Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds
7 Dica 07 - Carne perigosa. Bipolaridade. Tinta.
Notas iniciais
Sétima dica: Carne perigosa. Bipolaridade. Tinta no cabelo.
Tonéis de carne. Tonéis de carne com ossos doem. E pior, a dor ecoa só depois e ainda maior do que antes... Assim que a adrenalina baixa, você já era!
Enfim, a sétima dica fala também de bipolaridade, e posso dizer que muitas vezes as pessoas não são exatamente quem parecem ou quem querem parecer.
E quanto a tinta de cabelo, NÃO deixe secar, porque deixa os fios secos e duros! Tire com calma e não se desespere...
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Só recapitulando para quem não se lembra: Eu levei uma bela de uma queda por ter sido derrubada. Fui derrubada por um tipo de tonel de carne e ossos.
- Lucy!
Eu abri os olhos, vendo apenas pano no minha frente e um fedor considerável. Tinha uma bunda em cima do meu rosto.
- E FIQUE AÍ! – outra voz berrava, enquanto as nádegas saíam do meu campo de visão e olfato.
Meus olhos não se reviraram como eu imaginei que fariam, mas quando olhei para cima só percebi uma coisa... Matt iria morrer de tanto rir ou por não parar de rir, eu iria matá-lo.
- Lucy, você está bem?! – Charlotte vinha ao meu encontro, segurando meu braço para me levantar.
Eu tinha batido o corpo todo sobre raízes saltadas das árvores ou sobre pedras, e tudo estava dolorido.
- Estou pensando em como vou matar quem caiu em cima de mim. – eu bufei, em seguida lançando um olhar para Matt – Porque esse daí eu já decidi que vou castrar com uma colher...
Quando mirei minha própria frente vi só aquela bunda que segundos atrás achatara minha cara se mexendo, levantada e empinada, enquanto seu dono sacudia a poeira do calção. Assim como todos, estava acorrentada a alguém, uma pequena garotinha que o olhava com a carinha vermelha como o meu cabelo...
Ele se virou e eu só vi seu rosto manchadinho de lama, baixando um topete que ele tinha e fazendo com que parecesse um pinto molhado.
- Desculpa... – ele choramingou, indo ao meu encontro – Foi sem querer!
- É bom que tenha um motivo para eu me arrepender depois que quebrar seus ossos...
Comecei a andar na sua direção, mas fui interrompida porque Matt segurava as algemas e não me deixava continuar. Ele era maior que eu, infelizmente.
- Calma aí, domadora de formigas. – ele riu, me puxando de uma vez para trás.
- Para de me chamar desses apelidos!
Charlotte tomou a frente e foi na direção dos dois com uma expressão de raiva.
- O que pensam que estão fazendo? – ela disse com seriedade, levantando a mão rapidamente, onde estava pendurado um tipo de cordão ou fita... Não sei. – Identifiquem-se.
- Somos do grupo Branco. – a menina disse, baixando o olhar. – Estávamos na segunda prova da trilha e uns caras do grupo Laranja nos empurraram para o meio da moita. Fomos parar ali em cima.
Olhei para o lado, e a menina começou a apontar para lá. Havia um tipo de barranco de terra se erguendo enquanto entravamos mais ainda na trilha da floresta. Os dois garotos tinham caído de lá... Em cima de mim.
- E resolveram cair bem em cima dos membros do nosso grupo? – Marlene falou com um tom irônico – Falem sério, estavam querendo machucar um dos nossos. Está machucada, Lucy?
- Não, não estou. – respondi com simplicidade. Olhei para a cara da garotinha e, sinceramente, não tinha como uma menina daquele jeito planejar uma coisa ruim dessas.
- Não nos deixe para trás. O nosso grupo está nos esperando do outro lado da trilha. – ela continuou.
Charlotte ergueu novamente o cordão e a garota se calou de vez.
- Qual é a do cordão? – cutuquei Matt com minha dúvida.
- Você não leu nada do manual dos novatos ou as anotações que Charlotte fez? – ele murmurou. E, sim, eu não tinha lido. Tudo estava em cima das minhas coisas quando acordei na enfermaria. – Aquele cordão é de um tipo de “moral” que a Charlotte tem por conta dos pontos do ano passado. A gente se cala ou fala o que ela pedir, senão ela pode punir pontos dos outros grupos.
- E só ela tem isso? Digo, ela também pode tirar pontos deles e etc, não é? Ela pode trapacear com isso.
Matt riu ironicamente.
- Ela não trapaceia. Por isso que ganhou o cordão.
Olhei novamente para Charlotte e Marlene, ao seu lado. No fundo, acho que senti um orgulho imenso da Charlotte e seu jeito sério de comandar o grupo, talvez eu não tivesse feito mau negócio entrando para os Azuis, certo?
Foi então que eu vi chifres crescerem na testa da loira e seu olhar se transformar completamente num poço de maldade com auras malignas saindo de seu corpo.
- Vamos deixá-los aqui... Amarrados num tronco seria uma boa.
ERA O DIABO ENCARNADO.
Estremeci como uma rata, enquanto os dois companheiros choramingavam e eram amarrados por Charlotte numa árvore à beira do caminho. O resto do pessoal de meu grupo urrava continuamente e eu me assustava ainda mais.
Charlotte tinha feito questão de amarrar os dois antes de voltarmos a andar. Ela tinha um lado maligno afinal! Ninguém é perfeito!
Quanto mais para dentro da trilha nós entrávamos, mais escuro ficava... Isso porque não passava de dez horas! Tínhamos momentos sóbrios e uma estrada quase interminável. Então encaramos o primeiro obstáculo.
- Sejam bem-vindos, alimentos! – alguém gritou para nós.
Era a irmã de Charlotte, nossa outra monitora, que berrava na nossa direção vestida com um tipo de manto negro e uma maquiagem variando do surreal para o tosco.
Na nossa frente tinha uma vala toda cheia de água com um tipo de corda bamba em cima e outras duas mais acima. As três formavam um V, mas eu, com minha inteligência inspiradora e minha mania de querer saber tudo, vi que era a passagem sobre a vala e os apoios.
- Líder do grupo Azul apresentando grupamento. – Charlotte disse rapidamente.
- Grupo azul, esta tarefa não será complicada, apenas trabalhosa. Três grupos estão na frente de vocês, os Laranjas, os Brancos e os Vermelhos... – dizia Jean Devosso calmamente. Eu sabia que os Brancos não nos venceriam, dois de seus integrantes estavam no início da trilha. Já os Laranjas tinham voltado para lançar os inimigos para trás. Nossos rivais eram os Vermelhos mesmo. – Lá vai: “Observem a batalha anterior: A cada duas, terão de encontrar cinco. A cada vez que passarem, voltam ao início e mergulham. As orbes serão tributos e a passagem de liberdade para todos será obrigatória. Mas cuidado, quatro pretas e é fim de jogo”.
Uma palavra: Ahm?!
Todos ficaram em silêncio, olhando uns para os outros. Eu, sozinha, suspirei como se estivesse procurando a resposta na própria frase... Mas não era.
- Observem a batalha anterior... – eu repeti, mas a voz mal saiu.
- Significa que devemos observar o que está a nossa volta. Deve ter alguma pista ao nosso redor dos próprios grupos que já passaram. – Eric murmurou com um risinho bobo ao meu lado.
Segui seu conselho e vi que a areia antes da vala estava molhada. Depois também. Mas as cordas não tinham sinal de água alguma.
- Alguém deve entrar e procurar algo enquanto os outros passam pelas cordas? – perguntei com um tom de quem advinha.
Charlotte me olhou com um sorriso de ponta a ponta, dizendo:
- Só precisamos sabe o que procurar.
Baltazar Lenux tomou a frente, sacudindo as mãos como um louco e pedindo a atenção de todos.
- Orbes! São bolinhas! – ele berrava – Podem ser pérolas de bijuteria, pedinhas ou tanto faz. Quatro pretas e todos voltam a corda.
- Quer dizer que a cada duas pessoas ou duas duplas, teremos que encontrar cinco bolinhas? – eu disse rapidamente. Todos olharam para Jean com um jeito curioso e ela apenas riu.
- Relaxem, são duplas. – Matt interveio com um bocejo do tamanho da própria vala. – Agora quem vai procurar pelas bolinhas? Acho que só uma dupla pode procurar...
Jean entrou no nosso meio e abriu um envelope azul que carregava consigo, lendo em voz alta:
- Regras do primeiro jogo: Apenas uma dupla pode entrar na água. Se algum integrante na corda cair, todos terão que voltar o caminho. Se algum integrante quiser desistir, terá de dar a volta pelo lado de fora da trilha. Se acharem quatro pedrinhas pretas, terão de dar a volta. Vocês têm dez minutos, boa sorte!
Éramos nove duplas, logo tínhamos que achar quarenta e cinco bolinhas. Sendo que não podíamos encontrar de maneira alguma quatro pretas... DESESPERO MODE ON.
- Coloca o Rider para procurar, ele tem pés grandes e pode procurar com maior facilidade. – berrou Marlene para Charlotte.
- Não, coloca o Chris, novatos tem é que sofrer mesmo, haha. – Severus gargalhou.
Matt olhou para mim com um risinho e sibilou nos meus ouvidos:
- Espero que a vala não seja muito funda para você, Hobbit.
Só uma palavra: Ahnm?
- Você não vai...
- Charlotte! – Matt berrou – Eu sou mais ágil e acostumado com essas coisas. E essa criatura aqui é pequena o suficiente para me acompanhar. Deixe que nós vamos.
- O QUE? – gritei para ensurdecer mesmo.
Ela sorriu e assentiu com a cabeça.
- Então está decidido.
O delinquente juvenil começou a me arrastar com aquela maldita corrente que NÃO quebrava ainda que eu ficasse puxando para o lado contrário tantas vezes. TCHIBUM! Caí na água com tudo.
A princípio, pensei que fosse fundo, mas não passava da minha cintura, o que deve ter aborrecido o idiota que tentava me matar e queria se livrar do meu corpo o mais rápido possível. A água estava escura e barrosa, mas tinha uma lona debaixo dos nossos pés que não permitia que a terra entrasse em contato. O escuro era de propósito.
Eu tirei minhas sandálias e joguei para Charlotte que as segurou e subiu em cima da corda sobre nossas cabeças, seguida de Eric, tendo bastante trabalho, já que estavam acorrentado um ao outro.
Olhei para o rosto idiota de Matt e ele balançou a cabeça positivamente. Nos abaixamos no mesmo instante, mas ele foi para um lado e eu para outro, sofrendo o efeito da inércia já que ainda estávamos ligados pelas algemas malditas.
- Okay, vamos devagar. – suspirei.
A busca começou. Estava fácil demais encontrar bolinhas pelo chão. Mergulhei e peguei o máximo que pude, levantando de uma vez.
- Idiota! – Matt berrou.
Olhei para a minha mão. Tinha pelo menos sete bolinhas vermelhas, mas foram DUAS pretas de uma vez e uma amarela.
- Duas pretas. Mais duas e estão fora.
Tudo bem, eu poderia ter sido mais inteligente e ter cuidado com as bolinhas que eu pegava. Agora, Matt ficou me olhando com um jeito que eu mesma desviei e olhei para o outro lado rapidamente.
Nós dois mergulhamos mais umas duas vezes, somando ao todo 29 bolinhas antes de encontrarmos mais uma preta.
- Dessa vez não fui eu. – ri rapidamente quando Matt surgiu da água com a bendita bola preta.
- Ei, pequinês, se não fosse você não teríamos três. – ele rosnou.
- MATT! CONCENTRA! – gritava Charlotte já bem a frente.
De repente eu vi o pé dela escorregando e praticamente virando na corda. Charlotte ia caindo e eu vi o grupo Azul em último lugar com cara de derrotado. Mas Eric e Rider a seguraram de uma vez.
- Matt, Lucy! Vão logo com essas bolinhas! – Eric dizia.
Mais uma vez, caímos na água e enchemos as mãos com tudo, levantando com o máximo que podíamos.
Nenhuma preta.
Os olhos de Jean estavam vibrantes em cima de nós dois. Mais um mergulho, se pegássemos dez normais, ganharíamos.
Quando subi, achei que fosse vomitar porque vi um ponto preto nas minhas mãos. Não, não podia ser.
A mão de Matt, subitamente, bateu na minha, fazendo com que todas as bolinhas que eu carregava, caíssem na água novamente. Ele tinha visto a bobagem que eu estava para fazer antes de mim...
- Fechamos as 45. – ele disse quase sem fôlego.
- PASSAGEM LIBERADA! – berrou Jean.
Todos do nosso grupo saíram correndo sobre a corda, pousando na terra novamente, do outro lado da trilha. Já eu e Matt andamos pela água, só que mais lentamente.
- Vocês dois, não se preocupem que nós vamos liberar o caminho mais rápido na frente, vão ao ritmo de vocês!
Assentimos com a cabeça, enquanto víamos todos correndo.
Eu estava completamente molhada, assim como Matt. As nossas roupas estavam completamente coladas aos nossos corpos, enfatizando meus seios grandes e minhas banhas acentuadas no umbigo. Ah, fala sério, quem não tem retenção de líquido fácil sem ficar com a barriguinha?! Já o Matt ficou parecendo um pinto molhado...
- Olhando o que, ô escoro de braço? – ele rosnou com um jeito que praticamente sabia o que eu falava.
- Você está parecendo um frangote todo molhado assim.
Ele riu.
- A franguinha ficou mais agressiva, eihm? Eu sei que você não para de olhar para o meu físico. – nós dois rimos. Acho que eu ri da piada e ele riu para não sair mal... – Vamos logo, o pessoal não pode esperar muito.
Num ritmo só, ele com suas pernas de tamanho assustador e eu com minha velocidade “atlética”, corremos na direção que Charlotte seguira.
O bosque se estendia tenebrosamente e a corrente atrapalhava bastante a maneira que tentávamos andar, ainda assim Matt não esboçava nenhuma expressão.
Passamos por um tipo de escalada de árvores, mas, ao que parecia, Charlotte já havia passado pela fase e o monitor do grupo Amarelo nos deixou passar, já que estava completo o desafio.
Tiveram outros dois desafios que passamos rapidamente. Mas ao chegar no último desafio da trilha, minha barriga (que já roncava de fome há tempos) se contorceu.
O nosso grupo nos esperava, ao lado do grupo Vermelho, olhando uns para os outros enquanto faíscas saiam loucamente de seus olhos. Na frente dos dois, tinha um tipo de paredão branco todo manchado de tinta com um enorme fio de aço suspenso e várias coisas para segurar.
- Finalmente chegaram! – disse o monitor do grupo vermelho com uma cara emburrada de sono. – Agora, os dois grupo tem que escolher duas duplas para o Desafio das Tintas. – todos os olhos se viraram para ele, ansiosos e apreensivos. Quando ele tomou o papel da dica nas mãos eu não soube o que era maior, a expectativa ou as orelhas de todos – “Escolham seus melhores para ficarem de fora. Escolham os pequenos e indefesos para se preparem e encarem as manchas ao final da competição, antes num alto que torna a todos míseros alvos”.
Charlotte correu até nós dois com uma cara de desesperada. Dali não vinha boa coisa.
- Vocês precisam ir, por favor.
- Mas a gente acabou de chegar! Ainda estamos molhados por causa do outro desafio... – eu disse.
- Exatamente por isso, preciso de pessoas com pulso forte para conseguir arremessar. Vocês dois TEM que ir.
Matt me olhou, em seguida virou-se para Charlotte.
- O que temos que fazer? – o delinquente perguntou.
Quando me dei conta do que estava acontecendo, eu e Matt estávamos suspensos nas cordas com algemas estofadas prendendo nossos braços e pernas. No meu caso, prendia o meu tornozelo, enquanto prendia a panturrilha dele... Ao nosso lado estava Rider e Belle.
- Quem acertar mais bolas de tinta nas pessoas do outro time, vence e passa para a próxima. Quem perder vai ter que esperar vinte minutos para ser liberado!
Senti o olhar de Jonathan cair sobre mim como um animal correndo atrás de sua presa. Jenna continuava com um jeito de desdém, mas Jeon ria sem parar.
Do outro lado, os torturados – como eu – mal pareciam se importar.
- COMECEM!
A primeira bola de tinta foi bem na minha perna. Não doeu, mas também não estourou. Quem tinha lançado era Jonathan e para ele eu só mandei o meu dedo do meio com um riso maléfico e um convite de desafio juntos. Ele riu e jogou novamente, enquanto todos do grupo vermelho acompanhavam.
Matt levou seu primeiro tiro. E quando eu ia levanto o primeiro, dei o meu jeito e me contorci toda para a direita, raspando.
A tela atrás de nós ficou completamente suja e eu comecei a levar tiros loucamente.
Foi então que, quando Jonathan perdeu o interesse em atirar em mim, vi Jeffrey me olhar calmamente. Ele estava acorrentado na chata da irmã, mas me olhava sorrindo. Eu acho que sorri para ele também. Enfim, o que importa é que Bette mandou que ele jogasse uma bola em mim, e ele jogou, mas errou... Eu já tinha visto ele jogando antes e jurei que fosse acertar minha cabeça, mas não o fez... A bola de tinta parou do meu lado, atingindo só a tela atrás de mim.
PIIIIIIIIIIIM. O apito soou e nos tiraram lá de cima. Eu estava cheia de tinta pelo corpo, mas Matt me superava. Os outros dois do nosso grupo eram pequenos como eu, talvez por isso tenham se melado menos.
- Com a contagem dos juízes... – juízes? Que juízes? – Nesses cinco minutos e vinte e três segundos, o vencedor foi... (SOEM OS TAMBORES) UM EMPATE!
Empate? Ahnm? Como assim?
Todos começaram a berrar dos dois lados, tanto do grupo Azul quanto do Vermelho, mas eu fiquei mais parada, guardando minha mente e meus pensamentos esquisitos para mim.
O monitor entregou para Charlotte um envelope Azul com uma dica e para Jeffrey um vermelho, dizendo em seguida:
- Esta é a dica final de vocês. Sejam rápidos, pois há poucos minutos os Laranjas passaram por aqui e os Brancos estão ao final da trilha.
Dica final... LASCOU!
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