Combatentes
10 Manual de como ser invasivo - Parte II
Notas iniciais
Balançou a garrafa de cerveja que trazia consigo. Olhou para Naruto ao seu lado visivelmente abatido. O que tinha acontecido com ele? Bateria acabado? Sasuke olhou para a cozinha. Na mesa de jantar Nara e Sabaku analisava a papelada, como ele gostava de dizer, mesmo que papel não foste o meio de registro majoritário ali. E mais a frente, numa missão muito complicada, a médica descascando batatas.
— Eu estou com fome, Sasuke. – Naruto chamou sua atenção de forma baixa. E como se aquela informação foste peça central de um grande quebra cabeça tudo fazia sentido. Naruto estava com fome.
— Me conte algo novo. – Naruto olhou para o Uchiha e depois olhou para a Haruno. E se lembrou de algo que ocorreu mais cedo.
— Por que ficou incomodado no momento que brinquei com ela? – Naruto apontou para Sakura e Sasuke o olhou sem entender. Mas lembrou do que tinha feito. Aquele desgraçado do Uzumaki sabia mesmo colocar pautas novas em suas conversar triviais.
— Ela mal abre a boca, Naruto. – Sasuke deferia seus argumentos. – Não acho que seja prudente ficar enchendo o saco dela.
Naruto, obviamente não viu logica alguma naquilo, visto que enchia o saco de Sakura com o propósito de proporcionar terreno fértil para ela interagir.
— Isso não tem lógica. — Naruto negou com a cabeça e Sasuke riu.
— Você sabe que mulheres quietas são perigosas. – Sasuke o rebateu e Naruto concordou. Pois independente de gênero e sexo ele achava que todo mundo que é silencioso é perigoso.
— Mas Sasuke é um pecado deixar ela quieta. – Naruto começou. – Por que ela é tão interessante.
E como gato escaldado tem medo de água fria Sasuke olhou para Naruto desconfiado. Enquanto o outro achava uma palavra certa para definir Sakura sem soar de forma otária.
— Ela é tão chicletinho. – Naruto riu alto após fazer uma referência ao tom do cabelo da mulher em contraposto a uma cantada popular e como esperado soou de forma horrível. Sasuke negou diante do que ouviu. – Era melhor ter usado bombom, não é?
Sasuke afirmou positivo. Naruto estava brincando novamente, pois jamais ele chamaria uma mulher daquela forma.
— Naruto, faça um favor a humanidade e fecha esta boca. – Sasuke se levantou.
— Sim, senhor. – Naruto prestou continência. – Então me ajude neste processo e adiante o jantar.
Sasuke se afastou indo em direção a Haruno quieta na cozinha. Observou ela se matando com uma faca para descascar batatas.
— O que teremos para o jantar? – Sasuke se escorou rente a pia e Sakura o olhou pela primeira vez. Aquilo era novidade.
— Não teremos nada. – Sasuke parou de observar Naruto o incentivando de longe. Ainda não entendia o porquê acatava as sugestões subliminares do Uzumaki. Sakura vendo que ele não iria rebater o olhou. – Acho que TenTen foi comprar pizza.
— Então por que os da batata? – Sasuke abriu uma gaveta pegando outra faca. Gesto que não passou batido pela Haruno. – Eu posso te ajudar? Tenho um curso prático e intensivo de seis horas em descascar batatas.
Sakura riu aberto ao se recordar daquilo. E se lembrou de que havia prometido a si própria que nunca mais iria comer batatas.
— Claro, fique à vontade. – Sakura retornou para sua tarefa com o Uchiha ao seu lado. – Acho que eu estava na mesma turma que você, mas confesso que não aproveitei o bastante.
Foi a vez de Sasuke em rir. Ele sem dúvida gostava daquele tipo de humor. E ao ver o fracasso dela com as batatas Sasuke a compreendeu ainda mais.
*
Se pendurava no saco de pancada para certificar-se de que ele não iria desprender da onde estava preso. E visto que não se soltou. Ino massageou a própria mão ferida, a qual cicatrizava rapidamente.
E achou mais um motivo para ficar por aquelas bandas mais um tempo. A Mitsashi tinha levado um tiro no ombro e tinha trincado o pulso naquela emboscada. Executar a missão com ela naquele estado seria besteira. Sorriu ao se lembrar da furada que saíram juntas. Aquilo podia ser o início de uma grande amizade em seu conceito, mas a ver o saco de pancadas lembrou que estava ali a trabalho e nada mais.
Deu pequenos saltos e levantou os punhos na altura dos olhos. Colocou o pé direito um pouquinho para trás deixando em evidencia qual era a sua perna com melhor chute: A esquerda.
Arrastou a mesma para trás minimamente, arcou as costas rapidamente deixando os braços na mesma posição. A ergueu, o joelho dobrou-se e os olhos verdes miraram no ponto mais alto que poderia alcançar no saco de pancadas.
Certo, quando ela chutasse o saco ele iria para trás, como se fosse uma pessoa nesta situação e então quando o saco retornasse para frente receberia uma sequência de dois socos. Similar a uma pessoa que vai para trás buscando equilíbrio e quando retornasse receberia os seus punhos nada gentis.
E a pessoa ao perceber tais socos levaria os braços para frente do rosto na tentativa de bloqueá-los e ela saberia o que fazer. Abaixaria minimamente e atingiria as costelas do indivíduo com o cotovelo fazendo-o recuar os braços para os lados e nesta ação receberia uma bela joelhada no estômago, visto que deixou o abdômen sem proteção. Fazendo-o arcar para frente e então finalizaria com uma bela chaves de pernas.
Sorriu. Tinha premeditado tudo em sua cabeça. Agora era apenas executar, mesmo sabendo que não teria revide do saco de pancadas. Então apenas restaria ela terminar na sequência de socos.
Deferiu o seu chute, mas não foi o saco que atingiu. Gaara abaixou a tempo suficiente para desviar do pé que iria atingir seu rosto. Ino franziu as sobrancelhas, afinal o que ele estava fazendo ali? Foi então que decidiu que estava sem freio e terminaria sua sequência. Ele devia isso a ela.
Gaara ao desviar do chute não esperava que a loira adquirisse impulso com a perna direita, ficasse milésimos no ar e deferisse uma bela cotovelada em sua direção. E Ino também não esperava que Gaara iria segurar o seu cotovelo a empurrando para longe em seguida, mas diferente do que Gaara pensou o corpo da loira não foi ao chão como ele queria.
Ino ao ser afastada pela palma da mão forte, aproveitou o empurrão para virar rapidamente o corpo e ao invés de suas costas encontrar o chão foram a palmas de suas mãos. Ino flexionou os braços no chão afim de adquirir potência para aplicar um chute ao virar um pequeno mortal.
Gaara observou com cuidado, novamente, aquele pé vir em direção ao seu queixo rápido demais. Ele tinha duas opções. Primeiro, agarrar o pé e contar com a sorte que teria força o suficiente para girar a perna de Ino a fazendo cair de costas no chão. Ou a segunda: Saltar para trás e aguardar o próximo ataque.
Preferiu a primeira. Agarrou o pé da Yamanaka antes que atingisse o seu queixo com as duas mãos. Os olhos azuis viram aquele gesto e sabia o que ele iria fazer. Gaara agarrou o seu pé e logo a panturrilha na tentativa de suspende-la ainda mais pela perna firme e fazer suas costas irem de encontro ao chão.
Ah! Mas na cabeça de Ino ele não conseguiria esta proeza. Tudo era rápido demais. Combate corporal direto exige umas regras: você tem que pensar mais rápido que seu oponente. Preveja os seus ataques e bloqueei-os antes mesmos de serem executados.
Ino dobrou o joelho e surpreendeu Gaara o fazendo arcar para frente visto que fazia muita força para tentar imobiliza-la. Juntou a outra perna e soltou todo o peso no chão. Ele também caiu devido ao seu peso. A mão de Gaara ainda estava em sua panturrilha então era apenas cativar o mais rápido possível em suas pernas o braço direito do ruivo.
Estavam ofegantes devido a brincadeira. Gaara ficou vendo ela se recuperar rápido demais. Segunda regra do combate físico: Você pode se arriscar deixando sua guarda aberta, mas tem que ter certeza que irá ser mais rápido de que seu oponente ou então poderá pôr tudo a perder.
Ino viu o breve sorriso do Sabaku. E descobriu que ele tinha descoberto o que faria, mas ele não deu dicas do que pretendia fazer. Até ver ele puxar sua perna e consequentemente o seu corpo para mais perto. Ino levantou o tronco e por reflexo viu o joelho do Sabaku vir contra o seu rosto. Ele iria nocauteá-la. Mas Ino jogou seu corpo para frente afim de desviar da joelhada. Foi então que lembrou que as mãos dele já não estavam em sua perna. Droga.
Ino levou os braços para frente do rosto para bloquear o soco que iria receber antes de seu rosto ir de encontro com o abdômen de Gaara. Entretanto apenas escutou um barulho. Desbloqueou a visão e viu Gaara tentar controlar a respiração.
— Você usa premeditação. – Escutou a voz séria e forte atingir seus ouvidos. Ino se deu conta que estava entre as pernas do homem, pois Gaara as abriu afim de dar lhe uma joelhada.
— Você também. – Gaara ficou surpreso por ela ter descoberto a sua técnica. Eles usavam a mesma. Combate físico exigia força, mas exigia também agilidade. Tudo se define a quão rápido você pode ser em combate.
— Eu só queria dizer que o saco de pancadas está rasgado. – Gaara fixou os olhos nos azuis de Ino. Ela estava suada feito ele. – Da próxima vez iriei enviar uma mensagem. Ficar perto de você é muito perigoso.
Gaara estava sendo sincero. Se não parasse iria levar a maior surra de sua vida. Mesmo estando curioso para ver como Ino sairia de sua imobilização. A Yamanaka saiu do vão das pernas de Gaara e se lançou para o lado do ruivo. Aquele salão ao fundo era magnifico, até mesmo o chão era acolchoado. Próprio para treinamentos corporais.
Ficaram estirados no chão. Ele realmente era bom no que fazia, mas Gaara parecia ter achado alguém a sua altura. Ousava dizer que quem apanhasse daquela mulher e saísse vivo deveria ganhar um selo de resistência e durabilidade.
— Lutar contra você foi bem melhor do que contra o saco de pancadas. – Ino pontuou. Estava um pouco impressionada, admitia. Gaara sorriu minimamente. Ela poderia dizer que ele era bom diretamente invés de ficar falando indiretamente.
— Eu peço água. – Ino escutou e segurou o sorriso. Pois, ela não estava pensando em iniciar um novo combate. – Vamos jantar.
Gaara se levantou e Ino o copiou. Aquele ruivo mais centrado e sem brincadeiras infantis e idiotas era bem mais interessante a seu ver.
*
Olhava com uma certa paciência aquelas pessoas em sua casa. E a certa paciência tinha algo relacionado com Gaara ainda não ter levado um tiro. Via o Uchiha e Haruno rindo juntos na cozinha. Temari e Shikamaru trabalhando juntos e aquilo sim, era um deleite para os seus olhos. Ideia bastante diversa da Hyuuga quieta em um canto aparentemente lendo um livro.
O piloto que derrubou o avião no pouso improvisado não tinha comentários para realizar sobre o mesmo. E sobre Gaara e Ino chegarem juntos e sem arranca-rabo também não. Aliás até preferia assim. Continuava a limpar suas armas pacientemente, quando Gaara se jogou ao seu lado. Franziu o cenho, pois teve a sensação de que estava faltando alguém ali, mas não se recordava quem exatamente.
— Você não tem ideia do que aconteceu comigo. – Gaara comentou na tentativa de iniciar uma conversa. Neji o olhou rapidamente. O palhaço Sabaku já estava de novo.
— O que aconteceu com você? – Neji engatilhou a arma com o proposito claro de que se ouvisse besteiras ele iria levar um tiro.
— Deixa quieto. – Gaara retirou a camisa. – Pelo visto está de péssimo humor.
— E com razão. – Neji concluiu. Ver o amigo daquele jeito não era raridade. Era rotina. E se recordava que tinha comportamento similar.
— Estou morta de fome. – Ino sentou-se próxima de ambos. E Neji levantou uma sobrancelha para Gaara. O qual mordeu o lábio para conter o sorriso. Ele era mesmo um filho da mãe.
— A TenTen saiu para comprar pizza. – Sakura comentou após se aproximar. E Neji a ouvir aquilo colocou a última arma sobre a mesa ampla de centro. – Na verdade, faz um tempinho que ela saiu. Já deveria ter regressado.
A atenção dos outros fora tomada de imediato quando a Haruno disse isso. Neji olhou para Gaara e este lhe forçou um sorriso. Lembrou quem estava faltando naquela casa. Era tão acostumado ao silêncio que quando a barulhenta Mitsashi saiu nem sentiu falta.
— E desde quando TenTen sabe falar espanhol? – Neji questionou olhando diretamente para Gaara. – E eu já fui bem claro para que não solicitasse nenhum tipo de transporte.
Gaara afirmou positivo. Ele sabia disto, mas os outros não. Estava ocupado demais para avisar sobre as regras da casa.
— Ah! Mas ela não solicitou Uber e nem Taxi. – Hinata o interrompeu. – Ela foi de carro.
— Que carro? – Neji aparentou ficar ainda mais tenso com a informação.
— O seu. – Shikamaru respondeu rápido. – O que a gente pegou “emprestado” nós deixamos no estacionamento do mercado, para que, o dono achasse.
Shikamaru fez sinal para Temari indicando que foram eles que pegaram o carro.
— Espero que isso não seja problema, Neji. – Temari se adiantou. Pelo visto seu irmão não tinha limites, mas eles sim.
— Desta vez já adianto que não tenho nada com isso. – Gaara comentou. E realmente a culpa não era sua. Para a sorte de Neji o único aparentemente louco suficiente ali para mexer em suas coisas era Gaara, entretanto parece que tinha outra que se juntou ao clube dos que não temem a morte.
— Não é problema nenhum. – Ele estava se segurando. – Mas me digam, TenTen sabe dirigir neste país? E mais é fluente em espanhol? Por que senão, acho melhor alguém ir atrás dela.
Neji relaxou no sofá. Aquilo era muita invasão de propriedade e intimidade. E pensou que estava ficando mole. Naruto levou a mão até a boca pensativo. Ninguém sabia responder aquelas questões.
— Espero que ela volte logo. – Todos pensaram que Naruto estava preocupado, exceto por uma pessoa: Sasuke. – Por que eu estou morrendo de fome. Sasuke passa estas batatas para cá.
A Hyuuga revirou os olhos e seguiu para o canto que estava. Ino suspirou, afinal onde TenTen tinha se enfiado?
— Acho que seria prudente alguém ir atrás dela. – Sakura comentou um pouco preocupada, afinal a ideia da pizza foi dela.
— Caso ela não retorne em uma hora, irei atrás dela. – Neji finalizou aquela conversa. E Naruto se jogou no sofá, já que as batatas cozidas foram negadas. Neji olhou para o relógio em cima da porta. Aquela mulher deveria voltar dentre uma hora, senão alguém teria sérios problemas.
***********
O som no automóvel de direção hidráulica estava alto, muito alto. Com uma mão no volante e outra mexendo para lá e para cá, ela se divertia. Nem parecia que estava com o punho trincado. Bateu as mãos no volante quando o sinal ficou vermelho. Leu a placa sem dificuldade indicando onde ficava o centro comercial da cidade, para onde deveria ter ido desde do início.
Mas então resolveu tomar um banho de mar e depois gastar o dinheiro que estava na carteira do Hyuuga. Passou uma hora em um barzinho a beira mar e até cantou com a banda que tocava no ambiente, afinal seu espanhol era afiadíssimo.
— Esse lugar é demais! – Comentou para si própria, já que nenhuma pessoa se dispôs a ir com ela. Abaixou o som por um instante apenas para provocar a pessoa no conversível de luxo ao lado.
Cantou um trecho da música enquanto dançava como podia no assento do carro de alto custo. E pensou que aquele Hyuuga só podia estar envolvido com atividades ilícitas para ter tanto poder aquisitivo assim.
Abriu o porta-luvas encontrando uma arma semiautomática. Verificou se estava carregada e após constatar positivo enfiou a arma por debaixo da camisa cinza que usava.
Viu a fachada de uma pizzaria. Estacionou na frente do recinto chamando um pouco de atenção. Cantou um pouco da música e verificou quanto dinheiro tinha sobrado na carteira.
Desceu após colocar os calçados, visto que dirigia descalça. Olhou para o próprio salto, fazia um tempo que não usava aquele tipo de sapato. Bateu a porta do carro demasiadamente com força. Trincou os dentes ao perceber que tinha feito.
— A moça não tem geladeira em casa. – Escutou um comentário de um cliente e acenou positivo.
— Pior que não tem mesmo. – Riu, aquilo era verdade. Afinal nem casa tinha. Arrumou o short de tecido caro que comprou para si. Se uma de suas amigas a viste diria: TenTen está pagando de madame.
E de certa forma era isso. Ninguém a conhecia naquele lugar. A carreira que seguia não a possibilitava a fazer aquilo e quando podia não tinha como. Seguiu até o balcão e solicitou o pedido. A moça lhe olhou e sorriu.
TenTen observou o local. Tudo muito organizado e limpo. Uma mesa ao fundo lhe chamou a atenção. Homens bebendo e fumando. Viu a costumeira placa de é proibido fumar e olhou para a atendente.
E matou toda a jogada. Aquele ambiente era de fachada. Viu dois homens vir em sua direção calmamente e observar sua imagem além do necessário. Observar o carro elegante na frente da pizzaria.
— Hoje não, vai. – Resmungou para si própria. Tinha uma certa noção que se arranhasse aquele automóvel iria ter problemas.
— Aqui está o seu pedido. — Sete caixas de pizza foram postas sobre o balcão e TenTen pagou rapidamente. Agradeceu e seguiu para o carro. Abriu a porta do passageiro e usou o cinto de segurança para prender a pilha que fez, como se fosse descer o pé no acelerador.
Dirigia com cautela. E quatro minutos depois percebeu pelo retrovisor que estava sendo seguida. Aumentou o volume do som. Cantou novamente o trecho da música e acelerou. Olhou para o aparelho de som que indicava o horário. Estava atrasada. E se atrasaria ainda mais.
*
— Ela só pode estar brincando com a minha cara. – Aquilo não foi exatamente uma declaração passiva, estava mais para algo agressivo. Invasivo e Gaara se perguntava se TenTen saiu viva daquela emboscada para morrer na Costa Rica. Uma hora já tinha passado e nem sinal da mesma. Seus colegas de trabalho olhavam para o relógio, agora, preocupados.
— Onde está a chave da sua moto? – Neji questionou para Gaara que o olhou sério. A moto em questão era muito paparicada pelo ruivo.
— Ela está sem combustível. – Mentiu e Neji negou com a cabeça.
— Se ela morrer a culpa será toda sua. – O Hyuuga o lembrou deste detalhe.
— Ela apenas deve ter se perdido. – Hinata pontuou. –Afinal o que pode acontecer?
A conversa se findou. Da casa podia ouvir claramente o som das ondas do mar. Neji passou, novamente, a mão na cabeça. Mas o que podia acontecer? Nada.
*
Virou o carro abruptamente. Já não prestava tanta atenção na letra. A arma semiautomática já não estava no cos de seu short e sim em sua mão boa enquanto a outra segurava com firmeza o volante.
Estava a mais de cento e oitenta por hora e já tinha ultrapassado quatro sinais vermelhos. Fazendo que em um deste um dos dois carros que a perseguia batesse em outro.
Sentiu culpa por um momento, mas antes eles do que ela, não? Os olhos castanhos se arregalaram, quando viu a pista reta demais. Não fazia ideia de onde estava. Escutou uma das suas músicas favoritas começar na estação de rádio.
— Isso pode ficar melhor? – Sorriu. Segurou o volante e colocou a cabeça para fora da janela. Mirou no farol dianteiro do carro e disparou dois tiros. O carro que dirigia derrapou por um momento a fazendo voltar a prestar atenção na pista. Verificou o pente. Estaria sem munição se continuasse daquela forma.
— Ele nem para deixar a arma carregada. – Balançou em negativo. Retornou a pôr a cabeça para fora e novamente acertou o outro farol. – Dirige agora!
Gritou e riu. Acelerou ainda mais, totalmente sem rumo. Olhou o indicativo do tanque de combustível. Poderia rodar por horas.
— Si ti vas yo también me voy, si me das yo también te doy. Mi amor. Bailamos hasta las diez, hasta que duelan los pies*. – Girou o volante com muita facilidade, assim que o último carro que a seguia ficou próximo o suficiente TenTen rodou o carro no famoso cavalo de pau. Tinha acabado com os pneus com aquilo. Segurou firme no volante e pressionou ainda mais o pedal de freio.
Com a mão direita apontou para a janela do outro carro. Efetuou vários disparos. E o penúltimo atingiu o motorista do outro automóvel, o qual capotou logo em seguida para fora da rodovia em que estava.
Tentou guardou a arma no porta-luvas. E decidiu que estava na hora de acabar com o seu passeio. Olhou para as caixas de pizza intactas.
— Bom garoto. – Sorriu. Afinal tudo tinha acabado bem. – Agora é só achar o caminho de casa novamente. Tudo acaba bem quando começa bem.
Tinha se perdido. Ativou o GPS e quarenta minutos depois achou a rua da casa. As luzes ainda estavam acessas. E imaginou se um dia teria algo como aquilo. Olhou para as próprias roupas e para aquele automóvel. Sorriu. Aquilo não era para ela.
— É, chega de vida de madame. – Lustrou um pedacinho da lataria do conversível branco ao descer. Entregaria o carro intacto. Fechou a porta do carro com cuidado e pegou as caixas de pizza através da outra, colocou a carteira no bolso e as chaves. Ativou o alarme do carro e o largou na rua mesmo.
— De repente deu uma fome.
*
— Olha a pizza! – TenTen abriu a porta com dificuldade e a fechou com o pé. – E a entregadora mais sexy, é claro. Como ultrapassei o prazo de trinta minutos sai de graça.
Todos olharam para a mulher abismados. Trinta minutos? Desde do momento que Sakura tinha dito que ela tinha saído para comprar pizza tinha se passado uma hora e quarenta minutos.
— Sua noção de tempo é maravilhosa. – Sasuke comentou enquanto Naruto abria uma caixa.
— TenTen, o que você andou fazendo? – A pizza estava um pouco torta, por assim dizer. Amontoada e fria. Naruto a olhou com os olhos tristes, claramente fazendo drama. Pois iria comer do mesmo jeito. – Isso está horrível.
A Mitsashi jogou os ombros para cima e antes que alguém questionasse como ela pagou por aquilo TenTen jogou as chaves do carro e uma carteira sobre a mesa onde anteriormente o dono dos pertences em questão depositava as armas limpas.
— É o meu primeiro dia. Dê me um desconto. – Sentou-se no sofá sem se preocupar. Gaara observava o Hyuuga abrir a carteira e verificar o interior: vazio. Era muito abuso para uma pessoa apenas. Visto que estava morto, era de certa precaução não movimentar nenhuma de suas contas bancarias. TenTen vendo a cena abriu um sorriso.
— Espero que não se importe. – Neji ficou vendo aqueles lábios se moverem, mas não entendia o que saiam deles. – Peguei seu carro emprestado e seu dinheiro também. Depois eu devolvo.
Gaara tentou sair de perto a tempo, mas recebeu um belo de um soco. Ele não entendia o porquê sempre apanhava no final. TenTen acabou com toda a paciência do homem. Ela sem dúvida era uma ótima seguidora do manual de como ser invasivo e deixar os outros da mesma forma.
— Fique sabendo que este soco era seu. – Neji disse visivelmente furioso. – Mas eu não bato em mulher.
TenTen olhou para Gaara massageando o rosto com um semblante derrotado. E abriu ainda mais o sorriso.
— Que bom saber. – Neji escutou a declaração da mulher. – Obrigada, Gaara. Você é mesmo um doce.
TenTen se levantou e tentou se aproximar do ruivo, mas o mesmo fez sinal de pare. Chega de surras por hoje.
— O que eu não faço por você meu bem?
A risada foi geral ou quase isso. Aquilo tudo era um pouco insano, fora de padrão do qual estavam acostumados. TenTen esticou os braços para cima sendo observada por terceiros.
— Ele não é tão perigoso assim como aparenta. – Comentou sobre Neji, o qual já tinha evaporado do local. – É só mal compreendido.
Gaara iria rir, mas cessou. D’onde TenTen tinha tirado aquela ideia? Temari olhou para Shikamaru que negou. TenTen era outra que passava o limite da normalidade. É o mínimo que se pode esperar de quem mexe com explosivos.
— Perigosa é você. – Gaara falou baixo. – Para não dizer louca.
— Obrigada pela parte que me toca, Gaara. – Ino estava preste a dar uma mordida em sua fatia destruída quando escutou um estrondo. Por costume ou reflexo, Hinata sacou uma arma da cintura. O que tinha acontecido? De repente todo o clima agradável se dissipou.
— Está vindo um brilho excessivo lá de fora. – Ino fez a observação. – Será que aconteceu alguma coisa?
Shikamaru olhou pela janela com cautela. E estacionado na rua viu o carro pegando fogo, principalmente a parte onde ficava o motor. Alguém estava com sérios problemas. Virou com pretensão de avisar TenTen sobre a proeza que ela tinha cometido, mas não falou nada a ver ela desabotoando a sandália de salto.
— É agora que eu morri. – TenTen disse baixo e saiu correndo com os calçados em mãos. E ela mal sumiu ele apareceu.
— Eu vou esganar você! Não corre não. – Neji desceu as escadas mais rápido que o The Flash. Naruto riu de tudo aquilo.
— Eu não estou correndo de você. Vim apagar o fogo no motor! – O loiro riu ainda mais com a boca cheia. Engoliu o alimento satisfeito enquanto o restante olhava o embate silenciosos. Bebeu um pouco de cerveja e falou o que queria falar.
— Essa mulher é mesmo um estouro.
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