Como Se Houvesse Ninguém Ao Redor
5 Jantar em família
Notas iniciais
– Mas mãe eu não quero minhas fotos aparecendo na TV- choraminguei mais uma vez.
– Você está na terra dos paparazzis querida, seu pai é reconhecido agora – senti o tom de voz calmo, mas claro não era ela que tinha aparecido na televisão parecendo um leão – desculpa meu amor, mas infelizmente não posso fazer nada.
– Nunca vou me conformar com isso, sou apenas uma estudante! Ele é famoso– supliquei novamente – Tenho que desligar agora, já sinto a sua falta.
– Eu também. Está lavando suas calçinhas?
– MÃE! Tchau amo você!
– Também te amo.
E desliguei antes que ela prolongasse aquela conversa de quase uma hora. Eu estava no centro de alimentação do maior shopping dessa cidade, tinha acabado um sorvete e agora estava observando as crianças na minha frente suplicarem por mais uma rodada de Mc Donalds, eram dois meninos que vestiam camisas do Ben 10 quase idênticas. Meu pai havia ligado logo de manhã e dado as instruções para chegar ao restaurante além de relembrar pela segunda vez que eu deveria comprar um vestido mais sofisticado. Sem muita dificuldade escolhi um vestido azul marinho na primeira loja em que entrei.
Não demorou muito para a noite chegar, ás sete horas meu vestido novo já estava em meu corpo, só por vaidade teimei de retocar meus cachos de ultima hora, atrasando severamente e fazendo o motorista que meu pai havia contratado só para essa pequena ocasião esperar em frente a minha casa por alguns minutos. A viagem não foi longa, de forma desajeitada andei os poucos metros até o restaurante, quando finalmente cheguei pude ver os cabelos brancos do meu pai em uma das primeiras mesas, Kristen estava ao seu lado com os cabelos repleto de mechas loiras presos em um coque alto e a sua frente uma pequena garotinha de vestido rodado com os pés pendurados sem conseguir apoiar no chão, minha irmã.
– Atrasada mais uma vez, não sei por que ainda me surpreendo – falou meu pai logo que sentei a sua frente.
– Devia agradecer pelo fato de eu estar aqui – e então sorri falsamente para Kristen que não parava de olhar para mim – E como vai minha querida madrasta?
– Melhor impossível, na verdade – o tom sínico de sua voz ainda permanecia.
Jenna que estava ao meu lado cutucou minha costela me fazendo virar, não pude evitar um abraço na criatura pequena que tinha o nariz fino e pontudo como o meu. Ela amassou minhas bochechas com suas duas mãos pequeninas.
– Filha! Não faça isso com sua irmã por parte de pai – claro que ela tinha que falar por parte de pai – já falei que machuca.
– E então Rose, gostou da Marta? – perguntou meu pai tentando socializar mesmo com o celular entre as mãos.
– Na verdade ela foi a única coisa boa que me aconteceu na Califórnia até agora.
Neste momento quatro homens de terno se aproximaram da mesa, eles colocaram bandejas na frente das quatro pessoas que estavam sentadas. Olhei para o objeto com uma tampa enorme na minha frente e antes que eu abrisse minha boca, Kristen falou:
– Tive a ousadia de pedir os pratos antecipadamente — ela colocou ma parte da franja para trás da orelha – espero que não se importem.
– Claro que me importo – falei secamente.
E obviamente quando a tampa que cobria meu prato foi tirada, uma receita recheada de camarões apareceu. Com uma expressão desafiadora, Kristen me olhou, ela sabia que camarão era única comida no mundo que eu não podia comer. No aniversário de quarenta oito anos de papai, minha querida madrasta me ofereceu por “delicadeza” um salgado recheado de tal fruto do mar, não conhecendo ainda com quem estava lidando, recusei.
Meu pai provavelmente não tinha percebido a comida que tinha sido servida e com a maior indiferença pediu licença para ir ao banheiro.
– Tenho alergia a camarão – falei.
– Mentira! – o fingimento era incrível – peço desculpas, posso mandar providenciar alguma carnezinha para você.
– Sabe o que acho melhor? Ir embora.
– Mas nós nem conversamos direito – o tom dela já estava deixando óbvio que aquela situação era proposital – ainda continua irritante como me lembro?
– Isso daí depende do ponto de vista de cada pessoa – coloquei minha bolsa sobre os ombros – e a senhorita, continua roubando os maridos alheios?
– Para quê? Uma vez já foi suficiente- como minha mãe já pode ter sido amiga dessa daí?
Já estava em pé, quando Jenna, levantou e me abraçou mais uma vez.
– Sabe de quem eu tenho mais pena? Não é da Jenna por ser sua filha ou do meu pai por ter caído no seu jogo – então dei um beijo nos cabelos da minha irmãzinha para que ela voltasse a sentar – é de você. Por ser vulgar a este ponto. E pode mandar o motorista ir para casa; prefiro caminhar um pouquinho a participar dessa palhaçada.
Com meu pai ainda no banheiro, saí do restaurante sem ouvir mais nenhuma palavra vinda da queridíssima Kristen. Com os pés doendo bastante, tirei os saltos que havia escolhido com tanto cuidado e coloquei nas mãos, a rua estava fria e escura. “Uma vez foi suficiente” como ela pode? Se matar não fosse crime, hoje teria acontecido meu primeiro homicídio.
A noite já estava maravilhosa, mas claro que tinha que começar uma chuva agradável. Procurei um abrigo próximo, porém tudo já estava fechado ou tinha um segurança de quase dois metros na porta.
– Ei – ouvi alguém gritar.
Andei o mais forte que pude, mas a pessoa gritou outra vez.
– Eeei! — a voz estava mais longe – juro que não toco em você de surpresa desta vez.
Lembrando instantaneamente do acidente da terça virei para trás e ele estava lá usando uma camisa com listras azuis por toda a frente.
Kendall Knight apareceu para salvar minha vida.
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