Como Enlouquecer Um Vampiro
54 Capítulo 54 - Lembranças Parte II
PVCHARLIE
Era pra sair tudo perfeito, tinha tudo pra ser o encontro perfeito entre mãe e filha, estávamos todos ali prontos para segurar bella se acaso fosse necessário, mas eu estava crente de que não seria preciso, o amor pela filha seria maior que sua cede, assim como o meu amor por bella era maior. Rose veio com Charlize no colo e eu observava bella, seu rosto ansioso iluminou-se ao ver a filha, dei um leve sorriso e suspirei satisfeito, tanto no olhar de bella quanto no de Charlize via-se claramente que uma já amava e muito a outra, tudo se encaminhava para um desfecho feliz, eternamente feliz...até bella franzir o cenho e seu olhar fascinado e iluminado pela presença de Charlize se tornar obscuro, tenebroso, demonstrando todo o horror que sentia, para os outros dava a impressão que bella atacaria a filha, por cede, pelo instinto, mas eu sabia o que era, tudo o que fiz, menti, trapaceei, enganei,manipulei, comprei foi para que nunca visse esse olhar nela, o olhar de um passado que deveria permanecer morto e enterrado, mas que nasceu nos olhos de Charlize, como um castigo por meus erros, por ser negligente com as atitudes dela, eu sabia que agora teria que enfrentar o passado de frente, não poderia mais mentir para ela, teria que compartilhar sua dor, como se a minha já não fosse o bastante, era a minha dor pelo que houve com minha mãe, a minha dor por ver bella assim e a dor dela que eu teria que enfrentar, pois que assim seja.
–fiquem aqui. — murmurei estarrecido e no segundo seguinte bella saiu correndo, não hesitei, não pensei em nada e saí correndo atrás dela, não a perderia de vista e a impediria se acaso ela fosse fazer besteira, eu corria ouvindo seus soluços contidos, como se ela tivesse os reprimindo, a respiração acelerada mesmo não sendo necessário respirar, meu peito doía tanto por ela, mas tanto... — bella meu bebê, espere. — pedi tentando alcançá-la, mas como sempre ela é muito rápida, ela não respondeu, era como se não tivesse me ouvido, sua mente deve estar em pânico e nem deve estar raciocinando direito, aumentei minha velocidade no máximo que consegui e me joguei contra ela, o barulho foi enorme já que eu não fui cuidadoso, mas não era necessário, caímos no chão e pela velocidade saímos rolando no meio da neve e das árvores que havia ali. Eu passei meus braços ao redor dela e a prensei contra mim, aconteça o que for eu não a soltaria jamais, eu não nadei, não lutei a vida toda contra a maré pra morrer na praia, mas não mesmo.
–me solta. — ela disse rosnando e se debatendo, havia histeria em sua voz perfeita, como sempre foi, respirei fundo e tentei clarear minha mente, não poderia ficar os dois histéricos.
–não. — falei firme e a apertei mais contra mim sentindo suas costas se espremer contra meu peito, aliviei um pouco, mas não muito, ela não iria fugir de mim. — pare de debater, por favor. — supliquei e afundei meu rosto em seus cabelos sentindo seu cheirinho, era o meu bebê ali e precisava de mim, o que eu faço? Ela não respondeu, mas foi parando aos poucos de se debater até ficar completamente imóvel, a mantive presa, sei que ela pode mudar de idéia e sair correndo outra vez.
–me solte, quero sair daqui. — ela pediu se remexendo um pouco, ela não me queria por perto e isso me doeu mais que a dor da transformação.
–diga claramente que não me quer perto de você. — pedi e supliquei internamente que ela não pedisse.
–porque? — ela disse chorando e eu abracei de forma bem aconchegante, pra lhe passar carinho, confiança e segurança.
–pelo que fiz, por mentir pra você, por tentar poupá-la dessa dor, dessa lembrança. — seu choro aumentou e eu a virei para mim, apesar de tudo eu queria olhar pra ela, porque mesmo esse olhar me destruindo por dentro ele indicava que ela estava aqui, comigo. Estavam meio vazios, perdidos, tristes e acima de tudo magoado, claro que apesar do choro não havia lágrimas, não que isso fosse mudar alguma coisa nessa situação. Ela não disse nada, só me abraçou de volta tão forte que achei que iria me arrebentar ao meio e afundou o rosto na curvatura do meu pescoço e chorou, chorou por muito tempo, soluçou, tremeu e se espremeu mais a mim, eu permaneci ali com ela esperando ela se acalmar, a conversa seria longa e dessa vez, ela lembraria dessa conversa detalhe por detalhe por toda a eternidade, a mente vampírica guarda tudo, sem deixar nada no esquecimento, de repente eu percebi que deveria ter contado a ela antes que se transformasse, assim essas lembranças ficariam distorcidas como muitas lembranças humanas, mas agora não da pra voltar atrás e o jeito é encarar esse desafio de frente.
Eu nunca achei que os simples olhos chocolates de minha neta fosse desencadear todas as lembranças de bella, houve vários momentos da nossa vida que achei que isso aconteceria, momentos reais, como uma notícia sobre violência e tortura que assistíamos no telejornal, bella estava sempre atualizada com os problemas sociais, pois lia muito, navegava na internet e assistia a TV, quando me cortava na cozinha e sangrava ela ficava apavorada ao ver sangue, teve vários casos tenebrosos que assistíamos, eu sempre ficava atento acaso ela lembrasse, mas nunca aconteceu. De certo era pra acontecer agora, num momento único e mágico pra todos nós, realmente...não se foge do destino. E já que não da pra fugir a gente encara.
Passei a mão em seus cabelos enquanto ela soluçava, beijei sua cabeça e lhe fiz carinho.
–olhe para mim. — pedi e calmamente ela ergueu a cabeça e me encarou, era a hora de pedir perdão a ela, e espero que ela entenda meus motivos, mas antes que eu abrisse a boca...
–obrigada. — ela disse sussurrado, sem desviar seus olhos dos meus, apesar da sua dor havia em seus olhos gratidão, amor e devoção, e eu pra variar fiquei perdido, não era isso que eu esperava ouvir, não agora pelo menos. Onde está os tapas, os gritos, xingamentos e o momento em que ela me culpava?
–pelo que? — perguntei depois de respirar fundo. Ela fez um carinho em meu rosto antes de responder.
–por existir na minha vida. — alisei seu rosto com a pontinha do dedo. — nunca haverá no mundo um papito como o meu, eu sou a pessoa mais sortuda por isso. — dei um leve sorriso.
–gosto muito de ouvir isso, mas não creio que mereça, menti muito e mentir é feio. — eu tinha que falar abertamente com ela sobre o que houve, infelizmente. Não havia maneira de deixar para depois.
–sei disso, mas foi um mal necessário e...não quero falar sobre isso. — pediu desviando os olhos dos meus.
–mas é preciso, não acha que já adiamos essa conversa por tempo demais?
–tem coisas que nunca devem ser ditas, eu preferia não ter lembrado, nunca. — ela disse tristinha.
–eu também preferia nunca ter que falar sobre isso com você, fiz o possível para que você não sofresse com isso.
–parece que sempre acontece alguma coisa que impede minha aproximação de Charlize. — ela disse desviando do assunto.
–percebi isso, até agora foram duas tentativas falhas, mas o momento vai chegar, o que achou dela? — perguntei lembrando-me do seu olhar fascinado.
–é linda como toda Swan. — a olhei incrédulo. — não me olhe assim, sabe muito bem que é verdade.
–sim eu sei, mas...
–papito, fui eu quem fiz, é claro que só poderia ser maravilhosa e perfeita. — ela disse como se fosse o óbvio, isso não poderia estar acontecendo...ou poderia?
–bella, você já ouviu falar em modéstia? — perguntei só pra confirmar, ela revirou os olhos.
–eu não lhe disse? modéstia é praticamente meu nome do meio. — respirei fundo e olhei para o céu, as poucas árvores que haviam não impediam-me de o olhar, negro como um enorme buraco sem fim, nessa noite não havia uma única estrela, quase como um mal presságio, espantei tais pensamentos mal crendo nisso, será que tenho tanta sorte assim e não tinha percebido?
–porque não me conta do que se lembrou ao ver Charlize. — sugeri e sentindo enrijecer, mas era um mal necessário.
–não quero lembrar disso, se não quando dormir terei pesadelos. — a analisei bem.
–mas você não dorme mais, vampiros não dormem. — ela me olhou surpresa, essa não.
–eu sei papito, acha que me esqueci disso? Mas é claro que não, além do mais o fato de eu não dormir não quer dizer nada, vou manter minha rotina e me deitarei sempre no mesmo horário, finjo dormir até de manhã, a eternidade é tempo de mais, já ouviu dizer que em time que está ganhando não se mexe? Então...
–está me confundindo. — cortei sua tagarelice, ela suspirou me olhando.
–a eternidade é muito tempo, então para não se tornar tediosa vamos nos programar desde já, manteremos nossa rotina humana o máximo que conseguirmos...
–e então teremos menos tempo pra não fazer nada e acabar ficando entediados. — completei e ela sorriu satisfeita, até que não era má idéia. — você não quer falar mesmo...sobre do que lembrou? — perguntei hesitante, ela ficou um pouco quieta antes de responder.
–lembrei de tudo, desde o momento em que saiu de casa para ir ao show até o momento em que voltou e me socorreu, me tirando daquela sala horrenda onde estavam os pedaços da vovó.
–você lembrou de toda a cena? — perguntei chocado, nem eu lembrava de todos os detalhes, nem quando humano muito menos como vampiro.
–tudo, você saiu e ela me enrolou na bibinha e me colocou no sofá, iríamos assistir a novela, depois ela me trouxe o mamá com bolachinha e se sentou ao meu lado se enrolando em outra coberta, estava frio aquela noite, no segundo capítulo da novela tocaram a campainha, ela mudou o canal de TV para a imagens das câmeras para ver quem era, era um conhecido, ela não me disse o nome, por isso ela abriu o portão principal, mas depois disso já ouvi o barulho da porta sendo arrebentada e...eu não quero mais falar papito, por favor. — eu não a obrigaria a falar, mas tinha uma coisa estranha nisso.
–um conhecido tocou a campainha sabendo que o portão jamais seria aberto pra um estranho. — falei a ela, eu nunca entendi como entraram sem arrebentar o portão, mas arrebentaram a porta.
–está dizendo que foi enganado por um amigo seu, papito...vamos esquecer isso, já foi...vamos seguir em frente. — ela pediu, só que agora era ela quem me segurava, eu nunca deixaria isso para trás, nunca esqueceria.
–eu matei todos os responsáveis que encontrei pelo que houve, mas não sabia que tinha uma pessoa próxima a mim capaz de ser cúmplice de algo tão sujo e macabro. — me senti um idiota agora.
–decida encontrar essa pessoa e peça a ajuda à fadinha, ela vai saber onde encontrar. — era uma ótima sugestão de bella, só tinha um detalhe.
–seu escudo não permite que Alice nos veja.
–então treinamos pra mim aprender a usá-lo quem sabe retirá-lo, aí ela vai ver, mas nesse momento eu preciso ver minha filha. — ela disse quase desesperada. — eu não quero mais falar disso. — falou convicta e levantou-se me arrastando com ela.
–parece que não será preciso ir até lá. — falei sentindo a aproximação de alguém, que só pode ser Edward e ouvindo o coração acelerado de Charlize. Já me coloquei ao lado de bella para a segurança de Charlize.
–quem está se aproximando? — ela perguntou assustada e se enroscando em mim.
–seu futuro marido e sua filha, acho que demoramos demais e ficaram preocupados. — foi quando Edward apareceu segurando carinhosamente Charlize e todo o requisito de tristeza que havia em bella desapareceu como mágica.
–me dê ela Edward. — bella pediu estendo os braços em direção a Charlize, esse era um momento tenso, pra nós era tenso, pra bella e pra Charlize não, Charlize se remexia e chamava bella com a mãozinha e bella meio que saltitava ao meu lado.
–vai com calma meu amor, não se esqueça que ela é muito frágil. — disse Edward hesitante e se aproximou de nós. Bella em milésimos de segundo se encontrava sentada em baixo de uma árvore com Charlize no colo, foi tão rápido mais táo rápido que não percebemos o movimento, bella tirou Charlize do colo de Edward e ele não viu?
–eu percebi e deixei. — disse Edward respondendo a minha pergunta muda.
–e porque? — perguntei observando bella ficar olhando fixamente para a filha e a filha para ela.
–porque Jasper sentiu o quanto elas se amam e que o horror de bella não era nada relacionado com a cede, já ficaram tempo demais longe e...quando bella saiu correndo Charlize começou chorar e só parou quando falei que iríamos achar a mamãe dela.
–é mamita. — bella disse sem desviar os olhos de Charlize, depois abriu um enorme sorriso, achei que assustaria a criança, mas Charlize sorriu de volta. — credo filha você é banguela. — coloquei uma mão no queixo inconformado.
–ela é um bebê, por isso não tem dentes. — disse Edward indo sentar-se ao lado delas, e eu...saí de fininho sem chamar a atenção, bella aos trancos e barrancos havia construído sua família, eu poderia respirar aliviado e satisfeito. Voltei correndo pra minha loira morango que me esperava ansiosa na porta de casa.
–Charlie me explique o que houve. — exigiu dando-me um abraço acolhedor. A abracei de volta a erguendo do chão.
–bella lembrou de algumas coisas que deveria permanecer enterradas, não sei o que será daqui para frente.
–não seja pessimista, como ela reagiu ao ver a filha, já a pegou no colo? Não fez nada de errado? — disparou preocupada.
–ela está feliz e com a filha nos braços. — respondi satisfeito e entramos pra contar o que houve com bella, mas assim que bella voltasse com Edward e Charlize, eu aproveitaria a reunião familiar e pediria Tânia em casamento.
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