Come Morning Light
19 Sangue
Notas iniciais
Eu via sangue, sangue por todos os lados que escorria em volta de mim, aquele vermelho vivido fazia meu estomago se embrulhar e minha vontade era de botar tudo o que tinha em meu estomago para fora.
Em meio aquele sangue surgia a imagem de minha mãe que antes estava imersa na cascata de sangue que havia por toda parte. Minha mãe estava toda ensangüentada e o metal perfurando seu pulmão assim como no acidente a alguns meses atrás.
Eu sentia dor, não física, mas doía de alguma forma e minha cabeça parecia que iria explodir, então acordei, assustada e berrando para que minha mãe não vá. Percebo que estou de volta à cama no quarto de Mith, meu rosto esta banhado por lágrimas e meus olhos inchados, provavelmente de tanto chorar.
Deito minha cabeça sobre o travesseiro de novo sem acreditar no que havia acontecido ontem. Depois de sair correndo desesperada de minha casa, sai em disparada sem saber para onde ir, eu corria sem direção.
Esbarrei com Cléo a garota simpática e sorridente de meu grupo com um lindo cabelo chanel castanho. Ela se assustou assim que me viu não me deixando ir há lugar algum. Me fez dizer o que estava acontecendo e assim que entendeu a situação pareceu ficar tão desesperada quanto eu.
Cléo me levou ate a casa de Mith e de lá chamamos a policia, mas o que eu menos esperava é que quando a policia chegasse em minha casa, não houvesse nada, nada de sangue, nada de nada. Eles disseram que estava tudo bem, verificaram toda a casa e não havia absolutamente nada.
Eu não conseguia entender, todos me olhavam como se eu não estivesse bem, Mith certamente devia estar pensando que ainda estou mal pela morte de minha mãe, o que não é uma total mentira, eu nunca superaria a morte da mulher que me criou e me amou desde quando me conheço por gente.
Cléo certamente pensou que eu estava descompensada pelas horas e horas de ensaios e pela pressão por causa do drama. Sua expressão era de pena, algo que eu não suportava, eu não era uma coitada.
Mas a pior parte foi a policia perguntando se eu não havia ingerido "substancias químicas" e por substancias químicas eu entendo por "drogas ilícitas" afinal qualquer uma era ilícita para mim, afina sou menor de idade.
Eu sentia que eles queria me levar para fazer um teste ou algo assim, mas assim que sai de perto escutei a mãe de Mith, que nos acompanhava, explicando toda minha história de vida dos últimos meses para os policiais, em outras palavras, para eles eu estava ficando doida ou entrando em depressão.
Mas eu não podia acreditar que tinha imaginado tudo aquilo, eu tenho certeza que minha imaginação não é tão fértil assim. Tentava me lembrar de detalhes e não conseguia associar nada aquilo que havia acontecido. Se alguém fez aquilo, porque havia feito?
Tentava repetir a cena em minha mente e tudo o que eu via era "ASSASSINA", como eu podiam me chamar de assassina? Eu, que nem mesmo tinha coragem de matar uma barata, sim uma barata, aquele ser nojento. Eu não conseguia entender de onde tinha vindo aquilo.
– Hey dorminhoca, acordou? — Entra Mith pela porta do quarto, ela tinha um sorriso suave em seu rosto e falava razoavelmente baixo, algo que é muito raro.
– Sim, estou bem. — Disse ainda sonolenta e já antecipando a resposta de sua próxima pergunta. — Olha, você não parecia ficar me olhando com essa cara, eu entendo que eu devo estar parecendo uma louca, eu mesma admito isso, ok? Mas eu não sei como posso estar imaginando coisas assim, não consigo acreditar que era apenas minha imaginação Mith.
– Kallie, eu não acho que você esteja louca, eu entendo que você esta estressada, você vem passando por muitas coisas, eu entendo tudo isso, não sei como é pois não estou na sua pele, mas eu entendo que deve estar sendo muito difícil, perder seus pais, as dificuldades na empresa e quando você consegue esquecer tudo por uma noite, se desprender de tudo e se soltar, acaba dando tudo errado e piorando as coisas, eu entendo, mas você tem que se manter forte.
– Sim, eu estou tentando, mas esta sendo tão difícil. — Digo chorosa lembrando de todas as coisas que vinham acontecendo e sentindo as lagrimas começarem a escorrer por meu rosto novamente.
– Sim, chora, pode chorar, você precisa chorar as vezes. — Dizia Mith que agora me abraçava afagando meus cabelos.
Almocei na casa de Mith e logo depois comecei a me ajeitar para ir, ainda teria que visitar meu pai hoje, e apesar de estar cansada eu ainda queria o ver, não estava indo apenas por obrigação.
Mith ficou desesperada quando disse que ainda iria até lá, se ofereceu para ir junto, mas eu não aceitei. Ela tentou me fazer desistir de ir hoje, mas não tinha como, se não fosse hoje não iria mais antes do dias dos pais e provavelmente até o fim das gravações do drama se eu conseguisse meu papel de volta.
Chamei um dos motoristas da empresa que havia ficado de me levar. Isso era um grande luxo, desde que minha mãe sofreu o acidente eles vem me tratando assim, acho que tenho esses privilégios de visitar meu pai, com carro, motorista particular e ainda o psicólogo, pelos danos psicológicos que eu sofri.
Quando penso nisso, acho que a produtora realmente cuida de nós, apesar de serem tão rigorosos eles nos apóiam no que precisamos. Podiam facilmente ter me substituído, mas escolheram me ajudar com isso. Eu realmente me sentia grata.
A viagem demoraria umas duas horas e aproveitei para passar algumas falas e dormir mais um pouco.
Quando chegamos me senti tão bem, parecia um resort com coqueiros, piscinas e riachos com água cristalina. Era como tirar férias, o ar puro e o vento batendo em meu rosto.
Sem mais demora procurei pela recepção e me encaminharam para o pátio onde meu pai estava descansando e tomando sol.
Quando o vi toda minha euforia se esvaiu, seu semblante era vazio, seu olhar não se focava em nada. Da ultima vez que o vi, ele era pura tristeza, agora ele parecia estar vazio, como se não sentisse nada. O que estava acontecendo com meu pai?
Me aproximei um pouco mais dele me sentando ao seu lado no banco do jardim.
– Oi Pai. — Eu disse tentando parecer alegre, mas ele nem menos me olhou e tampouco falou comigo.
Resolvi continuar tentando, contei sobre o que havia acontecido nos últimos tempos, falei sobre o drama, claro, editando as partes "desnecessárias", contei sobre Mith estar namorando e sobre os treinos, mas nada. Perguntei como ele estava, se estava sendo ruim ficar aqui, mas ele não dizia nada, continuava olhando para o nada.
E assim ficamos por uma grande parte da tarde. Tomamos café da tarde juntos, mas ele não conversou comigo, não me disse nada.
Eu havia comprado um presente para ele, mas quando lhe dei, ele mal olhou, não abriu, não agradeceu, apensas o deixou de lado em cima da mesa ao ar livre onde comíamos.
No final da tarde o médico que acompanha o tratamento de meu pai apareceu e pediu para falar comigo, ele disse que meu pai estava indo muito bem, o que me deixou confusa.
Expliquei para ele como meu pai havia agido comigo durante toda à tarde, mas me espantei quando o médico disse que ele havia acordado assim hoje, mas que a maioria dos dias ele era comunicativo, sempre fazia atividades físicas e tinha até feito amigos.
Pensei que ele podia estar assim por fazer muito tempo que não nos víamos, ou talvez ele estivesse triste ou chateado comigo por ter o colocado aqui, mas o que eu poderia fazer? Eu não tinha tempo para cuidar dele, e não tinha como cancelar o contrato sem pagar uma multa gigantesca.
Depois de falar com o médico voltei a procurar meu pai para me despedir, de longe o avistei, mas ele não estava sozinho. Meu pai conversava risonho com uma garota, não conseguia ver a sua face, mas me parecia familiar de alguma forma, seus cabelos curtos e seu jeito.
Ver meu pai sorrindo com outra pessoa quando ele mal me olhava foi como uma facada em meu peito, sentia como se tivesse algo entalado em minha garganta e meus olhos começavam a se encher de lagrimas ficando embaçados. Me forcei a engolir o choro e fui me aproximando até que notei a garota se despedindo e saindo rapidamente enquanto olhava de um lado para o outro. Pude ver um pouco melhor sua figura, ainda não conseguia ver o rosto por inteiro, mas tinha a impressão de que a conhecia de algum lugar.
Apressei-me para chegar até eles, mas em um piscar de olhos a garota havia sumido.
Perguntei para meu pai quem era a garota, mas assim que me viu seu rosto voltou para a expressão de nada. Minha vontade de chorar voltava e ele percebeu isso. Sua expressão mudou levemente e ele se virou e pegou o livro que eu havia comprado para ele, estava desembrulhado.
– Obrigado. — Ele disse levemente enquanto olhava para o livro em suas mãos.
Aquele simples ato me confortou, mas eu continuava incomodada, meu pai costumava ser divertido e comunicativo, não entendia o porque de ele estar assim comigo, mesmo quando estava tão triste pela morte de minha mãe, ele ao menos conversava, mas agora...
Já começava a ficar tarde, ainda tinha um grande caminho de volta e estava tão cansada.
Cheguei ao carro e o motorista já estava a minha espera. Quando abri a porta do carro acabei a batendo em meu joelho, que doeu demais para uma fraca batida como aquela.
Entrei no carro e meu joelho continuava doendo, puxei a barra da calça que Mith havia me emprestado até meu joelho e havia um roxo enorme nele. Então me lembrei, eu havia caído de joelhos quando escorreguei no sangue ontem.
Era isso, eu havia caído sobre o sangue ontem, minha calça devia estar machada de sangue não devia? Eu precisava checar isso, e logo, antes que a mãe de Mith lavasse minhas roupas, se é que ela já não tinha lavado. Essa era a minha única saída para descobrir se eu estava mesmo pirando e vendo coisas por ai, ou se realmente estavam acontecendo. Não podia perder essa chance.
Tentei ligar para Mith durante o caminho de volta inteiro, mas ela não atendia. Assim que chegamos à cidade, pedi para o motorista ir até a casa de Mith. Chegando lá e subi até seu apartamento correndo, eu precisava saber se eu estava ou não ficando doida.
Entrei no apartamento que estava com a porta aberta e corri até o quarto de Mith.
– Mith, onde estão minhas roupas? – Gritei assim que entrei em seu quarto. Mith que estava deitada escutando musica com fone de ouvido e lendo um livro, se assustou com meu grito.
– Ai que susto, o que você esta fazendo aqui a essa hora? – Ela perguntou confusa enquanto se levantava.
– Minhas roupas, cadê? – Perguntei ainda gritando. – Sua mãe não as lavou, diz que ela não as lavou. — Falei desesperada.
– Calma, minha mãe nem ficou em casa hoje, mas porque você quer as roupas agora? – Ela perguntava ainda confusa e tranqüila.
– Porque eu cai de joelhos em cima do sangue ontem. – Falei como se fosse obvio, e sai do quarto indo em direção ao banheiro.
Mith veio atrás de mim e ficou chocada quando me viu remexendo nas roupas sujas no cesto do banheiro.
– Achei! – Falei animada vendo minha calça, mas desanimei assim que percebi que a mancha provavelmente não estaria aparecendo pois a calça é preta. – Ai droga, e agora, a calça é preta, não da para ver.
– Ahmm, coloca de baixo da água quente, deve sair, se não sair uma água vermelha deve sair uma água escura eu acho. – Disse Mith depois que percebeu o que eu estava fazendo.
– Verdade! – Liguei a torneira na água quente e enfiei a parte do joelho de baixo da água.
Depois de um tempo eu espremi o tecido e uma água escura um pouco avermelhada escorreu pela pia branca e desceu ralo abaixo.
– Você vê? – Perguntei tremula à Mith, com medo de realmente estar vendo coisas.
– Sim. – Ela disse atônita. – Se...se é tudo verdade, como que o sangue da sua casa sumiu? – Ela perguntou confusa e assustada.
– Eu... eu não sei.
Notas finais
Como o cap. foi pequeno, TENTAREI POSTAR OUTRO ESSA SEMANA. =**
NOVIDADES \O/ Comecei uma nova fic de NU'EST, já aviso que é yaoi, quem quiser dar uma olhada -> http://fanfiction.com.br/historia/254144/Like_Never_Before/
Fale com o autor