No dia seguinte, eu estava sozinha. Completamente sozinha. Pela primeira vez em meses.

Era estranho me sentir assim. Durante muitos anos frios e chatos vivendo isolada naquela casa de Forks, eu teria dado qualquer coisa para ter alguém por perto. Agora, depois de passar alguns meses convivendo todo dia com uma família inteira de vampiros barulhentos e diferentes, a casa vazia parecia... quieta demais.

Os Cullen tinham saído juntos para ir a uma festa da escola. Para mim, isso ainda parecia um absurdo: vampiros de centenas de anos indo a festas de colégio, preocupados com trabalhos em grupo e reclamando dos professores humanos. Às vezes, meu cérebro de fantasma esquecia que eles fingiam ser adolescentes normais. Mas aí o Emmett abria a boca na sala e eu lembrava do disfarce na hora.

Flutuei pela sala sem rumo, com os braços cruzados sobre a minha camisola antiga de algodão. O silêncio tomava conta de todos os corredores. Nenhuma briga entre a Rosalie e o Emmett. Nenhum som de piano. Nenhuma Alice surgindo do nada como uma fada agitada para mudar os móveis de lugar. Nenhum Edward. Principalmente nenhum Edward, com aquele sorriso convencido de estátua.

Ignorei esse último pensamento no mesmo instante. Lixo.

Continuei andando — ou flutuando pelo tapete, dá no mesmo. Passei pela cozinha limpa, pela sala de jantar vazia e pela biblioteca cheia de poeira e livros. Subi para os quartos do segundo andar e desci de novo para o térreo. Depois subi outra vez. Isso provava duas coisas: primeiro, eu estava morrendo de tédio. Segundo, eu não tinha mais nada para fazer para passar o tempo.

— Gregory, você pelo menos pingava de vez em quando — falei para as paredes vazias da cozinha, reclamando da goteira.

Ninguém respondeu.

— Ainda sinto sua falta — insisti, batendo o pé no ar.

Mais silêncio.

— Quer dizer, não sinto tanta falta assim, para ser sincera.

A goteira tinha parado de funcionar depois que o Carlisle consertou o teto. Uma pena para mim.

Atravessei mais uma parede de madeira e apareci direto no quarto do Edward. Parei de flutuar e olhei ao redor. O quarto estava vazio, claro. Eu sabia muito bem que ele estava na festa da escola. Mesmo assim, fiquei ali parada no ar por alguns segundos — ou talvez por alguns minutos.

Não que eu estivesse contando o tempo, imagina.

Olhei para as pilhas de livros nas prateleiras, o piano no canto e a poltrona de couro perto da janela grande. Tudo parecia igual a quando a gente ficava se provocando. Mas sem ele ali, o quarto parecia diferente. Mais frio. Mais calmo. Mais...

Soltei um suspiro alto, fingindo que precisava de ar.

— Isso é ridículo.

Era muito ridículo. Uma vergonha para a minha reputação de fantasma. Eu tinha passado dezenas de anos sozinha naquela casa abandonada sem reclamar de nada. Anos e anos no meio da poeira. E agora? Bastavam algumas horas sem o Edward por perto e a casa parecia triste e silenciosa. Patético. Muito patético para o meu orgulho de dezenove anos.

Saí do quarto voando bem rápido, antes que minha cabeça começasse a inventar desculpas ainda mais vergonhosas para o que eu estava sentindo.

A tarde cinzenta passou devagar demais. Fiquei olhando a chuva de Forks bater no vidro limpo da janela, vi os esquilos nos galhos molhados do quintal e contei quantos carros passaram na estrada de terra lá longe.

A resposta foi três. Um grande recorde de trânsito para os padrões de Forks.

Eu estava sentada no chão da sala de estar. Na verdade, estava flutuando alguns centímetros acima dele.

Os papéis e recortes de jornal que o Jasper tinha conseguido no centro da cidade continuavam espalhados na mesa de centro. Eram anotações antigas, fotos desbotadas e papéis da igreja. Eu já tinha lido aquilo dezenas de vezes nas últimas horas. Não porque achava que ia descobrir algo novo, mas porque aqueles papéis eram a única coisa que me ligava ao meu passado. Tudo o que restava da minha vida antiga cabia em uma pilha de papel amarelado e cheio de poeira.

Peguei de novo a foto antiga do Riley Thompson. Era a mesma foto que eu já conhecia de cor: o sorriso bondoso, os olhos claros e o rosto simpático. Era o homem que todos nos papéis descreviam como uma pessoa boa, atenciosa e querida por todos na cidade. O homem que tinha sumido sem deixar rastros. O homem que eu tinha certeza de conhecer... mas não conseguia lembrar de onde.

Fiquei olhando para a foto dele em silêncio por um bom tempo, tentando fazer o papel me dar alguma resposta, como se a foto pudesse falar comigo e explicar por que aquele rosto me parecia tão familiar.

Foi então que aconteceu. Sem aviso nenhum.

A foto simplesmente caiu dos meus dedos invisíveis e a sala de estar sumiu da minha frente num estalo.

Escuridão. Não aquela escuridão tranquila da noite, mas um breu pesado, gelado e assustador. Um pânico enorme.

O barulho da chuva batendo nas janelas era fortíssimo. O vento forte fazia a casa inteira tremer e ranger. Algo terrível tinha acontecido naquele lugar.

Eu estava correndo.

Meu coração estava disparado no peito, batendo muito forte contra as minhas costelas. Meus pés descalços batiam no chão de madeira com pressa e desespero. Eu estava viva. Viva de verdade. E morrendo de medo.

— Não! — gritei.

Minha própria voz ecoou pela casa inteira. Era uma voz desesperada, chorosa. Em todos os meus anos como fantasma, eu nunca tinha me ouvido gritar daquele jeito. Nunca.

— Não! Me solta!

Tentei me soltar de qualquer jeito, tentando correr para a porta, mas alguém segurou meus braços por trás. Com muita força. Uma força grande demais para o meu corpo humano de dezenove anos suportar. Eu me debatia, chorava e tentava dar socos no ar para me libertar, mas não conseguia sair do lugar.

A casa estava quase totalmente no escuro, sem nenhuma luz ou vela acesa. Só dava para ver sombras se movendo rápido e sentir muito medo. Eu não conseguia ver o rosto da pessoa, só um vulto. Uma figura masculina, alta e grande, perto demais de mim. Meu pânico aumentava a cada segundo.

— Por favor! — pedi, soluçando e sem ar. — Por favor...

Foi aí que um raio clareou o céu de Forks sobre o telhado. Um clarão branco e forte iluminou o quarto por um único segundo.

Mas esse segundo foi mais do que suficiente. Eu vi. Vi com clareza o formato do rosto, os olhos claros e a expressão dura. Vi o homem que apertava meus braços e não me deixava fugir. O homem que os papéis da cidade diziam ser tão bonzinho.

Riley.

Voltei para a realidade da sala com um susto tão grande que quase atravessei a mesa de centro. A foto antiga caiu virada para baixo no tapete.

Meu corpo inteiro tremia sem parar — ou pelo menos meu corpo de fantasma fingia muito bem a sensação de estar tremendo de pânico. Eu não conseguia puxar o ar, não conseguia pensar direito, não entendia o que estava acontecendo. Aquilo não fazia sentido nenhum. Não podia ser.

Riley Thompson. O homem bondoso dos jornais. O homem sorridente da igreja. A boa pessoa que ajudava os idosos da cidade. O jovem simpático que tinha me dado a mão naquela festa. O homem da foto. Ele estava lá, no meio daquela memória terrível, segurando meus braços com força enquanto eu gritava e tentava fugir desesperada.

— Não... — a palavra saiu da minha boca quase como um sopro gelado.

Flutuei para trás, me afastando da mesa. De um passo em passo, sem tirar os olhos daquela foto no chão, como se ela fosse uma bomba prestes a explodir.

Meu peito parecia apertado e esmagado. Aquela memória tinha sido real. Muito real. Eu ainda conseguia sentir o medo correndo pelo meu corpo, ouvia o eco do meu próprio grito humano e via a luz do raio mostrando o rosto dele.

Riley. Mas ele não estava sorrindo nem sendo gentil. Ele estava me segurando com força para me impedir de fugir.

Um arrepio gelado tomou conta do meu corpo. E, pela primeira vez desde que comecei a procurar respostas sobre a minha vida, me fiz uma pergunta assustadora: e se eu estivesse procurando a verdade no lugar errado?

Talvez o Riley Thompson não fosse a solução para o mistério da minha vida. Talvez aquele homem gentil fosse, na verdade, o meu maior problema. E essa ideia era muito mais aterrorizante do que qualquer fantasma.

Eu não conseguia parar de olhar para a foto. O rosto do Riley parecia diferente agora. Errado. Assustador. Como se ele estivesse usando uma máscara nas fotos dos jornais.

Meu peito apertava cada vez mais. E, mesmo querendo fugir daquela sensação horrível, alguma coisa me obrigava a continuar lembrando até o fim.

A foto continuava jogada no tapete. A casa inteira continuava em silêncio. Mas eu já não conseguia ver a sala direito. A memória continuava me puxando para baixo, como uma onda escura.

Olhei para baixo e vi minhas mãos invisíveis.

Não eram as mãos transparentes de fantasma. Eram as mãos reais da garota daquela memória. As minhas mãos humanas. Vivas. Elas tremiam sem parar e estavam sujas de um vermelho forte e vivo.

Por um segundo, não entendi o que era aquilo. Só fiquei olhando, confusa. Depois, olhei para o resto do meu corpo e o meu mundo parou.

Sangue. Havia sangue por toda parte. Muito sangue. Ele cobria a frente do meu vestido claro, escorria pelos meus dedos humanos, molhava o tecido e pingava no chão de madeira.

Meu estômago embrulhou.

Não. Não, por favor. Isso não.

Mas eu não consegui esquecer aquilo. Eu sabia de quem era aquele sangue. Era meu. A ficha caiu com tudo e me deixou sem chão. E então, outra lembrança tomou conta da minha cabeça com força total.

— Riley... — minha voz humana saiu fraquinha, tremendo de medo.

Eu estava jogada no chão de madeira, sem forças. A chuva de Forks entrava por uma janela quebrada. O vento soprava forte lá fora, fazendo a casa tremer. Meu corpo doía demais. Eu tentava me arrastar para longe do perigo, mas mal conseguia me mexer. Lágrimas quentes se misturavam com a água fria da chuva no meu rosto.

— Riley...

Ele estava parado bem na minha frente, a poucos passos de mim. Estava sem fôlego, com o peito subindo e descendo rápido, os cabelos molhados grudados na testa e os olhos arregalados de choque. Ele parecia assustado e desesperado, mas não por mim ou pela minha vida que se perdia no chão. Ele estava com medo por ele mesmo, pelo que tinha acabado de fazer.

Foi então que vi algo brilhar no escuro. Uma faca grande, completamente suja de vermelho. Do meu sangue.

— Riley... — minha voz era só um sussurro fraco no meio do barulho do vento.

E então, sem dizer uma única palavra, ele veio para cima de mim.

Eu gritei. Um grito alto que rasgou o silêncio.

Uma dor insuportável atravessou o meu corpo como um choque elétrico. A faca entrou sem piedade direto no meu estômago. O eco do meu próprio grito disparou pelas paredes vazias da casa. Um som horrível de dor que eu nunca tinha ouvido antes e nem sabia que conseguia fazer.

Tudo ficou escuro e virou dor pura. Eu tentava puxar um pouco de ar para os pulmões, tentava falar alguma coisa, tentava entender por que aquilo estava acontecendo. Mas eu só conseguia sentir a faca, o sangue quente saindo e a dor esmagando a minha mente. E a última coisa que vi foi o rosto do Riley Thompson acima de mim, assistindo ao meu fim.

Voltei para a realidade da sala com um pulo, e o meu corpo de fantasma caiu direto no tapete.

A foto continuava lá no chão, intacta. A sala continuava vazia e quieta. Mas eu estava de joelhos no tapete, com as minhas mãos invisíveis apertadas com força contra o meu estômago — exatamente no lugar onde a faca tinha entrado na memória. Como se a lâmina ainda estivesse cravada ali. Como se a dor ainda fosse real.

Eu tremia sem parar, sem conseguir controlar o meu próprio corpo. Lágrimas de fantasma escorriam pelo meu rosto pálido e eu nem me importava com o meu orgulho. A minha mente continuava presa naquela lembrança, naquele momento de dor, naquele olhar maldoso e naquela faca cheia de sangue.

— Ele... — tentei falar, mas a minha voz falhou. Solucei fraco. — Ele me matou...

As palavras saíram baixas, mas ouvi-las em voz alta deixou tudo muito pior. E muito mais real.

Riley Thompson. O homem bom dos papéis da cidade. O jovem simpático das festas. A pessoa boa que eu passei semanas procurando, achando que ele iria me ajudar. Na verdade, ele era o monstro que tinha me matado naquela casa.

As lágrimas continuavam caindo sobre a minha camisola. Durante muitos e muitos anos sozinha, meu maior desespero era não saber quem eu era, como eu tinha morrido ou por que continuava presa ali como fantasma.

Agora eu tinha todas as respostas. E a verdade era muito mais cruel e dolorosa do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado.

Fiquei ali parada, de joelhos e sozinha no silêncio da sala, olhando para a foto desbotada no chão. Olhando para aquele sorriso simpático congelado no papel. Sabendo agora que foi aquele mesmo homem quem segurou meus braços por trás, quem ouviu meus gritos de socorro, quem viu o meu pânico e, mesmo me ouvindo pedir por favor... enfiou uma faca no meu estômago até tirar a minha vida.

Meu peito apertou de novo. E uma última pergunta terrível surgiu na minha cabeça: se o Riley Thompson realmente me matou... por qual motivo ele fez isso comigo?

Não sei quanto tempo fiquei ali encolhida no chão. Minutos, horas ou apenas alguns segundos. O tempo não importava mais. Tudo o que eu via era o rosto do Riley. Tudo o que eu ouvia era o meu próprio grito. Tudo o que eu sentia era a lembrança daquela dor horrível.

Então, o barulho da porta da frente se abrindo me tirou daqueles pensamentos. Barulho de vozes, passos rápidos e risadas. Os Cullen estavam voltando da festa da escola.

Em um dia normal, eu teria me levantado num pulo, preparado alguma piada debochada na minha cabeça, provocado o Emmett ou escondido a mochila dele só para ver a confusão. Mas eu simplesmente não conseguia me mexer. Não conseguia parar de tremer nem de chorar na minha camisola antiga.

A porta da sala se abriu devagar.

— Bella?

A voz suave do Edward ecoou pela sala. Ele parecia preocupado, percebendo que tinha algo errado no ar. Ouvi passos rápidos no tapete e logo a imagem dele apareceu na minha frente. O sorriso bonito dele sumiu na hora.

— Bella!

Em um segundo, ele cruzou a sala e se ajoelhou do meu lado no chão. Os olhos dourados dele estavam bem abertos, assustados.

— O que aconteceu? — ele perguntou, com a voz tensa.

Tentei falar, mas a minha voz travou de novo. Edward estendeu as mãos e segurou firme nos meus ombros, tentando me deixar firme.

— Bella.

Respirei fundo — um hábito antigo e inútil para quem não tem mais pulmões, mas difícil de perder. Eu tremia toda.

— Eu me lembrei.

A sala inteira ficou em um silêncio absoluto no mesmo segundo. Atrás do Edward, percebi o resto da família entrando na sala: Carlisle, Esme, Alice, Jasper, Rosalie e Emmett. Mas eu só conseguia olhar para o Edward.

— Do que você se lembrou? — ele perguntou, olhando fundo nos meus olhos.

Minha garganta apertou. As palavras demoraram para sair. Falar aquilo em voz alta tornava tudo real demais. Mas eu precisava dizer.

— Riley.

Edward travou na hora, virando uma estátua.

— Riley?

Concordei com a cabeça bem devagar, sentindo as lágrimas continuarem caindo pelo meu rosto de dezenove anos.

— Ele me matou.

Silêncio. Um silêncio pesado. A frase ficou no ar, parecendo algo impossível de acreditar.

— O quê? — sussurrou Edward, e a voz dele falhou pela primeira vez.

Eu desabei de novo sob o peso daquela lembrança.

— Foi ele. — Mais uma lágrima caiu. — Eu vi. Eu me lembrei de tudo.

Não era tudo de verdade, mas era a pior parte.

— Ele me esfaqueou.

O horror tomou conta do rosto do Edward no mesmo instante. Um horror verdadeiro, como se ele estivesse vendo a cena horrível através dos meus olhos.

Por um momento, ninguém disse nada. Ninguém se mexeu na sala. Ficou tudo completamente congelado.

Foi aí que ouvi uma voz baixinha e muito cuidadosa:

— Bella?

Parei na hora. Meu coração de fantasma parecia ter parado de vez com o susto. Aquela voz não era do Edward.

Devagar, muito devagar, levantei a cabeça.

Alice Cullen estava parada a poucos metros de distância, atrás do Edward, com o corpo firme. Olhando para mim. Diretamente para mim. Não para o espaço vazio ao meu redor, não para o Edward, mas de olhos fixos na minha cara.

Pisquei os olhos, sem entender nada. Confusa.

— Alice...? — minha voz saiu como um sopro.

Os olhos escuros da Alice se arregalaram de puro espanto.

— Ela respondeu.

O mundo simplesmente parou de funcionar. Completamente.

Olhei para os lados devagar, tentando entender. Rosalie estava olhando fixamente para a minha camisola. Carlisle olhava para mim do mesmo jeito. Esme, Jasper, Emmett... Todos os pares de olhos dourados daquela família estavam olhando diretamente para o meu corpo de fantasma. Não como se eu fosse uma fumaça transparente, nem para o espaço vazio atrás de mim. Estavam olhando para mim.

Meu coração disparou de pânico.

— Não... — Levantei rápido do chão, dando um pulo e quase perdendo o equilíbrio no ar. — Não.

Alice deu um passo para a frente, parecendo uma fada agitada, com os olhos brilhando de surpresa:

— Eu consigo ver você.

Meu cérebro deu um nó.

— O quê?

— Eu consigo ver você!

Esme levou a mão à boca, muito emocionada. Carlisle parecia não conseguir nem piscar de tão surpreso. Jasper estava compenetrado, sentindo toda aquela onda de emoções na sala, e a Rosalie parecia ter perdido a fala — o que, para mim, era um evento histórico.

E o Emmett... bom, o Emmett estava com uma cara de quem ia explodir de alegria a qualquer segundo.

— EU SABIA!

— Emmett — disse Rosalie por hábito, tentando manter a pose.

— EU SABIA!

— Emmett, fale baixo.

— EU ESTAVA CERTO DESDE O PRIMEIRO DIA!

— EMMETT!

— ESSE É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA!

Ninguém prestou atenção no escândalo do gigante de dois metros. Toda a família continuava olhando para o meu rosto, e eu olhava para eles, sem conseguir acreditar naquilo.

Anos e anos. Anos longos, frios e chatos tentando de tudo para ser vista por alguém. Anos sendo completamente invisível. Anos vendo as pessoas passarem pelas janelas sem poder fazer parte do mundo delas.

E agora... eles podiam me ver. Todos eles, perfeitamente.

As lágrimas voltaram a cair pelo meu rosto pálido, mas agora por um motivo completamente diferente.

Alice deu um sorriso enorme, radiante, que iluminou o rosto dela.

— Então é você.

Minha garganta apertou ao ouvir aquilo. Era uma frase tão simples, tão pequena, mas que preenchia todo o vazio que eu sentia.

Então é você.

Eu não era mais apenas uma voz distante que o Edward precisava traduzir para o resto da família. Não era uma história de fantasma que o Emmett jurava ter visto de noite. Não era uma presença invisível escondida pelos cantos da casa.

Era eu.

Bella.

Depois de tantos anos vendo pessoas e famílias passarem por aquela casa sem que ninguém pudesse me ver...

Finalmente, eles estavam olhando de volta para mim.