Como Enlouquecer Um Vampiro

33 Capítulo 33 - Trauma.


Notas iniciais
ESSE CAP. TEM DRAMA.
Antes de dar meu recado quero agradecer a todos os reviews e as recomendações, isso é combustivel pra minha imaginação. Obrigado a todas as minhas fiéis leitoras e leitores.
Agora o aviso: NÃO ADIANTA ME MANDAR MP CRITICANDO A BELLA E FALANDO UM MONTE DE COISA. Amores, a bella é assim e ela não vai mudar, eu nem iria fazer esse post agora, mas fiz pra deixar claro o problema da bella.
Esse post vai em especial pra COLORADA, porque ela já entendeu direitinho a personalidade da bella e matou a xarada. Valeu linda.
Bjksss.

PVE

Eu não acreditava no que meus olhos viam, eu me recusava a crer no que tinha acabado de acontecer, me perguntei pela milésima vez o que estava acontecendo e não cheguei à conclusão alguma, bella revirou os olhos e foi caindo lentamente, quando pensei em segurá-la pra não deixá-la cair, Charlie que estava rindo disse que bella estava fingindo e que não cairia de verdade e que era só encenação da parte dela, acreditei nele e me arrependi disso. Meu furacãozinho bateu a cabeça na parede e desmaiou, eu estava de olhos arregalados e Charlie parou de sorrir indo imediatamente até ela, fiz o mesmo.

-você disse que ela não ia cair. — falei preocupado o olhando erguer bella no colo.

-isso já aconteceu outras vezes e ela sempre calculou direitinho. — murmurou indo até meu quarto onde depositou bella ainda desmaiada na cama, isso me confundiu.

-como assim calculou direitinho? — perguntei e comecei examiná-la rapidamente.

-ela sempre faz isso quando quer escapar de alguma situação constrangedora. — ele disse e suspirou ao ver minha família entrar no quarto, menos Carlisle que estava no hospital. — mas ela sempre calculou onde e como cairia pra não se machucar, não imaginei que isso fosse acontecer. — ele se sentia culpado, mas eu não achava isso, bella como sempre é muito exagerada, só que dessa vez ela ultrapassou os limites, como que ela acorda depois da noite maravilhosa que tivemos e age como se não me conhecesse? Fiquei triste com isso, ela tem muito que se explicar, mas antes ela precisa acordar.

-Alice traga álcool. — pedi e ela rapidamente sumiu e segundos depois voltou com o meu pedido em mãos, peguei e molhei num algodão e em seguida coloquei perto do seu nariz, se ela não acordasse a levaria imediatamente ao hospital, a pancada na cabeça poderia ser grave, para nosso alívio ela franziu o nariz e aos poucos foi voltando à consciência.

-o que aconteceu com ela? — perguntou Esme preocupada.

-desmaiou. — Charlie respondeu antes de mim, apesar da sua preocupação e de estar se sentindo culpado pelo que houve ele não quis contar o que realmente aconteceu, como se eles não tivessem ouvido seus gritos e o que conversamos, mas como eles já estavam se acostumando com suas manias estranhas nem se importaram, só quando Jasper sentiu nossa preocupação foi que vieram ver o que tinha acontecido dessa vez. — acho que a pressão dela diminuiu. — pra que mentir sobre isso? O olhei com uma sobrancelha arqueada, mas ele me ignorou e continuou com os olhos em bella que estava abrindo os olhos lentamente, então ela piscou confusa e me olhou, seu coração acelerou e a cor que havia sumido de seu rosto apareceu rapidamente, mas não foi só isso, ela desviou os olhos de mim e olhou pra Charlie, então uma cor vermelha tingiu seu rosto, eu nunca a havia visto corar e não sabia o quanto ela ficava fascinante assim, era maravilhoso vê-la com as bochechas coradas de constrangimento e vergonha, Jasper que sentiu isso.

-como se sente. — perguntei preocupado já que ela não falou e não perguntou nada.

-bem, só um pouco sonolenta. — respondeu com um fio de voz e não me olhou, comecei a não gostar de seu constrangimento já que isso a impedia de me olhar.

-desculpe não segurar você. — pediu Charlie e se deitou ao seu lado a abraçando, ela por sua vez se aconchegou nele e disse baixinho.

-quero ficar sozinha. — ela ainda estava constrangida e seu rosto escondido na curvatura do pescoço de Charlie, eu não queria sair daqui sem conversar com ela, ela não pode acordar daquela maneira e não me dar um motivo, qualquer um. Os outros se retiram e eu permaneci.

-não saio daqui sem antes conversar com você, então peço, por favor, me olhe e me diga o que raios aconteceu. — falei de forma meiga pra ela saber que eu não estava bravo, só queria uma resposta pra essa confusão. Esperei... Esperei e esperei, quase quinze minutos de silêncio e então percebi que ela havia dormido, pelo visto vou ter que esperar ainda mais.

-o quanto gosta dela? — eu me encontrava a caminho da porta quando Charlie disse isso bem baixinho pra bella não acordar, parei e o olhei curioso voltando a me sentar na beira da cama.

-gosto muito. — fui sincero, até porque isso estava estampado na minha cara, só não sei porque ele me perguntou.

-esse muito, é amor? Ou simplesmente gosta? — bom, ele sendo pai dela tem o direito de perguntar.

-a amo muito, pra nós vampiros o amor acontece apenas uma vez, ela demorou séculos pra aparecer. — falei e dei um riso baixo enquanto olhava meu furacãozinho dormir, Charlie bem lentamente a soltou e a arrumou confortavelmente na cama.

-sou pai e amo minha filha, fico muito feliz em saber que o namorado dela realmente a ama. — ele disse e se levantou. — em breve ela acorda, vou mudar o café da manhã, hoje ela merece um café. — disse e saiu do quarto, observei bella mais um pouco e desci dando de cara com minha família, eles estavam preocupados com bella, eles gostam muito dela. Sentei-me em silêncio e quando Charlie voltou da cozinha com uma bandeja e foi em direção ao quarto Rosalie parou na sua frente o impedindo de passar, ela não pensava, então suas próximas palavras pegaram todos nós de surpresa.

-qual o trauma que bella tem? — Charlie congelou no lugar e vi através de Jasper tudo o que ele sentiu dor, raiva, tristeza, mágoa e principalmente culpa. Culpa pelo que? E do que Rosalie está falando?

-do que está falando Rose? — perguntou Alice confusa, todos nós estávamos.

-com licença que eu quero passar. — pediu Charlie e se moveu, Rosalie se moveu novamente trancando sua passagem.

-quero saber qual é o trauma dela, o que aconteceu pra ela ser assim? — insistiu Rosalie. Olhei para minha família, ninguém entendia o que Rosalie estava fazendo.

-bella não tem trauma algum, agora saia da minha frente. — seu tom de voz me alarmou, levantei do sofá e olhei de um para outro, o tom de voz de Charlie também alarmou os outros.

-tem sim. — disse Rosalie firmemente. — eu reconheço um trauma quando vejo um, só não havia percebido antes porque não prestava atenção nela.

-se sabe reconhecer um é porque também tem ou teve um. — ele retrucou e foi à vez dela congelar, Charlie estava certo, o que houve com Rosalie nenhum de nós gostávamos de lembrar, minha sorte é que com o passar dos anos ela não pensava tanto sobre isso e quando Emmet apareceu às coisas melhoram e se ajeitaram na medida do possível. Só que Charlie não havia negado outra vez, isso clareou nossa mente.

-o que aconteceu com ela? — minha voz saiu falha enquanto eu mal me movia, qual a possibilidade do meu furacãozinho ser assim porque tem um trauma? Eu me recusava a acreditar nisso. Isso não poderia ser verdade. Para meu desespero Charlie permaneceu quieto encarando Rosalie.

-por favor, diga o que houve. — suplicou Alice e abraçou Jasper fortemente, ele por sua vez estava em legítimo choque e se culpando por não ter percebido antes pra ajudá-la de alguma forma. Qualquer que fosse.

-Charlie. — eu disse rosnando e o barulho acordou bella. Merda.

-se sabe tanto sobre isso também sabe que ninguém gosta de contar. — disse Charlie tristemente a ela e subiu rapidamente para o quarto, nenhum de nós se moveu um milímetro sequer. O que raios aconteceu pra ela ser assim? Eu não conseguia e não queria imaginar o que houve. Sempre achei que um pai como Charlie fosse protegê-la de tudo e de todos, passei as mãos nos cabelos com vontade de arrancá-los fora quando me dei conta do óbvio. Charlie era super protetor, nunca havia visto um relacionamento de pai e filha assim, ali estava o motivo dele se sentir culpado, ele não a protegeu do que quer que fosse ele falhou. Eu falhei. Todos nós falhamos com ela.

-da onde tirou essa conclusão? — Esme perguntou a Rosalie depois de alguns minutos em silêncio, Esme se sentia culpada por julgar bella por estragar as coisas sem procurar conhecê-la melhor.

-ontem enquanto ela tentava montar a boneca, seu desespero e seu choro contido por falhar, sua insistência em não desistir. — se pudesse ela estaria chorando, jamais achei que veria Rosalie assim. — a forma que ela olhava pra boneca, a maneira que me acusou por estragá-la e me enfrentou pra defendê-la, quem em sã consciência faz isso? As mãos tremendo e mesmo assim segurando a boneca como se sua vida dependesse disso. — ela parou de falar, não precisava dizer mais nada. Senti meus olhos arderem com vontade de chorar, como se eu pudesse, mas eu choraria por ela e riria por ela, respirei fundo e sentei-me com as mãos na cabeça me recusando outra vez a pensar em possibilidades do que aconteceu a ela.

-sabíamos que a belinha não era normal, nunca pensamos que fosse algo assim. — disse Emmet cabisbaixo, ele também sofria ao imaginar bella sendo estuprada.

-pare. — falei rosnando pra ele que se desculpou, lembrei-me do quanto ela é ardente na cama, fogosa e gostosa, que se entrega ao momento e dorme com um sorriso nos lábios depois de vários e intensos orgasmos, impossível uma mulher assim ter sido estuprada, não acreditava nisso, na verdade eu não queria acreditar que alguém tivesse posto as mãos nela contra sua vontade, me segurei no lugar pra não ir até Charlie e exigir que me dissesse o nome do desgraçado que ousou tocá-la dessa maneira.

-se acalme Edward. — a voz de Jasper saiu meio sem vida. — não há nada que possamos fazer a não ser estar ao lado dela e mostrarmos que somos seus amigos e que não iremos abandoná-la por nada nesse mundo. — respirei fundo, ele tinha razão, mas sua vontade de por as mãos no responsável pelo que houve a ela era tão grande quanto a minha.

Permanecemos em silêncio até Charlie voltar com a bandeja e tirar o maior peso já posto sob nossos ombros.

-bella não foi estuprada. — ele disse quando passou por nós e foi em direção a cozinha, respirei fundo e agradecendo a deus por isso, nenhuma mulher merece esse tipo de sofrimento, ainda mais a bella. Era claro que era a primeira coisa que iríamos pensar. Mas então o que houve?

-o que fizeram com ela? — perguntei quando ele voltou e sentou-se de frente para mim. Ele ficou quieto e sentindo-se culpado.

-seja o que for você se culpa. — afirmou Jasper já perdendo a paciência, queríamos saber o que houve e jamais perguntaríamos a bella, não queríamos desenterrar uma lembrança ruim.

-sim, eu me culpo por não estar ao seu lado no momento mais difícil de sua vida. — a voz dele saiu morta, assim como sua expressão e seu olhar ficou perdido. Eu nem imaginava o que de tão ruim fizeram a ela, mas seja quem for não viverá muito tempo, isso eu podia garantir. Há séculos que eu não matava um humano, quebrei minha promessa nesse momento, porque eu o esmagaria lentamente com minhas mãos.

-quem? — Jasper perguntou já montando planos bem cruéis do que faria a pessoa. Charlie parecia indeciso se contava ou não. Sabíamos que há coisas na nossa vida que é difícil de falar, aprendi isso com a convivência com Rosalie. Então Rosalie sentou-se ao lado de Charlie e segurou suas mãos, essa não era minha irmã, não mesmo.

-você tem razão, eu sei sobre traumas porque passei por um, talvez o pior deles.

-não precisa contar se não quiser. — ele a interrompeu, Charlie estava muito triste e preocupado.

-sei que está preocupado com nossa reação ao saber o que aconteceu com ela, eu também pensava assim, o que as pessoas vão dizer se souber? Vão me olhar com raiva, com nojo, vão me culpar e me julgar? Demorei anos pra aceitar que não fui culpada, no início foi muito difícil, saber que Edward leria minha mente e saberia o que me fizeram, quando Emmet entrou pra família as coisas melhoraram, ele me ensinou que posso amar e ser amada independente do passado. — jamais pensei em ouvir isso da boca de Rosalie. — não podemos ajudá-la se não sabemos com o que estamos lidando. — por incrível que pareça Rosalie estava sendo sincera.

-o que fizeram a você? — ele perguntou ternamente e fez um carinho em seu cabelo, ela suspirou e não afastou sua mão, Rosalie sempre detestou que pegassem em seu cabelo.

-todo esse tempo e não é fácil falar, mas fui abusada por vários amigos do meu noivo, ele ajudou e me largaram na rua pra morrer, Carlisle sentiu cheiro de sangue e foi verificar, me encontrou na rua eu estava quase morrendo, ele me trouxe pra casa e me transformou, queria que eu fosse a companheira de Edward, achava-o muito solitário e achou uma injustiça deixar morrer uma mulher tão bonita, no início me revoltei e tentei voltar pra minha família, os Cullen's não deixaram alegando que os mataria, então na primeira oportunidade eu fugi, mas quando senti o cheiro de sangue de um dos meus irmãozinhos vi que infelizmente eu não poderia ficar ali, voltei para junto dos Cullen's onde estou até hoje. — ela resumiu e ocultou detalhes sobre o ocorrido, mas ela foi brutalmente estuprada e a quebraram toda, sua transformação foi a pior de todas nós seguida pela de Esme. Ficamos em silêncio, nunca é fácil lembrar o estado que ela chegou aqui, toda minha pena se foi quando ela abriu a boca, desde então só brigamos, isso foi algo que melhorou, mas não mudou com o passar dos anos.

-o que fez a eles? — não esperávamos que Charlie fosse perguntar justo isso. — se quiser contar se não quiser eu vou entender. — ele disse, Rosalie falou essas coisas porque se sentia bem na presença de Charlie, ele é um paizão e ela o via dessa maneira, nem com Carlisle ela sentiu-se assim, acho que ela via o relacionamento dele com bella e era muito diferente do nosso, porque apesar de nos amarmos não tínhamos qualquer grau de parentesco. Nunca nenhum de nós pulou nas costas de Carlisle brincando de cavalinho, a não ser a Alice. Já vimos bella fazer isso com Charlie, e acredite, é bem engraçado.

-os cacei, um a um, deixei meu noivo por último, confesso que me diverti bastante, mas não respirei jamais me perdoaria se me alimentasse deles, não queria nada deles em mim, já me bastavam as lembranças. — ela suspirou e permaneceu quieta, sabíamos que pra ela isso era um grande passo, contar um pouco talvez ela se sentisse melhor e foi justamente isso que aconteceu.

-bella tinha cinco anos. — ele começou bem hesitante e nós prestamos atenção. — eu já havia assumido a direção da empresa e tinha alguns inimigos. — não pensei que Charlie tivesse inimigos. — brigávamos por causo dos negócios, eles pertenciam ao concorrente, algumas vezes eu fechava um contrato que era pra ser deles, às vezes era o contrário, coisas do ramo, as vezes você ganha e outras não. — ele ficou quieto, não precisava ser Jasper pra saber o quanto ele sofria por lembrar. — até que eu fechei um contrato milionário, minha empresa seria responsável pela segurança de um cantor famoso e também pelo show, todos os meus melhores funcionários foram chamados e tivemos uma reunião onde foi divido as tarefas, estávamos exultantes, eu ainda mais, minha empresa depois disso seria reconhecida mundialmente e com certeza os negócios iriam aumentar ainda mais.

-mas a concorrência não gostou. — deduziu Jasper e Charlie acenou com a cabeça.

-já tinha combinado com minha mãe, ela cuidaria de bella enquanto eu checava se estava tudo em ordem no show, ela sempre cuidava quando eu não estava presente, mas andava com dores nas costas por carregar bella no colo pra todos os lados, bella era bem fofinha. — lembrei-me de uma foto que eu vi bella no colo de uma mulher quando estive em seu quarto, ela era uma criança muito linda e um pouco gordinha, isso amenizou um pouco minha angustia. — então eu fui ao maldito show, enquanto isso eles haviam contratado dois bandidos e os mandaram pra minha casa sabendo que estavam só as duas, uma mulher de quarenta anos e uma criança de cinco. — retesei o corpo, não queria ouvir, mesmo assim permaneci quieto, o que haviam feito? Agora entendia por que ele se sentia culpado, mesmo não o sendo.

-se não quiser contar tudo bem. — foi à vez de Rosalie dar-lhe a opção, mas Charlie não parecia o tipo de homem de fazer as coisas pela metade, e eu estava certo.

-já comecei, fiz tudo o mais rapidamente possível e deixei as coisas por conta dos seguranças com um homem de confiança pra gerenciar tudo, voltei pra casa eram umas nove horas da noite e encontrei a fechadura da garagem estourada, saquei a arma e entrei com cuidado e silenciosamente, pensei que fossem ladrões, descartei isso assim que cruzei a porta e vi um quadro valioso que permanecia no lugar, segui observando tudo até que ouvi um soluço de bella, mesmo assim fui com cuidado em direção a sala que era de onde vinha o barulho, a cena que vi me chocou muito, agora as coisas são meio confusas e as imagens distorcidas, mas lembro de encontrar bella sentada em cima da bibinha segurando firmemente a Magali e olhando em direção ao outro canto da sala, ela tinha os olhos vermelhos do choro, mas permanecia em silêncio, só alguns soluços escapavam. — ele parou e passou as mãos nos cabelos, eu sentia sua angústia em falar sobre isso.

-o que tinha do outro lado da sala? — perguntou Alice, ela estava sofrendo por saber que sua melhor amiga já tinha passado por uma situação complicada, ela achava que bella sempre foi feliz e saltitante.

-o corpo da minha mãe. — arregalamos os olhos.

-eles mandaram matar sua mãe por causo de negócios? — perguntei incrédulo, às vezes eu sinto nojo dos humanos, mas não de todos, bella, por exemplo, eu amava.

-sim, mas não só a mataram como a torturaram diante de bella. — levantei furioso e comecei andar de um lado pro outro, como tiveram coragem de fazer uma monstruosidade dessas diante de uma criança? — bella ficou semanas sem falar, achei que nunca mais ela falaria.

-que horror, como puderam fazer isso? — disse Rosalie imaginando a cena terrível e grotesca que bella presenciou uma criança de cinco anos ver isso, me admira bella ser tão feliz.

-mas fizeram. — continuou Charlie. — e eu não estava lá quando precisaram de mim, sabe qual a primeira coisa que ela disse depois do ocorrido? — a expressão de Charlie dizia claramente que não gostaríamos de saber.

-pobrezinha da minha amiga — disse Alice com os olhos baixos e soltou um soluço, essa era a nossa maneira de chorar.

-o que ela disse? — perguntei e parei de andar.

-que a culpa era dela. — ele disse e colocou a cabeça entre os joelhos, eu permaneci quieto absorvendo suas palavras, isso explicava muita coisa.

-você ao saber disso fez o que todo bom pai fez. — disse Jasper e Charlie o olhou com a expressão torturada. — colocou na cabeça dela que ela não teve culpa, a criou assim a fazendo acreditar que tudo era culpa dos outros. — Charlie acenou com a cabeça. — não precisa sentir-se culpado por nada, bella é a única humana que eu conheci e que eu gosto, acredite em mim, tem uma filha fascinante.

-eu sei e tenho muito orgulho dela. — ele disse e deu um pequeno sorriso. — depois disso eu jamais fiquei longe dela.

-e bella começou estragar as coisas depois disso. — disse Esme, ela acreditava que esse trauma de bella era responsável por toda sua personalidade esquisita.

-não. — respondeu Charlie rindo, parece que só o fato dele lembrar das travessuras de bella era suficiente para apagar sua dor e tristeza. — ela sempre estragou as coisas, a primeira coisa que ela pegou ela quebrou, aconteceu o mesmo com a segunda. — dei um riso, então ela sempre foi destruidora. — mas as coisas pioraram muito depois daquele fatídico dia. — ele tornou a ficar sério, era bom saber sobre o passado dela pra conhecê-la melhor e em todos os sentidos, jamais faria algo que a decepcionasse.

-imagino o quanto deve ser difícil cuidar sozinho de uma criança traumatizada. — falou Esme e Charlie ficou rígido.

-não repita isso, nunca coloque bella e trauma numa mesma frase, é tudo o que peço. — ele não foi muito educado. — quero que ela tenha uma vida normal, não da pra seguir em frente olhando para o passado, ela não precisa que tenham pena dela, ela só precisa de amigos verdadeiros. — disse olhando pra Alice e Jasper. — ela precisa de um namorado que a entenda e ame muito. — falou olhando pra mim. — ela não precisa de pessoas a julgando o tempo todo e quando fazem isso eu fico muito furioso. — concordei com ele, eu também viro uma fera pra defender quem amo.

-não pensei em ofender ninguém. — se defendeu Esme. — só acho que foi muito difícil pra você criar bella sozinho e com tantos problemas, nunca pensou em se casar e dar uma mãe a ela?

-não mesmo. — respondeu Charlie com uma expressão de horror no rosto. — outra coisa que peço, não coloque Charlie e a palavra casamento numa mesma frase, isso me dá arrepios. — acabamos rindo. — mas respondendo sua pergunta, nunca quis me casar por motivo algum, e pode perguntar a bella, ela nunca sentiu falta de uma presença feminina em sua vida.

-isso a gente percebe, ela é muito apegada a você. — disse Alice e Charlie sorriu, mas eu sentia que ele não nos contou tudo o que aconteceu, assim como Rosalie ele editou a história. — me diga Charlie. — começou Alice hesitante e novamente Charlie ficou rígido. — o que aconteceu com os responsáveis pela morte da sua mãe e porque não ensinou a bella que não pode estragar as coisas? — achei que Charlie ficaria bravo pela pergunta, mas ele relaxou e suspirou.

-os responsáveis devem estar no quinto dos infernos, o que fiz a eles foi muito pior do que fizeram a minha mãe, descobri que o objetivo era me atingir e me amedrontar pra mim sair do caminho deles, claro que jamais sairia com o rabo entre as pernas em situação alguma, nunca fui covarde. — ele disse tranquilamente, outra coisa que percebemos, Charlie era amoroso e atencioso com bella, mas com os outros era bem diferente. — eu não gosto de ser mal educado com ninguém, mas aprendi que se eu queria proteger bella eu teria que mudar, mudei muito e todos os funcionários me respeitavam e me temiam, o que fiz aos bandidos acabou repercutindo entre as empresas de segurança e com isso tive certeza que ninguém nunca mais iria fazer algo a bella, depois do ocorrido eu a levava comigo pra empresa todos os dias, ninguém nunca sequer a olhou com a cara fechada, embora ela estragasse muitas coisas ninguém reclamava, pelo menos na empresa. — ele terminou rindo.

-e como você conseguiu lidar com tudo isso? Uma criança com problemas e a perda da mãe? — Rosalie admirava Charlie e sua personalidade.

-as coisas não foram fáceis, quando bella voltou a falar e disse que era culpada pelo que aconteceu eu quis saber porque ela achava aquilo, ela disse que foram os homens maus que disseram a ela que tudo era culpa dela, eles me atingiram no meu ponto mais fraco. — novamente ele estava sério. — li vários livros de psicologia pra tentar ajudá-la e depois mandei tudo a merda, usei o amor que eu tenho pela minha filha como base e força pra não desistir, errei muito tentando acertar, mas o que importa é que bella é feliz, e se ela está feliz quer dizer que eu não falhei com ela outra vez. — concluiu.

-e sobre estragar as coisas? Nem uma criança consegue fazer o que ela faz. — perguntou Esme dando um riso, ela queria entender como que Charlie deixou que ela se criasse sem qualquer limite, não gostei disso.

-antes daquele dia bella estragava muitas coisas, mas não todas. — ele disse sério. — ela era uma criança super dotada e muito esperta, então ela via um brinquedo, qualquer que fosse sendo dela ou não ela não sossegava enquanto não desmontasse e depois chorava porque não conseguia montar, mas eram brinquedos que ela estragava, coisas de crianças. — ele deu de ombros. — mas depois disso ela não suportava ver uma luz colorida acesa, principalmente vermelha, acredito que seja pela quantidade de sangue que ela viu naquele dia. — respirei fundo sentindo-me triste por ela. — então toda vez que ela via uma luz ela dava um jeito de estragar pra que assim a luz apagasse, acabou que estragou muitos microondas da nossa casa e das outras, muitas TVs, máquinas de lavar e qualquer outro objeto que tivessem luz acesa, acabou que ela se acostumou e hoje em dia ela estraga sem essa intenção, mas eu sei que está lá, bem preso e escondido em sua mente, embora ela não lembre. — olhei rapidamente pra ele, como assim não lembra?

-ela não lembra daquele dia? — perguntou Rosalie incrédula.

-ela só tinha cinco anos, hoje ela tem vinte e três, faz muito tempo e se não perceberam bella não é o tipo de pessoa que pode se dizer que tem uma excelente memória. — ele disse olhando pra mim, bom...vendo por esse lado.

-Edward que o diga. — falou Emmet. — já imaginou passar a noite ao lado de uma mulher e quando ela acorda não lembra de você, deve ser terrível neh maninho? — ignorei Emmet, ele não tinha idéia do quanto é ruim e como me senti, mas agora estou entendendo e a conhecendo melhor, acredito que as coisas vão se ajeitar, elas têm que se ajeitar.

-não fique chateado com bella pelo que houve. — me pediu Charlie, ficar chateado com ela nem passou pela minha cabeça. Fiquei chateado pela situação.

-jamais ficarei bravo com ela, por nada que ela faça. — fui sincero e ouvi passinhos andando pelo meu quarto, em seguida o barulho do chuveiro sendo ligado. Bella estava no banho, me segurei pra não ir até ela, agora sabendo sua história entendo muitas coisas que ela faz, embora algumas acredito que talvez nem Charlie entenda.

-se quer ir lá vá de uma vez. — resmungou Jasper e só agora percebi que meus olhos estavam fixos em direção a escada, sem contar minha ansiedade, levantei-me rapidamente e segui para meu quarto ignorando todos os pensamentos e as piadinhas ridículas de Emmet.

Entrei no quarto e fui à direção à porta do banheiro, respirei fundo e dei uma batida discreta na porta, não sei por que me sinto tão hesitante, e se ela não abrir a porta? Ou se ela me ignorar? Ou me tratar mal? Espantei as perguntas da minha mente quando ouvi:

-a porta não está trancada. — ela disse bem baixinho e eu a abri lentamente, entrei e fechei a porta atrás de mim e só então olhei pra ela. Ela estava com as mãos apoiadas na parede e a cabeça baixa enquanto a água caía sobre ela, imaginei tudo o que ela passou na vida por causa do que houve aposto que era considerada o ser humano mais imperfeito que as pessoas conheceram, mas também aposto que essas pessoas não sabiam sobre sua vida e só sabiam julgá-la, mas eu jamais faria isso.

-achei que iria ficar na cama o dia todo, subi ver se precisa de algo. — falei analisando seu corpo, as pernas longas e torneadas e parei de pensar no restante dele, não queria ficar excitado diante dela, não quero que ela pense que só a quero por causo de sexo. Ela permaneceu em silêncio e sem levantar a cabeça para me olhar. — não estou bravo por esquecer de mim, acho que algumas pessoas têm problema de memória. — ela deu um riso quando disse isso.

-não tenho problemas de memória Edward. — disse e até que enfim me olhou. — dá onde tirou isso? Às vezes esqueço algumas coisas, mas já adianto que é muito raro isso acontecer, tão raro quanto eu estragar alguma coisa. — ela disse tranquilamente e eu segurei o riso a todo custo, não posso dizer o mesmo dos outros que ouviam nossa conversa da sala, onde fica nossa privacidade nesses momentos?

-foi o que imaginei. — falei respirando fundo pra não rir.

-e desculpe por não lembrar de você, juro por nossa senhora das causas perdidas que isso nunca mais vai acontecer. — se segura Edward, ela está se desculpando e você não pode rir, pensei comigo mesmo e um risinho escapou. — porque ta rindo? — e estreitou os olhos pra mim.

-ouvi uma besteira que Emmet disse da sala. — falei e ela acenou com a cabeça e me chamou com o dedo, arregalei os olhos, estavam todos na sala, menos Carlisle, mas em poucos minutos estaria aqui. — estão todos na sala. — sibilei a ela que ao invés de entender riu jogando a cabeça para trás, esse gesto fez com que eu visse todo seu pescoço nu, imagem essa que eu estava tentando ignorar durante minha conversa com ela.

-quero você. — ela sibilou e veio até mim que estava parado no lugar, quando ela encostou levemente seus lábios nos meus eu esqueci de tudo o que houve, de toda conversa e o que Charlie nos contou, aqui, nesse momento era somente eu e ela, sem passado e sem futuro, era somente o presente, meu presente estava diante de mim e eu abracei firmemente mas sem me descuidar de sua fragilidade e retribui aprofundando o beijo, ela gemeu baixinho quando dei um tapinha em sua bunda e eu me senti excitado com esse som, alisei suavemente suas costas com minha mão e ela suspirou me abraçando.

-eu amo tanto você. — ela sussurrou em meu ouvido, sorri largo e olhei bem dentro dos seus olhos, sim, ela me ama.

-eu também, amo muito e muito. — falei e distribui beijos por seu rosto e pescoço enquanto repetia que a amo muito, ela ria.

-Edward o creme vai secar no meu cabelo e vai ficar duro. — disse rindo e me soltando, ela olhou minha ereção e passou a língua nos lábios, prefiro nem lembrar o que essa língua fez comigo essa noite passada. — muito duro. — completou baixinho e entrou em baixo do chuveiro, ela terminou seu banho rapidamente e veio até mim que segurava a toalha, ela se enrolou e eu a ergui no colo e saí a rodando pelo quarto, me sentia vivo e feliz, já ela ria alto agarrada na minha camisa, parei e a coloquei sentada na cama.

-espero que não tenha a deixado tonta. — falei a vendo com a respiração acelerada.

-estou assim de tanto rir. — falou animada e ficou em pé, então retirou a toalha de seu corpo e começou secar-se, eu analisava cada movimento seu, me sentei onde ela estava e fiquei admirando e sabendo que ela é minha, meu amor furacãozinho, dei um riso e a puxei pela cintura fazendo com que ela ficasse entre minha pernas, seus olhos brilharam excitados quando levantei uma perna sua e coloquei sobre meu ombro, dei um beijo em sua coxa e fui subindo dando leves mordidas, bem leves porque ela é muito delicada e não queria machucá-la em hipótese alguma. Bella é linda em todos os sentidos, eu sempre via na mente humana o fato das mulheres se depilarem, inclusive na região intima, sempre achei isso ridículo, mudei minha opinião quando a vi nua pela primeira vez, bella não tem qualquer pelo no corpo, nem nas pernas e nem na região íntima, ela é toda lisinha e muito macia.

-você é muito macia. — falei dando mordidinhas na sua coxa e coloquei uma mão na sua bunda a trazendo para mais perto. Passei a língua em sua intimidade e ela suspirou jogando a cabeça para trás, olhei para cima tendo uma visão privilegiada e de um ângulo diferente, vi seu peito descendo e subindo por causa da respiração, o bico dos seios enrijecidos e sua intimidade úmida diziam-me claramente que ela gostava do que eu estava fazendo. E gostava muito. Dei um riso e soprei sua intimidade, ela ficou arrepiada.

-você é maldoso. — resmungou e em seguida gemeu quando tornei a passar a língua nela, ela tinha uma expressão divina ao olhar pra mim, algum dia me imaginei fazendo isso? E gostando muito? Nunca achei que fosse viciar em outra coisa nela, viciei no seu gosto, sabe qual meu outro vício? Na sua cara quando vai aprontar algo, sem dúvida eu aprendi a amá-la por seus defeitos.

(...)

A observei se vestir, se arrumar e passar uma maquiagem, bella era muito vaidosa, quando ela estava pronta descemos juntos para sala onde todos tentaram disfarçar, mas falharam completamente, bella estava dependurada em minhas costas. Apesar de me sentir um pouco envergonhado por eles terem ouvidos certas coisas, não me importei muito, durante séculos vi e ouvi coisas sobre eles e nunca pude fazer nada a respeito, outra coisa que fazia com que eu não me importasse muito era que bella não estava nem aí pra isso. Meu sorriso quase rasgava o rosto, bella não estava diferente.

-papito. — ela disse sorridente descendo das minhas costas e foi até Charlie lhe dando um beijo. — você vai não acreditar. — ela já se encontrava triste, mas só na aparência, Jasper abafou um riso.

-o que aconteceu agora? — Charlie perguntou a abraçando, a expressão de bella estava desolada. Abafei um riso e sentei-me no sofá esperando pra ver o que aconteceria dessa vez.

-você não vai acreditar. — ela repetiu e suspirou tristemente. — perdi meu Istrepinho. — arregalei os olhos, como assim?

-bella meu amor. — falei indo até ela, ela me olhou já com lágrimas nos olhos. — seu cachorro. — comecei e seu lábio tremeu enquanto ela me olhava incrédula, respirei fundo, dei um sorriso sem graça e recomecei. — nosso filho Fredi Istrépinho Swan Cullen. — os outros riram com vontade e bella me olhou emocionada. — estava dormindo no quarto, na caminha dele. — como que ela não viu o cachorro dormindo lá? Ela sorriu contente e subiu a escada saltitante.

-não sabia que havia mais um membro na família. — disse Carlisle rindo. Enquanto estávamos namorando ele chegou em casa e Esme contou a ele o que havia acontecido com bella, ele estava curioso.

-não é só mais um membro. — o corrigiu Emmet. — mas um neto, sou titio. — e caiu na risada, revirei os olhos pra ele.

-Emmet se comporte. — Rosalie brigou com ele que fingiu estar ofendido e magoado. Ouvimos os resmungos da bola de pêlos e os risinhos alegres de bella, sem dúvida apesar dos problemas era é uma pessoa muito forte, era admirável e maravilhosamente bela, a olhei descendo a escada com um enorme sorriso, numa mão segurava o cachorro embrulhado na dita cobertinha colorida vulgo bibinha, mal aparecia a cabeça dele e na outra segurava a Magali firmemente, nesse momento foi impossível não lembrar o motivo pra ela ser tão apegada assim nesses objetos que pra maioria se torna insignificante.

-quieto Fredi, não ta vendo que ta difícil carregar tudo isso? — brigou com o cão e jogou-se no sofá caindo em dele que latiu e soltou um grunhido doloroso. O coitado como estava embrulhado na cobertinha não conseguiu nem correr. Bella sentou-se confortavelmente cruzou as pernas elegantemente e começou ninar o cachorro.

-bebê. — disse Charlie todo meloso e foi até ela, ele pegou o cão e retirou a coberta o soltando no chão. Bella olhou indignada pra ele.

-papito ele tem que dormir.

-ele estava dormindo até agora e só acordou por sua causa, deixe-o um pouco sossegado. — ele disse firmemente e bella deixou os ombros caírem.

-bella. — cantarolou Alice animada, bella a olhou triste. — amanha chegam as coisas e começamos preparar a festa de namoro. — depois disso foi como se uma avalanche tivesse passado por nossa casa.

Bella e Alice surtaram e começaram pular de alegria, durante dois dias bella só parava pra comer e dormir, já Alice nem isso, elas organizaram a dita festa sem dar sossego pra ninguém, sobrou até pra Rosalie, mas dessa vez ela não reclamou e ajudou com a decoração com muito ânimo e empolgação. No terceiro dia estava tudo pronto e elas ficaram trancadas no quarto se arrumando, até café da manhã bella tomou no quarto, nós nos arrumamos e ficamos aguardando elas descerem para iniciarmos a dita festa, mas os volturi chegaram primeiro.

Notas finais
Um pequeno spoiler:
"-e você é a alegre e saltitante Isabella. - disse um moço bem branco me olhando estranho, dizem que a primeira impressão é a que fica, então dei meu melhor sorriso a ele, quase rasguei a boca do tamanho do meu sorriso, mas não o tirei do rosto, então pra não desmanchar o sorriso de comercial de creme dental só disse sem mover um músculo.
-huhum."
"-acho muito diferente uma humana assim conviver com vampiros. - disse um outro moço me olhando de cima a baixo, me senti nua diante de seu olhar e o olhei desafiadora.
-que é, vai encarar? - perguntei e me preparei pra quebrar a cara dele."