Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds

24 Dica 24 - Nunca houve história mais triste que a de Romeu e Julieta


Notas iniciais
Miiiiiiiiiiil desculpas! Miiiiiiiilhões de descuuuuulpas! Eu fiquei um tempo sem computador, então não consegui parar para postar o capítulo kk. Então aí vai! Mais tarde respondo os reviews tooooodos hahahaha. Mil perdões mesmo, meus queridos lindos e amados mimimimi.

Vigésima Quarta Dica: Nunca houve história mais trisque que a de Romeu e Julieta.

Romeu e Julieta deveria ser banida do universo das peças realizadas por jovens! Veja bem, no original Julieta tem 13 anos e não apenas se casa, mas está envolvida num triângulo amoroso louco! E ela se apaixona pelo cara que mata o próprio primo dela... Velho, a Jenna foi a única pessoa capaz de me fazer realmente gostar da Julieta!

Enfim, a dica de agora era para ser “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”, que veio de um texto de Shakespeare da peça “Muito barulho por nada”. Entretanto, eu fiz minha própria alteração... Estamos falando de uma história triste e tosca que nunca decaiu no passar dos anos! Entretanto, estamos também falando de árvores e atores estranhos que deixaram um ar de comédia!

Nunca houve história mais triste que a de Romeu e Julieta, os dramáticos!

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Duas casas, iguais em dignidade — na formosa Verona vos dirão — reativaram antiga inimizade, manchando mãos fraternas sangue irmão. Do fatal seio desses dois rivais, um par nasceu de amantes desditosos, que em sua sepultura o ódio dos pais depuseram, na morte venturosos. Os lances desse amor fadado à morte e a obstinação dos pais sempre exaltados que teve fim naquela triste sorte em duas horas vereis representados. Se emprestardes a tudo ouvido atento, supriremos as faltas a contento.

Eu não senti frio na barriga nem nada, mas um verdadeiro ódio da situação. Eu e Esther éramos as primeiras a entrar em cena. E conosco entrando, uma enxurrada de risos e gargalhadas.

– Eu vou te matar por me fazer estar aqui. – Esther murmurou, sacudindo o galho do seu braço em mim.

– Quem vai te matar sou eu, cascavel. – eu resmunguei baixo também.

Dois figurantes entraram em cena e começaram uma discussão. Eram empregados dos Capuleto que falavam sobre a briga das famílias, quando outros dois figurantes, desta vez empregados dos Montecchios, apareciam do outro lado do cenário.

– Vamos, arranca teus instrumentos, que ai vêm vindo dois da casa de Montecchio. – um dos Capuleto falou.

– Minha arma nua já está fora. Fiquemos com a lei do nosso lado, eles que principiem. – o outro respondeu.

Os Montecchios se aproximaram e o primeiro Capuleto resmungou:

– Queres brigar, senhor?

– Brigar? Não. – um Montecchio falou – Sirvo um senhor tão bom quanto o teu, não melhor.

Foi quando Eric entrou em cena, assobiando e prestando atenção na confusão. Ele era Benvólio, sobrinho do pai de Romeu, Montecchio.

– Melhor sim, senhor! – um Capuleto brigou.

– Mentes! – respondeu o outro Montecchio.

– Saca a espada se és homem!

Todos sacaram as espadas de mentira e avançaram em suas direções, antes de serem impedidos pela espada de Eric, bem ao centro do conflito. Eu realmente não lembrava que estava tão bem nos ensaios essa sincronia das espadas.

– Basta, loucos! Guardai vossas espadas! Não sabeis o que fazeis!

Então, Lucky entrou em cena, lentamente com voz grave (ele realmente queria se mostrar mais másculo para as garotas do acampamento), dizendo:

– Corno! Sacas da espada contra uns pobres corços sem força? Aqui, Benvólio! Vem encarar a morte!

Eric não se livrou da espada, apenas olhou para Lucky (Teobaldo), berrando:

– Procurava separar esta gente, Teobaldo. Guarda a espada e me ajuda a acalmá-los.

– Sacas a espada e falas de paz! Odeio esta palavra... Como ao inferno, a todos os Montecchios e a ti. Defende-te, covarde!

Eric e Lucky começaram a se golpear com as espadas, enquanto os figurantes se colocavam de lado na cena. Eu espirrei sem querer em meio àquela cena, trazendo algumas risadinhas da platéia e revirados de olhos de dentro das coxias.

Os Caputelo, Fernando alguma coisa e Marla Marion (lídero dos Laranjas), entraram em cena, brigando. Ele queria a espada, e ela disse que lhe daria as muletas, porque estava velho. Algumas pessoas riram, e eu também, fazendo com que Esther me cutucasse com os galhos do braço.

Logo em seguida, os Montecchio também entraram em cena – era o cara que eu não lembro o nome dos Verdes e Vanessa dos Amarelos.

– Capuleto canalha! – o pai Montecchio berrou, querendo seguir para a briga.

– Não dará um passo até o inimigo! – a mãe Montecchio o impediu.

Foi quando Jeff entrou com sua roupa roxa e capa charmosa, berrando com todos (ele era o Príncipe Escalo):

– Súditos rebeldes, inimigos de toda a paz! Baixai vossas espadas! – gritando assim, todos acalmaram-se. — Três vezes essas lutas civis, nascidas de palavras aéreas, por tua causa, velho Capuleto, por ti, Montecchio, a paz de nossas ruas três vezes perturbaram. Se outra vez perturbardes nossas ruas, pagareis com a vida a paz perdida!

Todos acabaram por se retirar de cena, menos os Montecchios e as árvores (era chato demais ser uma árvore, socorro...). Houve então uma discussão entre o pai Montecchio e Eric, pois Benvólio era muito amigo de Romeu, que estava sofrendo e se escondendo da luz. Os pais estavam preocupados.

O personagem Benvólio então anuncia que Romeu está chegando, e que iria entender seu sofrimento, fazendo com que os Montecchios deixassem a cena, enquanto Jonathan (Romeu) entrasse pela coxia contrária.

Devo admitir que Jonathan estava realmente bonito com as roupas justas em seu peitoral grande e musculoso. Ele realmente era um rato de academia.

– Bom dia, primo. – Eric falou alto e claro para Jonathan, que fugiu rapidamente dele.

– Cada hora triste bem lenta se move... Ainda são nove horas. – ele falou com a voz rouca. Meus pelos de árvore se arrepiaram com a sutileza da sua voz. Ele me impressionou na primeira frase! Nossa! Será que Matt faria algo tão bom quanto Jonathan fez?

– Que tristeza, Romeu, te atarda as horas? O amor? – Eric falou.

– Sem aquela a quem eu tenho amor. – disse, cabisbaixo, arrancando suspiros femininos da platéia – Que batalha houve aqui? Muito trabalho o ódio causa. Mas muito mais o amor. Ó, turbulento amor. Ódio amoroso. Não queres rir?!

Eric fez que ria, enquanto Jonathan colocou uma cara emburrada no rosto.

– Não, primo! Chorar é o que desejo por teu bom coração oprimido.

Jonathan então começou a recitar coisas sobre seu amor por Rosalina e como ela o havia quebrado o coração por não amar ninguém. No texto original, ela não aparece, mas o Sr. Turner pôs Louise com algumas falas naquele momento para mostrar-se decidida a acabar com o amor de Romeu. Esther, ao meu lado, ficou dando risadinhas irritantes – o que pareceu ter chateado Louise!

Logo em seguida, veio uma cena em que Páris, interpretado por um cara dos Brancos, tentava convencer o Capuleto a desposar Julieta. Entretanto, o Capuleto fala a um criado que deveria entregar alguns convites da festa que ele daria. O criado ao sair, atrapalha-se e cai, sendo acudido por Romeu e Benvólio e anunciando a festa para eles:

– Meu senhor é o grande e rico Capuleto, e se não fordes da casa dos Montecchios, vos convido.

Rosalina era uma Capuleto, logo estaria na festa. Assim, Benvólio convence Romeu a invadirem a festa.

As cortinas se fecham e FINALMENTE, as árvores saíram de cena. O cenário trocou e então a casa dos Capuleto entrou em cena, com Marlene como a Velha Ama e a mãe Caputelo em cena.

– Onde está Julieta? – a mãe falou.

– Por minha virgindade perdida aos doze anos, já a chamei. Minha ovelhinha. Vem cá, meu coração! Deus me perdoe, mas onde está a menina? Oh, Julieta!

Foi aí que Jenna apareceu da coxia e todos os queixos caíram, principalmente o de Jonathan ao meu lado! Ela não estava com suas maquiagens pesadas nem roupas escuras, mas vestia um levíssimo vestido de seda vermelho que pulava a cada passo dela. Estava linda.

– Eu estudo com essa garota e nunca a vi tão natural. – Jonathan murmurou, e eu arregalei os olhos.

– Estou aqui! Quem me chama? – Jenna falou ainda mais leve.

A mãe começou a falar sobre casamento, argumentando que Paris era um homem rico e maravilhoso em muitas palavras difíceis.

– Encontrá-lo-á na nossa festa à noite. Folheia o livro do seu rosto jovem, que nele encontrarás muitos encantos. Dividirás com ele o quanto tem, e, tendo-o, não pedes do teu vintém.

– Junto aos homens, só ganham as mulheres. – Marlene falou como uma velha.

– Gosta do amor de Páris? – a mãe perguntou.

– Tentá-lo-ei. – Jenna falou sombriamente, voltando a ser Jenna num corpo de Julieta.

A cena fechou. Aplausos. A noite desceu com outro cenário (desta vez com as árvores). Eric (Benvólio), Jonathan (Romeu) e Matt (Mercucio) estavam em cena também.

– Tens de dançar, Romeu! – Matt falou, alegremente.

– Tenho a alma de chumbo. Sob o peso do amor, quase naufrago. – Jonathan respondeu, amargamente.

– Se o amor te é rude, sê rude com ele. – Matt respondeu, arrumando as vestes roxas gozadas. Então começou um grande monólogo chato sobre sonhos que eu prefiro passar por cima. Na verdade, soltei até uma risadinha que chamou atenção dele e o interrompeu. Jeon quase bolou de achar graça na platéia.

A festa começou com música, enquanto o Capuleto apresentava tudo. Houve uma cena muito longa até que Jenna adentrou em um vestido vermelho pesado e um semblante sombrio. Jonathan tomou a frente e começou seu monólogo apaixonado também chato:

– Que drama é aquela? Ela ensina as tochas a brilhar. Já amou meu coração blá blá blá. Jamais eu vi beleza como vejo em tal lugar.

Ele se aproximou lentamente de Jenna, enquanto do outro lado do palco, Lucky denunciava ao pai Capuleto que aquele (Jonathan) era um Montecchio. Os dois discutiram até saírem de cena e deixarem apenas Jonathan e Jenna ao centro.

– Nos meus lábios, um beijo se insinua. – Jonathan falou e arrancou ainda mais suspiros de todas. Até mesmo eu me arrepiei MAIS!

– Peregrino, que devoção é a sua? – Jenna falou, surpresa. Ela era uma boa atriz. – Aos santos, há que beijá-los na mão.

– Eles não tens lábios? – ele murmurou, aproximando-se enquanto ela caminhava pelo palco, esquivando-se do rapaz.

– Apenas para orações. Os santos não se movem.

Foi aí que Jenna sorriu e se imobilizou. Eu fiquei com os olhos arregalados na cena! Não havia visto os ensaios, então não imaginava quão intensa a situação era!

– Não te movas, santa... De meus lábios se foi todo o pecado com tua mão. – ele falou, beijando-lhe a mão na lateral do rosto dela – Meu pecado se foi assim, quero-o de volta então.

Então, beijou-lhe a bochecha e vários “Kyáááááás” soaram como sirene. A cena se seguiu com pouca atenção da platéia, a maior parte estava extasiada com a química que Jenna e Jonathan tiveram. Por fim, a Velha Ama fala para Romeu que Julieta é Caputo, e vice-versa, acabando com os dois. Felizmente, nós (árvores) saímos de cena também.

Todos vão embora da festa, e a cena seguinte é de Mercúcio e Benvólio procurando por Romeu.

– Ele é prudente. Por minha fé, soube achar a estrada para o leito macio. – Matt falou para Eric, que andava loucamente de um lado para o outro do palco. Realmente, o papel relaxado caía muito bem em Matt.

– Veio corrento até aqui, tendo pulado o muro que dá para o jardim. Chama-o, Mercúcio. – o nerd lindinho do Eric falou com certo desespero. Sinceramente, ele combinava com a fofura de Benvólio.

– Vou chamá-lo, sim: Romeu! Capricho! Paixão! Sujeito louco! Enamorado! Eu te conjuro pelos olhos sem par de Rosalina, por sua fronte, os lábios escarlates, os delicados pés, as belas pernas, as tremulantes coxas e os domínios adjacentes. Conjuro-te, repito, que, tal como és, em nossa frente surjas! – Matt berrou loucamente, quase nos ensurdecendo.

– Se ele te ouve, decerto vais magoá-lo. – Eric murmurou – Vamos; ele ocultou-se entre essas árvores, para perto ficar da úmida noite. Seu cego amor diz bem com a escuridão.

– Se o amor é cego, nunca acerta no alvo. Romeu, boa noite!

– Vamos, então. É canseira inútil procurar quem não quer ser encontrado.

Eles esconderam-se na coxia quando

Romeu espreitando Julieta enquanto ela falava:

– Que luz vejo lá longe, na janela? Será o nascente, e Julieta é o sol?! É o meu amor! Se ela Soubesse ao menos.

Enquanto isso, ela falava:

– Romeu, Romeu... Por que és tu Romeu? Teu pai renega, recusa o teu nome! Jura que me amas, e uma Capuleto não serei mais! Teu nome apenas é meu inimigo! Sem tal nome, que não é parte tua, deixaria de ser. – até que ele saltou para perto dela, atravessando quase metade do palco – Não és Romeu e um Montecchio?

– Meu nome, minha santa, me é odioso por ser teu inimigo. Não serei nem um nem outro se isso te desgosta.

– Irão matá-lo!

– Existe mais perigo nos olhos teus que em vinte espadas dos Capuleto. – Jonathan falou, aproximando-se dela. Novamente, eles usaram muito bem o palco, esquivando-se para todos os lados.

Eu suspirei. Estavam incríveis.

– Eles estão muito bem, não acha? – Matt falou ao meu lado. Eu não evitei sorrir e concordar com a cabeça freneticamente. – Você parece estar maravilhada.

– Eles estão perfeitos! – grunhi e encarei Matt, que sorria com conformidade. – Duvido que você fizesse algo tão bom se estivesse como Romeu.

Ele deu entre ombros e falou perto do meu ouvido, indicando com a mão a cena no palco:

– Aqueles dois se conhecem desde os três anos de idade. Por não se falarem muito, são perfeitos para os papéis. Tem intimidade, mas nem tanta assim.

Virei-me para Matt, ele estava tão perto que seu hálito batia na minha pele. Isso me deu um embrulho no estômago e um aperto no esôfago.

– Por que você está tão perto de mim? – resmunguei.

– Por que? Estou te seduzindo? – ele riu e eu bati o cotovelo em seu braço, fazendo-o gemer de dor – Anã, eu sei o efeito que causo em você.

– É, você me dá embrulhos.

– Você quis dizer borboletas no estômago, certo? – Matt brincou e eu revirei os olhos. Sinceramente, eu preferia quando eram apenas brigas e quase nenhuma insinuação de romance que veio da cabeça de Jeffrey, Jeon, Charlotte e Eric. Ele falar dessas bobagens também me deixava transtornada. Se o Matt não fosse tão irritante, seria um cara legal para se ter um romance.

Voltei a atenção para a peça. A maneira intensa como Jenna olhava para Jonathan era de assustar. Ele tocava o rosto dela, enquanto ela passava de um lado para o outro do palco, sendo difícil e apaixonada. Sinceramente, ela estava bem melhor que a Julieta original que fica caidinha pelo filho do inimigo mortal do pai.

– Senhora, pela sacra lua, eu juro... – Jonathan falou antes de ser interrompido pelos olhos gigantes de Jenna se abrindo para ele.

– Não jures por astro tão volúvel!

Jonathan ficou extasiado, parecia ter esquecido até a fala, enquanto olhava para Jenna. Todos começaram a acenar das coxias, enquanto o silêncio perdurava. Demorou um pouco até ele perceber o erro.

– Pelo que jurarei, então? – disse, causando comemoração nos fundos do teatro improvisado.

– Não jures por nada. Eu creio em ti... Boa noite. Que tu tenhas o repouso que já tenho em meu seio.

Ela ameaçou desaparecer de cena, mas seu Romeu lhe puxou o braço.

– Vais deixar-me partir insatisfeito. Desejo que troquemos votos de amor, enfim. Já dei-te o meu, antes mesmo que o pedisse.

– Meu Romeu, se o teu amor é sério, e o casamento é teu intento, manda-me amanhã um sinal, por que alguém que enviar-te-ei.

– Que som doce faz na noite a língua dos amantes. – ele aproximou-se para beijá-la (o que eu realmente achei que fosse fazer! Estava perto demais! Jonathan realmente não prestava...) – Como suave música para os ouvidos que esperam.

Pouco depois, Jonathan foi embora e Julieta também, fechando assim a cena e suspiros devastadores de todas as prováveis garotas iludidas por Jonathan. Achei tudo um horror, mas não iria reclamar, certo?

A cena mudou, nós árvores entramos, para um diálogo entre Romeu e Frei Lourenço, onde o religioso fala que vai casar Romeu com sua amada Julieta. Tipo assim, eles se conheceram e já decidiram casar! E a garota tinha 14 anos! Ela era da idade de Eric! Eu não consegui evitar imaginar Eric casando com um vestido de noiva hahahaha.

Logo após a cena do Frei Lourenço, Benvólio e Mercúcio entram em cena, discutindo que Teobaldo havia mandado uma carta para Romeu e queria um duelo. Quando encontram Romeu, o veem sorrindo como idiota. Matt e seu papel mais que justo de Mercúcio, berrou:

– Onde esteves, pato? Passaste-nos uma moeda falsa ontem a noite!

– Que moeda falsa lhe passei, meu bom Mercúcio? – Jonathan falou, voltando ao mundo da lua.

– A moeda do pernas para que te quero. – Matt resmungou.

Jonathan passou direto por eles, falando:

– Perdão, meu Mercúcio, mas tinha um negócio muito importante em mãos.

Matt rapidamente segurou Jonathan pelos braços, imobilizando-o e fazendo Eric rir abertamente.

– Só por essa brincadeira vou morder-te a ponta da orelha!

Eu lembrava dessa cena nos ensaios! Matt deveria apenas fingir que mordia Jonathan, mas constantemente enchia a orelha do outro de baba... Só que dessa vez ele mordeu com força e arrancou um uivo de dor do nosso Romeu... O que fez eu e todo mundo do acampamento cair na gargalhada.

– Eu que deveria levar essa mordida. – Esther murmurou com um suspiro.

– Você é doente ou o que?! – resmunguei.

– Teu espírito é de pele de cabrito, que espichado vai de uma polegada à largura de um braço. – Matt falou mais alto, soltando Jonathan, que ainda gemia de dor pela mordida. – Veja, até as árvores estão rindo de você!

Então ele apontou para mim e para Esther. Não evitei e ri ainda mais alto!

– É, mas não foram as árvores que me morderam! – Jonathan berrou e quase avançou em cima de Matt. Eric chegou a tempo de impedí-lo.

Então, toooodo mundo fez silêncio! Eu não esperava que todos fossem ficar quietos naquele momento, então apenas falei com uma inocência duvidosa, cutucando Esther:

– É, mas eu conheço uma árvore que queria ter sido mordida.

Tooooooda platéia caiu na gargalhada! O que resultou no rosto de Esther pegar fogo e no seu galho do braço bater na minha cabeça gigante.

– São duas árvores que não deveriam se meter onde não são chamadas. – Jonathan bufou.

– Você quis dizer uma árvore e uma gramínea, né? – Matt brincou.

Não consegui evitar e me espichei completamente, batendo a ponta do galho do meu braço na cabeça feia e chata do delinquente, o que fez a cena ficar ainda mais engraçada. Ele me olhou com olhos comprimidos, enquanto eu assobiava para o nada.

– Parece que as árvores realmente gostam é de atenção. – Eric entrou na brincadeira.

– É, pena que elas tem que ser cortadas vez ou outra! – Matt berrou, pegando a espada que estava na sua calça e batendo na minha cabeça com ela! Aquilo doeu, droga!

Ele foi me chutando com tudo para fora de cena! O que foi revoltante, já que amassou meu cabeção inteiro e ainda ganhou aplausos e risadas. Querendo ou não, Matt era popularzinho no acampamento inteiro.

Após essa confusão, Marlene (a Ama) entrou em cena. Eric e Matt começaram a sair, então eu “dei o troco” no delinquente... Pus o pé no meio dos seus assim que ele entrava na coxia, o que resultou numa queda bonita de cabeça na madeira do palco e risadas por toda coxia.

– Acho que o atorzinho caiu de cabeça, foi? – brinquei.

Ao invés de vir com todas as facas para mim, brigando, ele apenas sorriu e se espreguiçou ao levantar.

– Sabe, polegarzinha, nada que você fizer hoje vai mudar meu humor. – falou cheio de pompa. Eu apenas arqueei as sobrancelhas. – Foi divertidos brincarmos no palco, não foi?

– Quem morreu para te deixar nessa alegria toda?

Matt levou o polegar da mão até a minha testa e me empurrou com força, fazendo-me cambalear para trás.

– Tudo que eu queria está dando certo.

Dei entre ombros e continuei a assistir a peça, cada vez mais impressionada. A Ama conversou com Romeu e os dois arrumaram o casamento.

Houve inclusive, falas fantásticas vindas de Jenne e Jonathan.

– Ah! Julieta, se cheia como a minha já estiver a medida de teu gozo, e se possuíres a arte de enfeitá-lo, o ar ambiente embalsama com teu hálito, deixando que a variada e rica música de tua língua desdobre a grata imagem da ventura que um do outro recebemos neste encontro feliz. – Jonathan recitou e eu quis vomitar meu pâncreas fora de tanta doçura.

– Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria essência, não com os ornamentos. São só os mendigos que contar conseguem quanto dinheiro têm. Mas a tal ponto meu amor verdadeiro tomou vulto, que a metade, sequer, não me é possível avaliar do que tenho. – ela murmurou sem tirar o olhar dele.

O Frei Lourenço os interrompeu falando:

– Vamos, vamos! simplifiquemos o ato. Aqui, sozinhos, não pretendo deixar-vos um momento, sem que a Igreja celebre o casamento.

O casamento foi feito e a cena passou para a praça com Eric e Matt conversando... E eu e Esther estampadas já com os braços doendo de tanto segurar os galhos!

– Peço-te, bom Mercúcio: retiremo-nos. Quente está o dia, os Capuletos andam pela cidade. O sangue ferve nestes dias quentes, não evitaremos brigas. – Eric falava, olhando para os lados.

– Tu te assemelhas a esses tipos que, mal entram numa taberna, batem com a espada em cima da mesa e gritam: "Queira Deus que eu não venha a ter necessidade de ti!" e que após o efeito do segundo copo, sacam-na contra o taberneiro sem a menor necessidade. – Matt berrou com um largo sorriso, mas Eric fez cara de desentendido – Você é esquentado e facilmente arrebentado.

Os dois falavam e falavam, até que Lucky (Teobaldo) entrou em cena, e Matt quis atacá-lo.

– Mercúcio, estás enamorado com Romeu e por isso andam tanto juntos? – Lucky caçoou. Não era essa a fala exatamente, mas foi bem engraçado o jeito como eles levaram a cena em diante.

– Tebaldo, caçador de rato, queres dar volta no reino dos mortos?!

Matt sacou a espada, Lucky sacou a espada, e Jonathan entrou em cena.

– Benvólio, saca a espada! Vamos desarmá-los. Cavalheiros, evitai isso. Oh Mercúcio! Teobaldo! O príncipe proibiu expressamente essas brigas nas ruas de Verona. Teobaldo! Bom Mercúcio! – Jonathan berrava enquanto eles batiam espadas e trocavam xingamentos não censurados.

Por fim, Lucky acertou o peito de Matt, matando-o. Ele deve ter ficado suberbo de tanta felicidade por ter sua vingança!

– Romeu! – Eric berrou – O bom Mercúcio está morrendo...

– Malditas sejam vossas duas casas. Eu as amaldiçoo. – Matt falou antes de dramaticamente morrer aos meus pés. Eu, como boa árvore que sou (já depois de ter aloprado a peça inteira), debrucei meus braços sobre ele com um grande sorriso no rosto.

– Ele morreeeeeeu... – falei para a platéia que caiu em risadas. Matt me xingou e riu também.

Então, outra batalha seguiu, desta vez entre Jonathan e Lucky... E nosso Romeu saiu vitorioso!

– Romeu, foge depressa! – Eric falou bem alto, indicando o corpo caído de Lucky – Os cidadãos se amotinaram. Morto está Teobaldo. Não fiques parado, pois o príncipe vai condenar-te à morte, se encontrado fores aqui.

Jonathan sai de cena, e o príncipe Escalo entra, vendo os corpos caídos. Ele da a sentença de exílio a Romeu.

Todos então saíram, inclusive eu e Esther. Os pais de Julieta a comunicam da morte de Teobaldo, mas ela não se abala. Por fim, falam que ela se casará com Paris, e que Romeu está indo para o exílio.

A cena mudou novamente, mas desta vez, era o quarto de Julieta, Jenna. Jonathan e ela estavam abraçados e com as roupas abarrotadas propositalmente. A platéia nada inocente começou a cochichar coisas indevidas.

– Já vais partir? – Jenna murmurou com a voz chorosa de partir o coração – O dia ainda está longe. Não foi a cotovia, mas apenas o rouxinol que o fundo amedrontado do ouvido te feriu. Todas as noites ele canta nos galhos da romeira. É o rouxinol, amor... Acredite em mim.

– É a cotovia, o arauto da manhã, não foi o rouxinol. Olha, querida, ou parto, e vivo, ou morrerei, ficando...

Então eles começaram a fazer um discurso que eu não entendi bem, pois minha tão adorada sombra chegou rapidamente, falando no meu ouvido:

– Ficou apaixonada pela peça?!

Era Matt, logicamente.

– Hoje você ta pegando mais no meu pé do que nos outros dias. O que diabos aconteceu?! – resmunguei.

– E você hoje ta resmungando mais que o normal.

– Tem um idiota me enchendo, entende? – falei e revirei os olhos

Ele sorriu e olhou para os lados, falando:

– Eu descobri uma coisa irada. Preciso te falar ainda hoje!

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ou até pensar qualquer coisa, Charlotte surgiu ao nosso lado.

– Ei, vocês estão conversando bem alto. Sobre o que estão falando? – Char falou e eu retorci a boca. Ele queria falar um segredo para mim ou era qualquer coisa?

– O Matt estava para me contar algo... – falei e olhei para ele, juntamente com Charlotte.

O delinquente, entretanto, ficou quieto e chacoalhou a cabeça.

– Depois a gente conversa!

E saiu! PUFT! Evaporou!

Enquanto isso, as cenas se avançaram e avançaram... O Frei Lourenço deu a Julieta um elixir que a deixaria semimorta. Ela tomou e todos os familiares choraram, começando um velório. Entretanto, todos sumiram e Romeu chegou ofegante.

Foi engraçado porque antes de entrar em cena, Jonathan fez várias flexões (com seu tanquinho definidíssimo) e correu no próprio lugar para parecer cansado.

– Matriz da morte, detestável morte que tirou de mim o amor! – Jonathan berrou com ódio para o corpo morto de Jenna em cena – Tirou de mim a amada! Te forçarei os maxilares podres e te obrigo a aceitar mais alimento.

Entretanto, Paris (o noivo de Julieta) entrou em cena e viu Jonathan.

– Este é o Montecchio altivo, que banido foi por ter morto o primo de Julieta, por cuja dor a morrer veio aquela criatura incomparável. Vou prendê-lo. – Paris berrou – Vil Montecchio!É crível que a vingança vá além da própria morte? Estás preso, banido desprezível. Obedece e me segue, morrer deves!

Os dois brigaram e Paris morreu. Jonathan então começou a chorar e pegou o veneno do Boticário.

– Quantas vezes, no ponto de morrer, ledos se mostram os homens? É o clarão da despedida, dizem quantos o doente estão velando. Oh! poderei chamar clarão a esta hora? Oh meu amor! querida esposa! A morte que sugou todo o mel de teu doce hálito poder não teve em tua formosura. – ele recitou, passando a mão pelo rosto e Jenna, em seguida bebendo o veneno que era na verdade suco de abóbora — Ó boticário veraz e honesto! tua droga é rápida. Deste modo, com um beijo, deixo a vida.

Foi aí que algo surpreendeu a todos! Jonathan realmente tentou beijar Jenna! Ela, entretanto, virou o rosto no instante em que ele caiu, jogando-se para fora da cama em que estava deitada.

– Mas onde está Romeu? Onde está o meu Romeu?! – ela falava chorosa, encontrando-o morto ao seu lado — Que vejo aqui? Um frasco bem fechado na mão de meu amor? Veneno foi seu fim prematuro... Vejo um punhal... Tua bainha é aqui. Repousa ai bem quieto e deixa-me morrer.

Ela então se esfaqueou e morreu ali também, junto de seu amado.

Várias pessoas entraram, menos as árvores, e viram o horror. Os pais de ambos choravam, enquanto o Frei contava o que havia acontecido entre os dois.

Os Montecchios e os Capuleto fizeram as pazes.

Jeffrey, o príncipe foi a frente e falou para a platéia:

– Esta manhã nos trouxe paz sombria. Ide, falai dos fatos deste dia, serei clemente. Pois em nenhuma outra era, houve história mais triste que a de Romeu e Julieta.

Notas finais
Para o próximo capítulo, eu encomendei até um banner com gifs para vocês terem noção do quanto vai ser especial! Os créditos dos textos de Romeu e Julieta vão para link: http://www.psb40.org.br/bib/b367.pdf De onde eu tirei 90% das falas. Beeeeeigos nos corações, meus doces de banana caramelizados.