Quando finalmente parei de rodopiar e me vi na lareira da minha sala, pensei que ia ver meu pai e minha mãe sentados, como se já estivessem me esperando. Porém, não vi ninguém. Deixei minhas malas caírem com um barulho e gritei:

— Pai! Mãe! – eu disse indo em direção na cozinha

Os dois deviam estar sentados na mesa da cozinha mas quando me viram levantaram em um pulo e vieram me abraçar. Não consegui conter as lágrimas, que já começavam a rolar livremente pelo meu rosto, misturando-se com as de meus pais, que tinham seus rostos colados no meu. Depois de um tempo abraçados, nos separamos.

— Pai não acredito você me deixou muito preocupada seu.. — eu dizia enquanto dava soquinhos no braço dele

— Filha, eu corri aquele acampamento inteiro te procurando, nós do Ministério tentamos conter a violência, eles estavam à procura de trouxas, Jul.

— Não só trouxas – eu disse, séria – eles procuravam também bruxos filhos de trouxas, só poupavam os de “sangue puro”.

— Como você sabe disso? – minha mãe perguntou assustada

Eu suspirei e me sentei na cadeira da mesa de jantar.

— Eu encontrei o Draco no meio da confusão, ele me disse. Ele... parecia bem informado do que estava acontecendo – levantei o olhar para encara meu pai – pai... aqueles eram Comensais da Morte?

Ele ficou em silencio antes de responder.

— Não sabemos ainda, minha filha. Tudo que sabemos é que a Marca Negra só pode ser conjurada por um Comensal.

— E você não vai acreditar qual varinha foi usada pra conjurá-la...

E então, eu contei toda a história, desde meu encontro com Malfoy até a volta pra casa dos Weasleys.

Minha mãe riu comigo quando disse que a varinha do Harry tinha conjurado a marca, como uma boa ex Sonserina, ela não acreditava que um bruxo tão bobinho ia conseguir fazer um feitiço desses. Mas quando cheguei na parte da Marca Negra e na teoria de Gui que os próprios Comensais ficaram com medo da Marca, ela me olhou séria. Depois olhou para meu pai.

— Ana, Thomas, Emma... eu preciso ligar pra todos... – ela disse se levantando, deixando eu e meu pai a sós na cozinha.

— Pai... esses nomes que a mamãe falou... são todos... – não consegui terminar a frase

— Provavelmente são Jul, mas é melhor você não se meter nisso.

***

Finalmente havia chegado o tão esperado 1º de setembro. Desde o dia da copa, meu pai não parava em casa pois estava cheio de trabalho pra fazer no Ministério e, como se não bastasse, Rita Skeeter tinha escrito uma matéria falando da super falha de segurança por parte do Ministério, o que não ajudou muito.

Eu e minha mãe estávamos paradas na plataforma esperando os Weasleys, meu pai não pôde nos acompanhar por causa do trabalho, claro. Quando vi uma massa de cabelos ruivos vindo em nossa direção, me virei pra minha mãe e a abracei

— Por favor você não pode esquecer de me mandar uma carta na hora que Marvin nascer, nem um minuto depois!

— Claro filha, enquanto eu estiver em trabalho de parto vou pedir para o Dr. esperar pra eu escrever uma carta pra você – ela disse sarcástica

Eu ri e abracei ela com dificuldade por conta de sua barriga que aumentava cada vez mais. Me abaixei e dei um beijo nela, me despedindo de Marvin. Peguei o meu carrinho com minhas malas e fui me juntar à família Weasley. Carlinhos estava se despedindo deles.

— Talvez eu volte a ver você mais cedo do que pensam.

— Por quê? – Fred perguntou, interessado

— Você verá – respondeu Carlinhos – Só não diga a Percy que eu falei isso... Oi Jul! – ele me cumprimentou rapidamente e continuou a falar – “porque afinal é informação privilegiada, até o Ministério resolver divulgá-la”

— É – intrometeu-se Gui – eu até sinto vontade de estar estudando em Hogwarts este ano...

— Por quê? — Perguntou Jorge, impaciente

— Vocês vão ter um ano interessante – comentou Gui – Talvez eu até peça licença para dar uma espiada...

— Licença para quê?— eu disse

Mas nessa hora ouvimos um apito e fomos entrar no trem. Eu, Fred e Jorge conseguimos uma cabine rapidamente e ouvimos os gritos da Sra. Weasley para Rony

— Eu os convidaria para o Natal mas... bem, imagino que vocês vão querer ficar em Hogwarts por causa... de uma coisa ou outra.

— Mamãe! – ouvimos um grito desesperado de Rony

— Vocês vão descobrir hoje à noite, vai ser muito excitante, reparem bem, estou muito contente que tenham mudado as regras....

E então, o trem começou a andar.

— Comportem-se! Ouviu Fred e Jorge? – Molly disse acompanhando o trem.

Fred levantou-se de seu assento e gritou

— Conta pra gente o que vai acontecer em Hogwarts! Que regras vão mudar?

Mas já estávamos longe, e Molly era apenas uma figurinha que foi desaparecendo rapidamente.

Eu e os gêmeos estávamos conversando aquela voz arrastada, característica de Malfoy, nos interrompeu.

— ... papai, na realidade, pensou em me mandar pra Durmstrong no lugar de Hogwarts, sabem. Ele conhece o diretor de lá, entendem. Bom vocês sabem qual é a opinião dele quanto a Dumbledore... o cara gosta muito de sangue ruins e Durmstrong não admite esse tipo de ralé. Mas mamãe não gostou da ideia de eu ir para uma escola tão longe. Durmstrong tem uma política muito mais certa que Hogwarts com relação às Artes das Trevas, os alunos de lá aprendem essa matéria, não só essas bobagens de defesa que a gente aprende...

Eu na hora me levantei para falar com ele, pois tínhamos certos assuntos mal resolvidos, mas Fred e Jorge falaram que não era uma boa ideia e, também, porque não queriam ver a cara de Malfoy tão cedo.

Eu concordei e me sentei com eles.

— Lá em Durmstrang eles praticamente veneram a Arte das Trevas né Julie? – Perguntou Jorge

— Não é que eles veneram, mas eles reconhecem que é importante que saibamos quais são e para quê servem, diferente de Hogwarts que realmente só nos ensina como nos defender de algumas poucas.

— Ah vai, não vem me dizer que você queria aprender Arte das Trevas né Jul? – Fred me perguntou em tom de deboche

— Na verdade eu acho importante aprendermos sim, é uma parte da magia muito poderosa e que pode nos ser extremamente útil dependendo da situação – eu disse séria, não tinha gostado do tom de Fred

— Ah, eu esqueço que você é da Sonserina às vezes.... – Ele disse recostando-se no seu assento

— Pois não devia – eu disse cruzando os braços

Ficamos um tempo em silencio

— Parabens Fred, você conseguiu deixar o clima bem estranho – Jorge falou

— Eu? – Fred disse inconformado

— É Fred, nada legal isso que você fez — eu disse revirando os olhos

— Mas eu... ahh – ele desistiu de se explicar

Eu e Jorge rimos e o clima na cabine voltou ao normal. Até que, mais uma vez aquela voz arrastada interrompeu nossa conversa, mas ela não se dirigia a nossa cabine, e sim a do nosso lado, onde estava Harry, Rony e Hermione

— Então... vai entrar Weasley? Vai tentar trazer alguma glória para o nome de sua família? E tem dinheiro também sabe... Você vai poder comprar umas vestes decentes se ganhar...

Eu levantei até a porta do vagão para ouvir melhor do que caralhos ele tava falando.

— Do que você está falando – Eu consegui ouvir a voz de Rony

— Você vai entrar? – repetiu Malfoy – Suponho que você vá, Potter! Você nunca perde uma chance de se exibir, não é?

Dei um risinho, mas lembrei que os gêmeos estavam na mesma cabine que eu e logo parei.

— Ou você explica a que está se referindo ou vai embora, Malfoy — Hermione disse

— Não me diga que você não sabe? Você tem um pai e um irmão no Ministério e nem ao menos sabe? Nossa meu pai me contou há séculos... soube pelo Cornélio Fudge. Mas papai sempre convive com o primeiro escalão do Ministério... talvez seu pai seja insignificante demais para ter sabido, Weasley.

Nessa hora os gêmeos se levantaram e iam abrir a porta para discutir com Malfoy, mas eu os segurei, Malfoy já tinha desaparecido.

Nos sentamos lentamente e pensativos

— Bem... isso foi... – eu comecei a dizer – do que diabos ele tá falando?

— Ora, do jeito que ele tava tirando tanta onda dizendo que o papai dele só convive com o alto escalão e o nosso não, o que quer que seja, ele deve saber há séculos – disse Fred, contendo a raiva

— Fred, você não pode deixar Draco chegar na sua cabeça, é isso que ele quer. Acho que vou dar uma passada nos vagões da Sonserina pra tentar descobrir alguma coisa...

Me levantei e abri a porta da cabine, já pensando nas poucas e boas que eu ia dizer pra Malfoy.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.