Eu tinha dezoito anos.

Finalmente. Finalmente. Finalmente.

Depois de anos esperando. Depois de anos estudando e mofando em cima de cadernos e boletins da escola. Depois de economizar cada centavinho daquelas minhas limonadas na calçada. Depois de inventar viagens impossíveis e fazer contas que a Sarah achava que eram loucura pura. Depois de ver o Ethan deixar de ser um bebezinho babão para virar um moleque de doze anos que parecia acreditar de verdade que desodorante era uma invenção do governo para oprimir a humanidade.

Eu tinha dezoito anos. E, pela primeira vez na minha segunda vida, ninguém na lei ou em casa tinha o direito de me proibir de ir embora.

O único problema era que eu não tinha imaginado que chegar nesse momento ia ser tão... complicado.

Durante anos, pensei nesse dia como uma linha reta: eu pegava uma mochila, comprava uma passagem só de ida para o noroeste do Pacífico, cruzava a fronteira de avião e pronto. Fim da história.

Mas a vida humana — aquela força teimosa com quem bati boca lá na praia do além — adorava colocar gente no meio dos meus planos. E agora, o meu tabuleiro estava cheio demais.

— Cadê o meu irmão? — perguntei uma manhã, arrastando os pés até a cozinha.

Minha mãe soltou um suspiro demorado na hora, parando de passar o café. No termômetro de problemas da casa, aquilo nunca era bom sinal.

— Suspenso.

— De novo? — ergui a sobrancelha, sentando na cadeira.

— De novo.

— Qual foi a arte da vez?

— Ele colocou uma galinha viva dentro do armário de produtos do laboratório de química.

Ficamos num silêncio daqueles na cozinha. Fiquei tentando entender a física daquela palhaçada.

— Quer saber a real? — comentei.

— Bella.

— Estou chocada de um jeito bom.

— Não incentiva, por favor.

— Não estou incentivando, mãe — dei de ombros, debochada. — Só estou admirando a inteligência e o plano de ação do garoto.

— BELLA!

Ethan tinha doze anos agora. Quase treze. Estava alto demais para os corredores de casa, tinha um deboche que dava raiva e sabia escapar de bronca como ninguém. Basicamente, uma mistura perigosa da minha teimosia com o pior dele mesmo. O universo tinha criado um monstro debaixo do nosso teto.

Naquela tarde, voltei para a cozinha e fiquei sentada à mesa. O sol de Chicago entrava de lado pela janela, cortando o escuro. Minha mãe fazia outra jarra de café, com aquele barulho calmo e conhecido de sempre.

A mesma cozinha. A mesma mesa. A mesma mulher que me acolheu, me deu de comer e me cuidou desde o dia em que abri os olhos num hospital odiando o nome de Samantha.

Era bizarro parar para pensar nisso. Estranho ver quanto tempo tinha passado. E mais bizarro ainda era aceitar que, contra todas as minhas defesas e o meu passado em Forks... eu tinha sido feliz ali. Feliz de verdade.

— Então.

Olhei para cima. Minha mãe tinha parado o que estava fazendo e me encarava, segurando a xícara quentinha entre as mãos.

— Então? — repeti, tentando manter a cara de paisagem.

— Você terminou a escola.

— Tecnicamente, sim.

— Bella.

— Tá bom — limpei a garganta, cedendo um pouquinho. — Terminei. Oficialmente formada no ensino médio.

Ela deu um sorriso pequeno, bem carinhoso.

— E agora?

A pergunta ficou flutuando no ar, pesada. Porque nós duas sabíamos, sem precisar falar, que ela não estava perguntando sobre faculdade, emprego ou planos normais de futuro. Ela estava falando da outra coisa. Daquela mania que eu sempre tive de olhar para longe, mesmo que a gente nunca tivesse tocado no assunto.

Fiquei olhando para o fundo da minha xícara, vendo o reflexo preto do café. Olhei para as minhas próprias mãos de dezoito anos. E travei. Pela primeira vez na vida, me faltaram palavras. Porque falar aquilo em voz alta transformava a despedida em realidade.

— Eu... — comecei, com a voz sumindo. Parei. Minha mãe esperou o tempo que precisei. Com toda a paciência do mundo, como sempre fazia quando eu me trancava no meu canto. — Acho que quero viajar — a frase finalmente saiu, num fio de voz.

A cozinha voltou a ficar quieta. Minha mãe não fez cara de surpresa. Não reclamou, não brigou, não fez drama de mãe. Só me olhou com uma compreensão que doeu lá no fundo. E aquilo, para mim, foi bem pior do que levar a maior bronca do mundo.

— Você vai embora — ela falou. Não era uma pergunta. Era só a constatação dos fatos.

Ergui o queixo, olhando bem para o rosto dela.

— Como você sabe?

Ela deu um sorriso triste, mas sem raiva. Uma cara de quem já sabia o resultado da conta muito antes de os números finais aparecerem.

— Porque eu sempre soube, Bella.

Meu peito deu um nó e o coração acelerou.

— Soube o quê?

Ela colocou a xícara na mesa e segurou o meu olhar. Por uns segundos que pareceram uma eternidade para o meu controle emocional.

— Que você estava esperando alguma coisa.

O ar sumiu da cozinha. Senti um arrepio na espinha, porque a Sarah tinha me falado exatamente a mesma coisa anos atrás na lanchonete da escola. E agora minha mãe confirmava a teoria.

— Quando você era pequenininha — ela continuou, com aquela voz mansa —, olhava para as coisas ao redor como quem procura uma porta escondida na parede. Uma saída de emergência.

Fiquei durinha na cadeira, sem nem piscar.

— Você era feliz aqui com a gente, meu anjo — ela suavizou o tom, chegando mais perto. — Mas... nunca esteve 100% aqui.

Aquelas palavras acertaram em cheio a minha alma. Doeu, porque era a mais pura e chata verdade. E eu odiava quando quebravam o meu disfarce desse jeito.

— Mãe... — tentei inventar uma desculpa.

— Está tudo bem — ela me cortou antes que eu começasse com o meu papo de lógica. — Bella, eu não estou brava.

— Não?

— Não.

— Nem... nem triste?

Ela deu uma risadinha, passando a mão no braço.

— Sendo mãe, claro que estou triste. Minha filha está arrumando as malas.

Aquilo deu um baque no meu peito. Bem mais do que eu queria admitir no meu orgulho. Minha mãe esticou a mão e segurou os meus dedos por cima da mesa, igualzinho a quando eu era criança e ficava assustada.

— Mas também estou feliz, de verdade — ela completou.

— Feliz por quê?

— Porque seja lá o que você esteja procurando com tanta vontade por aí... — ela apertou de leve a minha mão. — Você já procura isso faz muito tempo, Bella. Muito antes de a gente existir na sua vida.

Minha garganta fechou na hora. Senti os olhos arderem, porque ela não fazia a menor ideia de como aquela frase estava certa. Ela não imaginava os sessenta anos que passei mofando como fantasma na colina de Forks.

— Eu... eu não sei quanto tempo vou ficar longe de Chicago — soltei de uma vez, quebrando as minhas próprias regras de segurança.

Minha mãe balançou a cabeça devagar, sem se assustar. Como se já esperasse por isso.

— Eu sei.

— Talvez meses.

— Eu sei, Bella.

— Talvez... talvez anos, mãe.

Dessa vez, ela ficou quieta. Mas o sorriso carinhoso continuou ali, aguentando o tranco da notícia.

Me deu uma sensação de sufoco no peito. Porque, num estalo, percebi que sair por aquela porta e deixar Chicago era bem mais difícil do que calcular rotas no mapa até o Alasca. Mais difícil do que achar as pistas dos Cullen. Mais difícil do que cumprir o trato que fiz com a Vida e a Morte.

Porque agora, bem diferente da minha primeira vida sem graça e do meu tempo de assombração na casa vazia... eu tinha alguma coisa de verdade para perder. Eu tinha construído uma família.

Minha mãe levantou da cadeira, deu a volta na mesa e, sem me dar tempo de fugir, me puxou para um abraço. Me apertou com força, quebrando todas as minhas defesas. Como se eu ainda fosse a garota de dez anos fazendo birra por causa de gráficos. Ou a menina de cinco reclamando do Ethan. Ou o bebezinho bravo de fraldas.

— Vai achar o que você tanto quer, Bella — ela sussurrou no meu ouvido. — Faz valer a pena.

Minha voz saiu bem fraquinha, sem nenhum deboche ou pose de durona:

— E se... e se eu não achar nada, mãe? E se eu estiver errada nas minhas contas?

Ela me deu um beijo carinhoso no cabelo e me deu a única garantia que eu precisava para aguentar o peso do mundo:

— Então você volta para casa.

E, pela primeira vez desde que a ideia de ir embora tinha virado um plano de verdade... eu chorei. Deixei o choro lavar a minha cara e o meu orgulho.

Porque percebi uma coisa simples.

Na minha primeira vida, eu perdi a minha casa.

Na segunda...

Eu finalmente tinha uma para voltar.

Umas semanas depois, eu estava no aeroporto.

Finalmente. Depois de anos de planos perfeitos. Anos economizando cada centavo com a maior pão-durice do mundo. Anos mudando as palavras na barra de busca e caçando erros de dados na internet. Anos imaginando direitinho como seria esse momento.

E, sendo bem sincera? O negócio estava sendo bem menos emocionante do que o meu orgulho esperava.

Ninguém avisa a gente sobre a parte chata da burocracia. Nos filmes, quando o personagem vai embora para uma grande aventura, o universo providencia uma música linda de fundo, cenas bonitas e discursos que dão vontade de chorar. Na vida real, o cenário era uma fila gigante e bagunçada para despachar as malas e um homem três lugares na minha frente berrando com a moça da companhia aérea porque a mala dele tinha passado do peso.

Bem menos chique para as minhas memórias.

Minha mochila estava prontinha nas minhas costas. Minha passagem estava na minha mão. Todo o meu plano de viagem tinha sido revisado umas cinquenta vezes no caderno. Eu estava pronta. Ou pelo menos era o que eu ficava repetindo para mim mesma para não surtar.

— Você tem dinheiro na conta, Sam? — minha mãe perguntou. Pela décima terceira vez em vinte minutos.

— Tenho — respondi, tentando parecer calma.

— Cartão funcionando?

— Sim, mãe.

— Identidade na carteira?

— Sim.

— Celular carregado?

— Sim.

— Bella?

— Que foi? — tirei os olhos do papel e olhei para ela.

— Ser sequestrada por vampiros continua sendo um péssimo plano de viagem, tá?

Pisquei duas vezes, travando no meio do aeroporto. Meu cérebro deu tela azul de puro pânico. Senti a cara ficar branca, aquela regra invisível da Vida e da Morte apertando a minha garganta. Será que ela tinha descoberto o meu segredo? Aí ela abriu um sorriso bem doce.

— É brincadeira, meu anjo.

Soltei o ar dos pulmões no puro reflexo, com o coração voltando ao normal. Percebi que ela só estava usando alguma piada de filme para quebrar o gelo da despedida. Pelo menos, eu esperava muito que fosse só isso.

Meu pai me puxou para um abraço logo depois. Um abraço forte, apertado, demorado. Aquele jeito que os pais fazem quando estão fazendo uma força danada para não chorar na frente de todo mundo no terminal de embarque.

— Liga assim que o avião pousar, Sam.

— Vou ligar, pai.

— Sério, estou falando sério.

— Eu vou ligar.

— Não esquece.

— Eu também estou falando sério, vou ligar.

Ele concordou com a cabeça, mas demorou para soltar. O aperto dos braços dele fez meu peito dar aquele nó de novo. Que saco. Eu odiava despedidas; elas acabavam com a minha pose de frieza.

Olhei para o lado e vi o Ethan. Ele estava uns passos para trás, afastado do resto do pessoal. Estava com os braços bem cruzados, a cara emburrada de sempre e o capuz do casaco puxado cobrindo a cabeça. A mesma pose de bicho do mato que ele vinha fazendo nos últimos dias em Chicago.

Ethan tinha doze anos agora. O que significava, pelas regras da chatice da adolescência, que ele tinha entrado naquela fase onde mostrar que gostava de alguém era proibido e qualquer abraço em público corria o risco de fazer ele morrer de vergonha.

— Ethan — chamei, chegando perto.

— Hum — ele resmungou, sem tirar os olhos do chão de pedra do aeroporto.

— Vai sentir a minha falta por aí?

— Não.

— Nem um pouquinho?

— Não, Bella.

— Nem quando eu não estiver mais aqui para roubar metade das suas batatas fritas no sábado?

— Principalmente aí. Vai sobrar mais para mim.

— Que maldade de graça.

Ele só deu de ombros, continuando durinho. Mas não levantou a cabeça para olhar para mim. Nem uma vez.

E aquele silêncio dele, contra tudo o que eu esperava, deu uma pontada dolorosa no meu peito. Doeu bem mais do que eu queria admitir. Porque eu conhecia o Ethan. Conhecia o moleque desde o segundo em que ele nasceu. Sabia todas as manias, as mentiras e o jeito dele de esconder que estava triste atrás de um monte de deboche. Um padrão que ele com certeza copiou de mim.

Mesmo assim... a minha teimosia queria que ele esquecesse a marra e falasse alguma coisa de verdade. Qualquer coisa que não fosse uma piada atravessada.

— Tá bom — forcei um sorriso casual, arrumando a alça da mochila. — Então é isso. O painel está chamando para o embarque.

Ninguém falou nada na hora. O som do aeroporto avisando os voos ecoou pelo teto alto, aquela voz de robô ditando os números. Um monte de gente passava pela gente correndo; malas rodando; a vida dos outros continuando normal com aquela indiferença de sempre. Mesmo quando o seu próprio mundo parecia estar parando.

Respirei fundo, peguei a minha mala de mão e comecei a andar em direção ao portão de segurança. Um passo de cada vez. Mantendo as costas retas e sem olhar para trás. Porque eu sabia, pela minha experiência, que se eu virasse para olhar para aquelas três silhuetas, eu não ia conseguir ir embora. E eu já estava no meu limite.

Uns cinco metros de distância. Talvez seis.

Aí o silêncio do lugar acabou.

— BELLA!

Parei no mesmo segundo, com o tênis quase derrapando no chão. Meu coração deu uma pancada violenta nas costelas. Porque tinha um troço bizarro no som daquela voz. Um negócio quebrado, desesperado. Sem nenhum pingo da marra de doze anos.

Girei o corpo rápido.

E vi o Ethan vindo correndo. Correndo de verdade, feito um louco. Ele vinha atravessando o meio do aeroporto, desviando dos carrinhos de mala e trombando nas pessoas, sem ligar para a vergonha ou para a segurança do lugar. Estava com os olhos vermelhos, as lágrimas escorrendo soltas lavando a cara dele e uma expressão de puro desespero de criança.

— Ethan? — minha voz saiu quase num sussurro de susto.

Mas ele foi mais rápido. Antes que eu conseguisse pensar no que fazer ou falar alguma coisa... o impacto do corpo dele bateu contra o meu.

Ele jogou os braços gordinhos em volta do meu pescoço, me apertando com uma força doida, desesperada. Como se estivesse tentando, no puro aperto dos braços, impedir que o mundo me levasse para longe dele.

— Ei... calma... — minhas desculpas sumiram na hora.

Porque ele estava chorando. Um choro alto, soluçado, de verdade. O Ethan. O mesmo moleque teimoso que fingia não ligar para ninguém em casa. O mesmo menino que passava o dia me chamando de chata de galocha. O mesmo moleque que pagava de durão para os amigos do futebol na rua de Chicago.

— Não vai... — ele conseguiu falar contra o tecido da minha jaqueta, com a voz toda cortada pelo choro.

— Ethan, escuta...

— Não vai, Bella. Por favor.

— Eu preciso ir, garoto.

— Não.

Ele apertou o abraço mais ainda, esmagando as minhas costelas com vontade. Como se aquilo pudesse mudar o destino.

E aí ele soltou a frase. A frase perfeita que acabou com todo o meu controle emocional e com a minha pose de irmã mais velha durona.

— Não esquece da gente... por favor, não esquece de mim.

Fechei os olhos com força, sentindo uma dor doida bem no meio do peito. Aquilo machucou. Muito. Uma dor real, tridimensional, bem pior do que qualquer despedida ou tragédia que eu já tinha vivido nas minhas duas vidas juntas. Passou de todos os meus cálculos de sofrimento.

— Ethan... — o som saiu quase sumindo.

Larguei a mala de mão no chão do aeroporto e dobrei os joelhos, ficando de joelhos no piso frio para ficar da altura dele. Segurei o rosto do meu irmão entre as palmas das minhas mãos de dezoito anos. E, não aguentando o tranco, as lágrimas finalmente caíram dos meus olhos também, transbordando. — Olha para mim, Ethan. Foca aqui na minha cara.

Ele balançou a cabeça, teimoso, chorando mais ainda e soluçando com força.

— Ethan, foco. É uma ordem da gerência.

Bem devagar, com aquela marra de sempre, ele levantou o queixo e olhou bem no fundo dos meus olhos molhados.

— Eu nunca, por nenhum motivo ou capricho do universo, vou esquecer de vocês — falei séria, com a voz firme e absoluta. Porque era a maior verdade do meu código-fonte. — Nunca. Entendeu bem?

Ele fungou, engolindo o choro.

— Eu não vou esquecer de você, Ethan. Nem da mamãe. Nem do papai. E com certeza absoluta não vou esquecer dessa fase horrorosa em que você acha que deixar o cabelo comprido e espetado é sinal de personalidade.

O olhar dele deu uma vacilada.

— Bella...

— E não vou esquecer de nenhuma vez em que você bateu carteira de comida do meu prato na mesa da cozinha.

— Eu... eu não roubei comida nenhuma — ele rebateu, com a voz fraca tentando voltar ao tom de deboche de sempre.

— Roubou sim, as estatísticas provam o sumiço dos alimentos.

— Roubei não.

— Roubou.

O soluço dele virou, por milagre, uma risadinha curta. Uma risada pequena, meio chorada, mas totalmente livre e real.

Dei um sorriso de canto e estiquei a mão para bagunçar o cabelo dele, acabando com qualquer pose de brava. O mesmo gesto que eu fazia desde que ele era um bebezinho.

— Você é o meu irmão, Ethan — falei baixinho, quase num segredo, encostando a minha testa na dele. — A nossa ligação é de fábrica. Isso não muda só porque resolvi entrar num tubo de metal e voar para longe de você.

Ele limpou o nariz na manga do casaco, me encarando.

— Promete? — o sussurro dele quase partiu o meu coração de verdade ao meio.

Porque, naquele segundo, toda a marra de pré-adolescente dele sumiu. Ele não era o garoto durão do futebol de rua. Era só uma criança com medo. O meu irmãozinho de dinossauro precisando de uma garantia.

— Prometo, Ethan. Promessa registrada no cartório do universo.

Ele me olhou por mais uns segundos em silêncio, conferindo a minha cara para ver se dava para acreditar no meu papo. Aí, confirmou com a cabeça. Um gesto pequeno, meio a contragosto, mas selado.

Quando ele finalmente me soltou do abraço, levantei do chão e dei um último abraço apertado e quieto nos meus pais. Peguei a alça da mala de mão e virei para o portão de embarque de novo.

Mas as coisas tinham mudado. A física da minha viagem agora era outra.

Porque agora eu tinha uma certeza valiosa guardada na memória: não importava o que estava me esperando debaixo daquela chuva do estado de Washington. Não importava se as minhas contas estivessem certas e eu conseguisse achar aqueles olhos dourados do Edward Cullen. Não importava se eu achasse os imortais ou se o Alasca fosse um deserto sem respostas.

Eu não estava mais andando em direção ao nada feito uma alma penada ou um fantasma solitário preso à saudade. Pela primeira vez na história das minhas duas vidas... eu tinha uma base real e legítima esperando a minha volta para casa.

E essa certeza, no fim das contas, mudava todo o jogo.

Notas finais
Finalmente Belinha vai atrás dos Cullens!