Corri até Kendall, com uma timidez imensa dividi a sobrinha preta com ele. Eu podia ouvir a respiração dele de tão próximo que estávamos.

– Não sei se você tem algum tipo de imunidade, mas ficar tomando banho de chuva a essa hora da noite não é lá tão agradável assim – brincou ele e então aquele sorriso branquíssimo apareceu.

– Acabei perdendo minha carona.

– Pois acho que é seu dia de sorte, porque estou justamente indo para casa.

Sorri um pouco sem dizer nada, eu estava angustiada com tudo que tinha acontecido na ocasião anterior. Meus lábios se batiam de tanto frio.

Com nossos braços se encontrando fomos até o carro de Kendall, era um conversível imenso cor prata. Sentei no banco passageiro, super envergonhada por estar molhando o banco com meu vestido absolutamente encharcado. Antes de sentar no banco do motorista, ele abriu a mala e tirou uma jaqueta preta, numa velocidade enorme sentou ao meu lado.

– Toma rose, você está tremendo – falou estendo a jaqueta para mim.

– Não acredito que percebeu – coloquei e não surpreendendo de maneira alguma a peça de roupa cheirava incrivelmente bem – Posso pedir um favor?

– Estará fazendo um favor se pedir.

– Vamos apenas ficar aqui por alguns minutos – pedi com delicadeza – não quero que meu pai me encontre, se ao menos ele estiver me procurando.

– Então o problema foi com seu pai? – perguntou Kendall, tirando a chave da ignição.

“Para variar” respondi em pensamento.Meu pai poderia até ter melhorado em relação a nosso relacionamento fraternal, mas isso não iria mudar o rancor que sua nova esposa tinha por mim, pelo simples fato de eu ser filha da primeira mulher.

– Na verdade, a esposa dele não gosta muito da minha presença e acabou me expulsando do restaurante – expliquei me agasalhando forte com a jaqueta — mas e você o que estava fazendo a essa hora da noite no meio da rua?

– Estava apenas me divertindo com a banda depois de uma reunião com nosso produtor.

Uma suposição rápida veio a minha cabeça e eu não poderia deixar passar sem perguntar:

– Como é o nome do seu produtor?

– Peter Book, por quê?

Em um mundo com quase sete milhões de habitantes claro que logo o produtor da boyband do meu vizinho e de seus amigos tinha que ser meu pai. Olhei para a rua que estava vazia e deu um sorriso sarcástico.

– E se eu te falar que seu produtor é nada menos que meu pai – finalmente respondi olhando nos olhos dele e minha nossa eles eram muito bonitos.

Não sei por que, mas ele começou a rir incontrolavelmente como se eu houvesse falado a piada mais incrível do mundo.

– Quer dizer que você é nada menos que a enteada da Kristen – Kendall continuou ainda rindo – Ela é tão agradável, meus pêsames.

Levei minhas mãos aos olhos, para esfrega-lo, tentando afastar minha sonolência. Apesar da jaqueta, meu vestido ainda incomodava muito pela insistência de colar no meu corpo. Kendall estava ao meu lado segurando no volante enquanto olhava ao redor da rua em que estávamos.

– Não basta ser a mulher mais fresca do mundo, tem que ser minha madrasta – reclamei – mas mudando de assunto, não vai me convidar nunca para assistir um show seu?

Ele sorri como se estivesse esperando por essa pergunta há algum tempo.

– Na verdade, teremos um show na segunda em um parque tão longe daqui. E eu estava prestes a te convidar.

– Será de que horas?

– Ás sete horas.

– Iria com certeza, segunda- feira começa minhas aulas na faculdade, porém à noite ainda tenho livre – sorri aliviada.

– Vou te esperar lá seriamente – e as covinhas nas suas bochechas se destacaram.

Olhei para as mãos dele, porque estava sendo tão atraída por ela? Não só pela mão, mas o jeito que ele sorri ou fala sobre sua carreira em uma banda.

Meu celular vibrou dentro da bolsa em minhas mãos, e havia o nome pai na tela. Rejeitei a ligação sem pensar ao menos um pouco. Então vibrou novamente, mas agora uma mensagem de texto: “Porque saiu daquele jeito do restaurante” e vibrou novamente “Passo amanhã na sua casa” tentando evitar um contato direto com meu pai pedi licença e respondia o sms “Não foi nada de mais, minha barriga começou a apertar apenas. Aliás, não vou estar em casa amanhã” menti a ultima frase. Dando conta da inconveniência que estava causando, pedi a Kendall que me levasse para casa, como na ida não demorou muito para que chegássemos.

– Missão aprendida – falei logo que ele estacionou na frente da minha casa – nunca sai de casa com o motoristas em um encontro familiar. Sempre leve seu carro!

– Nem todo mundo tem um anjo protetor como eu – ele falou tirando a chave na ignição.

– Nossa! Eu sou realmente muito sortuda – brinquei sendo hipnotizada novamente por aqueles olhos verdes- se tiver alguma coisa que eu possa fazer para recompensar.

– Na verdade, tem uma coisa – Kendall estava sério agora – saia comigo amanhã.

Então suas mãos estavam no meu rosto com intenção de nos aproximar, dentro de poucos segundos nossos lábios estavam se encontrando de forma suave e macia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.