Como Cães e Gatos
3 Almoço Em Família
Dia Primeiro – Sexta-feira – 12:00h. (Humm... Hora boa... Eu acho.)Kagome levantou o olhar dos estudos, como se tivesse se dado conta de algo interessante. “Hum... Está tão silencioso. O que será que aqueles dois estão fazendo?” Foi quando o barulho de algo se espatifando no chão e os berros do hanyou se fizeram ouvir. – Souta! Eu não disse para deixar essa bola lá fora?!– Desculpe, mano-cachorro!Uma gota de desânimo desceu pela face emburrada da colegial. “Ai, por que eu fui perguntar?” Olhou para o relógio sobre a cabeceira da cama que marcava meio-dia e percebeu seu estômago roncar, chamando a atenção do gato deitado na cama dela.
– É, Buyo. Acho que está na hora de providenciar o almoço. – O gato, que parecia estar entendendo toda a situação, concordou com um miado, para o espanto da moça. – Às vezes eu acho que você é meio gente... – Ela saiu da cadeira em que estudava e foi até a cama para segurar o bichano um pouco, encarando-o. – Será que você é um youkai disfarçado? – Ele continuou seu forte ronronar. – Não... Acho que não.Ela voltou seu olhar para a porta fechada do quarto e suspirou. “Apesar de toda a bagunça, fico feliz quando ele está por perto...”– Vamos, Buyo! Vou fazer algo para comermos! – Disse ela animada.-x-x-x-x-x-Souta lançava um olhar vesgo e curioso para o almoço que Kagome havia preparado. Diante dele estava uma tigela de Miojo. – Você chama isso de comida, mana?– Ah, Souta, eu estou com pressa e foi o que deu para fazer. O Inu-yasha gostou. – Respondeu ela.O menino observou, pelo canto dos olhos, um voraz Inu-yasha devorar sua terceira tigela e pedir mais com o rosto e as mãos sujos como os de um bárbaro faminto. O menino revirou os olhos, acompanhando o gesto com um suspiro de rendição e tratou de comer sua refeição.– Esse aí comeria até pedra... – Comentou o menino baixinho, mas não o suficiente para a apurada audição do hanyou.– Você está querendo brigar, é? – Perguntou Inu-yasha, com a boca cheia e observando o menino pelo canto dos olhos.– Vocês querem parar com isso? – Ordenou a colegial, já com uma veia saltada na testa.Os dois trataram de direcionar sua atenção para o prato. O almoço transcorreu sem mais incidentes, para o alívio da jovem, que pediu aos dois que se encarregassem da louça, enquanto ela retornava para seus estudos. A moça subiu rapidamente para o quarto, sem dar chance de resposta a nenhum dos dois.Inu-yasha lavava e Souta enxugava e guardava a louça. Ambos estavam usando um avental branco. Apesar do episódio da máquina de lavar, eles se davam bem. Souta gostava da companhia do hanyou como se fosse um irmão mais velho. Inu-yasha, por sua vez, não podia negar que gostava do menino, talvez pelo fato de ser irmão de Kagome.Enquanto o menino se virava para a mesa para pegar o restante dos pratos, percebeu que o gato ainda estava diante de sua tigela de ração intocada.– O que foi, Buyo? Está ruim?O hanyou estava tão distraído com a lavagem da panela onde Kagome havia feito o macarrão que sequer reparou na situação.– Anda logo, Souta! Me passe o restante dos pratos. – Falou ele, sem ao menos olhar para trás, enquanto fazia um monte de espuma na pia com a ajuda do detergente e da torneira aberta.– Mas o Buyo não quer comer...– Não quer comer? – O hanyou largou o que fazia e voltou sua atenção para o menino e o felino. Ele foi até a tigela de ração, se agachou e deu uma cheirada na comida.– O que está fazendo? – Perguntou o menino, estranhando a situação.– Apenas vendo se a comida dele não está estragada. – E antes que Souta pudesse dizer qualquer coisa, Inu-yasha pegou uma porção da ração e colocou na boca, provando-a. – Argh! Que gosto horrível! Não é à toa que ele não quer comer! – Limpou a boca com a parte de trás da mão direita.– Eca! Mano-cachorro, que nojo! – Exclamou o menino com os olhos arregalados. – Não se deve comer ração de animais.– Hã... Por que não?– Por que faz mal!– Mas se faz mal, não seria melhor dar outra coisa para ele comer? – Perguntou o hanyou confuso.– Ah, mano-cachorro... Só faz mal para pessoas, não para o gato. O Buyo não quer comer provavelmente porque enjoou do sabor. – Enjoou do sabor? – Encarou o gato. – Você é muito cheio de frescura, sabia? – O felino lançou para ele um olhar curioso, com a cabeça meio de lado, e deu um miado. – Ah, pare com essa miadeira e coma logo!Souta colocou a mão na testa e fechou os olhos, enquanto balançava levemente a cabeça de um lado para o outro. “Não acredito que ele esteja falando com o gato!” Reparou que Inu-yasha estava recolhendo vários restos de macarrão das tigelas da mesa.– O que está fazendo?– Mudando o sabor da comida dele, oras! – E colocou aquele macarrão na tigela, misturando-o com a ração, que o gato mais que prontamente começou a comer. – Você tinha razão. Ele só queria algo diferente... – Voltou sua atenção para o menino, que estava de braços cruzados e com uma cara aborrecida. – O que foi, Souta?
– Gatos não devem comer comida de gente! Ele vai passar mal!– Pelo menos agora ele está comendo!– Ah, mano-cachorro! Do que adianta ele comer se for para passar mal?!E, ignorando a observação do menino, a audição do hanyou captou um som estranho.– Que barulho é esse? Parece... – Voltou sua atenção para a pia. Em sua distração, ele havia esquecido a torneira aberta e a pia, que acabou entupindo por causa dos restos de comida da panela que ele havia deixado dentro dela, transbordava água sem parar. – ...água!– Ai, a mana vai ficar uma fera com essa bagunça! – Exclamou o menino, levantando os pés, um de cada vez, tentando escapar da água que tomava cada vez mais conta do piso da cozinha.“Maldição!” Pensou o hanyou, enquanto corria desesperado para fechar a torneira. Em seu desespero, acabou quebrando-a, ficando com um pedaço na mão. “Que ótimo...” A água jorrou com mais força, alagando de vez a cozinha. O gato assustado pulou sobre a mesa para se proteger, enquanto o menino subia em uma cadeira.– Faz alguma coisa, mano-cachorro!– Pare de reclamar, Souta! – Gritou o encharcado hanyou, com as mãos no cano, tentando conter o vazamento.– É que você está estragando a cozinha da mamãe!– Eu? A culpa é do seu gato idiota!Enquanto os dois esbravejavam, trocando acusações, o gato permanecia sentado sobre a mesa observando curiosamente a situação. A água já havia passado para o corredor, chegando quase na sala. Então Inu-yasha teve a brilhante idéia de torcer o restante do cano, travando assim a saída de água. Foi quando o gato saiu correndo, cozinha afora.– Pronto! – Colocou as mãos na cintura, assumindo uma posição arrogante. – Já consertei essa porcaria. – Gabou-se, voltando sua atenção para o menino na cadeira. Souta parecia um tanto assustado. – Deixe de frescura, Souta. Já resolvi... Com a cara enfiada em seus estudos, a jovem sequer imaginava a confusão que se passava no andar debaixo. Assustou-se quando o gato entrou rapidamente em seu quarto e pulou em seu colo, com as patas molhadas. – Ah, Buyo! O que foi? – Foi quando um barulho de explosão chamou-lhe a atenção. O susto foi tamanho que ela agarrou-se ao gato, espremendo-o. – Mas o que foi isso? Até parece que estão demolindo a casa! Ela largou o gato e desceu correndo as escadas para se deparar com um corredor alagado. Por sorte havia um degrau para a passagem da sala, o que impediu que a água lá chegasse. A jovem então seguiu até a cozinha. Souta ainda estava sobre a cadeira, de cócoras e com a feição mais desanimada do mundo. Inu-yasha estava sentado sobre o que sobrara da mesa de jantar, de braços cruzados. Apesar dos cabelos lambidos sobre o rosto, percebia-se seu ar furioso, enquanto recebia um jato de água contínuo. No lugar da torneira havia um enorme buraco por onde água jorrava. Ele havia torcido demais o cano, que não agüentou a pressão da água e estourou, arrancando também um pedaço da parede. A força do jato de água o desequilibrou e ele caiu sobre a mesa. Agora sim, era uma obra de arte. – Uhhh! Mas será possível! – Exclamou ela, com os braços retesos ao longo do corpo.– Kagome, eu posso explicar... – Começou o hanyou. – A culpa é toda do gato!Ela ficou atônita com aquela declaração.– Do Buyo?– Ele me distraiu de propósito! Se não fosse ele, nada disso teria acontecido! – Argumentou ele, enquanto usava as mãos para afastar os cabelos ensopados do rosto. Aquela situação tornou-se um tanto inusitada para ela, que não resistiu e caiu na gargalhada. – Qual é a graça, Kagome?– Ai, Inu-yasha... Você precisava ver a sua cara... – Ela mal conseguia se conter e começou a se retirar da cozinha.– Mana! Aonde você vai?– Ligar para o encanador e desligar o registro de água. Você e o Inu-yasha tratem de puxar toda essa água para a lavanderia.O menino e o hanyou ficaram atordoados com a reação fora do comum da jovem.– Hum... O que deu nela? – Os dois se perguntaram.Continua...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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