Como Enlouquecer Um Vampiro
56 Capítulo 56 - A incrível jornada Parte I
PVB
Eu havia planejado tudo sozinha, detalhe por detalhe e tudo era pra ser perfeito, afinal de contas eu sou um gênio, modéstia a parte. Só que eu errei numa coisa.
-eu deveria dirigir, sou mais rápida. — reclamou Tânia pela milésima vez.
-mas nunca que eu deixaria você dirigir meu carro, além do mais sou profissional no volante. — retrucou Rose fazendo uma curva tão rápida que chegou cantar pneus. É o seguinte...Rose e Tânia estavam na frente brigando e eu atrás segurando Charlize, o istrepinho estava conosco, estávamos indo em busca dos brinquedos perdidos e só voltaríamos quando encontrássemos todos eles, pedaço por pedaço. Eu sem querer estava prestando atenção na veia no pescoço do istrepinho, ela saltava e eu conseguia perceber o sangue correr por ela, minha garganta ficou estranha e eu fui aproximando minha cabeça da dele, foi como uma ima.
-e bella...não vai beber seu cachorro táh? — assim que Rose disse isso eu voltei a posição normal, acho que foi um erro trazê-lo conosco, mas essa idéia foi de Tânia e não minha.
-porque ele veio junto mesmo? — perguntei chateada, era só uma mordidinha.
-ele será útil, ele é um cão e pode rastrear seus brinquedos. — respondeu Tânia.
-é mesmo. — falei animada e Rose freou o carro bruscamente parando no meio da pista.
-vocês duas são loucas, ele não pode rastrear isso, é capaz de nem rastrear algo a poucos metros dele, não foi treinado pra isso. — ela disse bufando de raiva, coloquei uma mão em seu ombro e falei sorridente.
-não se preocupe com isso, só dirija antes que nossa família nos alcance. — mal terminei de falar e ela pisou fundo no acelerador outra vez. — posso dirigir?
-NÃO! — responderam as duas e eu murchei, poxa vida, sempre fui boa motorista, enrolei uma mechinha de cabelo de Charlize em meu dedo e fiquei pensativa, por onde começar a procurar os brinquedos?
PVROSE
Eu só posso ter enlouquecido, caso contrário não teria aceitado a proposta de bella ainda mais ficar num carro por horas com a Tânia, essa era a segunda pior parte, a primeira seria voltar pra casa e enfrentar minha família. Para descontar minha raiva eu pisava fundo no acelerador, até parece que Tânia dirige melhor que eu. Pelo espelho retrovisor eu observava bella, distraída como sempre, os olhos vagos, então ela sorria do nada e ficava balançando a cabeça como se tivesse ouvindo música, depois suspirava e fazia carinho na bebezinha.
-vamos em qual cidade primeiro? — perguntei por curiosidade, afinal tínhamos um longo caminho pela frente, ainda estávamos no Alaska, seria uma viagem de muitos dias e não fomos de avião porque Charlize não tem passaporte.
-e porque acha que eu sei? — ela perguntou confusa, trinquei os dentes.
-recapitulando. — falei respirando fundo. — saímos sem dizer nada, com uma recém criada enlouquecida, um bebê recém nascido, um cachorro tão grande que toma quase todo o espaço aí atrás, com uma burra do meu lado, indo buscar brinquedos velhos e que não devem servir de nada e ainda por cima NÃO SABEMOS POR ONDE COMEÇAR. — terminei gritando de ódio e pensei em dar meia volta e voltar pra casa.
-é pela Charlize, isso não vale a pena? — isso mesmo, ela sabe o quanto eu adoro a menina e me chantageia por isso. Voltei a acelerar o carro.
-claro que vale, mas porque não compra brinquedos novos? — falei inconformada, pelo que conheço da bella, duvido que esses brinquedos estejam inteiros.
-porque os brinquedos são meus e gostaria muito que Charlize ficasse com eles, são uma parte de mim. — ela disse emocionada, revirei os olhos pra essa criatura.
-não se preocupe belinha, vamos encontrá-los. -Tânia ainda incentiva isso, ela alimenta ou compartilha dessa loucura da bella e sim, estou aqui porque fui chantageada por bella.
-sobre aquele assunto... — comecei hesitante, ela me cortou.
-dou minha palavra, faça tudo direitinho e não te tiro do posto de madrinha. — disse como se estivesse falando de negócios, ela me disse "está do meu lado e de Charlize ou está contra nós" e ainda completou "se não estiver do lado da bebê não merece ser madrinha dela", e aqui estamos nós. No caso de Tânia foi bem diferente, bella disse eu quero e Tânia nem sabia sobre o que era e já concordou.
-não deveria ficar hesitante, belinha cumprirá com a palavra. — disse animada esse jumento vulgo Tânia.
-mas deveríamos ter dito a Edward, ele vai ficar muito preocupado, ele e Charlie. — resmunguei, elas não tinham percebido, mas estávamos ferradas.
-Tânia deixou um bilhete. — disse bella e Tânia se virou rapidamente para trás.
-deixei? — trinquei os dentes outra vez, eu mereço isso?
-claro, eu lhe disse: Não se esqueça de deixar um bilhete dizendo que estamos saindo de férias. — bati a cabeça no volante umas três vezes morrendo de ódio.
-que férias bella? Não fazemos nada. — falei alto pra ver se ela entende a nossa situação.
-vocês podem não fazer nada, mas eu sempre trabalhei. — disse horrorizada, olhei para o céu escuro e me concentrei na estrada, ou melhor, eu tentei, juro que tentei. — além do mais sou eu que estou bancando a viagem, não esqueçam disso.
-e da onde tirou dinheiro? — perguntou a anta loira ao meu lado.
-tenho minhas economias. — bella respondeu simplesmente, mas sabíamos que bella é como Alice, não consegue economizar um centavo, quem dirá guardar dinheiro pra fazer uma viagem como essa.
-Charlie saberá que tirou dinheiro do banco, ele é bem esperto. — falei a incentivando a contar, eu também sabia que bella está sem cartão de crédito, com a mudança de sobrenome de Charlie foi feito o pedido de outros cartões que ainda não haviam chegado.
-mas não tirei dinheiro do banco, eu guardo no fundo falso da minha bolsa, antes de virmos contei quanto tinha e tinha quase dez mil dólares, viu como sei economizar? — disse orgulhosa de si mesma, e eu...bom...eu quase voei no pescoço dela, ela me acusou de roubar esse dinheiro que nós mesmos havíamos emprestado a ela, pelo menos agora sei onde ele está, não que isso mude alguma coisa.
-eu também trouxe dinheiro, não podemos usar cartões porque irão nos rastrear, dinheiro não é problema. — ignorei o comentário inútil de Tânia. — e você Rosalie? Não trouxe nada?
-uma pessoa prevenida vale por duas, pode ter certeza que trouxe muito mais que vocês duas juntas. — me gabei, eu não disse nada além da verdade.
-me empresta cenzinho? — preferi ignorar bella outra vez, essa era a melhor opção. — me empresta ou não?
-pra que você quer? — a anta perguntou.
-comprar fraldas pra Charlize, você arruma Tânia? — bella disse e fez cara de coitadinha, pior que eu fiquei com dó mesmo, enfiei a mão no bolso e tirei cem dólares, depois passei a ela sem me virar para trás, ela pegou a nota sem pensar duas vezes.
-assim que chegarmos na próxima cidade eu paro numa farmácia pra comprar as fraldas. — lhe informei.
-não precisa, eu trouxe fraldas. — me agarrei ao volante tomando cuidado pra não arrebentá-lo, porque era a cara da bella que eu queria arrebentar.
-então porque pegou o dinheiro pra comprar fraldas? — perguntei rosnando de ódio.
-mas eu não disse que iria comprar agora, quando terminar as fraldas que eu trouxe eu compro com esse cenzinho que a madrinha dela deu. — a pilantra sabe me domar, oh tristeza. — se acalme Rose, vai acabar assustando a Charlize. — ela tinha razão, suspirei fundo e me concentrei na estrada, me arrependendo até o último fio de cabelo de ter vindo junto, mas por outro lado fiz bem, passarei um tempo maior com Charlize, adoro essa bebê.
PVTÂNIA
Férias...fazia tempo que não tirava um tempo assim, só pra viajar por aí, sem ter pressa de voltar, o problema é que Rosalie veio junto, não sei porque bella a convidou, sei dirigir muito bem, além do mais eu também vim prevenida de dinheiro, mas não preciso ficar me gabando feito a Rosalie, eu já estava com saudades de Charlie.
-acha que Charlie vai ficar muito chateado? — perguntei preocupada que ele não entendesse a real situação.
-não...imagina, tomara que ele arranque sua cabecinha oca. — respondeu Rosalie cheia de ironia, coloquei a mão no meu pescocinho.
-não se preocupe que do papito cuido eu. — bella garantiu. — além do mais o máximo que ele fará é terminar o casório, mas arrancar sua cabeça? Claro que não.
-acha que ele vai terminar comigo? — perguntei horrorizada, ele não faria isso, afinal ele me ama.
-claro que não Tânia, ele a ama e vai entender. — bella garantiu outra vez, suspirei aliviada, bella conhece o pai que tem e sabe do que está falando. Não sei por qual motivo Rosalie deu um risinho debochado. Me acomodei melhor no banco do carro para apreciar nossa viagem de férias. Eu já havia feito reservas em Vancouver, o hotel é maravilhoso e tem todo o conforto que merecemos, minha afilhadinha vai amar. De lá seguiríamos até...até...
-bella... — falei me virando para trás para vê-la, ela me encarou apreensiva. — pra qual cidade iremos depois de Vancouver? — ela relaxou ao ouvir minha pergunta.
-a Rose sabe. — disse indicando Rosalie.
-e porque acha que eu sei? — retrucou Rosalie educada como sempre.
-porque você é a motorista, é você que está nos levando e irá nos trazer, então agora eu pergunto...pra onde está nos levando Rosalie? — essa bella é o máximo mesmo.
-onde moravam antes de ir pra Forks? — achei essa pergunta de Rosalie meio retrógrada.
-Cambridge, Massachusetts. — bella respondeu automaticamente.
-é pra lá que estamos indo. — disse Rosalie.
-e vamos fazer o que lá? — perguntei confusa.
-não sei...o que vamos fazer lá Rose? Não se esqueça às pessoas de lá me conhecem e não podem me ver assim, linda, maravilhosa e vampira.
-bella tem razão, arrume outra cidade. — falei a ela.
-não posso arrumar outra cidade se é lá que possivelmente estão os brinquedos da bella, iremos em outra cidade fazer o que? — haja mau humor hein?
-Rose está certa, mas teremos que tomar cuidado pra ninguém me ver. — eu não concordava com bella muito menos com Rosalie, mas se está na chuva é pra se molhar.
PVEDWARD
Eu fui enganado, fui passado para trás por um furacãozinho. O pior é ver Charlie andar de um lado para o outro sem saber o que fazer. Havíamos procurado bella por todos os lados e nem sinal dela nem da bebê, já faziam mais de quatro horas.
-onde estão os outros? — Carlisle perguntou preocupado, estávamos na casa dele com Esme e Emmet, além dos Denalli, menos Tânia.
-Tânia foi caçar, estava muito animada por ser pedida em casamento e quis ir sozinha, pra por os pensamentos no lugar. — disse Irina sentada no sofá.
-Jaspe e Alice estão fornicando por aí. — disse Emmet com toda a calma do mundo. — não sei pra que tanto desespero, é só a belinha perdida por aí com um bebê.
-ela é uma recém criada com um bebê, isso quer dizer alguma coisa? — perguntei chateado, ele deu de ombros. — e Rose?
-foi até a cidade fazer compras pra ela e pra bebê, disse que iria arrumar o cabelo também. — observei a anta do meu irmão.
-Rose não vai ao cabeleireiro, ela detesta que encostem no seu cabelo. — falei e ele deu de ombros.
-ela é mulher, tem direito a querer mudar. — preferi não responder a ele.
-onde acha que bella foi? — perguntei a Charlie que parou de andar e bufou, ele estava bravo.
-bella sumiu com Charlize, Tânia resolveu caçar sozinha e nem me avisou, Rose foi há cidade esses dias fazer compras, não iria hoje de novo, o istrepinho também sumiu e Alice não está aqui pra nos dizer alguma coisa útil, todos nós sabíamos que assim que as coisas se ajeitassem com bella e a bebê, Alice e Jasper ficariam uns dias fora, isso diz alguma coisa? — sim, ele estava bem bravo.
-conheço Rose, ela não iria se aventurar com bella seja por qual motivo for. — Esme defendeu Rose, mas Charlie tem razão, essa história está muito mal contada.
-mas por Charlize ela ficaria ao lado de bella pra fazer travessuras. — falei, isso era fato.
-vocês tem razão. — disse Carlisle. — mesmo assim vamos esperar por notícias. — estavam todos preocupados com bella e com a neném. Fui até a janela e fiquei encarando a neve cair, era uma bela paisagem se minha bella estivesse aqui pra apreciar comigo, respirei fundo exalando uma grande quantidade de ar, eu não poderia ficar aqui parado com elas perdidas por aí.
-algo precisa ser feito, se não perceberam bella pode ter um surto e sair matando humanos pra se alimentar. — disse Carmem que até então estava calada e deveria ter permanecido assim.
-não quero ser mal educado com ninguém, mas fique claro que dispenso opiniões negativas com relação a isso. — retrucou Charlie.
-é a realidade que ninguém aqui quer enxergar, é uma recém criada sozinha por aí. — disse Carmem.
-e ao que tudo indica Tânia está com ela, você não pode falar dela. — falei bem chateado. — sempre os respeitei, os admirei e mesmo quando Tânia não me respeitava, mesmo assim eu mantive minha admiração por vocês, os considero da minha família, mas jamais vou perdoar ou permitir que falem da minha futura esposa como se ela fosse um problema. — eles não diziam, mas estava em seus pensamentos que bella iria ser a ruína de todos nós.
-é melhor ligarmos para Alice, ela terá tempo de namorar...um dia...se bella permitir. — disse Carlisle indo pegar o celular, só com esse gesto Alice já veria que algo aconteceu e que precisávamos dela.
-a qual é vampirada. — disse Emmet levantando-se animado e se espreguiçando, só não sei pra que. — será como a incrível jornada, sairemos pelo mundo atrás da santa Isabelinha de Calcutá e que deus acuda e nos proteja, porque vamos precisar. — disse erguendo as mãos para o céu, dei um tapa na minha testa inconformado. — sairemos e não retornaremos ao nosso lar sem encontrá-la, ela e a criança que espero que não seja encapetada que nem a mãe e bocó feito o pai. — avancei sobre ele que correu e se escondeu atrás de carlisle.
-CALADO EMMET. — gritei porque ele havia passado dos limites.
-mas o que foi que eu disse além da verdade nada mais que a verdade? — disse parecendo uma besta. Fechei as mãos em punho e Charlie colocou a mão no meu ombro, o olhei e ele me deu um sorriso maligno, depois olhou para Emmet.
-sua Rose está com elas. — Emmet o encarou perdendo o sorrisinho. — se encontrarmos uma encontraremos todas, depois as colocamos de castigo por um século, mas até lá precisamos encontrá-las antes que se metam encrencas. — disse sugestivo.
-Rose teria me avisado. — Emmet sussurrou sem o mínimo de certeza sobre isso.
-Tânia é minha noiva e não me avisou, bella é minha filha e além de não avisar ninguém ainda levou minha neta e o cachorro da família junto, porque Rose o avisaria sabendo que você daria com a língua nos dentes?. — realmente, discutir com Charlie não é pra qualquer um.
-o que bella fará a Rose? — disse em pânico olhando para nós. — vamos encontrá-las, estamos aqui parados fazendo o que?
-e vamos procurar aonde? — perguntei a ele.
-como assim aonde? Vi no olhar da belinha a revolta pelos brinquedos doados, aposto que foi atrás deles e arrastou as meninas com elas. — revirei os olhos para Emmet.
-até parece... — comecei e parei olhando a compreensão passar pelo rosto de Charlie. — o que foi?
-Emmet tem razão, eu não vi isso em bella, mas a conhecendo como a conheço foi exatamente isso que ela fez.
-ta brincando? — disse Esme incrédula. — ela nunca vai achar os brinquedos.
-não tem brinquedo algum. — disse Charlie.
-mas você disse que os brinquedos foram doados. — falei confuso, se não existe brinquedos bella está procurando algo que não existe.
-Edward. — Charlie disse lentamente, prestei atenção ao que ele dizia. — pelo que você conhece da bella, das coisas que presenciou, você acredita que um brinquedo tenha saído inteiro de suas mãos? Acredita que doei os brinquedos velhos da bella?
-poderia ter doado os que ainda tinham alguma utilidade. — falei.
-claro, utilidade pra ir direto pro lixo. — arregalei os olhos chocado.
-bella estragou todos os seus brinquedos, todos? Sem exceção? — perguntei.
-estragou não, ela triturou, detonou com eles. — disse Charlie e foi até o centro da mesinha pegando um vasinho de Esme, depois o esmagou completamente nas mãos. — foi isso que bella fez aos seus brinquedos, nem pra doação no orfanato eles serviam. — passei as mãos nos cabelos quase os arrancando.
-o que você e bella têm contra os meus vasos? — perguntou Esme horrorizada olhando seu vasinho destruído. — Emmet me deu de presente do dia das mães, ele foi longe, muito longe atrás desse vaso para me dar. — ela falou entristecida. resolvi falar a verdade que foi calada por anos só porque estava bravo com Emmet.
-mamãe. — falei indo até ela. — Emmet não comprou o vasinho no leilão na Austrália.
-não? Mas ele viajou somente pra comprar pra mim. — ela disse confusa, ignorei o olhar de Emmet e principalmente seus pensamentos.
-ele roubou da varanda da vizinha e todos os dias que ficou longe ele e Rose ficaram namorando na floresta. — contei mesmo. Só vi o vulto de Emmet correndo pra fora de casa com Esme em seu escalço.
-e o que ele fez com o dinheiro que disse que foi gasto no vaso? — perguntou Carlisle incrédulo.
-ele pulou no rio com Rose, o dinheiro molhou todo e parte dele foi levado pela correnteza. — falei e caí no riso.
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