Como Enlouquecer Um Vampiro

55 Capítulo 55 - Minha filha, minha vida.


Notas iniciais
Agradeço a todos os comentários, eu leio todos, mas não tenho tempo para respondê-los, adoro todos eles.

PVB


Ela estava ali diante de mim, nos braços do papito dela, Edward a segurava com tanto cuidado, com tanto carinho, era assim que o papito me carregava, ela me olhava como se esperasse algo de mim, em seus olhinhos chocolates havia uma expectativa, uma ansiedade enorme, como se ela quisesse alguma coisa, mas...então porque não diz logo? Eu não me contive, não raciocinei e não pensei direito, o que é muito raro isso acontecer, já que sou extremamente cuidadosa e racional. Praticamente a arranquei dos braços de Edward e corri sentando-me em baixo de uma árvore com minha filha em meus braços, dos quais ela não sairia tão cedo, quem sabe a solto no dia da sua formatura ou casamento. Olhando diretamente pra ela eu soube que nunca a machucaria, seu cheirinho não me incomodava e sim me acalmava, era o fruto do meu amor por Edward, e o fato dela ter os olhos chocolates os quais me fizeram lembrar coisas indesejáveis e dolorosas eu os amava, porque era a eterna lembrança da vovó que eu tanto amava e sempre sentiria falta.


As lembranças que tive não foram só as do dia em que ela foi morta, foram lembranças de toda uma vida, uma vida toda de alegria e humildade. Me lembrei da vovó me colocando sentada na bancada da cozinha enquanto preparava o almoço ou um lanche, eu sempre ficava do ladinho dela, que me contava histórias infantis e que eu não gostava, ela percebia e mudava os finais, mesmo sendo diferente eles também tinham finais felizes, eu disse a ela que finais felizes não existiam na vida real e ela me disse que essa era a vantagem de um conto de fadas, que deveríamos conduzir a vida como se fosse um, assim ela se torna menos pesada e mais divertida, o papito tem a personalidade dela, carinhoso e decidido, firme e que toma as rédeas da própria vida, suspirei...eu havia puxado isso deles.


Eu olhava meu bebezinho fixamente, era incrível nossa semelhança, ela pegou uma mechinha colorida do meu cabelo e ficou segurando, ela era tão fofinha, mas tão fofinha que dava uma enorme vontade de apertar fortemente, eu como ser inteligente que sou não fiz isso, sei o quanto estou forte e jamais me perdoaria se fizesse algum mal a ela, corrigindo-me a tempo...nem a ela nem a ninguém. Sou contra qualquer tipo de violência. Edward sentou-se ao meu lado e eu olhei em volta, o papito havia desaparecido, ele assim como eu sabe ser discreto.


-eu não disse que ela é linda? — falou Edward segurando a outra mãozinha de Charlize.


-ela é muito linda, mas é bem maior que um bebê recém nascido, perece ter meses de idade e não três dias. — falei observando os traços dela, branquinha, as bochechas coradas, muito bem vestida e esse detalhe era crucial. — meu bebê é fashion. — brinquei com ela que deu uma risadinha, era tão gostosa de ouvir, sorri largo pra ela mostrando todos os dentes.


-Alice cuidou de todos os detalhes das roupinhas, nada passou despercebido, digamos que Charlize será muito mimada. — ele disse orgulhoso. — e quanto ao tamanho dela é normal, já que não é uma simples bebê humana e sim uma híbrida.


-mesmo assim é diferente, Tâniadrasta me disse que eles crescem rápidos. — comentei dando uma fungadinha no pescocinho dela, que deu outro risinho, eu me segurava o tempo todo pra não apertá-la bem forte até se fundir a mim.


-eles crescem sim, sabe meu amor. — quando ele disse isso o olhei rapidamente, os olhos vívidos e brilhantes, um leve sorriso nos lábios suculentos, não precisava ser nenhum gênio pra saber que Edward estava imensamente feliz, eu e Charlize éramos as responsáveis por isso.


-sei o que? — se ele não me dissesse eu não saberia do se trata, a vidente é a fadinha, não eu.


-achei que você não gostasse de crianças. — até Charlize me olhou atenta depois disso, e agora?


-bom...e não gosto...digo...claro que gosto. — me atrapalhei e pigarreei. — bem...eu gosto da Charlize e ela é criança então deduz-se que gosto de crianças, mas não todas...só minha filha. — não era pra ter saído assim, mas agora já foi, mesmo assim tenho que concertar, pigarreei outra vez e tentei parecer natural, Charlize estava me sondando e me cuidando, tenho certeza disso. — eu sempre amei as crianças... — divaguei como quem não quer nada. — sempre admirei a cara de pau que elas têm...


-bella... — Edward me interrompeu, mas agora que comecei eu termino.


-deixe-me terminar, as acho as criaturas mais falsas que existem na face da terra, não que terra tenha rosto é só uma forma de falar. — me corrigi a tempo, tenho que ensinar as coisas para Charlize, mas as coisas certas. — sempre me perguntei, o que diabos tem no corpo de uma criança que conseguem tudo o que querem fazendo carinha de anjos? Sendo que de anjos eles não tem nada, mas claro que as amo, afinal elas são...são... — encarei Charlize, céus são o que mesmo? — afinal são crianças e tem que ser amadas e cuidadas e de vez em quando arrebentar a pau pra aprender a obedecer. — Edward gargalhou sendo acompanhado por Charlize, eu não disse nada engraçado, mas vê-los feliz é tudo para uma mãe de família como eu. Dei um risinho observando meu bebê rir tanto e ficar mais vermelhinha, era uma gracinha meu bebê. Dei uma balançadinha nela a ninando, ela era toda minha vida, ela, Edward e meu papito, não esquecendo dos grandes amigos que fiz ao ir morar em Forks, eu sabia que aquele cu do mundo me traria boas coisas.


-o que você acha de voltarmos? Ela tem que mamar. — Edward disse e me ajudou a levantar-me com Charlize nos braços como um cavalheiro que era, assim que me coloquei em pé observei atenta pra ver se estava tudo bem com ela, respirei aliviada, estava sim.


-mas não vamos correr, não quero que no calor do momento e no excesso de velocidade perder Charlize no caminho. — eu estava em plena consciência do meu pequeno problema, eu não poderia me distrair e apertá-la.


-eu levo. — congelei no lugar, mas eu não... — vamos meu amor, não tenha ciúmes de mim que sou a pai e seu futuro marido carregá-la, assim que chegarmos em casa você a segura outra vez, vai dar banho, alimentá-la e niná-la para dormir. — ele disse bem carinhoso e eu relaxei, eu sou uma boba mesmo, dei um riso sem graça e passei Charlize para os braços de Edward, imediatamente senti um vazio, um frio estranho, o corpinho dela não mais esquentava o meu frio e morto. Fiz bico. Eles riram. — eu sei o quanto ela é quente e entendo sua sensação, mas você vai se acostumar. — ele disse compreensivo.


-eu amo vocês, muito. — falei emocionada e enxuguei uma falsa lágrima, sei que não chorarei nunca mais, só que não perdi certas manias. Charlize estendeu a mão em minha direção e passou o dedinho na minha lágrima imaginária, depois riu, então ela encostou toda a palma da mão no meu rosto e foi aí que aconteceu. Minha mente foi invadida por imagens, primeiro era tudo escuro, depois veio uma luz forte e apareceu o rosto todo ensangüentado de Tânia, em um movimento rápido e era o rosto do papito com uma expressão que ia entre alegria e preocupação, depois todos os detalhes dos três dias em que me transformava numa vampi. Tudo o que foi visto e ouvido por Charlize eu sabia, eu só não sabia como...


-bella? — Edward me chamou e eu fiquei ereta quebrando o contato com as imagens. O olhei sem saber o que fazer.


-porque não me contou que ela também tem um dom? — perguntei fascinada, mas ele deveria ter me contado.


-ela tem? — perguntou animado olhando para Charlize, a pilantrinha deu um risinho e me alcançou a mãozinha.


-ela quis que eu fosse a primeira a saber. — isso sim me emocionou muito, eu era importante para ela. — mostre ao seu papito meu anjo, mostre o que me mostrou. — pedi e ela encostou a mão no rosto de Edward, seus olhos ficaram meio vagos, enquanto ela lhe mostrava o sorriso dele ia crescendo até ficar enorme, maravilhosamente lindo, foi o que pensei ao vê-lo sorrir assim, depois ele me olhou e disse:


-isso só a torna talentosa, especial eu já sabia. — ele disse orgulhoso.


-e foi nós que fizemos Edward, isso nos torna... — falei e deixei que ele completasse a frase, mas ele pareceu confuso.


-nos torna... — ele repetiu, mas não completou, revirei os olhos impaciente.


-como assim? Não sabe? tentaremos outra vez, isso nos torna... — eu queria que ele dissesse, mas ele é meio lerdinho as vezes. Eu já tinha percebido que as vezes ele não consegue acompanhar meu raciocínio que é bem lógico e claro.


-não sei. — admitiu depois de pensar um pouco.


-nos torna pais. — falei e fiz cara de darr pra ele. Será que é tão difícil perceber isso? Se foi nós quem fizemos isso nos torna pais. Que coisa.
-pais da criança mais maravilhosa nesse mundo. — ele disse afirmando e deu um beijinho na testa de Charlize. Era tão lindo vê-los interagindo assim, como velhos conhecidos.


-então...vamos? Ela tem que descansar. — eu o lembrei, jamais esqueceria das minhas obrigações de mãe. Segurei sua mão enquanto corríamos de volta para casa, era a minha família ali e eu faria qualquer coisa por eles, até...dar meu istrepinho pra Charlize, dar meus bichinhos de pelúcia, meus brinquedos despedaçados, mas ainda estavam guardados em alguma caixa dentro de algum lugar, terei de ver com o papito onde ele guardou. Observei eles de canto de olho, Charlize olhava para mim sem desviar os olhos, como se me analisasse por curiosidade, porque será? É bem perceptível que ela entende tudo perfeitamente, mas não quero sobrecarregá-la com perguntas, mesmo se desenvolvendo rápido ela é um bebê e tem o direito de passar por todas as fases da sua vida, não apressarei isso.

Quando chegamos ainda estavam todos ali, perdi a minha santa e eterna calma, quero paz no aconchego do meu lar, é pedir muito? Assim que abri a boca a fechei rapidamente, o papito segura A CAIXINHA, eu estava em choque com isso e peguei Charlize no colo, precisava manter a calma e não surtar. Ele não vai fazer isso...ou vai?


-está melhor? — Jasper perguntou-me sorridente e acolhedor.


-estou, acho que o papito contou o que aconteceu. — lutei para minha voz não tremer, saber que todos eles sabem o que houve me deixava triste, mas eu tentava entender.


-Charlie contou que lembrou de coisas ruins sobre sua vida, só isso. — ele disse, foi como se um peso tivesse saído dos meus belos ombrinhos.

- ela é linda não é?


-ela é muito linda. — concordei animada, elogiar meu bebê é tudoooo de bom. O papito pigarreou chamando a atenção, era agora.


-bom...pedi que todos esperassem aqui porque tenho um importante pedido a fazer. — senti meus olhos arderem, não achei que viveria o suficiente pra ver isso. Dei um sorriso encorajador a ele que respirou fundo, depois abriu a caixinha e segurou a mão de Tânia. Sua boca se abriu em ooo perfeito. — quer se casar comigo? — simples e direto, esse é meu papito. Ela ficou ali parada e calada olhando dele para a caixa e da caixa para ele.


-aceita logo mulher. — disse Irina sorridente.


-ta esperando o que? — disse Kathy, via-se claramente que elas estavam felizes e emocionadas por Tânia. Não é pra menos, olhe a quanto tempo, séculos estão encalhadas, é pra comemorar mesmo.


-aceito. — ela disse e começou pular animada ao lado do papito, eu estava tão feliz por eles.


-ufa, achei que ganharia um enorme fora diante de todos. — ele disse brincando, mas estava aliviado.


-os anéis. — eu sussurrei pra ele, ele sorriu e tirou um deles, agora ele pertenceria a senhora Swan.


-esse anel é passado de geração em geração na minha família. — ele disse colocando o anel no dedo de Tânia. — se precisar mandamos ajustar, a última pessoa a usá-lo foi minha mãe e eu achei que a próxima seria bella, agora ele é seu, assim como meu coração morto. — quase desfaleci.


-nem sei o que dizer. — ela falou e lhe deu um beijo apaixonado, tapei os olhos de Charlize com uma mão, ela não tem idade pra ver isso. Depois todos deram-lhe os parabéns, já falavam sobre marcar a data, mas eu iria me casar primeiro já que fui pedida em casamento primeiro.


-que você seja muito feliz. — falei ao papito lhe dando um abraço meio desengonçado, por causo da bebê. — você merece tanto isso.-eu serei, assim como você. — disse me dando um beijo na testa, depois fui dar os parabéns a Tânia. Ela estava toda sorrisos e empolgada.


-seja bem vinda à família, senhora Swan. — falei lhe dando um sincero abraço, depois me virei para o papito. — onde você guardou as caixas que continham meus brinquedos?


-e desde quando você tem idade pra brincar? — perguntou Emmet rindo.


-eu já fui criança e guardei meus brinquedos, quero dá-los a Charlize. — expliquei e voltei a olhar o papito, ele estava calado, calado demais pro meu gosto. — e então?


-bom... — ele disse e respirou fundo, já não gostei da sua hesitação. — quando fomos morar em Forks doamos seus brinquedos para o orfanato, lembra?


-quem doou? — perguntei horrorizada, eram velhos, despedaçados, mas eram meus. Me segurei pra não dar chilique.


-você. — ele respondeu e eu respirei fundo, depois mantive a compostura e dei um riso mais falso que cara de criança que fez merda e ainda quer presente.


-tem razão, eu havia esquecido. — esquecer é o escambal, alguém roubou meus brinquedos e eu os quero de volta. — então irei amanhã à cidade e comprarei outros. — falei animada, agora tenho Charlize pra brincar comigo.


-não pode bella. — olhei atenta pra Alice, vão me prender aqui? Como se eu fosse uma criminosa? Sem direito a defesa nem nada? — é uma recém criada, vamos com calma ta?
-não é como se eu fosse sair comendo as pessoas por aí. — argumentei em minha defesa.

-sei disso, mas...já se olhou no espelho? — ela disse animada e mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva. Em silêncio eu segui calmamente até meu quarto, fiquei de frente para o espelho, respirei fundo e lentamente ergui os olhos.


Havia uma mulher segurando Charlize, mas eu não conhecia essa mulher, era bela, possuía olhos vermelhos assustadores, os lábios perfeitos, os cabelos longos com cachos coloridos...hum...analisei direito, eu conhecia esses cachinhos coloridos. Edward se materializou atrás de mim e me encarou pelo espelho.


-sabe quem é? — perguntou baixinho sem desviar os olhos, fiquei em silêncio chocada ao saber que ela era eu e... puta que pariu, to com medo de mim. — é a mulher da minha vida.

Notas finais
No próximo capítulo teremos...uma fulga da bella kkkkk
o que será que ela vai inventar agora? Hein?
Garanto bons risos.
Bjksss.