— Anda – Disse Fred puxando a minha mão

— Não! – Eu gritei me desvencilhando dele – Eu tenho que achar meu pai!

Corri em direção ao Sr. Weasley.

— Sr. Weasley eu vou com você! Tenho que achar meu pai!

— Julie, você vai pra floresta, seu pai é do ministério, eu estou indo ajuda-los, eu vou encontrar ele, prometo – ele disse segurando meus ombros – Agora vá! Rápido!

Fred mais uma vez agarrou minha mão e corremos junto com Harry, Rony, Gina, Jorge e Hermione para a floresta. Quando já estávamos cercados por árvores grandes e escuras, olhamos para o acampamento. Era possível ver bruxos do Ministério tentando chegar perto dos bruxos encapuzados

— Meu pai deve estar lá! – Eu gritei já pronta pra voltar correndo quando mais uma vez, Fred me pega por trás e não me deixa ir – Me solta! Eu tenho que ir ajudar ele! – eu me debatia mas Fred me segurava firme

— Calma Julie – ele sussurrava no meu ouvido tentando me acalmar.

Foi quando ouvimos um barulho bem do nosso lado. Com o susto, Fred me largou e eu desisti da ideia de ir pro meio da confusão.

— Tropecei numa raiz de árvore – disse Rony

— Ora com pés desse tamanho, é difícil não tropeçar – Na primeira sílaba eu sabia que era Malfoy que estava falando. O filho da puta tava descontraído encostado em uma árvore, como se nada estivesse acontecendo

— Vai se foder! – Disse Rony

— Olha a boca suja, Weasley. Não é melhor você se apressar? Não vai querer que descubram a sua amiga aqui né? – ele indicou Hermione com a cabeça.

— O que você quer dizer com isso? – Rebateu Hermione.

— Eles estão caçando trouxas

— Hermione é Bruxa – disse Harry

— Faça como quiser, se você acha que eles não vão saber identificar uma sangue-ruim, fique onde está.

Meu pai era bruxo, mas seus pais eram trouxas, ou seja, ele era sangue ruim. Comecei a ligar os pontos e na hora houve um grande clarão verde no acampamento

— Malfoy! – eu gritei

— Ah oi Julie, ainda andando com esses daí? – ele perguntou com desdém

— Anda, Julie – disse Fred – nós vamos andar mais pra lá

— Podem ir indo, eu já vou

Fred hesitou por um momento, mas quando encarou Malfoy, deu as costas e foi andando.

— O que foi Julie? – Perguntou Malfoy calmamente

— Malfoy, meu pai trabalha no Ministério! Ele tá lutando com esses caras!

— Calma Jul, o foco deles não é matar agentes do Ministério, e sim trouxas e sangue-ruins

— Malfoy seu idiota! Meu pai é nascido de trouxa! – nesse ponto eu já tinha começado a chorar.

Draco ficou perplexo, sem saber o que falar.

— Eu vou lá ajudá-lo! – eu disse, mas mais uma vez fui impedida

— Jul você não pode ir pra lá, essas pessoas são muito, muito perigosas, você não tá entendendo...

— E você tá? Você conhece essas pessoas Malfoy? – eu disse com mais lágrimas nos olhos.

— É claro que não Jul, calma – Ele disse me abraçando.

Eu pude sentir o cheiro do perfume caro dele, e por um momento quase esqueci o que estava acontecendo alguns metros de mim. E de repente, tudo se encaixou, quando o pensamento começou a surgir, foi questões de segundos pra eu me tocar.

— Você! – Eu disse me desvencilhando dos braços de Draco – Você sabia que isso ia acontecer! Tentou me avisar durante o jogo!

Malfoy me encarava, sem deixar que expressão alguma transparecesse no seu rosto.

— Não acredito – eu disse com as mãos apertando minhas têmporas, minha cabeça já começava a latejar

— Julie... – ele disse tentando se aproximar, mas eu imediatamente recuei

— Não! – eu gritei. Fechei os olhos por um segundo e respirei fundo. Andei calmamente até Malfoy até nossos rostos ficarem menos de 15 centímetros separados do outro e falei, segurando toda minha mágoa e raiva dentro de mim – Se meu pai morrer nessa sua brincadeira, você me conhece e sabe que não vou deixar barato.

— Jul, eu não sabia, eu juro

— Chega de mentiras, Malfoy – eu disse me afastando dele.

Virei as costas para ele e comecei a andar para longe, à procura dos Weasleys. Apesar do misto de emoções e incertezas que eu estava sentindo, não olhei nenhuma vez para trás

***

Quando os encontrei, o barulho do acampamento já tinha diminuído

— Julie! – Todos gritaram quando me viram.

— Você tá bem? – perguntou Fred – Eu não queria te deixar sozinha com o Malfoy mas só de olhar a cara dele...

— Tudo bem Fred, eu tô bem – eu disse procurando não encarar ele nos olhos.

— Que susto você nos deu! – disse Hermione – agora pouco ouvimos um barulho na mata escura e não sabíamos quem era...

Assim que ela disse isso, ouvimos um barulho vindo do lado oposto ao qual eu vim.

— Quem está aí? – Harry gritou

Ficamos todos em silêncio, assustados, até que ouvimos uma voz estranha, diferente das nossas.

— Morsmordre!

E na mesma hora uma coisa enorme, verde e brilhante irrompeu do lugar escuro que estávamos olhando, voando para o topo das árvores, para o céu. A luz foi tomando forma, até se transformar em um crânio composto por estrelas de esmeralda e uma cobra saindo da boca, como uma língua.

— Não pode ser... – eu disse enquanto observava o crânio subir cada vez mais alto nos céus.

E de repente, a floresta toda foi invadida por gritos

— A gente tem que ir – eu disse, já começando a andar

— Que foi? – Potter perguntava, confuso. A ignorância dele me irritava

— É a porra da Marca Negra Potter, de todo mundo aqui, você devia saber disso! – eu disse irritada – Daquele que não deve ser nomeado!

— Voldemort? – ele perguntou, confuso.

— Temos que ir agora! – eu disse pegando as mãos dos gêmeos e começando a me mexer, mas em um piscar de olhos, um grupo de vinte bruxos apareceu do nada com todas suas varinhas apontadas pra nós. – Abaixem! – eu gritei, antes que fôssemos atingidos pelo feitiço.

— Estupefaça! – gritavam os bruxos, e luzes flamejantes saíam de todas as varinhas, tentando nos acertar.

— Parem! – berrou uma voz conhecida – são meus filhos! – e Arthur Weasley apareceu, abraçando Rony, os gêmeos e Gina – Vocês estão bem?

Sua expressão era de horror.

— Saia do caminho, Arthur – a voz do Sr. Crouch soava ríspida e fria – Qual de vocês fez aquilo? Qual de vocês conjurou a Marca Negra? – seus olhos penetravam cada um de nós.

— Nós não conjuramos aquilo! – disse Harry apontando para o crânio

— Não minta, senhor! – Crouch respondeu, apontando sua varinha para ele – vocês foram encontrados na cena do crime!

— Pelo amor de Deus Bartô, eles são meninos – o Sr. Weasley tentou acalmá-lo, e virando-se pra nós, perguntou – De onde saiu a marca? Respondam vocês!

— Dali – respondeu Hermione, com a voz fraca, apontando para o lugar onde tínhamos ouvido a voz – alguém atrás das árvores... gritou umas palavras, uma fórmula mágica...

Os bruxos ali presentes pareceram acreditar que nenhum de nós tínhamos capacidade de conjurar um feitiço desse porte e apontaram as varinhas para o lugar que Hermione apontara.

— Tarde demais – disse uma das bruxas – já devem ter desaparatado.

— Acho que não – Amos, pai de Diggory se pronunciou – há uma boa chance de os termos atingido.

— Amos, cuidado! – disseram alguns bruxos, mas ele já tinha adentrado na escuridão das árvores.

Passaram alguns segundos até Diggory gritar:

— Acertamos sim! Tem alguém inconsciente!

Meu coração pulou uma batida, por um segundo tive certeza de que tinha apanhado Draco Malfoy, que ele que tinha conjurado a Marca Negra, tudo fazia total sentido na minha cabeça, até que o Sr. Diggory apareceu das árvores segurando um pequeno vulto em suas mãos. Quando ele se aproximou pude ver que ele carregava um... elfo?

— Winky? – Harry sussurrou. Olhei para ele sem entender – é o elfo do Sr. Crouch, ela estava lá com ele na hora do jogo.

De fato, todos os bruxos haviam se virado para o Sr. Crouch

— Isso... não pode ser – ele disse.

Ele contornou Sr. Diggory e voltou para o lugar onde tinham encontrado o elfo.

— Não adianta, Sr. Crouch – Amos gritou – Não há mais ninguém aí – Sr. Crouch não pareceu ouvir e continuou procurando entre as árvores – meio embaraçoso, não? – ele disse abaixando um pouco a voz, de forma que só nós e Arthur podíamos ouvir – o elfo doméstico de Bartô Crouch... Quero dizer...

— Mas é preciso de uma varinha para conjurar a Marca Negra – eu disse, e todos me olharam surpresos, parecendo notar minha presença só agora.

— Sim – respondeu Sr. Diggory de forma sombria – e tinha uma varinha.

Nesse instante Ludo Bagman desaparatou bem ao lado do Sr. Weasley, confuso, perguntando a Bartô o que tinha acontecido e por quê o elfo dele tinha sido estuporado.

— Não! Winky? – Bagman exclamou, surpreso – Ela conjurou a Marca Negra? Não é possível, é preciso de uma varinha.

Em seguida, ele apontou a varinha para Winky, que se encontrava imóvel e pronunciou “ Enervate”. Nessa hora o elfo começou a se mexer.

— Você foi encontrada com uma varinha na mão! – Vociferou Sr. Diggory e pela primeira vez estendeu a varinha que ele encontrara.

Então, aconteceu uma coisa que eu nunca imaginaria que fosse acontecer.

— É minha – exclamou Potter – a varinha é minha!