan, que na hora devia estar num palácio em Sacramento, porque queria que a voz dele fosse a última coisa que ouviria. Lembrou-se de ter tentado procurar pela faca lá em baixo, no chão, enquanto repetia matei, matei, matei, matei, matei… E os pingos de sangue rubro caíam também, desaparecendo na escuridão.

Então um grande barulho atrás dele, Nick só se lembrava mais de ter virado e visto um par de olhos azuis acinzentados fitando-o amedrontadoramente. Rowan ou Gillian? Tinham todos aqueles mesmos olhos, os Pyatt. E as Sombras estavam com eles quando desmaiou para trás, esperando que caísse do prédio. Não caiu, pelo visto, a não ser que estivesse no céu. Ou no inferno.

Socorro, alguém me ajude. Ninguém ouviu. Ninguém veio. Sozinho no escuro, caiu num sono com cheiro de urina. Sonhou que o irmão estava o lado da cama com as sobrancelhas franzidas e um semblante irritado. Lore também estava lá com aquele rosto branco e assustador de fantasma que não conseguia deixar de conservar. Pensou tê-los ouvido conversando, mas não compreendeu o que diziam. As vozes zumbiam em seus ouvidos como abelhas numa colmeia. Seus pulsos doíam como se estivessem sendo espetados por estacas de ferro em brasa.

Vou tirá-lo daqui, alguém disse. Seria Ethan, Lore? Rowan, Gillian, Lucas? Ou o próprio Diabo?

Queria perguntar se estava morto, mas sentia vergonha de perguntar, porque se não estivesse, seria uma pergunta estúpida, e Ethan não tolerava estupidez. O que está fazendo aqui?, teve vontade de lhe perguntar. Devia estar em Sacramento, puxando o saco da rainha e fodendo o príncipe herdeiro, como você bem queria fazer.

Da vez seguinte em que acordou, estava sozinho num quarto branco de hospital. O cheiro de álcool ficou, mas dessa vez sentia-se mais limpo em roupas leves e finas. O quarto estava frio. O calor se fora. E Ethan Lemnsack estava sentado ao lado da cama, meio adormecido numa cadeira de madeira.

Nick tentou falar, mas descobriu que sua boca estava seca demais para isso. Sua movimentação, contudo, acordou o irmão.

— Tem sede? — ele perguntou afavelmente, sorrindo no rosto bonito. Nick refletiu no quanto ele crescera no último ano e meio. Seu rosto ficara mais comprido, os olhos mais profundos e, como não podia deixar de ser, sem brilho algum. Eram intensos e venenosos, hipnotizadores.

Conseguiu fazer um aceno desajeitado com a cabeça. Cuidadosamente, como se ele fosse de papel, Ethan encostou a borda de um copo em seus lábios secos e deixou um fino fio de água escorrer-lhe garganta abaixo, ao mesmo tempo em que erguia lentamente seu pescoço para ajudá-lo a engolir. Só então Nick voltou a se lembrar das faixas em seus pulsos.

Quando pensou em falar sobre, notou tarde demais que Ethan deixava que os sedativos escorressem novamente para sua corrente sanguínea. Talvez ele o estivesse torturando, Nick não sabia.

Acordou na escuridão de um quarto frio e vazio. As cortinas tinham sido de novo cerradas. Estava de novo só. Sozinho no mundo, pois sou um fardo grande demais para se carregar nas costas.

A dor no corpo ainda era grande, mas os tubos em sua pele se foram. Nick ficou feliz em ver que conseguira se arrastar até o banheiro e voltar para a cama sem cair no chão. Tentou ligar a TV para se distrair, mas a luminosidade e barulhos repentinos quase explodiram sua cabeça. Aliás, as notícias só falavam a mesma coisa.

Nicholas Lemnsack Hentz, irmão de Ethan Lemnsack Hentz, órfãos de Charles e Mary Alice Lemnsack Hentz, tentou cometer suicídio na madrugada do dia vinte e nove de julho, há certa de uma semana, aos quinze anos…

— Uma semana? — sussurrou para si mesmo. — Então hoje é… cinco de agosto? Como o tempo passa quando estamos horrivelmente sedados. E eu não passo disso, não é? Do irmão de Ethan Lemnsack Hentz.

E eles sequer haviam citado Lorenzo.

Rangendo os dentes, chutou o travesseiro para fora da cama. Por que estava tão dolorido? Ele só havia cortado os pulsos. E fora tudo tão sereno e bucólico. Nick se lembrava de que a única coisa com a qual se preocupara naquele momento fora com Charlie, e se ele ficaria bem até Ethan voltar.

O quarto rodopiou ao seu redor, todo ele paredes claras e sombras escuras, com uma única janela fechada. Viu uma pilha desarrumada de suas roupas no balcão. Nick sentiu-se irado, uma ira gutural e profunda vinda do fundo de sua alma. Seu grito de raiva soou como um gemido abafado. Ele ainda ardia em febre, mas à medida que começou a gritar mais alto, alguém veio para sedá-lo novamente. E tudo ficou escuro.

Sonhou com um lugar melhor, uma pequena cabana perto do mar do poente. Era estranho por que ele nunca vira o mar, então podia apenas imaginar o cheiro de sal e da ressalga.

As paredes e o chão eram feitos de madeira, e na cabana havia apenas uma cama e uma lareira. Nick tentou acendê-la até que notou que não havia madeira, mas também não estava frio. Então olhou para trás e viu uma mesa com duas cadeiras. Sentou-se na cadeira encostada à parede e fechou os olhos, esperando que as Sombras fossem embora… e quando abriu-os de novo, o viu. De olhos muito azuis e ardentes e cabelos louro-platinados, o viu.

— Dói muito? — sussurrou-lhe.

— O quê? — ele indagou roucamente. Parecia estar sempre rouco.

— Morrer.

— Não — ele respondeu. — É rápido… quente. E aconchegante.

— Você está feliz? — teve de lhe perguntar. Era algo que sempre quisera saber. Mas ele demorou a responder.

— Eu não estou infeliz — disse por fim.

Uma música infantil cantada por uma voz feminina e maternal soou de algum lugar. Nick viu-se com nove anos, enfiado debaixo dos lençóis. Seu corpo doía, aquele havia sido o pior dia de sua vida, e tivera que contar à sua mãe por quê. Só ela sabia, e só ela deveria saber. Resolveria as coisas, foi o que dissera, ele não precisava se preocupar com nada.

Um gatinho para o pão trazer.

Dois gatinhos para dar de comer.

Três gatinhos para a água procurar.

Quatro gatinhos para a sede saciar.

Cinco gatinhos para os sonhos trazer.

Seis gatinhos para viver e viver.

Sete gatinhos para da alegria ressurgir.

Oito gatinhos para teu amor sentir.

Nove gatinhos para você amar.

Dez gatinhos que amar-te-á.

Aquela fora a primeira vez que Mary Alice Hentz o pôs na cama. Deu-lhe um beijo na testa e outro no pescoço.

— Amo você, Nicholas — sussurrou antes de ir embora por quase meio ano. Tudo se resolvera no dia seguinte, quando Nicholas voltou à escola e viu que ele tinha-se ido. Tudo estava bem. Ethan não precisou saber nunca, aquilo ainda estava guardado dentro dele, destruindo-o aos poucos como Oliver o fizera.

Talvez por isso que Mary Alice nunca tivesse gostado de Oliver. Não era por que ele era um garoto, mas por causa do que acontecera com ele. Era doloroso demais lembrar-se.

Ela escolheu um dia em que Nick tinha apenas onze anos para finalmente colocar para fora o que tinha preso dentro de si.

— Como ele consegue se deitar ao lado dele e ouvi-lo falar de tudo o que sofreu? Como ele consegue ouvir e não se importar? Como ele pode nunca ter percebido nada?

— Se você quiser, eu posso contar a ele… — Nick sussurrou, querendo que ela parasse de chorar. Entregou-lhe um lenço.

— Não, não o faça — ela sussurrou, secando as lágrimas. — Só você e eu sabemos. Só você e eu. E vai continuar assim. Deixe Ethan continuar com sua felicidade, ele é um garoto tão fechado e triste…

Talvez porque você nunca esteja presente. Ele não ousou falá-lo em voz alta, porém.

— Ele falou pra mim, o garoto. Disse-me que o viu, que viu meu pai, Samuel. Ele disse-me que meu pai disse a ele que não fechasse negócio com o banco nacional da Grécia. E quer saber? Eu não fechei, e todo mundo se surpreendeu. Quase que no dia seguinte, a Grécia faliu.

A verdade é que Oliver sempre assustara sua mãe por causa daquilo. Ela fora embora então e só voltara um mês depois, quando Ethan foi quase morto. Nick nunca havia dito aquilo a Ethan, que ela só não voltava por causa de Oliver. Talvez não sentisse tanto assim pela morte dele. E isso matava Nicholas por dentro, era tão confuso! Não sabia o que seu irmão preferia mais: Oliver ou a mãe, então como escolher quem odiar?

O rosto da mãe pareceu se desvanecer, dissolvendo-se por trás de um véu de lágrimas, mas mesmo depois de ter sumido, ainda conseguia ouvir o tênue e longínquo som de sua voz, falando com ele.

— É nosso segredo, está bem, Nick? Nosso. Ninguém deve saber. — Claro, o que o mundo diria se soubesse da verdade? Será que condenariam Mary Alice e Charles por terem simplesmente abandonado seus filhos? Até onde podia se erguer a arrogância de uma mulher?

— Até o céu, e ela é uma deusa — sussurrou. Então notou-se acordado, e Lorenzo olhava para ele. — Lore — coaxou, sentindo mais forte.

— Felizmente, seu tipo sanguíneo não é tão raro assim — o pequeno italiano cego disse, erguendo uma bola de pelos arfante. Nick puxou Charlie para si e deu-lhe um abraço, deixando que passeasse por cima dele, na cama. — Vocês, Hentz, são difíceis de matar.

— Não sou um Hentz.

— Pode não ser sanguineamente, mas você é mais Hentz que Ethan ou Lucas. Pinte os cabelos de louro de novo, Nick. E não levante da cama.

— O que foi que aconteceu nesses dias?

— Bem, Gillian teve uma visão de que você pulava do prédio e foi lá em cima com Rowan checar se era verdade. Quando eles chegaram lá, você estava na beirada, balançando o corpo para cá e para lá, e tinha os pulsos cortados. Desmaiou por perda de sangue, mas eles te pegaram antes que caísse. Quando a polícia chegou, te levaram a um hospital público, já que Ethan não estava lá e ele era seu responsável. Lá, você teve uma infecção. Depois que voltamos de Sacramento, ele te transferiu para esse hospital, onde trataram da sua infecção e da perda sanguínea. Você ficou em coma induzido.

— Por isso estou com febre.

— Sim. Você causou grandes problemas a Ethan. Algumas pessoas estão questionando a capacidade dele em cuidar dos irmãos.

— Deviam questionar a minha capacidade de permanecer vivo.

— Você está com anorexia, Nick. Não percebeu?

— Acho que sim, mas preferi ignorar isso. Afinal, eu estava emagrecendo, não estava?

— E depressão severa. Você não vai sair daqui tão cedo. Ethan está furioso. E Goldie não fala mais comigo porque o pai dele o proibiu.

Nick já esperava por aquilo. As cicatrizes em seu pulso já diziam o suficiente. E todo mundo estava triste.

— Com tantas Sombras por aí, estão preocupados com meus pulsos?

Lore revirou os olhos e suspirou pesadamente. Ele era mais parecido com Ethan do que parecia, só era mal-humorado demais e paciente de menos. Pegou Charlie nos braços e saiu do quarto carregando-o. Nick virou a cara. Havia um cesto de flores na bancada do outro lado do quarto e uma caixa fechada ao lado.

O cesto não tinha cartão, mas a caixa estava cheia de chocolates. Se Nick estivesse com alguma coisa no estômago naquele momento, a teria vomitado.

OoO

Conforme os dias passavam, Nicholas Hentz ia se habituando cada vez mais com o ambiente do hospital. Ele era tão grande que tinha um prédio inteiro apenas como área de psicologia. Lá, Nick conheceu as pessoas mais loucas e mais sábias que já vira na vida. Tinha que ir a uma psicóloga e a um psiquiatra do hospital cinco vezes por semana por uma hora, e na maior parte do tempo não dizia nada, apenas ficava brincando com os pêndulos de Newton que havia no consultório.

Porém, quando a velha psicóloga, uma inglesa de cinquenta e tantos anos de cabelos grisalhos que vestia sempre um blazer azul-perolado chamada Ellis, contou-lhe que nunca havia se casado e que sempre parecia afugentar os homens de sua vida, Nick se sentiu mais relaxado. É claro que ela o estava manipulando, mas ele se deixou levar e, quando percebeu, estava falando de sua promiscuidade e de como a única garota que ele realmente havia amado havia morrido cruelmente. Contou até sobre Charlie. Não seu cachorro, seu filho não nascido. Contou também sobre aquele ocorrido há seis anos, ciente de que ela era eticamente proibida de comentar qualquer coisa dita ali com Ethan.

Ao final, Ellis parecia ser a única pessoa de fora da família Lemnsack Hentz Barcarolli que conhecia os integrantes dessa família. E falava tão calmamente, tão baixinho, parecendo com Melchior, mas despida da malícia e crueldade naturalmente estampadas na voz dele. E os olhos dela tinham sempre o mesmo tom monótono de cinza. Não mudavam de cor conforme a luz, igual àquela abominação das trevas. No mais, ela não disse nada que Nick já não soubesse, como o fato de que ele via Ethan como uma figura paterna e materna para suplantar a falta que seus pais fizeram na infância.

Isso pareceu relaxar a mente de Nick, desabafar. Isso e as drogas pesadas que obrigavam-no a tomar. Os antidepressivos realmente ajudavam, afinal, Ethan não estava ali e ele ainda sentia vontade de sair da cama de manhã. Ele até voltou a comer e a ganhar peso, vendo-se como realmente estava horrivelmente magro. Lorenzo vinha de vez em quando e passava quase que o dia todo com ele nos fins-de-semana, mas Ethan vinha apenas como obrigação. Nick o via de relance pela janela do quarto, deixando Lorenzo no hospital.

Foi mais ou menos na metade de agosto, num dia em que Nicholas estava particularmente irritado com tudo e com todos sem motivo nenhum, que ele finalmente decidiu passear sozinho pelo sexto andar do hospital, andar em que quase ninguém ia porque não havia nada lá em cima, já que não havia tantos pacientes internados assim e grande parte do prédio estava vaga.

Saltitando pelos corredores largos e vazios, Nick cantarolava uma música qualquer, imaginando ser Owl. Tentava imitar o salto dele, mas era difícil.

Quando se aproximou de um bebedouro para ver se funcionava, viu uma figura virar a esquina do corredor, quase tendo um infarto de susto.

Ela era baixa, da altura dele, na verdade. Apesar de as raízes de seu cabelo serem pretas, este era louro e amassado, embolado em vários nós que faziam os olhos de Nick lacrimejarem. Seu rosto, apesar disso, era redondo e levemente infantil, mas apenas levemente. Os olhos estavam tomados por uma expressão inocente e curiosa e eram dourados, quase amarelos, com um leve tom castanho.

Nick pensou que ela fosse retardada mental, mas então a garota deu uma risadinha.

— Ah, perdão — ela disse. Pensou em mandá-la ao inferno, mas se conteve. — Algum problema? — Olhando um pouco melhor, ela era bastante bonita. Não chegava a parecer uma criança, parecia ter a idade de Nick.

Literalmente pulou para trás ao vê-la cutucando sua testa, caindo sentado no chão.

— Que é que você está fazendo?! — indagou gritando, irritado.

— Você estava com uma expressão idiota, pensei que estivesse tendo um AVC. — Ela deu de ombros, indiferente. Aquilo só o irritou mais.

— Eu não estou tendo um AVC! — gritou de novo, se levantando, vermelho de raiva.

— Bom, de qualquer forma, eu não ligo. Nem te conheço.

Aquilo realmente o ofendeu. Quem não o conhecia? E ela ainda parou de sorrir.

— É, você não me conhece. — Então se perguntou por que gritara isso também. Ao virar para ir embora, sentiu-a segurando seu pulso.

— Espera aí, eu não sei seu nome.

— E nem vai saber. — Desvencilhou-se agressivamente e correu dali. Realmente correu. Ao virar corredores duas vezes, Nick sentiu-se muito estúpido, depois virou uma terceira vez e se deparou com a garota de novo, no mesmo lugar. — Mas que caralhos você está fazendo aqui?!

— Acho que você deu a volta nesse andar, eu não saí do canto. — Ela riu de novo. Nick sentiu vontade de bater nela.

— Volta pro teu quarto — gritou.

— Você também deveria. Me chamo Carmenia. Pode me chamar de Carmen. Não vai me dizer seu nome? Eu te disse o meu.

— Eu não pedi por isso! — berrou, realmente irritado.

— Você não deveria gritar comigo, posso matar você aqui mesmo — Carmen disse seriamente, o rosto adquirindo um tom sombrio.

Nick sentiu-se gelar de cima a baixo. Aquela garota era assustadora.

— M-Me desculpe, eu…

— Eu estava brincando. — Então riu. De novo.

— Sua vadia — ele disse, depois gritou: — Sua vadia do caralho. Me deixa em paz.

— Ou talvez eu possa.

— Decida-se logo!

— Eu não pedi por isso — ela repetiu o que ele dissera, fazendo-o ficar mais confuso ainda.

— Isso não faz sentido nenhum, sua loura lunática.

— É Carmen. Diga seu nome.

— Já disse que não vou dizer!

— Vou te chamar de Nigel.

Nick deu alguns passos para trás, sentindo que podia explodir a qualquer momento.

— Que diabos é Nigel?

— Você. — Carmen apontou para ele. — Qual sua idade, Nigel? Onde você mora, Nigel?

— Eu não sou Nigel, sua vadia psicopata. — Então Nick correu dali de novo, fazendo questão de não repetir o mesmo caminho de anteriormente. Quando encontrou-se a sós num outro corredor vazio, permitiu-se voltar a respirar normalmente. Então se inclinou para beber água em outro bebedouro, com tanto prazer quando conseguia desfrutar de alguns minutos de paz.

Foi então que sentiu-se meio impulsionado para cima, e quando percebeu haviam-lhe dado um pontapé.

— Anda logo, sua lesma! — gritaram.

CACETE, VAI SE FODER…! — Ao olhar para trás, não pode acreditar: viu a mesma loura de momentos atrás. — Puta merda, você é bipolar?!

— Olha a boca suja, seu ruivo falso de merda.

RUIVO FALSO? JÁ OLHOU PARA O SEU CABELO?!

— Antes loura falsa do que ruivo falso, seu viadinho, agora sai da frente!

Ela o empurrou para o lado com uma força assustadora e sorveu da água calmamente, depois jogou os cabelos para trás e disse-lhe sorrindo cinicamente:

— A gente se vê, Nicholas Hentz.

Depois de ela sumir, Nick encontrou força para gritar.

MAS EU NÃO TE DISSE MEU NOME!

OoO

Acabou achando o quarto daquela loura maluca quando a viu entrando graciosamente nele. Nicholas não sabia bem o que pretendia fazer, mas sabia que deveria fazer. Aquela fora a cena mais estranha de sua vida, e não deixaria que simplesmente se desanuviasse de sua cabeça.

Quando abriu a porta daquele quarto, porém, viu duas garotas. Iguais.

— Meu deus — falou. Ambas olharam para ele. — Elas estão se multiplicando.

— Olha, é o Nigel — uma delas disse alegremente. A outra estava deitada na cama lendo uma revista. Ela enrolou a revista nas mãos e atirou nele divertidamente.

O que são vocês? — Nick balbuciou, sem saber bem como agir.

— O que, nunca viu gêmeas na vida? — a da cama disse.

— Não pode existir duas lunáticas como vocês, não pode. O que estão fazendo aqui?

— Bipolaridade e bulimia — Carmen disse.

— Problemas com controle de raiva — a outra disse. — Eu sou Victoria, a propósito. Vickie. Nos internaram a força.

— E eu nem imagino por quê. Espera. — Deu uma pausa. — Carmenia e Victoria… Goldenschild? Vocês não são filhas de Cornelius Goldenschild?

— O dono de metade do mundo — Carmen comentou sonhadoramente. Victoria lançou-lhe um olhar estranho. — As pessoas sempre dizem isso depois do nome dele. Me acostumei.

— A família de vocês deve ser a família mais rica do mundo e… o que estão fazendo aqui? Podiam ter comprado esse hospital e demitido todo mundo.

— Foi o que eu disse para fazermos — Vickie disse à irmã. Carmen balançou a cabeça.

— Não seja boba. Somos menores de idade. E Cornelius não é nosso pai, ele é… que é que ele é, hein, Vickie? Sempre me esqueço.

— Eu acho que ele é nosso primo de terceiro grau, primo do nosso avô Isaac Edmond de Rothschild e Goldenschild, que era um lorde ou algo assim, mas fomos criadas como filhas dele. Ei, você não tentou se matar? Como é a sensação?

— Melhor do que a que eu estou tendo agora — Nick respondeu sentindo a cabeça rodar. — Se me derem licença.

OoO

O mundo andava um pouco mais cinza desde que o quarto de Nick fora praticamente trancado. Sentado encostado à parede, Ethan observava a porta de madeira fechada havia quase duas semanas bem a sua frente. Tinha uma bola de silicone nas mãos a qual jogava para a direita para que Charlie corresse atrás dela e a pegasse, trazendo-a de volta para repetir o processo.

Não fora à aula àquela manhã simplesmente porque não quisera, mas Lorenzo estava lá, pronto para salvar o nome da família.

Devia ter ficado parado ali mais tempo do que percebeu, pois Lore subiu as escadas cansadamente, jogando a mochila no chão.

— Que está fazendo aqui, deprimido desse jeito? — ele indagou, com as bochechas vermelhas. Ethan queria saber se era pelo calor ou por qualquer outra coisa.

— Tentando ficar um pouco menos deprimido antes que eu me jogue do telhado. Como foi a escola?

— Não sei. — Ele se sentou no chão também e ficou em silêncio, os olhos cinza vagando pelo espaço. — Você não fez o ensino fundamental na Alphonse Enoi, fez?

— Não, fiz numa escola católica em Castellobranco chamada… Colégio Saint Emanuelle. Sinto saudades de lá. Por quê?

— O que você vai fazer quando terminar?

— Bem… o normal é você fazer o MECA. Avaliação do Ensino Médio Californiano, é o teste que você precisa fazer para entrar na faculdade, quase todo mundo que termina o médio o faz, pois quase todas as faculdades e universidades do país o usam para chamar novos alunos.

— Estava pensando se era possível você fazer o MECA sem cursar o Ensino Médio.

— Bem, você pode fazer o ACEM, Avaliação de Complemento do Ensino Médio. Se você tem uma nota suficiente, ganha o diploma de ensino médio mesmo que nunca o tenha cursado. Mas é muito difícil que alguém consiga passar sem ter cursado pelo menos dois anos. Melchior já fez esse teste três vezes e passou em duas, mas continuou no ensino médio simplesmente porque quis. Ele é um idiota, ham.

— Você já fez sexo?

Charlie voltou correndo ao corredor e cuspiu a bola completamente babada ao lado de Ethan, esperando que ele a lançasse de novo. Como demorasse muito, latiu. Lorenzo pegou a bola e a jogou, franzindo as sobrancelhas.

— O quê? — Ethan indagou, sem saber se ouvira direito.

— Perguntei se você já fez sexo antes.

— Você está no quarto ano, não é…? Oh, sim. — Eu esperava que esse dia nunca chegasse. Quer dizer, todos os meninos aprendem isso sozinhos. — Aulas sobre sexualidade.

— Sim. Minha professora falou sobre isso hoje, mas eu não entendi direito… porque, bem, eu não podia ver as imagens. Então, como é que se faz sexo?

Charlie voltou de novo, com a bola. Lorenzo devia saber que Ethan não a jogaria de novo, então se encarregou de fazê-lo.

— P-Por quê?

— Porque eu queria fazer com o Gol…

— Não faço ideia. Quando o Nick voltar, você pergunta a ele. E já é uma hora da tarde, que tal almoçarmos fora?

— Tá, tudo bem. — Ele pareceu triste. — O pai do Goldie não o deixa mais falar comigo de qualquer jeito.

Ethan se arrastou para o lado do menor e deu-lhe um beijo na testa, fitando profundamente seus olhos.

— Não se preocupe. Ele vai deixar. — E, de alguma forma, prometer aquilo a Lorenzo fê-lo acreditar que era verdade. — Eu juro… que ele vai deixar.

OoO

Levou quase um mês para Rowan Pyatt descobrir o que significava uma chuva sem nuvens. No banheiro de seu quarto, enquanto deixava algumas gotas d’água caírem na parte de trás do cartão que o velho senhor cego lhe dera, vira um número telefônico surgir maravilhosamente sobre o papel molhado. Uma marca d’água, como pudera não perceber?

— A resposta está a uma chuva sem nuvens de distância — sussurrou para si mesmo, telefonando para o número e esperando até que uma voz feminina do outro lado da linha atendeu.

Sim? — Foi só aí que Rowan percebeu que não fazia ideia do que dizer. O senhor sequer lhe falara seu nome.

— Ahn… — balbuciou. — Meu nome é Rowan Pyatt e…

Sim, só um segundo. — A linha ficou silenciosa por alguns instantes antes de outra voz falar, dessa vez masculina. — Que tal nos falarmos na livraria da sua mãe? Neste sábado, dia dezessete de agosto? Às três da tarde?

Por algum motivo, sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Estarei lá — disse, e desligou. O arrepio se fora, mas ainda estava com a sensação de estar sendo observado. — E assim ele permanece até hoje, trocando de nome de acordo com as eras — sussurrou para ninguém.

No sábado, a livraria estava vazia. Poucas pessoas visitavam-na àqueles dias, tanto que a mãe de Rowan só abrira a loja por insistência sua. O exemplar de Contos de Insônia estava debaixo do balcão, chamando Rowan para suas páginas artificialmente amareladas. Não sabia por que tinha medo de manusear aquele livro, eram apenas contos-de-fadas.

Quando ouviu a porta se abrir, Rowan Pyatt sentiu um arrepio por todo o corpo. O ar pareceu ficar mais quente e depois mais frio quando o velho senhor cego entrou na livraria de terno e bengala, fazendo soar o sino.

— Rowan — ele disse, mesmo que Rowan não tivesse-lhe dito seu nome. — Podemos nos sentar?

— Sim, claro. — Saiu de trás do balcão e sentou-se com ele na mesa, servindo-lhe uma xícara de café. — Está servido?

— Oh, muito obrigado. Com tantas sombras por aí, minha garganta tem ficado seca mais frequentemente. — Observou-o ansiosamente dar um longo e demorado gole na xícara antes de depositá-la no pires.

— Qual seu nome? — Rowan indagou.

— Eadwine — ele falou.

— E como sabe o meu?

— Sei muito sobre você, Rowan Pyatt. Encontrou o que procurava naquele livro?

— Acho que sim. É Jhahantar, não é? O Mal do qual o livro fala, é ele, não é?

— Talvez. É só um conto-de-fadas, afinal. Rowan, eu sou parte de uma organização antiguíssima voltada para o bem chamada Chaulwen, formada por pessoas com poderes extrassensoriais.

— Quer dizer que o senhor também… pode fazer coisas que os outros não podem?

— Muitos da Chaulwen podem, assim como grande parte pode ver as Sombras. Algumas podem apenas senti-las, como você, outras podem ver suas impressões, como eu ou… Lorenzo Barcarolli. E outras pessoas… conseguem capturar sua verdadeira essência. Como sua irmã Gillian. Ela é muito poderosa, Rowan, e você também é uma pessoa mais poderosa do que pensa. Apenas é muito novo para compreender suas verdadeiras habilidades.

— Mas… eu as adquiri numa experiência de pós-morte. Não nasci com elas.

— Nasceu — Eadwine disse firmemente. — Mas elas estavam adormecidas. Sua experiência apenas as acordou. Isso não é tão anormal quanto parece. Muitas pessoas têm habilidades como essas e não percebem nunca. Algumas por puro ceticismo. Outras porque têm medo. Você não tem. É uma das pessoas mais corajosas que já conheci. Você desceu ao Porão de Bathory e resistiu à criança mendiga.

De novo, aquele arrepio.

— Então sabe sobre eles?

— Sei. E sei tanto hoje quando sabia há cerca de cinquenta anos. Em 1962, Jhahantar acordou de um longo sono. Naquela época, ele estava localizado no noroeste do Irã, e esse ano coincidiu com um terremoto que matou mais de doze mil pessoas. No ano seguinte, pouco antes de adormecer novamente, transportou-se para Cuba, onde um furacão causou a morte de seis mil pessoas. No mesmo ano, veio para Middleland e adormeceu. Bathory já existia àquela época, assim como existia em épocas passadas. Nós acreditamos que ela nasceu no final do século II em algum ponto remoto da Grécia. É descrita em vários documentos antigos que temos, manuscritos de membros da Ordem. Sempre descrevem-na da mesma forma: uma mulher alta e esguia, branca e de longos cabelos negros com olhos mais escuros que a noite. Mas se entregou ao Mal escondido na terra e preferiu a vida eterna. Jhahantar destruiu a alma daquela criatura e a rejuvenesceu, escravizando-a para sempre.

— Os rituais duraram um ano — Rowan completou. — Ele dormiu de novo em 1963 e acordou após cinquenta anos, em 2013. Está no fundo da loja de Bathory, é para lá que aquele buraco na lareira vai.

— Exato.

— Há quanto tempo ele existe? Isto é, o que é ele?

— Pelo que sabemos… desde sempre. Mas não sabemos o que exatamente ele é, Rowan. Alguns acreditam que são as Sombras encarnadas, outros dizem que ele é o criador das Sombras do mundo, sempre causando destruição por onde passa.

— Quer dizer que não há como pará-lo?

— Não. — Por algum motivo, Rowan sentiu-se triste. — Mas há como adormecê-lo para que só tenhamos que nos preocupar com isso de novo em cinquenta anos. Não faça grandes planos, Rowan. Jhahantar é uma força maligna mais forte do que qualquer humano possa pensar.

Rowan ficou olhando para seus olhos cegos e brilhantes que pareciam notar absolutamente cada detalhe ao seu redor.

— Você foi uma das crianças usadas nos últimos rituais de Middleland, em 1963, antes de ele dormir de novo — adivinhou. — Há cinquenta anos.

— Infelizmente. — Eadwine crispou os lábios. — Ainda existem seguidores dele hoje em dia e algumas pessoas… não sabem sequer o que estão fazendo.

Foi aí que se lembrou de uma coisa.

— Aquele símbolo — disse. — O símbolo do livro é o mesmo símbolo talhado no chão do Porão de Bathory. Aquele que se parecem com tentáculos. O que é?

— É uma ilustração de Jhahantar, é o símbolo que Bathory usa desde sempre, é o símbolo da Comitiva.

— Da Comitiva?

— A Comitiva de pessoas que prenderam-no à terra, no início dos tempos. Cada tentáculo representa uma das pessoas. Eram sete, Anala, Althea, Atheneus, Artemus, Xanthus, Ahern e Carlin. Um a um, cada um dos primeiros sete foram perecendo com o tempo, e suas família sendo dizimadas aos poucos pelos seguidores de Jhahantar. Foi então que a Chaulwen foi formada, e sua primeira tarefa era preservar os descendentes do último remanescente da Comitiva: Atheneus. Rowan, absolutamente todas as pessoas com poderes extrassensoriais hoje em dia tem algum resquício de parentesco com Atheneus.

Aquilo realmente o arrepiou. Pensou em Oliver Castanelli, Lorenzo Barcarolli e Luca Granelli, pensou em Gillian, pensou nos Pyatt.

— Está dizendo que… Lorenzo e Oliver Castanelli são descendentes distantes de Atheneus? — Rowan teve uma sensação esquisita de que ele saberia quem era Oliver.

— Precisamente.

— Você pode fazer quase a mesma coisa que eu.

— Posso sim, mas em um nível muito mais avançado… como vê, você não ficou tonto quando eu o toquei, e consigo mascarar as Sombras a minha volta com perfeição, tanto que sua irmã Gillian jamais as notou.

— Então… nós somos descendentes de Atheneus também? Assim como os Pyatt?

— Longinquamente… Eu jamais me atreveria a dizer que sou descendente dele na sua frente.

— Mas… por quê?

— Você nunca se perguntou qual é sua família biológica, Rowan Pyatt? — Eadwine se aproximou, debruçando-se sobre a mesa. — Eu digo, porque eu toquei em você e puxei suas memórias, absolutamente todas elas, desde a do dia em que você nasceu, e eu vi. Eu vi um bebê chorando dentro de um carro derrapado com mais duas pessoas dentro, mortas. Então vi pessoas levando esse bebê e entregando-o às portas da casa de parentes distantes por centenas de gerações. — Sua voz não era mais que um sussurro, e quando falou, Rowan constatou, perplexo, uma profunda admiração e obediência. — Porque há cerca de treze anos, havia apenas dois descendentes diretos vivos de Atheneus, uma delas morreu num acidente de carro junto a seu marido. Mas o outro sobreviveu. Rowan Pyatt, você foi nascido com o nome de Orion Grady Atheneus, e você é o último descendente direto vivo de Murrough Atheneus.

Notas finais
Esse capítulo também está pequeno porque na verdade ele e o anterior eram um só, mas eu dividi porque se não não conseguirei fazer onze capítulos para essa temporada.

Btw, que acharam do misterioso sonho de Nick, das gêmeas Goldenschild e do Rowan? :D