Como Matar O Coleguinha
1 Adeus Sayumi
Notas iniciais
“Todas as pessoas dessa sala sofrerão uma grande dor. Porém não será tão grande quanto o simples ato de viver é para mim.”
Estava no fim daquela tarde tranquila e absolutamente comum. Naquele simples colégio, onde estudavam jovens que perseguiam sonhos e faziam planos para o futuro, aconteciam aulas e mais aulas entediantes para os alunos, porém extremamente importantes. Eram 12 classes no total. Mas, especificamente na classe 7 ocorreu o que tempos depois foi nomeado como “A Chacina dos Coleguinhas”. Naquela classe haviam 32 pessoas, e dessas 32... Apenas uma sobreviveria. A assassina.
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A Primeira Morte – Sayumi Sasaki
Sayumi era o que poderíamos chamar de “patricinha”. Fútil, esnobe, arrogante, tagarela e considerada “chata” pela maioria dos colegas. Motivos não faltavam para ela ser odiada por muitos naquele colégio. Quem diria que ela seria a primeira.
“Sayumi-san conhecerá o inferno em breve.” – Uma pessoa pensava, enquanto dava um leve sorrisinho.
Assim que a aula terminou, Sayumi estava ainda na sala conversando com um garoto chamado Makoto. Eles estavam sozinhos, ou pelo menos era o que pensavam. Uma sombra os vigiava. Ou melhor, vigiava Sayumi.
– Makoto-kun, nos vemos amanhã então! – ela disse se despedindo do garoto branco, de olhos castanhos e cabelos lisos pretos.
– Sim, sim, até mais Sayumi-chan! – Ele disse com uma voz de bobo apaixonado.
Iludido, pobre coitado. Todos os garotos que Sayumi beijava eram descartados logo em seguida.
Assim que Makoto deixou a sala, Sayumi ainda se sentou na cadeira novamente, pegou um pequeno espelho cor-de-rosa e começou a retocar o batom. Enquanto ela fazia isso de forma distraída, uma pessoa se aproximava lentamente por trás.
“Sayumi-san, espero que tenha aproveitado o seu último beijo.” — Disse uma voz alterada por algum tipo de aparelho.
“Quem é você? O que quer comigo?” – A garota perguntou com a voz tremelicando.
“Eu sou apenas um amigo.” – Ele disse.
Sayumi virou o rosto e deparou com uma pessoa trajando sobretudo, chapéu, luvas e máscara pretos. Enfim, uma pessoa totalmente disfarçada. Irreconhecível.
O estranho ser então pegou lentamente uma faca do bolso de seu sobretudo, uma bela faca de cozinha prateada, com o cabo preto.
“Este é o seu fim, Sayumi-san.”
“NÃO! SOCORRO! SOCORRO! TEM UM LOUCO QUERENDO ME MATAR! MAKOTO-KUN, VOCÊ AINDA ESTÁ AI? ALGUÉM ME AJUDE!” – Ela gritou, desesperadamente. Em vão.
“Acha mesmo que eu seria tão burro? Já me certifiquei da ausência de todos da escola nesse horário. Ninguém virá te salvar. A escola está trancada. E aquele garoto que estava com você... Não se preocupe, eu não o matei. Apenas o mandei embora ‘amigavelmente’.”
“Quem é você? O que tem contra mim? Me deixe ir embora, por favor!”
“Sayumi-san, você não vai mais gritar...”.
Ele pegou uma fita isolante no bolso e tapou sua boca. Sayumi estava cada vez mais desesperada. Mas não havia escapatória. Ela até tentou correr, mas a sala estava trancada e as janelas também. O crime fora muito bem planejado.
A faca brilhante na mão do assassino cumpriu então seu papel. Os olhos de Sayumi ficaram arregalados. Era o seu fim.
“Sayumi-san, você nunca se importou com os sentimentos de ninguém, não é? Sempre foi uma pessoa fútil, que nunca deu valor a nada na vida. Você só dava valor pras coisas materiais. Seus amigos são interesseiros, no fundo você é uma pessoa solitária. Sua vida não vale nada. Sua mãe morreu em um acidente de carro, seu pai é um alcoólatra. Vou aliviar sua dor definitivamente. No fim, você vai me agradecer. Estou dando fim a uma vida desgraçada.” – O assassino disse estas palavras antes de enfiar logo a faca reluzente no peito da garota, numa sequência de 12 facadas consecutivas. O sangue jorrava. Os gritos agudos da jovem eram abafados, mais ainda podiam ser ouvidos. Era o fim de uma vida.
“Mãe, pai, por quê? A morte é mesmo a solução? Quem é essa pessoa que sabe tanto sobre mim? Eu não entendo. Desculpe Makoto-kun, não haverá um próximo encontro.”
– Esse foi o último pensamento de Sayumi. Uma lágrima gelada escorria dos seus olhos e se misturava ao sangue que jorrava do seu corpo. Até que finalmente a dor cessou e seu coração parou de bater. Adeus Sayumi Sasaki.
“Primeira morte realizada. Nenhum vestígio de impressão digital. Certo, já posso ir. Mas, antes...”.
O assassino então pegou um giz e começou a escrever no quadro com uma letra que ninguém reconheceria:
COMO MATAR O COLEGUINHA 1
Minha linda Sayu
Ele então saiu da sala deixando ali o corpo ensaguentado de Sayumi.
Aquele era apenas o começo. E aquela era apenas a primeira vitima.
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