Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds
8 Dica 08 - Movimentos na água podem matar
Notas iniciais
Oitava Dica: Movimentos na água podem matar.
Certo, se você se mover na água você não morre, mas se ficar se mexendo demais sem conseguir se “equilibrar” ou “boiar”pode dar sérios problemas. Minha dica funciona para quem quer escutar, para quem é idiota o suficiente para entrar na água acorrentada(o) a um idiota que o peso vem todo dos ossos...
Ah, aproveitando minha deixa... NÃO se aproxime demais de qualquer fogo/fogueira/lareira/faísca/fósforo/etc que aparecer. Isso é algo que o faria se arrepender pelo resto de seus dias!
E, por fim, NÃO vão para nenhuma casinha escura, durante a noite, porque alguém pediu para você ir...
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— Azuis, sabedoria é a primeira questão. Improviso é necessário. Intuição é indispensável. E, acima de tudo, confiança uns nos outros para continuarem com suas tarefas contra ventos e mares.
A citação foi estranha e, com certeza, eu não entendi nada além do necessário... Quem estou enganando??? Não tinha entendido nada! Na verdade, o que tinha pare entender naquilo?
— Está óbvio demais... — murmurou Eric com um sorriso, enquanto todos acenavam positivamente com a cabeça. — Ventos e mares, só pode ser o lago.
Eu só consegui pensar uma coisa "Ahnm?".
— Quanto ao "improviso", devem estar falando de construir algo. – Marlene se gabou com um sorriso nos lábios, enquanto Charlotte apenas assentia com a cabeça.
— Sabedoria e intuição, tenho uma leve impressão de que temos que mandar alguém velejar, digamos assim. — desta vez quem disse foi Matt, mas bufava.
Todos começaram a se entreolhar. Entreolhar de verdade, como se procurassem alguém que se voluntariasse para pular de um precipício ou se atirar na frente do Bowser. E eu, pobre coitada e inocente, não tendo ideia do que me aguardava, levantei a mão cuidadosamente como uma menininha tímida.
— Se precisam de alguém que saiba velejar, eu sei. — a ruiva burra, eu, disse — Mas só se não tiver mais ninguém.
A expressão de Matt foi devastadora em vários aspectos. Sua boca abria várias vezes, mas nada saia dela.
— Você não deveria ter feito isso. — riu Eric.
— Eu não sei se você percebeu, franguinha, mas eu estou ACORRENTADO a você! — Matt berrava, levantando a corrente e apontando para ela com certo ÓDIO nos olhos.
— Não temos tempo para baboseiras, Matt! — gritou Charlotte, levando Eric na frente do grupo. — Vamos correr! O tempo está passando!
Ela e Eric dispararam na frente do grupo de começou a urrar como um bando de selvagens, empurrando a mim. Percebi então, eu era a oferenda aos deuses do caos e da destruição! Eu seria entregue a Shao Kahn como uma mera escrava! Eu seria devorada por Thanos! Seria empurrada de um vulcão e feita de refeição... Tudo bem, com o meu tamanho eu não passaria de aperitivo, mas ainda assim, eu fui levada ao desastre pela direção norte!
Chegamos ao lago e a minha visão foi tenebrosa...
Havia uma pilha de troncos em cima do píer com cordas e um pano que deveria ser usado como vela. Tínhamos que construir uma jangada! Do outro lado do lago havia um tipo de entrada para um bosque, e em uma árvore era completamente visível o envelope azul... Aquela era uma ilha no meio do lago!
— Vamos logo! Não temos o dia todo! – gritava Charlotte, dividindo o Grupo Azul de maneira que enfileirassem as madeiras da jangada e já começassem a amarrá-las. Eu fiquei pasma. – Matt, você e a Lucy vão remar, procurem alguma coisa que facilite isso.
Ele revirou os olhos e saiu me arrastando pelas algemas.
O lago era completamente envolto de árvores. Na verdade, todo o acampamento era, mas principalmente onde estávamos. O delinquente e eu fomos até o primeiro galho gigante caído que vimos e o levamos para a construção da jangada. Não demorou mais que meia hora com todas aquelas mãos se movendo umas atrás das outras.
— Fala sério. – berrei pasma.
A jangada estava praticamente finalizada. Os troncos de árvore estavam ligados uns aos outros com as cordas, a vela estava a postos e dois garotinhos pequenos terminavam de amarrar o pano da vela. Eles passavam rapidamente as cordas firmes em cima e em baixo dos troncos, no final davam a volta e em seguida interligavam-nas com uns nós de marinheiro que eu nunca tinha visto igual.
ISSO DESAFIAVA AS LEIS UNIVERSAIS!
Primeiro eu fiquei assustada, afinal a maior parte do meu grupo tinha cara de nerd mesmo. Muitos eram magricelos e tinham óculos gigantes, não tinha como fazerem um trabalho braçal daqueles em tão pouco tempo! Ouso dizer que um dos mais fortes ali era o delinqüente juvenil chamado Matt, que estava do meu lado.
Os integrantes do Grupo Azul começaram a me empurrar para cima da jangada e ao mesmo tempo empurrá-la para dentro do lago, urrando como antes.
— ESPERA! – berrava um dos garotos da vela – Já estou saindo!
Ele e seu companheiro de algemas pularam para fora no mesmo instante em que entramos na água, eu e Matt.
Todos começaram a torcer enquanto nós empurrávamos a água com os galhos grossos e pesados que usávamos como remos. Achei que não fosse sair do lugar quando a correnteza começou a nos levar. O pessoal do grupo continuou gritando e se divertindo com nossas expressões de desespero.
— Anã, você vai ganhar um belo de tombo nesse rio. – Matt me ameaçou, mostrando-se um tanto assustado com o fato de estarmos sobre a água. – Ainda não entendi porque aceitei ficar acorrentado a você.
— Cala a boca e continua mexendo o galho! – resmunguei empurrando o garoto com o ombro – Temos que chegar do outro lado o mais rápido possível e ainda voltar...
Não estávamos nem na metade do lago quando começamos a escutar berros mais altos que os do nosso Grupo. Olhei para trás e lá vinham os Laranjas, pulando como loucos.
— AZUIS! VOCÊS NÃO VÃO CHEGAR A TEMPO! – eles berravam em uníssono, enquanto alguns começavam a se dispersar para pegar e alinhar os troncos.
OS NERDS DAQUI SÃO SOBRE-HUMANOS???!!!
— Temos que ir mais rápido, fangote! – eu disse para Matt, enquanto ele me devolvia um olhar de desdém.
— Ah, a gente não ganha essa coisa desde que estávamos junto com os vermelhos mesmo...
Não agüentei esse tom de “não estou nem aí” daquele garoto. Peguei a gola de sua camisa e tive um súbito ataque de loucura. Pulei com todo o meu peso e o peso dele dentro do lago.
SPLASH.
Senti a água entrar no meu nariz e tentei subir rapidamente, mas o peso do delinqüente caiu bem em cima de mim e ele começou a se sacudir, até que finalmente os dois subiram e começaram a cuspir água um no outro.
— ESTÁ FICANDO LOUCA?!
— Se a gente nadar, chegamos antes dos Laranjas. – eu disse, ainda cuspindo água.
— Você parece criança! – ele berrou, tentando se manter equilibrado na água. – Sabe o que tem nesse lago?! Sabe porque colocaram a gente para ir de jangada?! Vamos voltar para ela!
— Já estamos molhados, vamos até o fim e vamos mais rápido!
— Espera! Para! FICA PARADA!
Parei e fiquei em silencio um mísero segundo, olhando para sua cara de quem está procurando paciência. Atrás de nós os Laranjas já estavam no meio da construção e a nossa própria jangada começava a se afastar.
— Tudo bem, vamos com calma... – ele disse, olhando para cima e, em seguida, agarrando meu pulso. – Se apoia em mim, vou tentar ir rápido. Mas se fizer qualquer gracinha ou comentar isso com alguém, eu juro que não tenho medo quebrar teu queixo.
Engoli a seco naquele momento. O olhar tenso e assombroso de Matt foi, digamos, penetrante. Agarrei suas costas e começamos a nos mover. Ele estava nadando na direção da floresta rapidamente (bem mais rápido do que a velocidade que tínhamos na segura e não molhada jangada). Ainda assim, eu sentia sua respiração dificultosa e um tanto forçada.
Quando chegamos mais perto, dei uma olhada para trás. Nosso grupo estava todo sentado, a maioria nos observava com apreensão, enquanto os Laranjas brigavam uns com os outros dentro da jangada por causa de sua lentidão.
— Ei, franguinha... – Matt falou com um ar cansado, praticamente morto.
— Relaxa, frangote, estamos chegando! Só falta um pouco!
Eu consegui colocar meus pés na areia e saí arrastando o pobre coitado morto. Ok, ele não era um pobre coitado, mas aquela cena toda de esforço me deu certa... Pena.
A carta estava extremamente perto e quando eu consegui alcançá-la, completamente encharcada, demorei um pouco para abrir o fecho, enquanto escutava a sonoridade afagada de Matt tentando respirar.
— Ok, eu abri! – disse, animada – “Otários, Azuis otários. Brancos mandam lembranças da linha de chegada!”
IDIOTAS! Maricas amarelos com cara de pus e bunda de Hutt com as vísceras servindo de maquiagem.
A expressão de Matt e a minha mesma foram meio “devastadoras”. Estávamos acabados. Tudo aquilo para nada, os Brancos tinham nos sabotado! Como iríamos voltar com aquela notícia. Então eu escutei algo que deveria ser um riso.
Matt ria.
— Ai, eles nos pegaram. – ele estava rindo. Era louco ou bipolar?! Então se levantou e começou a andar, me puxando pela algema. – Vamos, temos que fazer isso sem que eles percebam.
— Fazer o quê, louco? – eu puxava para o outro lado, mas ele era mais forte.
— Trocar a nossa dica com a dos Laranjas, lógico.
Matt era cruel... Mas era um gênio cruel.
— Ok, mas como vamos voltar para o outro lado? Nadando não é mais uma sugestão... – falei, enquanto ele trocava as pistas. Então me olhou rapidamente e em seguida por cima do meu ombro, apontando.
— Não me diga que você não viu os jets skis no píer da ilha...
É, tinha um píer na ilha e vários jets skis nele. Quem em sã consciência deixaria os únicos meios de transporte do lado inabitado do lago?! Ahh, só podia ser para pegarmos! Sendo assim, não havia mal algum em usar, certo?
Matt e eu corremos o mais rápido possível para nossa salvação e quando chegamos percebemos que eram propositais, as chaves estavam nas ignições.
— E agora é só subir. – Matt falou. Matt me olhou. Matt esperou.
— O que? Você acha que eu sei “pilotar” um jet ski?! – indaguei.
— Como assim você sabe velejar, mas não sabe usar um jet ski?! É fácil como andar de bicicleta.
Eu revirei os olhos.
— Então por que você não dirige? – estendi minha mão, abrindo ala para o senhor delinqüente passar. Ele não passou. E, de repente, não mais que de repente... Eu percebi! – Eu vou morrer de deixar você dirigir?
— Vai. – a resposta foi instantânea que eu me assustei.
Subi no banco e Matt me seguiu, olhando para a água a nossa volta. Eu liguei o motor e ele estremeceu um pouco. Não sei quem estava com mais medo, eu ou ele! Agora eu sei quem teria medo daqui um tempinho...
O motor começou a roncar e eu inventei de acelerar, batemos com força na ponta de madeira do píer.
— Estou começando a reconsiderar nadar de volta.
— Ah, não mesmo! – berrei, acelerando outra vez, mas agora sem bater.
Estávamos indo lentamente e o jet ski dava pulos vez ou outra, enquanto Matt se segurava nas barrinhas de alumínio laterais e eu ficava sempre tensa. Se bem que o vento era bem gostoso.
A nossa “viagem” se tornou deliciosa em alguns instantes, tanto que eu comecei a rir como uma louca, acelerando... Matt também começou a se divertir, tanto que eu me virei para ele e o vi sorrir (ainda com as mãos fincadas nos apoiadores...).
Bem, uma dica: Se estiver dirigindo alguma coisa, seja carro, jet ski, carrinho de mão ou tanto faz... NUNCA TIRE OS OLHOS DO QUE ESTÁ NA SUA FRENTE! JAMAIS!
Eu olhei novamente para frente e todo mundo estava gritando para mim. A praia se aproximava MUITO rápido e Matt e eu começamos a berrar como umas garotinhas amedrontadas. O problema é que eu realmente sou uma garota, Matt não.
Quase atropelei o Eric e o Chris, coitadinhos. O meu “estacionar” foi um tanto rápido e devo dizer que a maneira como eu e o delinqüente pulamos para a areia foi... Artística.
Charlotte, ainda ofegando e assustada, tomou o bilhete dos laranjas nas mãos e começou a ler:
— “Um pouco de conhecimentos gerais para aqueles que visam saúde: Ele era um dos cientistas mais visionários de sua época. Um doutor. Um gênio. Procurem pela bandeira dele e que o caracteriza, mas cuidado com os inimigos. Hoje a noite da fogueira será dos mais rápidos.”
Todos sorriram e respiraram, berrando em uníssono:
— HULK!
É, eu também percebi (ALELUIA, EU ENTENDI ALGUMA DICA!). Gênio, doutor, conhecimentos gerais e VERDE! Verde por causa dos nossos inimigos, certo...? Poxa, fiquei até emocionada.
A bandeira dos verdes estava bem da frente da Grande Casa, mas nós chegamos tarde. Os Brancos já estavam ali e os Vermelhos vinham ao nosso encalço. Demorou pelo menos meia hora para que os Verdes chegassem brigando com os Amarelos e, por último, os Laranjas que brincavam conosco na beira do lago.
— Agora estão todos aqui, podemos dar continuidade! – disse o Sr. Turner no microfone. – Estou premiando a partir de agora os Brancos por uma excelente tarefa com 70 pontos! Os Vermelhos e os Azuis com 50 pontos! E as outras equipes com 20 pontos.
Todos começaram a comemorar. Quando digo “todos”, digo os Brancos nojentos. Mas agora eu me pergunto como e COM QUAIS PODERES eles conseguiram completar as tarefas enquanto a Charlotte amarrou dois deles.
Um dos monitores, acho que foi do grupo Verde, foi na direção do diretor e disse algo no ouvido dele.
— Ok, vamos atribuir novos pontos. – naquele momento eu me senti a Grifinória no meio do filme do Harry Potter – Gostaria de dar 10 pontos por conta da senhorita Charlotte Devosso durante a prova na trilha e 10 pontos ao senhor Jeffrey Larsen também durante a prova na trilha. Totalizando para os Azuis e Vermelhos 60 pontos. Agora vão tomar banho, pois esta noite teremos a Grande Fogueira!
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Eu passei a tarde pensando no que tinha acontecido. Por que mesmo ganhamos mais 10 pontos? E por que os Vermelhos também ganharam? Enfim, aquilo não importou muito. Depois de tanto banho de lama, tinta e água de rio, eu merecia tomar uma ducha de verdade.
Juntei-me a Jenna e nos arrumamos juntas. Para falar a verdade, tive uma primeira experiência até boa com ela quando vi sua camisa do AC/DC.
— Você gosta de AC/DC?! – perguntei com os olhinhos brilhando.
— Não exatamente... – ela me respondeu com a cabeça baixa – Ganhei essa camisa do Matt ano passado por causa de uma aposta.
Conversa acabada.
Já estava de tardezinha, a “Grande Fogueira” ficaria na frente da Grande Casa (esse povo gosta de coisas grandes) e lá estava eu com o meu jeans surrado e uma caminha de manga comprida gigante, parecendo um pijama.
Charlotte e os outros chefes de equipe distribuíam galhos com marshmallows para todos e quando eu cheguei ela me deu um com dois (parabéns, Lucy!), enquanto Matt mandava piscadelas para mim. Acabei por sentar-me ao lado de Eric e começar a falar besteiras.
— Mas então, gostou do primeiro dia? – ele me perguntou, olhando para os enormes troncos/galhos da fogueira que começavam a acender o fogo.
— Ah, eu estou toda quebrada haha. – respondi rindo – Depois que aquele garoto dos Brancos caiu em cima de mim, acho que quebrei alguma coisa.
Eric começou a rir loucamente.
— É, eu deveria ter filmado aquilo! Foi muito engraçado! Mas se não fosse por aquilo, não estaríamos com 60 pontos.
Ahnm? Eu me perguntei.
— Como assim?
Ele se virou para mim e sorriu:
— A Charlotte não o amarrou? Bem, ela é uma garota muito boazinha e deixou o nó frouxo para que eles pudessem se soltar, não viu? – então tudo começou a fazer sentido... Charlotte não era um diabo! – Ela é gentil demais para essas coisas, mas gosta de fazer charme para os novatos e se mostrar durona. Se não fosse assim, jamais teria ganhado o cordão, nem ela nem o Jeffrey dos Vermelhos.
— Ele também tem? É por isso que não trapaceiam um contra o outro, certo?
— A irmã dele até já tentou, mas a Charlotte consegue acabar com qualquer ameaça... – ele continuou falando, sorrindo como um bobo.
— Pois é, Catatau! A Charlotte é a líder ideal.
A última voz não foi de Eric. Foi do imbecil, lógico.
— Oi para você também, frangote. – eu disse, revirando os olhos – Não vai se drogar nas moitas não?
— A porteira de maquete não resiste ao meu charme. – ele riu, desta vez olhando para trás.
Quem estava atrás do idiota? Jeffrey Larsen.
Reparando bem, Jeffrey era bem bonito. Apesar de ter o narigão e ser realmente alto (e não se parecer com o deus grego, Quentin), ele tinha certo charme e me olhava nos olhos... Ele realmente me olhava no fundo dos olhos...
— Soube que você fez o Matt gritar feito uma garotinha. – Jeffrey disse, sentando-se ao meu lado – É verdade?
Matt bateu a mão na própria cara e Eric se esforçou para conter o riso.
— Bem, ele soltou seu verdadeiro eu, certo? – eu disse, também rindo.
— Talvez tenha decidido o lado que pertence. Cromossomos Y estão cada vez mais raros.
— E inutilizados como uso de pílulas, esteróides e drogas! Já olhou para a cara de delinqüente do rapaz? – gargalhei.
— Não deveria dizer “moça”? – Jeffrey riu também.
— CHEGA! – berrou Matt, sentando entre mim e Jeffrey – Não posso deixar três segundos vocês dois falando e já me transformam numa mulher, eu eihm! Ainda bem que a nanica não foi para os Vermelhos.
Jeffrey botou a mão no ombro dele e o empurrou para frente levemente.
— Ahh, quem queria estar nos Vermelhos era você que eu sei.
Matt revirou os olhos, bufando estressado. Eu comecei a gargalhar, ainda não tinha tido o prazer de ver quão engraçado ele era estressado! Olhei para Jeffrey e falei:
— Acho que ele entrou naqueles dias...
Ele e Eric desataram a rir.
De repente, Jeon apareceu pulando na minha frente.
— Encontrei! – ele berrou apontando para mim. Não exatamente para mim, na verdade era para o Matt, mas eu achei que fosse para mim.
— O que você quer, Jeon?! – Matt resmungou com a cabeça ainda baixa e a voz enraivecida.
— Esther tava te procurando, ela disse que é para você encontrá-la urgentemente.
Como um relâmpago, ele pulou de uma vez e saiu andando, cedendo o lugar sobre a areia. Naquele momento o fogo já estava alto e as pessoas já chegavam mais perto para assar seus marshmallows, menos nós ali.
— Olha só a dentista da Barbie! – Jeon falou reparando em mim.
— Dentista da Barbie é novidade... – murmurei.
— É verdade que o Matt gritou como uma garota?! Todo mundo ta falando disso!
— Nossa, as notícias correm rápido por aqui... – falei, revirando os olhos.
Os três rapazes assentiram com movimentos de cabeça.
— Se você quer que todos saibam de algo, sem ofensa, mas é só falar para a Bette Larsen. – disse Eric calmamente. – Até o irmão dela concorda.
Jeffrey concordava mesmo.
Então, na frente da Grande Casa, Jean Devosso apareceu com o microfone.
— Olá, pessoal! Eu sou a Jean, monitora do grupo Azul, mas estou aqui só para introduzir os nossos anfitriões da noite!
— Como assim “anfitriões”? – perguntei.
— Você deveria ter lido as instruções da Charlotte... – Eric respondeu – É que toda noite a fogueira, um grupo é colocado como anfitrião e tem que mostrar algumas habilidades artísticas ou qualquer coisa que impressione. É como se fosse tematizar a noite, entende?
Ahh...
— Nossos anfitriões Verdes e seu show de luzes! – ela berrou, levantando a mão para o céu.
Do nada, várias luzes verdes se estenderam no céu como num show de metal, cruzando-se umas com as outras, levantando e abaixando. Quando abaixaram de uma vez, passaram por todos que estavam em pé, até sumir novamente. Tudo ficou em silêncio, exceto por alguns murmúrios. Então um batuque se fez ouvir muito alto e as luzes começaram novamente.
Onde Jean estava, encheu-se de rapazes sem camisa com tambores gigantes fazendo o mesmo som, algo até meio tribal. Uma menina pequena tomou o microfone e começou a “cantar” um “Uhhhh, Yeah!” de blues e R&B com baladinha Black dos anos 70.
A batida se intensificava e as luzes ficavam no ritmo dela, enquanto os outros participantes do grupo Verde passavam por entre nós, vestidos com capas negras, até cercarem a fogueira e num último grito da garota e na última batida rápida, jogaram um tipo de pó no fogo. As chamas ficaram roxas e subiram violentamente, enquanto batiam com as luzes.
Foi um show incrível! Todos aplaudiam.
Eles continuaram com a encenação e eu ria, boba com tudo aquilo, até que senti um cutucado no meu ombro. Era Anna Pierce, uma garota da minha barraca que gritava bastante, me olhando feito uma cobra prestes a dar o bote.
— Lucy, preciso que venha comigo. – ela disse.
— O que foi? – eu fiquei com um pé para trás, nunca tinha falado com aquela garota antes...
— O Joh... Chris, da sua equipe, pediu que fosse falar com ele. Ele tem alguma coisa para falar contigo. Vem?
Ela me puxou rapidamente. Eu não tive exatamente tempo e revidar, mas fui com ela, deixando rapidamente um olhar para trás e vendo que Eric cutucava Jeffrey um pouco assustado ao olhar para mim.
Fui com Anna para algum lugar no meio do mato. Estávamos do lado da Grande Casa, eu sabia, mas não entendia para onde ela me levava, por isso me guiei apenas pelo muro do acampamento. A noite já tinha caído e ficava cada vez mais escuro enquanto andávamos (não que tenhamos andado muito).
Foi então que eu vi uma pequena casinha de ferramentas.
— Ele está ali, é só entrar. – disse ela.
Eu, ingênua como sou, fui. E disso me arrependo pelo resto dos meus dias.
A portinha da casa rangeu, tudo estava escuro e simplesmente adentrei, tateando a parede em busca de uma tomada.
— Finalmente você voltou, tava difícil, eihm? – escutei uma voz meio rouca no meio do escuro – Ta meio frio, é melhor fechar a porta para não nos pegarem.
Quem era que estava ali. Tudo estava escuro e eu não via nada além das luzes que vinham da porta da casinha. Então senti um fio na minha cara e minha primeira reação foi segurá-lo. Ah, a casa era tão antiga que a luz ainda era daquelas que precisávamos puxar o fio... Foi isso que pensei. Segurei o fio e pouco antes de puxar, escutei:
— LUCY, SAI DAÍ!
Era a voz de Eric, olhei para trás, mas já era um pouco tarde... Eu tinha ligado a luz. Olhei para frente e só consegui enxergar o inferno. Inferno. Inferno com nome de Matt. Inferno com sobrenome “Pelado”.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
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