Como Ser Um Fantasma (Sem Querer)
5 Capítulo 5
Fazia dias inteiros que Emmett não soltava um único grito agudo de pânico doméstico. E isso, dentro dos meus parâmetros de convivência, configurava um problema grave.
Não um problema do tipo "a estrutura da casa está pegando fogo" ou "há um urso pardo de verdade destruindo a mobília da cozinha". Mas, ainda assim, um dilema metodológico. Porque a vida pós-morte era infinitamente superior e mais colorida quando Emmett se encontrava em completo desespero psicológico. Era um fato empírico, objetivo. Cientificamente comprovado. Talvez não pela ciência tradicional dos humanos vivos, mas definitivamente pela minha. E, como eu era a única pesquisadora disponível nesta colina, meu veredito era absoluto.
Passei os dias subsequentes tentando recriar o sucesso do glorioso episódio do espelho embaçado. Os resultados, no entanto, foram profundamente decepcionantes.
Certa tarde, gastei uma quantidade absurda de energia espiritual para empurrar uma meia de lã para fora da gaveta dele. Emmett simplesmente recolheu o tecido do chão e culpou Rosalie pela bagunça. Em outra ocasião, movi um livro de mecânica alguns centímetros para o lado; ele assumiu que Edward estava tentando irritá-lo. Numa terceira tentativa frustrante, derrubei um porta-retratos inteiro; ele bufou e colocou a culpa em Jasper.
Aquilo estava começando a ficar pessoal. Minha dignidade profissional corria perigo.
— Eu sou uma assombração extremamente competente e dedicada — reclamei em voz alta, flutuando bem ao lado de sua orelha enquanto ele reposicionava a moldura de prata na mesa. — Faça o favor de parar de atribuir o meu trabalho árduo aos outros membros desta casa.
Emmett não emitiu nenhuma reação biológica. O que achei de uma grosseria tremenda.
Na manhã de quinta-feira, o casarão voltou a mergulhar em seu estado de vacância temporária. Os Cullen saíram em bloco para exercer suas rotinas humanas completamente normais e nada suspeitas: os jovens foram fingir interesse pelas aulas do ensino médio, Carlisle seguiu para os seus plantões cirúrgicos no hospital e Esme dedicou suas horas a domesticar os arbustos do jardim dos fundos.
Eu acompanhei cada passo, como sempre fazia. Naquele estágio da convivência, eu já dominava a rotina daquela família de monstros melhor do que eles mesmos. Sabia exatamente quem era o primeiro a despertar do estado de repouso estático, quem demorava mais para cruzar a porta da frente, quem acumulava mais reclamações matinais e quem despendia tempo excessivo diante do espelho do corredor.
Rosalie. Definitivamente Rosalie.
Embora, operando com total justiça estética, se eu estivesse no mundo dos vivos com aquele arranjo facial perfeito, provavelmente também passaria a eternidade admirando o meu próprio reflexo.
O dia transcorreu em uma calmaria linear e sem grandes sobressaltos, o que significava que o meu velho inimigo natural — o tédio milenar — estava esticando as garras para me alcançar outra vez.
Eu estava sentada de forma desleixada sobre as telhas úmidas do telhado da varanda, observando a chuva fina e cinzenta cair sobre os pinheiros, quando o som característico dos motores esportivos ecoou ao longe. Os carros retornaram no final da tarde.
Imediatamente, me animei. A chegada dos Cullen funcionava como o meu horário nobre; eles sempre traziam as fofocas do mundo exterior, um lugar que eu não visitava fisicamente há longas e arrastadas décadas.
As portas dos veículos foram batidas. Alice foi a primeiríssima a cruzar o umbral da sala de estar. Ela exibia uma vibração animada. Animada demais. O que, nos meus arquivos de observação, costumava se traduzir como um prenúncio iminente de problemas estruturais.
— Eu acabei de ter uma ideia absolutamente fantástica! — anunciou ela, arremessando as chaves.
Pronto. Diagnóstico confirmado: confusão à vista.
Esme ergueu os olhos calmos do livro de arte que mantinha aberto no colo.
— Esse seu tom de voz geralmente me causa preocupações financeiras e arquitetônicas, querida.
— Eu quero redecorar a disposição desta sala de estar — Alice disparou, os olhos brilhando.
— Alice...
— Apenas algumas mudanças sutis, eu prometo!
— A última vez que você utilizou a palavra "sutil", nós fomos forçadas a adquirir mobília nova para três cômodos inteiros — relembrou Esme, com um sorriso condescendente.
— E todos eles ficaram esteticamente impecáveis!
— Sem contar o detalhe de termos derrubado uma parede inteira de sustentação — Rosalie pontuou do canto.
— E a sala ganhou uma amplitude maravilhosa, vamos admitir.
Eu esbocei um sorriso largo, flutuando perto das vigas do teto. Aquela conversa estava se desenvolvendo exatamente na direção divertida que eu previra.
Emmett adentrou o cômodo logo em seguida, jogando a mochila no chão.
— Eu votei a favor da demolição daquela parede na época — ele interveio, orgulhoso.
— Obviamente — Edward comentou, surgindo logo atrás com seu sorrisinho de canto de boca. — Você só aprovou o projeto de design porque recebeu autorização formal para destruir alvenaria com os próprios punhos.
— E foi um dos dias mais terapêuticos e divertidos da minha vida — Emmett rebateu, sem um pingo de vergonha.
Enquanto o clã continuava o seu debate ruidoso sobre arquitetura, Emmett se jogou de forma pesada no estofado do sofá principal.
— Estou completamente faminto — resmungou ele, cruzando os braços imensos.
— Você pertence a uma espécie que literalmente não ingere matéria orgânica humana, Emmett — Rosalie relembrou, sem desviar o foco de sua leitura.
— E, ainda assim, estou com fome.
— Isso desafia toda a lógica biológica.
— Faz um sentido perfeito dentro da minha mente.
— O que explica a totalidade dos seus problemas estruturais — Rosalie concluiu, refinada.
Emmett apontou o indicador na direção dela, buscando o apoio do resto do cômodo.
— Vocês estão testemunhando isso? É exatamente esse tipo de ceticismo e negatividade que corrói os laços de uma família unida.
Edward explodiu em uma gargalhada limpa, e Alice o acompanhou de imediato. Eu estava prestes a sintonizar a minha própria risada fantasmagórica com a deles quando um detalhe milimétrico congelou a minha expressão.
Jasper.
Ele estava fixando os olhos na minha direção.
Não. Aquilo contrariava todas as minhas estatísticas experimentais. Era logicamente impossível.
O meu sorriso travesso desapareceu de forma gradual. Jasper permanecia estático, posicionado próximo à grande moldura da janela da frente. Suas feições exibiam a calmaria e a neutralidade habituais, mas seus olhos estavam direcionadas de forma cirúrgica e milimétrica exatamente para o ponto exato do espaço onde eu me encontrava sentada.
Meu estômago inexistente experimentou uma reviravolta térmica estranha.
Nós nos sustentamos naquele alinhamento visual por um segundo. Dois. Três longos segundos de pura estática.
Então, as sobrancelhas de Jasper uniram-se em um vinco leve e quase imperceptível. A expressão típica de um indivíduo que tenta decifrar ou compreender uma sensação física anômala que acabou de capturar. Não parecia uma reação de quem estava me enxergando com nitidez visual — como Emmett fizera —, mas sim de quem estava processando uma onda de energia ou uma flutuação térmica e emocional densa no ambiente.
Tão rápido quanto o vinco surgira, ele relaxou as feições e desviou o foco das órbitas, retornando à dinâmica da conversa familiar como se nenhum fenômeno tivesse cruzado o seu radar.
Permaneci completamente imóvel no meu canto, os neurônios operando em velocidade recorde. Aquela reação havia sido metodologicamente diferente de tudo o que eu catalogara até aqui. Jasper não tinha me visto com os olhos físicos, eu guardava certeza absoluta disso. Mas... ele tinha registrado a minha presença. Uma oscilação de energia, uma assinatura emocional, um resquício de vibração no ar.
Eu não dominava os termos técnicos da mecânica dos poderes dele, mas sabia identificar uma novidade de longe. E novidades de verdade eram recursos escassos na minha eternidade.
Enquanto o falatório sobre tecidos e reformas prosseguia no centro da sala, mantive meus olhos cravados nos movimentos sutis de Jasper. E, pela primeiríssima vez desde que os carros pretos cruzaram a clareira da propriedade, comecei a arquitetar a suspeita de que Emmett talvez não detivesse o monopólio da capacidade de notar a minha existência invisível.
A mera possibilidade fez um sorriso lento, perigoso e totalmente renovado desenhar-se nos meus lábios espectrais.
Porque se havia uma atividade lúdica infinitamente mais prazerosa do que destabilizar a mente de um vampiro de dois metros de altura... era o desafio científico de destabilizar dois.
Aquela ideia permaneceu obstinadamente cravada na minha mente pelo restante da semana.
Jasper.
Não porque o sujeito tivesse me enxergado com clareza visual. Ele definitivamente não tinha me visto. Se o milagre óptico tivesse ocorrido, eu saberia na hora; afinal, Emmett tinha praticamente tentado quebrar o recorde mundial de velocidade e aceleração vampírica quando cruzou o foco dos seus olhos comigo pela primeira vez. Jasper não esboçara nenhuma reação dramática que flertasse com o colapso biológico.
Mas havia acontecido alguma coisa ali. Uma flutuação térmica milimétrica. Alguma hesitação quase imperceptível em sua postura rígida. Uma mudança infinitesimal na linha fina de suas sobrancelhas. Parecia a exata reação de um indivíduo que sente o impacto de uma corrente de ar gelado que não deveria existir em um cômodo fechado, ou que capta os acordes distantes de uma música que mais ninguém na clareira consegue escutar.
E aquilo, logicamente, me despertava uma curiosidade científica avassaladora.
Infelizmente, para o meu desespero logístico, Jasper revelou-se um objeto de estudo bem menos dinâmico e divertido de se monitorar do que o brutamontes do Emmett. Emmett era uma fonte inesgotável e barulhenta de puro entretenimento doméstico. Jasper, por outro lado, era... quieto. Desesperadamente quieto.
Havia tardes em que ele passava horas consecutivas com os olhos travados nas páginas de um volume encadernado. Em outras ocasiões, permanecia estático na mesma poltrona, limitando-se a encarar a imensidão verde da floresta de Forks através das vidraças limpas. Sem esboçar um gesto. Sem emitir um sussurro. Sem soltar um único grito agudo de pânico. O que, nos meus critérios de avaliação de assombração, já o colocava em uma severa desvantagem competitiva.
Na sexta-feira à tarde, por exemplo, localizei-o totalmente sozinho na sala de estar. Ele estava concentrado na leitura de um livro de capa dura colossal, daqueles manuais densos que parecem ter sido redigidos por comitês acadêmicos com o propósito exclusivo de torturar a saúde mental de estudantes universitários.
Flutuei suavemente até o cômodo e me acomodei no braço estofado da poltrona, bem ao lado dele. Nenhuma oscilação biológica. Acenei uma de minhas mãos fantasmagóricas a um centímetro de suas órbitas douradas. Nada. Inclinei o meu corpo para a frente, aproximando o meu rosto pálido do dele até que nossas frequências quase se sobrepusessem. Ainda assim, nada.
— Você é consideravelmente menos engraçado e cooperativo do que o seu irmão Emmett — reclamei em voz alta, bufando contra o ar.
Jasper simplesmente virou uma página com um ruído seco de papel.
— Eu confesso que sinto simpatia pela sua estética militar — continuei o monólogo com o vazio —, mas você precisa urgentemente melhorar o seu desempenho de reatividade.
Outra página foi virada com precisão cirúrgica.
— Você detém potencial latente, Jasper. Talvez eu possa estruturar algumas sessões de mentoria sobrenatural para o seu subconsciente.
Nenhum desvio de foco. Nenhuma piscada prolongada. Absolutamente nada que indicasse registro da minha presença. Cruzei os braços virtuais, dando de ombros.
— Certo. Você foi oficialmente catalogado como um indivíduo difícil de destabilizar.
E aquilo deu por encerrada a minha rigorosa pesquisa científica daquele dia de chuva.
No sábado, entretanto, a engrenagem do tédio foi quebrada por um acontecimento de magnitude inédita. Os Cullen resolveram receber visitas externas. O que, no histórico de isolamento daquela colina, configurava um evento raríssimo.
Eu estava sentada de pernas cruzadas nas telhas úmidas do telhado da varanda quando o eco de motores desconhecidos cortou a calmaria da estrada de terra. Dois veículos pretos e de linhas aerodinâmicas surgiram entre os pinheiros. Meu interesse investigativo foi ativado de forma instantânea.
Visitas novas significavam novos dados biográficos. Novos dados significavam fofocas inéditas. E fofocas eram o combustível premium para a minha engrenagem de espionagem profissional.
Deslizei verticalmente através do gesso do teto e fui parar no limite da sala de estar exatamente no milissegundo em que Carlisle abriu a porta da frente. Dois novos vampiros cruzaram o umbral. Um homem e uma mulher. A mulher portava cabelos castanhos longos e densos, exibindo um sorriso genuinamente caloroso e amigável; já o homem parecia ter sido extraído diretamente de um ensaio fotográfico de uma revista de alta costura europeia.
O clã de Forks os recebeu com uma familiaridade natural, o que me confirmou que já se conheciam há anos. Perfeito. Mais codinomes para eu catalogar na minha planta mental. Mais intrigas internacionais para desvendar.
Passei os vinte minutos subsequentes estrategicamente oculta atrás da densidade do sofá de camurça, sintonizando a conversa com ouvido cirúrgico. Descobri que a mulher atendia pelo nome de Tanya. O homem, por sua vez, chamava-se Eleazar. Descobri também uma característica sociológica reconfortante: vampiros adoravam conversar longamente sobre política regional e memórias seculares. O que era excelente para mim, visto que criaturas que verbalizavam muito produziam material de sobra para o meu lazer.
Emmett adentrou o recinto alguns minutos mais tarde, trazendo aquela sua energia ruidosa de sempre. No instante em que os braços imensos do gigante cruzaram o vão da porta, Tanya desviou o foco da conversa e abriu um sorriso carregado de malícia divertida.
— Emmett, querido — ela chamou, a voz aveludada.
— Tanya — ele acenou, descontraído.
— Diga-me uma coisa... você ainda continua sendo ativamente aterrorizado e feito de refém por fantasmas de camisola?
O silêncio que se instalou na sala de estar foi tão denso que quase adquiriu massa molecular.
No meu esconderijo, eu congelei. No centro do tapete, Emmett congelou de forma idêntica.
Alice foi a primeira a romper a estática, explodindo em uma crise de riso tão violenta que quase perdeu o equilíbrio e despencou da cadeira de balanço. Edward simplesmente abandonou qualquer verniz de etiqueta social aristocrática e cobriu os olhos com uma das mãos, chacoalhando os ombros de tanto rir. Carlisle fechou as pálpebras com um conformismo quase paternal. Rosalie soltou um longo e audível suspiro de exasperação.
E eu? Bem... eu simplesmente desabei na gargalhada mais ultrajante e ruidosa da minha pós-vida, dando cambalhotas invisíveis no ar de tanta satisfação.
Emmett apontou o dedo indicador na direção de Alice, a fúria cômica estampada nas feições de mármore.
— Você espalhou essa história para os clãs do norte, Alice?!
— Eu fiz questão de relatar o ocorrido para absolutamente toda a nossa rede de contatos, Emmett — ela admitiu entre as lágrimas de riso.
— ALICE!
— O quê?! Foi uma performance dramática digna de registro histórico, admita!
— Foi um atentado traumático contra a minha dignidade imortal! — Emmett esbravejou, jogando as mãos para o alto.
— Foi a coisa mais escandalosamente hilária que já cruzou esta colina — Edward interveio, a ironia pingando de suas palavras perfeitas.
— Eu quase experimentei uma parada cardíaca simultânea, seu idiota!
Edward ergueu uma das sobrancelhas acobreadas com deboche.
— Você pertence a uma espécie que carece de atividade pulsante há mais de um século, Emmett.
— Você compreendeu a profundidade metafórica do que eu quis expressar, Edward!
— Infelizmente para o nosso intelecto, nós compreendemos com total clareza.
A sala inteira capitulou diante do riso geral. Até mesmo Esme exibia um sorriso largo atrás do pano de prato; Carlisle exalava diversão contida; e até Jasper exibia o canto dos lábios curvado de forma leve. Emmett parecia a exata personificação de um homem traído e ridicularizado pelo próprio povo. E eu, flutuando perto do lustre, estava me deliciando com cada milímetro daquele espetáculo público.
O gigante afundou o corpo de forma pesada no estofado do sofá, cruzando os braços imensos em um bico emburrado.
— Todos vocês são criaturas profundamente horríveis e sem empatia.
— Nós também devotamos um amor imenso a você, irmãozão — Alice respondeu, mandando um beijo no ar.
— Não. Vocês decididamente não nutrem sentimentos afetuosos por mim.
— Nutrimos sim.
— Não nutrem.
— Nutrimos.
— Não nutrem!
Rosalie esticou o braço e desferiu um tapa leve e estalado na nuca dele.
— Faça o favor de cessar esse comportamento de criança mimada, Emmett.
— Eu fui alvo de uma assombração legítima, Rosalie!
— Você viu uma garota de camisola comum uma única vez na vida.
— Uma garota morta!
— Continua operando dentro da categoria de uma garota — Rosalie concluiu, sem paciência.
— Nenhum de vocês possui a menor capacidade de compreender o horror daquela noite...
Eu gargalhei com tanta intensidade que precisei atravessar fisicamente metade da estrutura de madeira do sofá para não perder o foco do equilíbrio no ar. Aquela dinâmica era pura poesia clássica. Porque eu tinha passado longas, frias e arrastadas décadas existindo em um estado de invisibilidade absoluta. Décadas esquecida pelo mundo. Décadas sem que uma única alma viva fizesse menção de saber que o meu nome era Bella Swan ou que eu habitava aquele gesso podre.
E agora? Havia uma corte inteira de vampiros centenários e aristocratas sentada na sala de estar, gastando sua saliva imortal para fazer piadas e deboches sobre a minha própria existência biológica.
De uma forma terrivelmente estranha, calorosa e distorcida... era quase como se eu estivesse fazendo parte de uma casa de verdade novamente.
O pensamento brotou nos meus neurônios sem qualquer aviso prévio. E, de forma teimosa, recusou-se a ser deletado. Instalou-se de mansinho em algum compartimento silencioso da minha mente de dezenove anos.
Por um breve fragmento de segundo, limitei-me a flutuar em silêncio, observando os Cullen reunidos naquele quadrado de luz. As provocações infantis. As risadas limpas que quebravam o mofo das paredes. As conversas cruzadas de uma família real. A forma orgânica como todas aquelas criaturas bizarras pareciam pertencer e orbitar o mesmo espaço.
E uma sensação esquisita, um aperto denso e térmico, pressionou o centro do meu peito inexistente. Uma nostalgia da qual eu não gostava nem um pouco de me aproximar ou analisar. Porque a análise aprofundada de sentimentos humanos em uma alma penada nunca costumava terminar em um bom diagnóstico.
Por isso, agindo com a maturidade emocional que me era característica, tratei de ignorar a emoção de forma absoluta. E, imediatamente, passei a revisar os meus rascunhos mentais para estruturar uma nova, requintada e infalível tática de terror para aplicar contra a mente de Emmett.
Afinal de contas, algumas tradições domésticas eram valiosas demais e mereciam ser preservadas com afinco.
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