Notas iniciais
Sabe, eu queria muuuito terminar a última cena ainda nesse capítulo, mas aí passaria das 5 mil palavras kk então, fica para o próximo kk não me matem! kkkkk

Vigésima Quinta Dica: Nunca baixe a guarda.

Para finalizar o dia, eu tive a noite maaaaais longa de toda minha vida! Tudo bem, isso é um drama meu, mas essa porcaria de noite foi enorme e acabou com todas as minhas forças! Logo após toda a confusão e execução da peça, eu baixei minha guarda, fui descuidada e quase trucidada!

Não vou nem mesmo me prolongar na descrição da dica... São coisas que estão engasgadas na minha garganta para por pra fora.

.

Logo após o término da peça – após todos os aplausos, todas as comemorações e todo o choro desmedido para uma peça feita em três dias – eu e as outras meninas corremos para as barracas. Tomamos banho como se voássemos e voltamos correndo para a Grande Casa para o jantar.

O Sr. Turner passou umas fotos da produção da peça (a maioria incluía eu e Jeon pulando de um lado para o outro). Todos riram e foi uma diversão muito grande para aqueles que não participaram da peça e não tiveram suas reputações terrivelmente humilhadas.

E a minha noite só estava começando...

– Lucy! – Matt berrou na minha direção. Eu estava na fila para pegar meu jantar quando ele deu o primeiro tiro de desastre da noite – Vem!

Fui arrastada com força para longe da fila. Sério, as pessoas do acampamento não queriam me ver comer NUNCA! Sempre acontecia algo na fila da comida.

Enfim. Fui arrastada até o lado de fora da Grande Casa, que estava vazio, já que todos estávamos comendo (e eu não estava). Entretanto, eu consegui ver uma luz estranha se lançando de um lado para o outro no meio das árvores que nos rodeavam.

– Não tem nenhum alienígena querendo me abduzir não, né? – falei para Matt enquanto ele andava na direção das luzes.

– Eles estão indo pregar uma peça na Esther. Era isso que eu queria te mostrar! – ele disse, voltando a me puxar. – Eu vou ser o herói da história, você precisa ver a cena!

Arqueei as sobrancelhas e o segui com calma. Não entendi muito bem a situação até chegarmos no palco da peça, agora escuro e vazio. As luzes eram lanternas de um amontoado de cinco ou seis pessoas (que incluia Louise Morgan) que entrava às escondidas nos bastidores do palco.

Matt segurou meu pulso e me levou rapidamente na direção deles. Quando chegamos aos fundos da instalação, seguimos os passos apressados até que paramos, escondidos dos outros que entravam no palco.

Demorei a perceber que Esther estava ali no meio da roda, mas não tinha uma expressão facial muito boa. Um rapaz carregava sua roupa da peça, enquanto os outros gritavam várias coisas.

– Gosta de ridicularizar todos? Vamos, rainha das plantas! – um rapaz de óculos grandes berrava, jogando a fantasia em Esther, que estava calada com seu rosto franzido e orgulhoso. – Estou falando com você, megera.

– Sem coragem agora porque está encurralada, não é, Esther?! – Louise rosnou.

Fiquei confusa por Louise estar ali no meio. Não demorou muito para ver que era a “vingança dos nerds” bem na minha frente com muitas das pessoas que Esther atormentava e tirava sarro da cara. Era uma cena realmente triste e agoniante!

Sei que a Esther não estava no meu top 10 pessoas favoritas do acampamento, mas aquilo era ruim! Eu era a principal da história, não podia deixar que houvesse bullying, ainda que fosse com a Esther!

Então, algo aconteceu... Matt se meteu no meio da briga, entrando no círculo com berros sérios e roucos:

– Querem mexer com ela?! Venham antes em mim!

Os nerds melequentos que rodeavam Esther se acuaram em seus ombros, quase correndo com o rabo entre as pernas para longe. Um deles até deixou cair a fantasia de árvore.

Louise, entretanto, manteve-se firma e falou:

– O cão de guarda da cachorra chegou. Vai aproveitar e levá-la nos braços para a barraca?

Matt ficou entre as duas. Louise tinha uma cara incrédula, enquanto Esther crescia o peito de confiança por ele estar ali.

– Vai embora, Louise. – ele rosnou, apertando os olhos.

Ela deu entre ombros e foi embora com a outra rodinha de pessoas, passando por mim sem me ver.

– Gatinho, você deu um show mesmo. – Esther falou, esbarrando nele com o ombro e andando para fora do palco também – Talvez eu até te perdoe por ter preferido ficar do lado da nojentinha.

O queixo dele caiu.

– Poxa, minha linda! Ainda não me perdoou? – Matt choramingou, vendo que ela negava com a cabeça. Tive vontade de rir do pobre coitado – O que eu posso fazer?

Eu não me aguentei, aquela era minha chance de infernizar um pouquinho. Saí das escondidas e me recostei na parede bem a frente de Esther.

– Você é tão meiga, Esther. Não aguento tamanha fofura em uma pessoa só. – eu disse, recebendo um muxoxo de resmungo como resposta dela.

– Sai da minha frente, galinha depenada.

– Ta vendo! Essas suas declarações gentis me lembrar o motivo de eu não ter pena de você quando te atormentam. – respondi com um sorriso nos lábios. Matt, pouco mais longe, estava desconcertado, rindo sem som. – Ainda não entendi o que o Matt viu em você.

Ela levantou uma sobrancelha e se virou para ele, chamando:

– Vamos, gatinho. Está na hora de irmos conversar um pouco sobre nosso futuro.

Com aquela afirmação, Esther passou por mim, saindo de cima do palco com seu jeito metido de modelo rica. Já o “coitado” do delinquente iludido sorriu e caminhou até mim, pegando a fantasia caída no chão e me entregando.

– Cara, eu vou te beijar de agradecimento. – ele disse, colocando a fantasia nas minhas mãos.

– E perder sua chance com a rainha do ridículo? Não se preocupe em agradecer.

Ele parou um instante me olhando com seus olhos verdes e cílios gigantes de boneca. Não sei quanto tempo passou, mas ele estava sorrindo que nem um idiota até ter um estalo e correr para reconquistar a nojentinha da Esther Devosso.

Fiquei imaginando que a devoção que ele tinha pela Esther variava da paixão dele pela Charlotte. Tecnicamente falando, fisicamente elas eram muito parecidas! O que seria justificado, pois ele ficou com muita raiva dela quando teve o incidente do encontro.

Suspirei e fui até debaixo do palco para guardar a fantasia com calma. O galpão que eles guardavam todas as roupas da peça, ficava exatamente embaixo do chão do palco, sendo iluminado basicamente por umas frestas dos holofotes de cima.

A iluminação era tão ruim que me fez chutar um balde cheio de pregos!

– PUT-

Foi quando comecei a escutar passos e mais passos em cima do palco, juntamente com um berro grosso de voz masculina.

– ... Parar de andar?!

Fiquei assustada de primeira, logicamente. Então corri para a fresta que dava para o palco e me surpreendi com a cena que vi: Jonathan e Jenna estavam se encarando com expressões nada amigáveis.

– Eu não tenho o que falar. – Jenna resmungou friamente, cruzando os braços cheios de anéis e pulseiras.

– É, você já falou tudo pela peça... Vamos lá, Jenna! Eu já te vi falar de Shakespeare umas mil vezes, tinha algo de diferente agora. – ele falou menos grosseiro, acoando-se entre os ombros e enfiando as mãos no bolso da calça. – Diz que havia algo de diferente dessa vez...

De primeira, aquilo parecia uma discussão de ex namorados! Jonathan e Jenna?! Não mesmo! Nem nos confins da Terra!

– Isso se chama atuar, Jonathan.

Ouch... Aquela doeu em mim...

– Me chama de Jay (J). Você me chamava assim até terminar comigo... – Jonathan falou e meu queixo caiu! Eles eram realmente ex namorados! – Você me chamava assim. Parou no terceiro término, não foi?

Então, ela riu. JENNA SUMMERS riu bobamente como uma garota meiga e dócil!

– Eu chamei até terminarmos pela segunda vez. Nunca começamos uma terceira.

Ela começou a andar e saiu do meu campo de visão. Jonathan foi atrás, quase trotando em cima do palco. Tive que me esticar e contorcer muito para conseguir vê-los novamente pelas frestas.

– Como eu ia saber? Nós sempre mantivemos segredo. Você nunca quis nem mesmo sair comigo! – ele resmungava e tentava se aproximar dela – Foi difícil te esquecer depois de tudo que passamos.

– Eu imagino como foi difícil levar a Chelsea Parker para trás da arquibancada no homecoming. Ou como foi difícil ir ao baile como acompanhante da “abelha rainha” do colégio... Até beijar a Anna Pierce na cabana do pescador durante o teste de coragem do ano passado foi difícil, não foi?

Ele balançou os braços, falando mais alto:

– Jenna! Você terminou comigo! Você que começou isso de ir atrás de outras pessoas quando aceitou ir ao baile com o Nick Lovis. Aquele cara não prestava, ele pega todo mundo, esbanja riqueza e é idiota. Ele queria te passar a perna, eu tenho certeza! Nunca ele sairia com alguém que gosta de Shakespeare como você.

Jenna baixou as sobrancelhas e murmurou:

Você gosta de Shakespeare. E você pega todo mundo, esbanja riqueza e é idiota. Por que você quer voltar comigo?

– Eu gosto é de você. Eu sou louco por você... – Jonathan falou e me lembrou Romeu com todo seu cavalheirismo – Eu quero te assumir, quero parar de namorar escondido. O nosso problema é que eu estou disposto a tudo, e você a nada.

Um instante de silêncio aconteceu e eu estremeci. A cena parecia de novela mexicana, e eu estava louca para entender mais! Afinal, o Jonathan era um idiota pegador ou a Jenna era a megera que acabou com o coração do apaixonado?!

– Eu odeio nós dois... – ela murmurou cabisbaixa, o que me deu a maior dó no coração. – Acho que não estamos prontos para voltar.

Jonathan aproximou-se ainda mais e sorriu como um herói triunfante sobre a dor da donzela.

– O que você odeia é que eu te conheço mais que todo mundo. O que você odeia é que eu sou o único que vê atrás do seu desdém. O que você odeia é que nós vamos nos casar um dia. O que você odeia é que sabe que vamos morar na antiga casa do seu avô em Rhode Island. O que você odeia é o nome ridículo que eu vou dar aos nossos cinco filhos. O que você odeia é que seu pai me ama. O que você odeia é que arrasaaamos de Romeu e Julieta. O que você odeia é que o Nick tinha pau pequeno.

Ela sorriu e jogou o olhar para o lado, achando graça das suposições dele.

– Eu odeio você. – Jenna disse, rindo ainda.

– Odeia nada. Odeia tanto quanto a Lucy e o Matt se odeiam!

No mesmo instante, eu fechei o cenho, e Jenna também.

– Eu não vou esquecer que você deu em cima dela também na noite do encontro.

Então, Jenna começou a andar de volta para cima da janelinha. Eu tinha que sair dali, senão seria vista.

– Mulher! Esse teu ciúme ainda me mata! – Jonathan gargalhou, mesmo sabendo que era verdade que dava em cima de todas.

Foi aí que um desastre ocorreu... Quando fui sair debaixo da janelinha, bati a perna no MESMO balde de pregos e derrubei todos em uma onda de sons que ecoou até o Japão.

– Puta merda! – baixei a guarda, gritei de dor e me calei de imediato!

Um silêncio alarmante se fez, e eu me desesperei quando Jonathan berrou de cima do palco:

– Quem está aí?!

Meu joelho latejava, mas eu não poderia ficar ali e ser tachada de bisbilhoteira. Tudo bem que eu estava mesmo bisbilhotando, assim como toda heroína de comédia romântica americana... Enfim.

Corri com toda minha força concentrada nas pernas para fora do porão improvisado, enquanto escutava os passos pesados de Jonathan sobre o chão do palco. Com certeza, ele estava correndo para me interceptar! Pulei por cima de alguns adereços e me bati na porta por não conseguir frear a tempo. Quando movi a maçaneta, saltei pelas escadas como louca, correndo para fora do palco improvisado de madeira e perdendo totalmente a localização de Jonathan.

Só percebi que estava longe o suficiente quando me encontrei dentro de uma enorme quantidade de árvores e BUM! Escorreguei em um banco de areia e rolei pela grama por uns quatro metros ou mais!

Eu estava suja, cheia de grama no cabelo e de frente para uma escuridão que assustaria Bette Larsen com facilidade. Poderia até me levantar normalmente e voltar a andar na direção do acampamento, certo? Mas não... Eu escutei algo que me chamou a atenção:

– Você quer mesmo me assustar antes do teste de coragem, Jeff?

Rapidamente, voei na direção da árvore na minha frente e me escondi, colocando apenas o rosto para fora, afim de ver o que estava acontecendo. O que eu me arrependo agora, já que vi Charlotte e Jeffrey se aproximando com lentidão.

“Ah, não! Mais um casal para bisbilhotar! Vou embora!”... Eu deveria ter pensado isso. Mas nãããão! Fiquei lá como uma idiota.

– Eu não seria capaz de fazer isso com você. – Jeffrey murmurou, andando um pouco mais na frente de Charlotte, que se encolhia de frio – Eu só queria ficar sozinho com você um instante. Temos coisas importantes para conversar, e as pessoas costumam nos interromper.

– É sobre a noite de anfitriões? Ano passado quase repetimos a mesma coisa, não foi?

Ele riu e falou, parando de andar:

– É verdade. Eu tive que mudar as coisas de última hora. A Bette ficou uma fera por não poder dançar com as fitas.

– Me desculpa, Jeff, mas a Bette ia acabar se amarrando inteira com aquelas fitas. – Charlotte disse, parando de frente para ele. Os dois riam e apertavam meu pâncreas de tanta fofura. – É sobre a noite de anfitriões que você quer falar?

Jeffrey baixou a cabeça e a olhou diretamente nos olhos em seguida, dando um passo em sua direção e ficando muuuuito próximo dela.

– Não, minha querida Charlotte. Quero falar sobre nós dois. – ele falou e sua voz soou como dentes de leão no vento. Foi suave e doce.

Ela, entretanto, lenta como eu comprovei que era, apenas piscou os olhos e disse com simplicidade:

– Temos que decidir quem vai nos suceder na próxima temporada de acampamento, você tem razão.

Eu quis bater na minha amiga Charlotte com força e berrar para ela que o Jeff era um príncipe gamadão. De tão gamado que ele estava, Jeffrey só foi capaz de rir daquela afirmação lerda.

– Por causa dessas suas afirmações idiotas que eu nunca tive coragem de fazer o que estou fazendo. – Jeffrey disse e segurou a mão branca de Charlotte com carinho. Sinceramente, se ela não tivesse entendido àquela altura, eu seria obrigada a matá-la! – Charlotte, depois de todo esse tempo... Você é realmente muito lenta.

– Obrigada pela parte que me toca. – ela murmurou, desfazendo o sorriso e abrindo a boca numa expressão mais surpresa.

– Eu é que quero te tocar! – ele quase berrou, assustando a ela e a mim (que estava, mais uma vez, bisbilhotando). Os olhos de Jeffrey eram calmos e devotos, totalmente entregues ao que ele estava para falar para Charlotte. Eu estava assistindo a um filme de romance real ali na frente – Eu quero que minhas palavras te toquem e que você se deixe ser tocada. Depois de todo esse tempo, eu estou deixando o acampamento, mas não posso te deixar para um eventual futuro... Você é aquela que a todo momento me encantou.

Houve um momento em silêncio em que eles ficaram se olhando boquiabertos. Eu não deveria estar ali. Eu deveria ter fugido.

– Chega... – falei para mim mesma, olhando para os lados à procura de uma maneira de fugir.

Entretanto, meus pensamentos foram interrompidos pelas confissões de Jeff:

– Charlotte, minha querida Charlotte... Eu estou te pedindo para ser minha. Sei que pode ser pedir muito, e que talvez você nunca tenha cogitado estar comigo, mas eu preciso de você, do seu sorriso apenas para mim e dos seus olhos... E que maravilhosos olhos você tem... Apenas para mim.

– Jeffrey, eu não sei o que dizer. – Charlotte falou devagar sem retirar os olhos azuis exagerados dos dele – Preciso entender o que você sente por mim e pens-

– Eu não gosto de você, Charlotte. Eu amo você. E minhas palavras deixam o sentimento menor do que ele realmente é, então apenas pense no que você sente por mim e não tente entender pelas minhas palavras.

Naquele instante, Charlotte Devosso sorriu como a princesa que Jeffrey merecia. Ele também sorriu, dando-lhe um beijo na bochecha e em seguida na sua mão. Sinceramente, eu achei que ele fosse beijá-la e que os dois se casariam ali mesmo, mas nem tudo é como imaginamos...

E eu baixei a guarda novamente...

Quis aproveitar aquele momento para sair dali, mas bastou eu me levantar para sentir um formigueiro se erguer na minha perna com centenas de milhares de formigas subindo pelo meu pé!

– PUTA QUE – eu berrei e me dei conta!

Corri para o meio das moitas o mais rápido que consegui, o que resultou em arranhões dos galhos em toda minha perna, enquanto pulava da maneira que conseguia para tirar as formigas da minha perna. Aquilo doeu demais! E eu não tenho ideia se Jeffrey e Charlotte me viram.

Quando cheguei à frente da Grande Casa, consegui parar e respirar como gente, recuperando o fôlego e a cor do rosto, eu tinha certeza que estava pálida... E Matt apareceu na minha frente, querendo me assustar e confirmando meu pressentimento:

– O teste de coragem nem chegou, e você já está pálida, gnoma?

– É que eu... Vi... Ar, preciso de ar... Humpf... Socorro...

– Se acalma, criatura pequena. – Matt falou e riu, acompanhando-me sem convite até um banco grosseiro de madeira – Vai dizer porque tava morrendo?

Comecei a tossir e a falar sem pensar:

– Eu tava andando e BUMP! Caí de um morro de areia em cima de uma bigorna, quase desmaiei quando dei de cara com o Jeffrey e a Charlotte escondidos, então fugi.

Ele pestanejou e bateu a palma da mão na cabeça, rindo.

– Não acredito que ele finalmente teve coragem!

– Espera, você sabe? – indaguei, enquanto ele assentia com a cabeça – Então, eu sou realmente a últimaa perceber?

– Depois de ver tudo que você escreveu sobre o Jeffrey, eu não tive coragem de te falar. “Mea culpa”.

– Não era algo seu para falar. – murmurei grosseiramente, mas ele não se alterou, continuou com ma expressão de idiota que vê graça em tudo. – Fora que, eu não era apaixonada pelo Jeffrey nem nada. Talvez tivesse uma pequena queda, afinal ele me salvou de uma avestruz maluca, mas não era paixão nem nada.

– É verdade, você está apaixonada por mim.

Arqueei a sobrancelha e retorci a boca involuntariamente. Eu quis vomitar meu pulmão fora com o aperto que tive.

– Que nojo da sua imaginação. – rosnei, e ele fechou o cenho.

– Não entendo. Você me hostiliza o tempo inteiro com as palavras, mas ta aí ficando vermelha com o coração pulando para fora! – Matt bufou, levantando-se do banco em que estávamos sentados. Eu definitivamente NÃO estava vermelha! Talvez um pouco corada, mas não VERMELHA! E eu não tinha o coração pulando para fora, era meu pulmão! Não entendi o motivo de ele ter ficado com tanta raiva na hora. – Quer saber? Esquece... Não tenho paciência para essas coisas.

Enquanto ele saía com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, eu enchi as bochechas de ar, confusa e transtornada com aquele surto maluco de psicopata dele.

Levantei-me e andei até as barracas femininas. Começaram a dar o toque de recolher, então eu realmente fui obrigada a dar passos apressados e tomar banho. O que já foi difícil, minhas pernas tinham esfriado e eu estava cansada de tanto correr para longe de Charlotte e Jeffrey. O banho foi como se eu me revigorasse!

Entretanto, minha cabeça não saía da cena que o dramático do Matt fez. Tecnicamente falando, eu não fiz nada para que ele ficasse louco daquele jeito... Além de sempre chamá-lo de nomes, de fazer uma coletânea de xingamentos para ele no meu caderno PESSOAL (que ele leu sem minha permissão) e etc.

Meus pensamentos então foram interrompidos por ninguém menos do que a magnífica Charlotte cantando na barraca... Ou eu deveria dizer... Gralhando como um corvo desafinado...

Thiiiiis thing called love, I just can’t handle it. OOOH THIS THING CALLED LOVE! I must get round to it... I AIN’T READY! CRAZY LITTLE THING CALLED LOVE!

– Quer matar quem com essa voz maaaravilhosa, Charlotte? – falei, dando uma risadinha temerosa. Eu não fazia ideia se ela havia me visto (além de ela não ser muuuito indicada para cantar Crazy little thing called love do Queen).

Eu estava vestindo meu pijama ridículo de porquinhos quando ela se aproximo, brilhando os olhos e o sorriso feito uma princesa Disney apaixonada. A cena foi simplesmente boba, o que me fez sorrir também.

– Lucy! Ah, Lucy! Eu não sei por onde começar... – ela falou e saltou, deitando-se na própria cama. – Acho que minha lerdeza é digna de ir para o livro dos recordes.

Revirei os olhos.

– Talvez. Por que diz isso?

– Porque um cara maravilhoso que eu to afim já tem tempos finalmente me deu bola! – Charlotte berrou, sacudindo os braços para cima.

Deu pra entender o motivo de eu ter ficado irada com a Charlotte? Ela disse que era louca pelo Jeff há tempos e não fez absolutamente naada quando ele se declarou. Tudo bem que eu estava agoniada com o romance alheio que não tem absolutamente nada a ver comigo, juro que eu entendo, mas algo em mim se revoltava por não ver um romance bonito como o da peça de Romeu e Julieta.

Aí eu percebi que tinha sido flechada pelo espírito da peça. Novamente, eu baixei minha guarda.

– E quem é o rapaz de sorte? – eu murmurei devagar.

No momento, ela não respondeu. Bette Larsen entrou (a cunhadinha querida de Charlotte), juntamente com Anna Pierce e Louise.

– Depois eu te falo melhor, Lucy. Estou com a impressão de que ele vai vir até mim ainda essa noite para...

Foi quando escutamos o barulho de uma pedra se chocar com a janela de nossa barraca. De imediato, imaginei que fosse Jeffrey dando uma de príncipe para detonar pâncreas.

Subitamente, Jenna entrou na barraca com calma, clamando:

– Tem um cara lá fora chamando. – ela disse, apontando para Charlotte e para mim.

Os olhos de Charlotte saltou da cama e pegou seu casaco, correndo para fora de pijamas curtos e meiguinhos. Por um instante, eu me acalmei juntamente às outras. Todas deitamos e apagamos a luz da barraca, já havia passado da hora de dormir, quando em cinco minutos Charlotte escancarou a porta.

– Não é para mim. – ela anunciou, entrando novamente na barraca – Estão te chamando lá fora, Lucy.

Charlotte não falou que era, mas em alguma parte bem funda e obscura do meu ser, eu sabia exatamente quem era. Coloquei uma camisa quente por cima da minha blusa de porquinhos e saí. Estava uma noite de frio.

– Matt, o que está fazendo aqui? – falei.

Ele estava encostado na parede externa da barraca com os braços cruzados, assobiando antes de me ver. Quando me escutou, sorriu e me deu um calafrio... Matt sorrindo significava sempre algo ruim.

– Podemos ir para outro lugar? – ele murmurou, passando o olhar estreito no ambiente. – Se a Valentina me pega aqui, estou ferrado.

Retorci a boca.

– O que você quer comigo?

Lógico que passou pela minha cabeça que ele iria me agarrar ou me fazer algo de ruim! Com certeza passou que ele iria me xingar de várias coisas e me dizer que me odiava! Mas ele nada respondeu, só me mostrou um saquinho de gelatinas de ursinho, o que me comprou com facilidade. Comecei a caminhar.

Notas finais
Gelatinas de ursinho são só amor hahahaha. Espero que tenham gostado :*