Como Cães e Gatos
2 A Máquina De Lavar
Notas iniciais
Mudei o midi, pois agora a fic entra em uma nova etapa: a etapa da confusão. A música que toca ao fundo faz parte da trilha sonora da própria série, tema do Houjou.
"Eu apenas gostaria que as duas ficassem bem. Será que é pedir demais por isso? Mas cada vez que tento salvar uma, a outra sofre..." Tentou imaginar que tudo aquilo seria culpa de Naraku. Não estaria errado de certa forma, mas parte do sofrimento delas era culpa apenas dele. Só dele. Culpa de sua ansiedade, orgulho, teimosia e, também, do enorme amor que sentia por ambas.- Por que eu não consigo me decidir? — Perguntou-se ele, com voz tremula.- Decidir o quê, mano-cachorro?Foi quando ele se deu conta de que estava sendo observado de forma curiosa pelo irmão menor de Kagome. Ele se atrapalhou um pouco e tentou mudar o rumo da conversa.- Hei, pirralho! É muito feio ficar espiando as pessoas, sabia?- Eu não tenho culpa. Você que estava aí parado na porta do quarto da Kagome que nem um zumbi! Ela brigou com você de novo? O que foi que você aprontou dessa vez?- Ora, seu... — Resmungou ele, com punho cerrado e uma veia saltada na testa. — Anda, eu vou ficar com você para que a Kagome possa estudar.- Legal! Você vai ser a minha babá!Inu-yasha arregalou os olhos e esbravejou.- Eu não sou sua babá! Só vou tomar conta de você!- No meu mundo isso é trabalho de babá... — Respondeu o menino, com ares de quem fingia dúvida.Diante da resposta dele, o hanyou se desarmou, não adiantava continuar discutindo. Pegou Souta pelo braço e saiu descendo as escadas.- O que foi, mano-cachorro?- A Kagome precisa estudar e você e o gato são muito barulhentos. Fique aí sentado. — Colocou o menino diante da televisão. Só então se deu conta de que algo faltava. — Agora onde está aquele gato? — Percebeu uma gota de suor descer a testa do menino e um sorriso sem graça se esboçar na face dele. — Souta, cadê o gato?- Sabe o que é... — Começou ele, meio gago e atrapalhado, dedilhando os dedos uns nos outros, como que procurando as palavras certas. — O Buyo brincou lá fora hoje e ficou muito sujo, então eu queria dar banho nele no banheiro. Só que a mana reclamou do barulho dele, então eu achei que um lugar fechado iria abafar o barulho.- Souta, — começou ele, cruzando os braços. — onde está o gato? — Havia uma seriedade assustadoramente calma em sua voz.- Errh... Na máquina de lavar! — Cobriu a cabeça, esperando por uma coça, mas logo percebeu que o semblante sério de Inu-yasha agora assumia uma feição de dúvida.- Vocês têm uma máquina de lavar gatos aqui? Mas por que você não a usou antes de ficar fazendo todo aquele barulho e perturbar a sua irmã?- Acho que você não entendeu, mano-cachorro. Essa máquina é para lavar roupas, sabe. Ela fica fechada, cheia de água e sabão, chacoalhando tudo pra lá e pra cá... — Souta fez um gesto com as mãos de quem estava sacudindo algo com muita força, o que deixou o hanyou horrorizado.- Você ficou maluco, seu pirralho? Quer matar o gato por acaso?! Onde ele está?Então o menino guiou o hanyou até a lavanderia da casa onde ele pôde constatar aquela estranha geringonça barulhenta funcionando. Era um daqueles modelos com a tampa redonda de vidro na frente, possibilitando a visão do interior. E, dentro dela, debatia-se desesperadamente ninguém mais ninguém menos que Buyo, o gato.- Não se preocupe, gato, eu salvo você! — E, no intuito de libertar o bichano rapidamente, Inu-yasha sacou sua espada Tessaiga.- Mano-cachorro! Esp...Tarde demais. Desceu a lâmina pela parte lateral da máquina, destroçando-a. O problema é que também levou junto a mangueira de água. Água e sabão se espalharam pela lavanderia e um gato, mais rápido que uma bala, cruzou o lugar, todo ensopado e ensaboado. Inu-yasha permanecia parado e boquiaberto, com a espada ainda sobre a fenda que abrira no chão, e com água jorrando em sua face.- Era só usar o botão de desligar. — Completou Souta, emburrado.O hanyou virou apenas o rosto para ele e esbravejou como de costume.- Maldição! Por que você não me disse isso antes?- Eu bem que tentei, mas você não deixou! Olha a bagunça que você fez!- Eu? Por acaso fui eu quem colocou o gato naquela coisa?- É, mas, quando a Kagome ver essa bagunça vai ficar uma arara!Ele engoliu em seco. "Kagome! Espero que não tenha feito muito barulho..."
- Depressa, Souta! — Guardou a espada e tratou de pegar os tecidos que estavam na máquina e colocá-los no buraco da mangueira, tentando estancar a água. — Temos que arrumar isso tudo antes que a Kagome...- Antes que eu o quê?Lá estava ela, na porta da lavanderia, com o gato ensaboado enrolado em uma toalha no colo, olhando para os dois com uma feição de poucos amigos, além de uma contínua marcação de ritmo com o pé esquerdo.- Kagome, eu posso explicar tudo... — Ele acabou por soltar o remendo que tentava fazer no buraco, que voltou a jorrar água novamente, dessa vez na direção da colegial, molhando-a.- Inu-yasha! — Gritou ela, esquivando-se do jato d'água, mas não antes de ficar ensopada.Ele novamente tratou de terminar o remendo, meio atrapalhado. Se um olhar matasse, Kagome os teria fulminado com o que lançou sobre os dois. Souta tratou de tentar escapar de mansinho, mas o hanyou o pegou pela gola da camisa. - A culpa foi toda dele! Ele colocou o gato lá dentro e...O menino começou a espernear.- Seu trapaceiro!A jovem apenas se deu ao trabalho de remover umas mechas de cabelo ensopadas do rosto com uma das mãos, já que a outra ainda segurava o gato. O gesto dela foi tão peculiar que chegou a deixá-los arrepiados.- O Souta também usou a sua espada na máquina de lavar, Inu-yasha? — Ele gaguejou, mas não conseguiu reunir palavras para formar uma sentença e tratou de largar o menino. — Que coisa feia, vocês dois! Souta, você podia ter machucado o Buyo, sabia? — Notou um sorrisinho de alívio no rosto do hanyou. — E você, Inu-yasha? Podia ter matado o gato, ou até mesmo ter derrubado a casa com a sua espada! — Respirou fundo, tentando controlar-se. — Agora eu quero que os dois limpem toda essa bagunça, inclusive as marcas de patas ensaboadas que o Buyo deixou pela casa na tentativa de escapar de vocês dois! E em silêncio!A jovem, com a feição bravia, deu meia-volta e desapareceu das vistas deles. Ficaram um segundo ou dois observando a direção que ela seguira, boquiabertos, para depois se encararem. Inu-yasha fechou a cara e cruzou os braços, talvez esperando por uma retratação por parte do menino que ele acreditava tê-lo metido naquela confusão com Kagome, mas Souta apenas limitou-se a lhe mostrar a língua. O hanyou ficou furioso, mas procurou se conter, afinal não queria fazer mais barulho e acabar por atrapalhar os estudos da jovem.Enquanto Souta passava um pano no restante da casa por onde o gato havia passado, Inu-yasha tentava conter o vazamento na lavanderia. Depois de vários lençóis amarrados, o dano estava reparado de forma temporária, até que um encanador de verdade pudesse trocar a mangueira.No interior do quarto, Kagome utilizava um secador de cabelos no gato, enquanto o mesmo desfrutava da cômoda situação de estar sobre a confortável cama de sua dona.- Pronto, Buyo. Agora você já está sequinho!O felino agradeceu com um miado, seguido de um ronronar e um gesto de carinho típico dos gatos, esfregando-se no colo de Kagome. Ele se acomodou no colo dela, enquanto ela lhe fazia um carinho na nuca. Havia um sorriso tranqüilo no rosto dela, até ela desviar sua atenção do gato para a escrivaninha e ver a pilha de livros, bolinhas de papel e os cálculos que ainda a aguardavam. "Ai! Isso parece que não tem fim..." Continua...
Notas finais
(x) Shichinintai - Exército dos Sete Homens.
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