Como Enlouquecer Um Vampiro
53 Capítulo 53 - Lembranças Parte I
PVB
Pigarreei pra minha voz não tremer e dei uma espiada no papito, caminhávamos pela floresta em direção a nossa casa, depois de uma caçada...um pouquinho vergonhosa, mas só um pouquinho.
-vai contar pra alguém? — murmurei sem graça.
-nunca, será nosso segredinho. — ele disse carinhoso, isso não amenizou minha vergonha.
-mais um. — tínhamos muito segredos que não contávamos a ninguém, somente um para o outro, entre nós nunca houve segredos.
-mais um. — ele concordou e ficamos em silêncio, o próprio papito o quebrou. — olha meu anjo, não precisa ficar assim, isso acontece com quase todos os recém criados. — ele disse passando um braço por meus ombros e me trazendo para mais perto dele, fui sem hesitar.
-aconteceu com você? — perguntei sem ter coragem de encará-lo, eu sabia que não.
-não. — assim ele não estava ajudando. — mas não é como se o mundo fosse acabar por causo do que aconteceu. — pensando por esse lado...ele tem razão.
-é mesmo, mesmo assim não quero que ninguém saiba. — e não queria mesmo, o que Edward pensaria de mim? Que está namorando uma recém criada imprestável? Que não conseguiu nem caçar sozinha e que se não fosse o pai estaria voltando pra casa com cede?
-só cacei pra você.
-caçou pra mim e me trouxe o bichinho quase morto, porque se fosse por mim estaria até agora correndo atrás dele. — falei chateada comigo mesma.
-ou correndo dele. — disse o papito rindo, acabei dando um risinho.
Nem quero me lembrar dessa primeira caçada, isso é algo que quero esquecer, nos aproximamos de casa e eu me sentia muito ansiosa, eu iria conhecer minha Charlize. Diante da casa se encontravam todos eles, os Cullen's e os Denalli, Tânia me olhava admirada e até orgulhosa, sorri enorme pra ela, suas irmãs me olhavam como se eu representasse algum perigo, nos demais também encontrei um olhar admirado, seja lá o que tenha acontecido pra me olharem assim, fui eu quem fiz, tenho certeza.
-agora que você caçou como se sente? — perguntou-me Carlisle, pensei um pouco antes de responder.
-me sinto bem, na medida do possível. — eu falei bonito porque agora além de bonita sou imortal, portanto, devo agir como a maravilha que sou.
-porque na medida do possível? — perguntou Jasper com ar de preocupação, lhe sorri e joguei os cabelos para o lado, depois respirei fundo.
-aconteceu que durante a caçada... — e minha boca foi rapidamente tapada pela mão do papito, mas o que foi agora? Ao olhar pra ele eu percebi, eu iria contar o desastre que sou, suspirei aliviada, essa foi por pouco.
-posso soltar? — perguntou o papito e eu concordei, ele me soltou e eu sorri para eles com a maior cara de pau.
-não aconteceu nada de mais, pra uma primeira caçada até que saí bem. — disse dando uma voltinha, minha roupa estava intacta e perfeita exatamente como saí de casa, o papito me disse que a dele havia ficado imprestável e toda rasgada, claro, foi ele quem caçou. Já no meu caso...
-muito bem eu diria. — disse Alice vindo até mim e dando-me um abraço, a apertei carinhosamente e senti uma movimentação muito rápida ao meu redor, eu não sei o que aconteceu comigo, mas para me proteger do perigo que senti agi por puro instinto, soltei a Alice rapidamente e a coloquei atrás de mim ficando em uma posição estranha, tão estranha quanto o som que saiu da minha boca. Fiquei surpresa ao perceber que eram os Cullen's e o papito que estavam ao meu redor e vindo pra cima de mim. Eu estava chateada por isso e eles deram passos para trás.
-acalme-se bella. — disse o papito, respirei fundo não entendo nada e voltei a ficar ereta. Alice saiu de trás de mim e se juntou a Jasper com um enorme sorriso, ela sorria e os outros me olhavam...estranho, confusos.
-não me olhem assim, estou mais confusa que vocês. — já me adiantei pra que não fizessem perguntas às quais eu não sabia a resposta, mas... — a Alice sabe. — falei, afinal ela sempre sabe.
-o quê? — ela perguntou ainda animada.
-o que o quê? — retruquei.
-acontece que você abraçou Alice muito forte, precisa controlar isso, se não, não poderá ver Charlize. — disse Edward vindo para meu lado, isso me desarmou completamente. — mesmo assim seu instinto a protegeu. — olhei confusa para ele.
-seja mais claro, não no sentido da sua cor, impossível ficar mais claro que isso, mas no sentido de clareza, explicação. — disse a ele, com essa visão incrível que tenho, vejo que são brancos mesmo, sem tirar nem por. Ele riu sendo acompanhado.
-meu amor. — ele disse carinhosamente segurando meu rosto com suas duas mãos, o que é que eu perguntei mesmo? — quando nos movimentamos para tirar Alice de seu abraço de ferro, seu instinto de preservação falou mais alto, mesmo assim protegeu Alice do perigo que sentiu.
-mas não havia perigo real. — falei só pra confirmar a idiotice deles.-isso mesmo. — ele concordou ainda segurando meu rosto entre as mãos perfeitas, mas assim não consigo pensar direito.
-quero vê-la. — pedi suplicante. — ela é minha filha, tenho todo o direito de vê-la, se não me deixarem vou denunciá-los à justiça. — eu estava falando sério, tenho meus direitos de mãe, eles pensam o que? Que não existe lei só porque eles são vampiros?
-bella meu amor... — ele disse e respirou fundo parecendo meio inconformado, e fez uma caretinha.
-ta doendo alguma coisa? — perguntei preocupada, Edward é uma das pessoas mais importantes da minha morte, preciso dele são e salvo...seja do que for.
-não. — ele respondeu depois de olhar feio para os outros, hum...então ele está assim por algo que alguém pensou, fiquei aliviada e lhe sorri.
-me leve até ela AGORA. — não havia a menos chance de eu mudar de idéia. Ele olhou para os outros e depois para o papito.
-deixe ela ver Charlize, ela é a mãe, toda a responsabilidade é dela, bella não irá atacar a própria filha. — arregalei os olhos e prendi a respiração, agora tudo fez sentido.
-não me transformei num monstro. — falei horrorizada com tal possibilidade. — jamais a comeria. — eu fiquei assustada.
-lembre-se do cheiro de sangue, do gosto. — disse o papito e eu fechei os olhos lembrando da maravilhosa sensação, minha garganta ardeu loucamente ao lembrar do sabor, quente, corposo passando por minha intranha...digo...entranhas. Cheguei soltar um gemido doloroso, isso é muito ruim. Quando abri os olhos o papito me olhava serio.
-o cheiro de Charlize é infinitamente melhor, mais atrativo, o sangue dela é tão cheiroso quanto o cheiro de um humano, se não mais. — fechei a cara pra ele, isso não me ajuda em nada.
-mas eu já cacei, não estou com cede. — mas eu já não tinha tanta certeza de que não faria besteira, então lembrei de eu nunca faço besteiras, sou um ser consciente e racional. — saiam da minha frente, estou indo vê-la. — falei e dei um empurrãozinho em Edward, ouvi um barulho de alguém caindo, mas não olhei mais nada, me dirigi até a entrada da minha casa, mas ela foi rapidamente bloqueada. Por Tânia.
-me ouça. — ela pediu meio assustada.
-já esperei demais...
-é a vida da sua filha, fruto do seu amor com Edward, um minuto a mais um a menos não fará diferença. — ela nunca havia falado comigo tão seria e ao mesmo tempo cautelosa.
-um minuto. — eu disse olhando o interior da casa por cima do ombro dela, cheguei esticar o pescoço e ficar na ponta do pé, pra ver se conseguia avistá-la.
-você irá até lá. — a olhei de volta prestando atenção, já que ela disse que eu vou e não está tentando me impedir. — lembre-se, Charlize é sua filha não comida. — mas isso eu já sabia, suspirei impaciente. — com um simples aperto poderá esmagá-la, e a perderá para sempre, toda a sua vida estará arruinada, e a nossa também.
-porque a de vocês também? — tentei disfarçar, mas ela me assustou.
-porque somos uma família, Charlize já faz parte dessa família, não poderemos juntar os pedaços que sobrarão de você nem amenizar sua dor e sua culpa, vamos viver a eternidade com um enorme vazio por sua causa.
-minha causa? Eu não fiz nada. — me defendi humildemente. — todos estão me culpando por algo que eu não fiz.
-mas se não deixar de ser tão teimosa irá fazer. — agora magoou. — estarei ao seu lado e pode ter certeza, não vou hesitar em proteger Charlize de você. — apesar da bronca que ela me deu sem eu merecer, eu sorri pra ela, impossível eu não gostar ou não respeitar alguém que defende Charlize.
-não só Tânia, mas todos nós. — disse o papito ficando ao meu lado, eu já sabia de tudo e os ignorei, sem querer querendo e mirei a porta, respirei fundo e Tânia me deu passagem, senti alguém segurando minha mão, sorri, era meu Edward.
Entrei naquela casa podendo observar tudo rapidamente, mas não o fiz, havia um coração batendo na cozinha, ele batia acelerado e meio descompassado. Será que ela está bem?
-CHARLIZE. — gritei olhando em direção da cozinha. — VENHA AQUI COM A MAMÃE. — mas ela não veio.
-ela é um bebê, não anda. — disse o papito, revirei os olhos impaciente, eu sabia disso.
-eu sei, mas Rosalie está com ela e poderia trazê-la, não? — falei o que era óbvio, aos poucos os cabelos de Rose foram aparecendo, ignorei todo o resto, porque em seus braços estava aquilo que mais amava nessa vida, muito modesta devo acrescentar, era pequena, mais muito maior que um bebê normal de três dias, ela me olhava como se me conhecesse, me olhava com os olhinhos cor de chocolate iguais os da vovó Swan, as imagens vieram ser que eu permitisse, eu não as queria e mesmo assim elas vieram como enxurradas, feitos avalanches e me pegaram desprevenida, um empurrão...choro...gritos...sangue...muito sangue, mais gritos, risos, sangue, faca, soluços...tortura...dor...sufoco...e eu já me encontrava correndo floresta a fora completamente fora de mim. Pela primeira vez na minha vida eu havia perdido o controle de minhas ações que sempre foram meticulosamente calculadas e perdi porque lembrei...de tudo.
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