Como Se Tornar Uma Weasley
12 Capítulo 12
— Perdão? – o Sr. Diggory disse, incrédulo.
— A varinha é minha! — continuou Harry – eu a deixei cair!
— Deixou-a cair? – repetiu o bruxo – Você se desfez dela depois de conjurar a Marca Negra?
— Amos! Lembre-se com quem você tá falando – disse o Sr. Weasley – Realmente acha provável que justo Harry Potter tenha conjurado a Marca Negra?
Diggory pareceu meio encabulado.
— Eu dei por falta dela assim que entramos na floresta — Potter disse, ainda tentando se explicar.
Diggory se virou para Winky com um olhar ameaçador.
— Então você encontrou a varinha e resolveu se divertir com ela? – ele ameaçou
— Não foi ela! – interrompeu Hermione – A voz não era a voz de Winky, era de um tom muito mais grave, de um humano!
— Logo veremos – disse Diggory
Em seguida, ele encostou sua própria varinha na ponta da de Harry:
— Prior incantato!
Para minha surpresa, um crânio com língua de cobra surgiu no ponto em que as duas varinhas se tocavam, mas muito menor que o crânio verde no alto. Hermione quando chegou a prender a respiração
— Deletrius! – bradou Amos, fazendo o crânio menor desaparecer
Mais uma vez ele virou-se para o elfo, de quem eu já estava começando a sentir pena dado ao quadro de completo desespero que a criatura se encontrava.
— Você foi apanhada com a mão na botija! Com a varinha culpada!
— Amos... – disse novamente Sr. Weasley, numa tentativa de acalmá-lo – pense bem, pouquíssimos bruxos sabem fazer esse feitiço, onde ela teria aprendido?
— Talvez Amos esteja insinuando – a voz de Crouch cresceu – que eu passe meu tempo livre ensinando aos meus elfos a conjurarem a Marca Negra?
Seguiu-se um desagradável silêncio. Aproveitei essa deixa para tentar processar o que estava acontecendo. De fato, Potter nem de longe ia conseguir fazer um feitiço desses, apenas Comensais o sabem. E de novo, o rosto pálido de Draco apareceu na minha cabeça. Será que ele...? Mas não pude concluir meu pensamento pois mais uma vez Crouch gritou:
— Você já denunciou as duas pessoas menos prováveis de conjurar a Marca! Harry Potter e eu! Suponho que você conheça a história do garoto, Amos.
— Sim, todos conhecem – eu disse baixinho para que ninguém ouvisse.
— Quem quer que tenha conjurado a Marca Negra pode ter desaparatado logo em seguida – disse Sr. Weasley – teve uma ideia muito inteligente de não usar a própria varinha, é verdade, e Winky teve a infelicidade de encontrá-la no momento mais inoportuno possível.
Sr. Crouch deu uma bronca no elfo, chegou a dizer que ia lhe dar roupas, ou seja, ia libertá-la. Não prestei muito atenção, só sei que aparentemente Hermione virou a nova defensora dos elfos doméstico porque a menina não parava quieta, defendendo a criatura de tudo que os bruxos a acusavam.
— Bom, acho que vou levar meu pessoal de volta à barraca, se ninguém fizer nenhuma objeção. Amos, a varinha já nos informou tudo que pôde, se puder devolvê-la a Harry... – disse Sr. Weasley
Depois de ter se apossado novamente de sua varinha, fomos caminhando por entre as árvores de volta ao acampamento. Tudo estava silencioso agora, sem nenhum sinal de bruxos mascarados e principalmente, sem sinal algum de meu pai. Eu apressei um pouco o passo para chegar ao lado do Sr. Weasley e perguntei baixinho:
— Sr. Weasley, eu sei que é meio fora do momento eu perguntar isso agora mas o senhor chegou a encontrar meu pai?
Arthur ficou em silêncio por um segundo antes de responder:
— Não Julie, infelizmente eu não o vi em lugar nenhum. Mas eu não me preocuparia se fosse você, seu pai pelo o que eu sei é um grande bruxo.
— Eu sei Arthur, mas olhe para cima! Você sabe o que a Marca Negra significa Arthur...
Mais uma vez o Weasley ficou em silêncio.
Entramos na barraca e Carlinhos logo veio perguntar o que estava acontecendo
— Estão todos comigo – disse o Sr. Weasley
Enquanto Arthur se sentava, exausto, eu me sentei um pouco afastada no canto de um sofá, cruzando os braços e olhando para o chão.
— Ei Julie – os gêmeos foram se aproximando devagar e Fred sentou-se do meu lado, e Jorge no braço do sofá
— Tudo bem? – Perguntou Fred
Eu não consegui responder. Lágrimas já estavam se formando nos meus olhos, mas eu não ia as deixar cair, odeio que me vejam chorar, é uma demonstração de fraqueza que eu não posso deixar transparecer. Olhei para a lâmpada de luz acima de mim para as lágrimas secarem e engoli o choro
— Meu pai. Eu não tenho notícias dele, seu pai disse que nem o viu durante a luta.
— Olha alguém aqui pode me explicar o que significava aquele crânio? – Rony gritou impaciente para que alguém lhe respondesse – Não estava fazendo mal a ninguém, por que esse escândalo todo?
— Morte! – eu gritei me levantando e olhando para ele com raiva – significa morte! A Marca não era vista há treze anos! Quando você-sabe-quem e seus seguidores matavam alguém, eles projetavam a Marca no céu! Quando você vê a marca você já imagina o que aconteceu!
Todos me olharam assustados, eu não conseguia manter meu tom de voz baixo. Jorge me fez sentar novamente no sofá. Houve um silêncio momentâneo depois do que eu havia dito.
— Bem, quem quer que tenha conjurado a Marca, afugentou os Comensais da Morte – disse Gui, enrolando um lençol em um corte profundo que havia em seu braço
— Comensais da Morte? – perguntou Harry – o que são Comensais da Morte?
— São os seguidores de Você-sabe-quem – eu interrompi mais uma vez, já impaciente com tamanha ignorância.
— Sim, ou apenas o que restou deles – completou
— Não podemos provar que eram realmente eles, Gui – disse Sr. Weasley – embora provavelmente tenham sido – ele completou desanimado.
— Aposto que eram! – disse Rony de repente – Encontramos Draco Malfoy na floresta, ele praticamente nos disse que o pai dele era um dos idiotas mascarados! E todos sabemos que os Malfoy eram íntimos de você-sabe-quem!
— Cuidado com o que você fala Rony, uma acusação dessa é muito séria – eu disse
— Mas o que os seguidores de Voldermort – começou Harry, e pude sentir que todos na sala tremeram quando ouviram esse nome sair da boca do garoto – Desculpem... Mas o que os seguidores de Você-sabe-quem pretendiam fazendo com aquele trouxas levitassem? Tipo, qual era o objetivo?
— Objetivo? – disse o Sr. Weasley com uma risada desanimadora – Harry, essa é a ideia que eles têm de brincadeira. Metade das mortes de trouxas quando Você-sabe-quem estava no poder foi feita de brincadeira. Imagino que eles tenham tomado drinques e não puderam resistir esse impulso de nos lembrar que um grande número deles continuam em liberdade.
— E só comensais da morte eram capazes de conjurar a Marca – eu disse, completando o raciocínio.
— Olhem é muito tarde, melhor dormirmos – disse o Sr. Weasley se levantando – amanhã tentamos pegar um portal bem cedo para sairmos daqui.
Fui para o quarto junto com as garotas para dormir logo. Tudo o que eu mais queria era que aquele dia acabasse, que amanhã eu pudesse ir para casa e reencontrar minha mãe e, se tudo desse certo, reencontrar meu pai também.
**
Resolvi pegar o portal junto com os Weasleys para Toca e quando chegasse lá, ia voltar para casa através do pó de Flu. Quando chegamos, a Sra. Weasley já estava à nossa espera.
— Vocês estão bem! – ela disse olhando para os gêmeos ao meu lado. Ela agarrou os dois e os puxou para um abraço tão apertado que as cabeças dos dois garotos se chocaram.
— Mamãe você está estrangulando a gente!
— Gritei com vocês antes de irem embora! – a Sra. Weasley disse, começando a soluçar – É nisso que estive pensando! E se você-sabe-quem tivesse pegado vocês e a última coisa que disse aos dois foi que não obtiveram suficientes N.O.M.’s? Ah Fred, Jorge...
Hermione chegou com uma xícara de chá para acalmar Molly e eu disse baixinho
— Acho melhor batizar um pouco esse chá para ver se ela se acalma um pouco...
Nem reparei que o Sr. Weasley estava ouvindo, mas ele achou uma grande ideia.
Quando os gêmeos finalmente foram soltos eu andei até eles e expliquei que tinha que ir para casa. Eles entenderam e foram até meu quarto me ajudar com as malas.
— Olha gêmeos, vou deixar vocês em posse da nossa grande fortuna obtida durante os jogos. Mas usem com sabedoria! Estou pensando em investir tudo de uma vez nas Geminialidades
— É pra já! A gente tinha que ter feito isso pra ontem! Fred e eu vamos nos empenhar bastante até nos encontrarmos de novo, que será....? – Jorge deixou a frase no ar
— Provavelmente só no Expresso pra Hogwarts – eu disse cabisbaixa
— Poxa, é muito tempo até lá vou...quer dizer, vamos sentir bastante sua falta, principalmente com essa loucura que está acontecendo aqui em casa. Papai não vai parar quieto com o trabalho, já consigo até ver – disse Fred
Rimos e descemos até o primeiro andar d’A Toca. Estava uma correria lá embaixo e só tive tempo de dar um abraço em cada um antes de entrar na lareira. Me demorei um pouco mais no abraço dos gêmeos mas mesmo assim estava com pressa pra voltar pra casa. Peguei o pó de Flu de uma tigela ao lado da lareira já me preparando para o enjoo que eu ia sentir rodopiando até chegar em minha lareira.
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