Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds

12 Dica 12 - Deixe sua barraca sempre trancada


Notas iniciais
Depois de milênios sem postar nada aqui... ACAMPAMENTO DE NERDS VOLTOU! OUTRA VEZ! kkkk. Espero que gostem desse capítulo sem muita ação nem muito romance... Foi muito para quebrar o gelo da minha volta.

Décima Segunda Dica: Deixe sua barraca sempre trancada

No geral, pessoas indesejadas podem entrar na sua barraca, ou até mosquitos e sapos (cobras se não for algo meio mainstream), por isso cuidado! Agora se vocês sempre têm que ter cuidado em trancar as portas, colocar telas nas janelas, fechar devidamente suas malas e cuidar com as camas, sempre cobrindo seus lençóis e travesseiros. Agora se, por algum acaso, vocês se depararem com pequenos animais como filhotinhos é bom falar com seus monitores e supervisores. Não que eu tenha cumprido essa parte da dica, mas ela está certa... Jack é um bom bichinho, tentem dar um desconto!

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A discussão começou logo de manhã, o que significa que nós acordamos extremamente cedo. ASSUSTADORAMENTE cedo, para falar a verdade! Tudo tinha sido combinado para que não suspeitassem do nosso hóspede.

– Eu voto por Sr. Mordidas. – Bette falou num tom estridente e todas nós falamos “shiu” de uma vez para que ela ficasse quieta. – Sério, Jack é um nome muito comum.

Nós estávamos no banheiro muito antes de tocar o sinal para acordarmos. O objetivo era poder voltar rapidamente para a barraca e arrumar uma maneira de esconder Jack de Valentina quando ela passasse vigiando os dormitórios. Sim, o nome do filhote de jacaré era Jack para mim.

– Jack é melhor. – eu falei com a escova de dente na boca – Pensa assim “Que tipo de jacaré que se preze tem um nome como Sr. Mordidas?”.

– Lucy, se formos analisar, jacarés não tem nomes geralmente. – Charlotte falou com um risinho meigo. Eu dei entre ombros e continuei a olhar no espelho. – Eu gosto de Steve, é o nome do “caçador de crocodilos” que foi morto pela arraia em 2006.

Anna recostou-se na parede e levantou o queixo, dizendo:

– Eu acho Malcolm um nome legal. É forte e dá certo para ele...

– Príncipe Escalo, o príncipe de Verona. – Jenna disse com a voz rouca de sempre – Ou Hamlet, tanto faz.

Estalei o dedo como uma arma para ela e ri.

– Hamlet é legal, eu gostei! Mas Jack ainda está ganhando.

– O que vocês acham de Bond? James Bond? – Louise disse, imitando a entonação do filme. Nós rimos porque foi extremamente hilária a maneira como ela falou, mas logo voltamos a fazer os “shiu”s.

A discussão tinha tomado esse rumo desde a noite passada. Todas nós tínhamos nos apaixonado por Jack e sua carinha de assustado. A sua pele era tão sequinha e asquerosa, mas ao mesmo tempo tão frágil! Tudo aquilo despertou em nós um sentimento gigantesco de cuidado e ternura.

Não éramos loucas nem carentes, longe disso! Mas Jack nos cativou tanto que chegamos a retirar a liga de sua boca e ficamos observando como ele fazia pequenos chiadinhos esganiçados. Ele chegou a se aninhar na minha cama e ficar parado com os olhos observando tudo ao redor, inclusive a porta semi-aberta, mas não fugiu!

Apaixonei...

Quando voltamos para a barraca lá estava ele, deitado como um cachorro em cima da minha cama com a cabeça abaixada e os olhinhos meio abertos.

– OWWWN! – todas berraram de uma vez.

Doeu no coração termos que prender o coitadinho num tipo de coleira feita de cadarços e um cinto de couro debaixo da minha cama e cercá-lo com as malas. Doeu, mas foi a melhor solução que encontramos para que Valentina não percebesse que ele estava ali.

Quando chegamos à Grande Casa, ficamos todas sentadas na mesma mesa involuntariamente! O que causou certo reboliço nas estruturas do acampamento, começando com Jeon berrando:

– Eu sei que a noite passada não foi legal, mas não precisam arquitetar a nossa morte!

Olhei para ele com um risinho.

– Não se preocupe, — eu falei devagar – ainda não pensamos numa maneira de nos vingarmos.

Ele ameaçou sentar, mas ficou intimidado com o fato de eu, Charlotte e Jenna estarmos compartilhando o mesmo espaço sem que Anna Pierce, Louise Morgan e Bette Larsen sem uma boa briga.

– Eu realmente estou com medo, então vou me retirar. – Jeon disse, o que fez com que as meninas rissem (menos Jenna, claro). – Cara, vocês são muito sinistras.

Matt também passou por nós com um olhar sinistro, como se estivesse se esquivando de raios mortais ou mandingas. E eu devo admitir que aquilo era extremamente divertido!

– Mas voltando ao assunto, temos que primeiro descobrir como o Jack foi parar na nossa barraca. – eu disse com um cochicho, disfarçando ao máximo enquanto tomávamos o café da manhã.

– Foram os meninos que colocaram para nos assustar, tenho certeza disso. – Charlotte disse como se estivesse se divertindo com a hipótese – Pensem bem, os Brancos foram para o pântano ontem. Algum deles pode ter pegado o Steve e ter colocado na nossa barraca.

– Jack. – corrigi.

– Bond. – Louise murmurou.

– Sr. Mordidas. – Bette bufou.

– Malcolm. – Anna bateu na mesa.

– Escalo. – Jenna resmungou.

– CHEGA! – berrei, batendo as mãos na minha própria cara. – Parece até que nós temos 12 anos de idade.

O clima quebrou e as meninas soltaram risinhos. Por força da expressão, arrastei a mão pelo meu rosto, puxando a pele para uma careta infame, mas de repente me deparei com um olhar na minha frente quando fui tentar olhar para Charlotte. Jeffrey Larsen estava andando na direção da nossa mesa... E ele estava sorrindo estonteantemente, o que me assustou e me fez parar de fazer caras feias.

– É bom ver que vocês estão se dando bem assim. – ele falou, passando do nosso lado e em seguida encarando uma de nós de cada vez. Seus olhos pararam em Charlotte, que o encarou de volta com um raio de atrito entre seus corpos. Aquilo foi assustador.

– Meninas, acho que podemos contar para o Jeff. – Bette murmurou para nós, mas eu percebi que Jeffrey tinha escutado.

– Ficou louca, mulher? – Jenna bufou, cruzando os braços.

– Louca, só pode. – Louise e Anna concordaram.

Eu atravessei meus olhos para ele e fiquei um pouco acanhada em concordar que poderíamos falar com ele. Que mal Jeffrey seria capaz de fazer? Ele era um príncipe no fim das contas! Foi então que balbuciei:

– Eu não sei, meninas. Acho que...

– Não, você não acha nada. – Bette me interrompeu.

– O que quer dizer com isso, Bette Larsen? – rosnei como ameaça.

Nós duas nos fulminamos com os olhares e Charlotte caiu na gargalhada no mesmo instante. Tudo bem que a situação era engraçada, mas Bette sempre tentando me intimidar para não chegar perto do seu irmão já chegava a ser ridículo.

– Velho, vocês precisam se resolver. – Charlotte falou, passando a mão nos cabelos e em seguida fitando Jeffrey – Jeff, precisamos de ajuda. E ajuda das grandes! Depois de ontem, Valentina deve passar nos dormitórios revisando o que foi mudado.

Quando ela falou “Jeff” eu me senti alterada. Mas, rapidamente, sacudi a cabeça e lembrei de um detalhe importante.

– Jeffrey, eu não lembro de ter te visto ontem. Você estava na caça aos sutiãs?

Todas as meninas viraram o rosto bruscamente para ele. Inclusive Bette.

– Lógico que não, o mano parou de ir pra caçada há muito tempo. Certo, Jeff?! – ela falou agoniada.

Tive um estalo! Jeffrey fazia parte daqueles terríveis costumes machistas! Não evitei fazer careta, mas por isso ele riu.

– Eu não faço mais isso. – disse ele, passando o olhar pela mesa e procurando um lugar para se sentar. Eu percebi que sentaria entre eu e Charlotte, por isso engoli a seco. – Estou nesse acampamento há anos, meninas, não preciso furtar sutiãs mais. Se tudo der certo, esse ano me aposento da chefia dos Vermelhos.

– Vou morrer de alegria. – Charlotte brincou, afastando para que ele sentasse. – Mas agora, falando sério, precisamos de ajuda.

– Em que posso lher servir, meninas?

Nos entreolhamos e resumimos para ele a história de Jack.

– Jack é um bom crocodilo, mas a gente tem medo da Valentina pegá-lo. Imagina o que ela seria capaz de fazer com o coitado...

– O Escalo tem que ser protegido. – Jenna murmurou.

Anna e Louise acenaram positivamente com a cabeça.

– E vocês acham que ela vai matar o crocodilo de estimação, é isso? – Jeffrey sorriu, parecendo ainda mais um príncipe – Digo, nem passou pela cabeça de vocês que ela pode devolvê-lo para o pântano nem nada assim?

– Se ela souber que tem um filhote de crocodilo aqui no acampamento, acha que vai devolver? – Jenna cortou.

– É, faz sentido. – ele assentiu.

Foi quando uma surpresa inesperada surgiu do lado dele com os olhos fininhos arregalados.

– Não BRINCA! – Jeon quase gritou com a cabeça entre a minha e de Jeffrey. – UM CROC-

Pulei em cima da boca dele. Resultado: caímos juntos no chão comigo tampando a boca dele com as duas mãos. Todo o resto do refeitório nos encarou.

– Seu curioso! Ta ficando maluco? Se alguém te escutar... – briguei.

– Relaxa, extintor de fiat. – Jeon disse quando tirou minha mão da boca. Foi uma longa briga que Jeffrey, Charlotte, Anna e Louise assistiram entre gargalhadas. Bette estava enjoada demais para rir. E Jenna... Bem...

Nos levantamos e nos arrumamos rapidamente. Jeon quis sentar-se entre mim e Jeffrey, mas eu não dei muito espaço. Só agora percebo quão possessiva estou parecendo com o inimigo Vermelho que caçava sutiãs! Se bem que ele se aposentou, mas enfim...

– Você tem que jurar ficar em silêncio.

– Juro solenemente não fazer nada de bom. Então, que história é essa de vocês adotarem um filhote de crocodilo?

– Ele tem o tamanho de um gato e é dócil que nem um... – eu comecei a falar, mas fui interrompida pelo grunhido de Bette Larsen.

– Que nem a mamãe dele... EU!

Revirei os olhos e falei:

– Não é por nada, mas acho que ficou bem claro que a mãe sou eu. Você nem tem coragem de pegar o coitado no braço.

– O que acham de resolver primeiro o que fazer com ele e depois a família? – Jenna resmungou e todos se calaram, assentindo com a cabeça. – Jeffrey, precisamos que você o esconda na sua barraca por um dia.

Ele suspirou e disse:

– Eu não poderei fazer isso. Durmo no mesmo teto que o Lucky e que o chefe dos Verdes, o Ray. Eles iam fazer muito alarde se descobrissem. Por que não pedem para o Jeon?

Jeon, por sua vez, se animou e pulou no banco.

– Lógico que ajudo! Cara, que irado! Um filhote de crocodilo na minha barraca, o Matt vai adorar também.

– Mas que merda, o Matt tem que ta em tudo? Droga. – briguei, revirando os olhos.

Charlotte riu por isso, mas as outras meninas não pareceram muito felizes com a minha afirmação.

– Lucy, já pensou se um dia vocês acabam ficando juntos? – ela falou.

Eu me surpreendi, mas Jeon e Jeffrey que bebiam algum tipo de suco gosmento e verde que serviam para nós no café da manhã (puro clorofila! Um horror!) praticamente cuspiram. Na verdade, Jeon cuspiu em cima de Anna Pierce. Jeffrey se engasgou... E Bette adorou a idéia!

– Bem melhor, ele é totalmente o seu tipo! – ela berrou.

– Ta ficando louca, Charlotte?! Ele é praticamente escravo da sua irmã. – Louise falou, em seguida olhou para os lados. Devia estar vigiando se Esther não aparecia. – Que ela não saiba que estou conspirando com vocês. É capaz de ela me infernizar também.

– Concordo com a Louise. – eu disse com uma cara de nojo – Cara, eu e o Matt somos que nem cão e gato. Eu fiz esse cara comer cocô de passarinho!

– Ta ta, tudo bem. – Charlotte sorriu falando – Foi só uma suposição porque, cara, vocês brigam demais. O amor e o ódio andam juntos.

Foi então que tentei imaginar eu e Matt andando de mãos dadas pelo acampamento, sorrindo e cumprimentando a todos. Foi uma das visões mais bizarras que já tive em minha vida! E um beijo! Nossa, isso seria desastroso em níveis absurdos! Realmente me imaginei de ponta de pé para alcançá-lo... Que nojo dessa cena.

Virei o rosto e Jeffrey ainda tentava se recuperar do suco engasgado. Então veio a pergunta... Será que ele realmente está interessado em mim? E eu ruborizei feito pimenta! Fiquei vermelha de um segundo para o outro.

– Pois, rapaziada, eu vou atrás do Matt e do Jonathan logo agora. – Jeon disse rapidamente se levantando – Se eu fosse vocês, pegaria logo o crocodilo. Qual o nome dele mesmo?

Todas falaram os nomes ao mesmo tempo: Jack, Bond, Sr. Mordidas, Malcolm, Escalo e Steve.

Ele assentiu com um movimento de cabeça e combinou de nos encontrar atrás do banheiro feminino com uma caixa, antes de começar a atividade do dia. Nós, Azuis, iríamos para o campo de arco e flecha e para as estufas gigantes do acampamento (sério, o Sr. Turner tinha que usar melhor esse dinheiro dele).

As meninas se levantaram e foram discretamente para fora do refeitório, mas meu ouvido me prendeu por meio segundo numa afirmação...

– Então, Jeff... – Bette falou pertinho dele quando íamos saíndo. – Não vai flertar com ela não, certo?

Ele sorriu e eu me assustei.

– Bette, eu não flerto assim, é mais elaborado. Você vai saber logo, não precisa importunar as meninas assim.

Será que ele falava de mim?!?!?!?!

Saltei para longe e corri para perto de Charlotte e Jenna como uma desesperada. Minha mente se ocupou com esses pensamentos até que chegamos na frente da barraca. Eu estava com a cabeça em outro mundo, tanto que nem entrei com elas e fiquei olhando para o céu azul e cheio de nuvens. Seria possível que finalmente um príncipe tinha se interessado em mim?

Digo, o Jeff é bonitinho e tals, mas ele é gentil demais! Os caras que gostavam de mim na escola nunca eram assim. Quase nenhum se interessava, a maioria fazia parte do meu grupo de amigos e me via como outro homem no meio deles. Viviam falando “nós queremos uma namorada princesa, queremos uma moça que se porte que nem mulher e seja boa conosco, se é que me entende”. Eu entendia, mas não deletava da cabeça que queriam uma moça... MOÇA!

Foi aí que um desastre (outro) aconteceu e um grito seguiu...

– AAAAAAAAAAAAAH!

Corri para dentro e vi todas as meninas de olhos arregalados e as malas que impediam Jack de sair debaixo da cama fora do lugar. Jack havia sumido!