Combatentes
9 Manual de como ser invasivo - Parte I
Notas iniciais
Território aéreo Costa-riquense.
Se alguém, qualquer pessoa lhe perguntasse um tempo atrás o que estaria fazendo da sua vida provavelmente a resposta seria: guardando o território aéreo de alguma nação aliada. E era isso o que ele esperava, mas então recebeu uma convocação e agora estava ali: pilotando um avião furtado de um clube de aviação.
— Sasuke, vamos entrar em território Costa-riquense. – Hinata chamou sua atenção e ele despertou dos seus pensamentos. – Por favor, tome o comando.
— Certo. – Apenas respondeu, pois no momento ele era o copiloto. Hinata deixou o seu posto e Sasuke a substituiu.
— Ei! Naruto. Levante daí e venha para cá. – Chamou sem cerimônias o Uzumaki, o qual seguiu sem pestanejar para cabine do avião de pequeno porte. Se jogou como pode na cadeira do copiloto e cruzou os braços.
— Para um piloto que preza pelas normas da aeronáutica roubar um avião e levantar voo sem permissão é um pouco contraditório, não? – Naruto começou um tanto ácido. Pois, afinal a ofensa que Hinata o fez quando se viram pela primeira vez ainda o incomodava. Sasuke sorriu com aquilo.
— Parece que ela ficou muito tempo com você nessas últimas horas. – Sasuke o fitou. – Até está pegando suas manias.
O loiro também sorriu. Sasuke fitou as nuvens a sua frente. Fazia tempo que não pilotava e no momento sentia-se muito bem por fazer sua função. Era um pássaro livre. Naruto olhou para além da cabine encontrando outras seis pessoas. Estralou os lábios chamando a atenção do Uchiha.
— Isso tudo é uma loucura. Não me alistei para isso. – Riu. Aquela era uma frase que ele dizia com frequência.
— Acredite, eu também não. – Sasuke retornou a prestar atenção no trajeto. – Agora vamos achar um lugar para pousar está beleza.
— E como pretende fazer isso? – Naruto perguntou, afinal não poderiam simplesmente solicitar permissão de pouso em um aeroporto comum e muito menos em um militar.
— Pensei que você poderia resolver esse pequeno detalhe. – Naruto afirmou positivo. E como poderia resolver. Sorriu travesso.
— Pode deixar comigo.
*
Estava um pouco desconfiada, pois a metade da conversa que escutou entre os pilotos parecia suspeita e por isso procurava discretamente os paraquedas disponíveis no avião. Foi então que percebeu que tinha somente um. Maravilha!
Temari encostou a cabeça na lataria após perceber a escassez de paraquedas. Observou os terceiros, alguns dormindo outros batendo papo. Tudo aquilo era inusitado. Estar naquele avião e com aquelas pessoas, mas não tinha volta. E ainda tinha um dever a cumprir.
Foi então que Temari olhou para o Nara. Ele era mesmo inteligente e rápido. Suspirou, pois começava a duvidar de sua própria capacidade e necessidade. Sempre tinha sido o cérebro de uma operação, mas aquela já parecia ter um. Então qual era sua necessidade?
Passou a mão no pescoço e consequentemente esbarrou no colar de pérolas que tinham lhe colocado. Se irritou. Tentou quebrar o colar com a mão, mas o objeto permaneceu intacto. Cessou sua ação quando percebeu que tinha um observador. Shikamaru a olhava com uma sobrancelha levantada. Viu o sorrisinho de canto do homem e sua irritação subiu a um nível exorbitante. O que ele estava olhando?
Quebrou o colar e as pérolas rolaram pelo chão chamando a atenção dos outros. Sakura pegou uma perola e depois olhou para Temari. Viu o olhar discreto dela sobre o Nara.
— Não gosta de colares? – Questionou, chamando a atenção da Sabaku. Temari viu os olhos verdes e a maquiagem impecável totalmente fora de contexto no momento.
— Não me fazem falta. – Temari sorriu e Sakura lançou a perola longe.
— Mas pareciam verdadeiras. – Sakura comentou. – Você poderia ter trocado por algo mais útil. Como por exemplo uma calça.
Sakura piscou e Temari riu. Era verdade, mas sua irritação não deixou pensar.
— As vezes meu cérebro desliga. – Temari comentou tentando desfazer os cachos tão bem emoldurados. – Não projeto minhas ações.
— Bom, não dá para fazer isso a todo tempo, não é? – Sakura havia chegado ao ponto que queria. – Você anda usando-o demais ultimamente nas suas deduções fantásticas.
Temari lhe deu toda a atenção. Sorriu para a Haruno. Sabia o que ela estava fazendo, suspirou, pois se deu conta que estava se diminuindo. O Nara era extremamente inteligente e ela não ficava atrás. A única diferença entre os dois era que ele tinha uma liderança natural.
— Obrigada, Haruno.
— Do que você está falando? – Sakura se fez de desentendida e Temari a acompanhou no riso.
*
Ino pressionava o pescoço numa tentativa de relaxar. Tentativa que não estava obtendo êxito, pois o homem a sua frente não parava.
— Da para você parar de fazer isso? – Gaara, o qual estava agachado perto do Hyuuga estirado no chão dando pequenos e frequentes tapas no rosto do desacordado olhou para Ino.
— Parar de fazer o que? Não estou fazendo nada. – O riso do ruivo foi imediato, mas logo focou em sua função. Aquelas oportunidades eram muito raras, oportunidades que consistia em bater em Neji.
— Pare de bater nele! – Ino perdeu o resto de paciência que tinha. Neji não iria despertar tão cedo e Gaara visivelmente queria que ele despertasse imediatamente.
— É para ver se ele acorda! – Rebateu no mesmo tom, mas se afastou do adormecido. Ino questionava internamente onde o concentrado homem de horas atrás havia se metido. – Está demorando demais.
Shikamaru olhava para cena quieto. Depois de TenTen falar todo o ocorrido estava achando aquele descanso merecido, entretanto também já estava estranhando a demora para Neji acordar.
— Para um franco-atirador ele não foi nada discreto. – Comentou paralelo. Franco-atiradores costumam serem silenciosos e invisíveis.
— Nunca tinha visto um antes. – Sakura comentou assim que se aproximou para checar o estado do Hyuuga. – Geralmente nem sabemos quem eles são.
Hinata escutava tudo com atenção. O cansaço estava pesando, queria chegar imediatamente onde quer que fosse o local.
Não estava se impressionando mais com os fatos da vida do primo. Não se surpreenderia em saber que ele tem uma família ou algo do gênero, afinal ele tem uma casa na Costa Rica e ela não fazia ideia disto.
— Ele mencionou sobre ponto de referência quando estava em ação. – Tenten questionou assim que desencostou da estrutura do avião. – Do que ele estava falando Gaara?
O ruivo se sentou ao lado de sua maleta e esticou os pés. Fitou a Mitsashi por que achava desnecessário explicar sobre aquilo. Neji não estava ali? Intacto ou quase isso.
— Ponto de referência é qualquer coisa que ele foca a atenção para não perder o controle. – Gaara começou tediosamente. – Provavelmente ele estava com algo antes de te encontrar.
TenTen forçou a memória, visto que tinha passado umas horas depois do ocorrido. E acontecido tanta coisa. Riu a seu lembrar do pirulito e Gaara não cedeu atenção. Estava começando a ficar entediado naquele avião e nem mesmo podia tentar acordar Neji por que Ino o repreendia. Ino se afastou do ruivo e foi sentar-se próxima a TenTen. Mulher que sustentava um sorriso terno nos lábios.
— Obrigada. – Ino começou. – Se você não tivesse ficado para trás eu acho que iria morrer.
TenTen deixou a surpresa por aquilo amostra. Ino e ela se deram bem desde do início ainda mais depois daquele trajeto e o episódio do deserto, entretanto ela não esperava algo do gênero da Yamanaka.
— Digo o mesmo. – TenTen segurou a mão da loira e quem se surpreendeu foi ela. – Da próxima vez vamos sair na frente, está bem?
Ino riu junto de TenTen. Agora aquele episódio no deserto não parecia nada, mas no momento foi um pequeno pesadelo.
— Certo. – Ino a respondeu e percebeu que olhos verdes a observava.
— Gaara. – Temari tirou a atenção do ruivo sobre a Yamanaka. – O que têm nesta maleta?
Gaara, o qual até o momento não obteve tempo para abrir a maleta porque estava ocupado com outras coisas fitou o objeto. Pegou a mesma e abriu com cautela se deparando com uma grande quantidade de dinheiro em espécie.
— Pare este avião, pois vou encher a cara. – Mostrou o montante de notas e fechou a maleta em seguida fazendo graça.
— Ainda bem que pensaram nisto ao menos. – Ino referia-se ao financiamento para adquirir equipamento necessário. – Mas deixar o dinheiro logo com você? Um pouco arriscado.
Brincou e os outros riram da forma que podiam enquanto Gaara engolia a Yamanaka com os olhos. Aquilo teria volta.
*
— Alguém disse para parar este avião? – Naruto tomou a atenção da maioria para a cabine onde ele tomava o controle do avião enquanto Sasuke aguardava pacientemente o que o Uzumaki iria fazer.
— Vai, estou esperando para ver. – Sasuke disse baixo o suficiente para somente Naruto ouvir. – Como vai pousar este avião, sabichão?
Naruto riu alto fazendo a desconfiança do restante aumentar gradativamente. Hinata levantou-se rapidamente indo para a cabine, quando o avião desestabilizou a fazendo cair no chão.
— O que está acontecendo? – Temari disse preocupada ao constatar que realmente o avião estava despencando em queda livre repentinamente.
— Estamos perdendo altitude, apertem os cintos senhores! – Naruto imitou uma aeromoça e caiu no riso depois.
— Não contêm cinto neste avião seu idiota! – Tenten gritou desesperada, pois o avião realmente estava fora de controle.
— Naruto, o que aconteceu?! – Hinata gritou enquanto tentava levantar do chão do avião. – Falha no motor? No sistema elétrico?
Era a única coisa que passava na cabeça da canário azul, pois a possibilidade de falta de combustível era nula já que havia roubado aquele avião porque o tanque de combustível estava cheio.
Ino poderia rir, mas a ideia de que o avião estava caindo não lhe descia bem. Entretanto ver o ruivo branco feito papel era inédito. Shikamaru tentou se segurar, entretanto perdeu a consciência. A última coisa que ouviu foi o grito contínuo e desesperado de Sakura.
— Você desligou os motores? – Sasuke gritou desacreditado que Naruto tinha cometido aquela proeza. – Isso não é um caça, idiota! Não se recupera feito um.
Sasuke o repreendia. Como tinha deixado o controle na mão do inconsequente piloto raposa vermelha? E por isso iria morrer. Naruto depois que foi notificado deste detalhe também se juntou no coral de gritaria. Sasuke com os olhos arregalados observava o escândalo do loiro e depois a risada alta do mesmo. Ele estava encenando em um momento como aquele?
— Eu sei, Sasuke! – Apertou as mãos no controle do avião, quando o impacto com as árvores se iniciou. – Este modelo têm a bases reforçadas. Já que estamos declinando a barricada no avião ira aguentar o impacto até chegar na areia da orla a trezentos metros.
Naruto explicava euforicamente a real situação enquanto alternava entre olhar para o rosto do amigo e o percurso que o avião fazia. Sasuke escutava tudo com dificuldade. Não entendia o motivo do loiro estar sorrindo tanto. Seus ouvidos começaram a zunir e por isso rangeu os dentes. Aquilo tudo era inacreditável.
— Meu plano de pouso é genial, não é Sasuke? – Estava preste a perder a consciência quando ouviu a pergunta descabida do amigo. Sim! Era genial matar todo mundo após derrubar o avião. Levou o braço para frente do rosto, quando pela viseira da aeronave pode ver um mar de areia esbranquiçada.
O impacto contra a areia não foi suficiente para acordar o Hyuuga que continuava estirado na estrutura do avião. Temari segurou a cabeça de Shikamaru assim que conseguiu prostrar-se ante o corpo do Nara. Na tentativa de sobreviver àquela queda e manter o Nara inteiro.
A base do avião de pequeno porte abria um grande percurso na orla desértica, quando Naruto acionou um freio extra fazendo a velocidade diminuir gradativamente. O ranger do metal cessou minutos depois e foi somente então que Ino abriu os olhos. Estava viva e tinha sido por um milagre. Hinata se levantou com dificuldade, olhou para cabine e encontrou Naruto e Sasuke.
— Você só pode estar louco. – Sasuke disse a Naruto de forma pausada. O avião estava no chão e todos estavam bem.
— Você disse que queria ver não foi? – Naruto levantou-se e saiu da cabine encontrando todos os outros. – Costa Rica os aguardam, senhores!
Saiu pela porta lateral assim que acionou a passagem de emergência sozinho. Saltou na areia satisfeito. Olhando o grande paraquedas do avião e a imensidão azul.
— Eu vou te matar, Naruto! – Sasuke gritou assim que colocou em ordem os pensamentos. – Seu inconsequente!
— Pare de falar feito ela! – O Uzumaki rebateu e apontou para Hinata ao lado do Uchiha. Ainda um pouco atônita devido aos últimos acontecimentos enquanto Naruto se afastava ainda mais.
— Será que estamos longe? – Hinata perguntou observando a praia deserta. Gaara saltou logo depois retornando ao normal.
— Agora lembrei o porquê de não gostar de pilotos. – A tontura o fez sentar na areia. – Por incrível que pareça não estamos longe. Acho que aquele desgraçado sabia o que estava fazendo.
— Por favor, nunca mais. – Tenten se aproximou do trio. – Nunca mais mesmo deixe-o no comando de um avião.
— Ei! Vocês irão ficar aí parados como se tivessem sobrevivido a queda de um avião? – Naruto gritou e riu logo depois se afastando o mais rápido possível de qualquer um. Iria apanhar se a distância entre ele e qualquer um daquela equipe fosse inferior a um metro.
— Vai se ferrar, Naruto! – Sasuke o rebateu, porque o Uzumaki estava fazendo piadinha em cima das reações dos colegas.
— Aquilo não é um carro? – Temari perguntou após Ino descer do avião. Todos olharam para a direção apontada. Iriam deixar aquele local antes que Naruto aprontasse mais alguma.
— Eu dirijo. – Sakura se adiantou. Não iria subir em um avião jamais.
************
O silêncio era gritante na caminhonete que tinham furtado. Fazia exatamente quarenta minutos que tinham deixado a estrutura acabada do avião para trás. Shikamaru já tinha recobrado a consciência, mas mesmo assim estava no banco do passageiro enquanto Sakura dirigia devagar.
— Certeza que você não pode ir mais rápido? – O Nara questionou. A dor em sua cabeça era latente. Sakura olhou pelo retrovisor em busca de algo e assim que encontrou negou com a cabeça.
— Se eu ir mais rápido o loiro idiota não vai conseguir achar o caminho. – Referia-se a Naruto. Temari no banco de trás segurava Neji de qualquer jeito. A bela adormecida não acordava nunca enquanto Hinata olhava para trás através da janela. Todos estavam exaustos tanto fisicamente como psicologicamente.
— Então você não acha melhor deixar ele subir na traseira? – Temari questionou. Certo que Naruto havia posto a vida de todos em risco, mas deixa-lo seguir a caminhonete a pé era só atrasar ainda mais a viagem.
— Não! – Tanto Sakura e Hinata responderam em uníssono. Enquanto isso Ino e Tenten observava o loiro na sua maratona solitária. Gaara balançava a cabeça negativamente.
— Meu Deus! Vocês, mulheres são cruéis. – Chamou a atenção da dupla feminina na traseira. – O que custa deixar ele subir? Que infantilidade!
— Quer descer também, Gaara? – Ino perguntou e o Sabaku a ignorou. – Ele merece uma lição.
— Eu já aprendi! Juro. – Sasuke caiu no riso, quando Naruto começou a suplicar. Mesmo o terreno sendo plano aquela corrida sem dúvida estava sendo cansativa.
Ele não conseguia ficar fulo com seu amigo além de trinta minutos.
— Deixa ele subir vai. – Sasuke partiu em defesa do amigo. – Prometo que ele não vai mais fazer isso.
— Ok, faça como quiser. – Ino respondeu indiferente. Aquilo tudo já tinha passado dos limites.
Sasuke estendeu a mão para Naruto depois de fazer sinal para Sakura estacionar o carro. O sorriso do loiro foi similar aos de comercial de pasta de dente.
E quando agarrou a mão do Uchiha alargou-se ainda mais. Se jogou para dentro e ficou estirado tentando regular a respiração.
— Eu amo vocês! – Os olhos azuis encontraram os castanhos da Mitsashi logo acima dos seus. Eram tão lindos! Tão diferentes dos da Hyuuga. – Amo mais você, Tenten.
— Isso não muda nada. – Tenten entrou na onda do Uzumaki fazendo os outros sorrirem. – Agora sai para lá! Você está fedendo.
*
Haruno e Nara se entreolharam desconfiados. Aquele não podia ser o endereço certo. Despois de dirigir por mais uma hora e poucos minutos atingiram uma área residencial de alto padrão. Uma ótima infraestrutura e poucos casarões espalhados a menos de oitocentos metros da orla.
— Tem certeza que é por aqui? – Shikamaru gritou para Gaara, o qual apenas fez sinal de joia com o polegar. Finalmente sua bateria tinha acabado. Estava só pó da rabiola.
— A próxima! – Respondeu e Sakura aumentou a velocidade logo parando na frente de um casarão branco e gramado verde.
— Eu posso me acostumar com isso. – Comentou brincalhona para Shikamaru. Deu ré na rua desértica e por um erro de cálculo subiu no gramado. – Ops! Eu não tenho habilitação.
Sorriu amarelo para Shikamaru, pois os outros já tinham descido. O Nara franziu o cenho, mas logo relaxou a face.
— E você só fala isso agora?
— Sim, mas eu já tive. – Sakura bateu a porta da caminhonete após descer. – Só foi suspendida.
Shikamaru tomou ciência de um fato sobre os membros daquela equipe. Todos pareciam ter um grande desequilíbrio escondido. Neji já tinha mostrado o seu e Naruto, sem comentários. Agora apenas faltava os outros.
— Uau! Que mansão. – Ino comentou um tanto impressionada. Sua pose de durona estava se desmanchando gradativamente.
— Vamos! – Gaara a chamou ultrapassando os outros. – Mi casa es tu casa.
— O que? – Ino franziu o cenho e Hinata o olhou desconfiada. Tinha alguma coisa errada.
— O que ele está falando? – Questionou a mudança abrupta no modo do ruivo falar, pois compreendeu o que ele quis dizer.
— Ele está tentando falar em espanhol. – Tenten a respondeu enquanto seguia o ruivo. – Por que definitivamente aquilo não é espanhol. Vamos invadir está casa, já roubamos um avião mesmo. Tanto faz.
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Costa Rica, San Pedro, 48 horas depois.
Sentia seu corpo doer. Cada músculo reclamar ao tentar se mover. Resultado de ficar muito tempo sem se mover. Abriu os olhos claros e fitou o teto branco. Passou a mão no colchão e observou as cortinas no tom amarelo palha ao mudar o foco de sua visão.
Estava em casa, mas não se lembrava como tinha chegado ali. Contudo tinha uma convicção de que Gaara estava envolvido com aquilo.
A porta se abriu e Neji retornou a fechar os olhos. Não queria ver Gaara nem pintado de ouro por ter levado ele para casa depois de tanto tempo.
— Sakura, tem certeza que não devemos acorda-lo? – Entretanto não foi a voz do ruivo que escutou e por isso abriu os olhos se deparando com fios castanhos e olhos da mesma cor.
— Já acordou? – Depois deparou-se com dois olhos verdes avaliativos, mas não eram os olhos do Sabaku. Ah! E pensando em Sabaku um iria morrer e não seria a Temari. Neji mal acordou e sua irritação se manifestou. Como Gaara tinha ousado a convidar eles para sua casa? Queria afoga-lo no mar e faria isso com certeza.
Levantou-se ignorando a dor dos músculos, percebeu que estava apenas vestido com uma bermuda enquanto pares de olhos o olhavam curiosos. Recordando-se do que Gaara havia dito para falar quando ele acordasse, mas Tenten não iria resistir em zoar com a cara do Hyuuga.
— Eu troquei sua roupa. – Chamou a atenção do irritadiço homem ao despertar. – Mas não se preocupe. Eu não vi nada, fui treinada para desarmar uma bomba de olhos vendados*.
Sakura riu e foi até a janela enorme. Aquele lugar era um sonho e nunca pensou que chegaria ali. Tenten esperava uma resposta, a qual não veio.
— Sakura, não quer verificar se ele está bem? – Novamente chamou a atenção de Neji. – Por que ele está demorando demais para responder duramente.
Tenten se levantou da cama indo em direção da porta já que Neji não queria colaborar com suas provocações e Sakura decidiu segui-la diante do silêncio do anfitrião.
— Por favor, peça para o Gaara vir até aqui. – Neji retornou a deitar.
— Não vai dar. – Sakura, a única que permanecia entre o vão da porta respondeu. – Ele foi surfar.
*
— Essa missão foi uma das melhores coisas que aconteceu comigo. – Naruto comentava enquanto estava esperando uma onda. Sasuke estava deitado sobre a sua tranquilamente.
— Parece que estou de férias. – Comentou tranquilo demais. – A gente nunca tinha tirado férias, não é?
— Não, com certeza não. – Naruto respondeu enquanto fitava o horizonte. O sol se pondo majestosamente.
Gaara então submergiu jogando água nos outros ao balançar a cabeça. Puxou folego e seguiu para sua prancha.
— Você consegue prendeu bem o folego. – Sasuke manifestou. Gaara olhou para o corpo do moreno e riu divertido.
— Você vai ficar pior que o camarão aqui se continuar assim. – Apontou para Naruto. Sua pele bronzeada estava ficando vermelha devido ao excesso de luz solar.
— Obrigado pela parte que me toca, Gaara. – Naruto desceu da prancha e logo submergiu.
— Acho que hoje não vamos pegar nenhuma onda. – Gaara fez uma observação. O mar estava calmo demais.
— Vamos voltar, estou morto de fome. – Naruto começou a nadar até a orla.
— E quando você não está com fome? – Sasuke saiu do seu banho de sol a mar aberto e tomou o mesmo rumo de seus companheiros.
— Você precisa mesmo mencionar a palavra morto?— Gaara olhou para trás após perguntar para Naruto. – Daí eu lembro da missão e lembro que vou levar tanta porrada quando Neji acordar que minha paz vai embora.
— Se você quiser podemos dizer que você morreu afogado. – Sasuke deu destaque na palavra que Gaara pediu para não mencionar propositalmente. Aqueles três se tornariam ótimos amigos, caso continuassem daquela maneira.
*
— Certo! Acho que isso é o necessário. – Temari pontuou séria em frente ao carrinho de compras do supermercado. – Por que eu tive que ficar com essa tarefa?
Questionou irritada. Ela não sabia fazer compras e coisas do gênero.
— Eu também quero saber. – Shikamaru apareceu com um enlatado na mão. – É esse aqui?
Perguntou pela vigésima vez se era aquele alimento que Temari o fez procurar nas prateleiras.
— Não, mas vai esse mesmo. – Pegou o enlatado e jogou no carrinho sem nenhuma delicadeza e seguiu para o caixa. – Espero sinceramente que Neji já tenha desperto, pois precisamos iniciar esta missão.
— Calma, temos um pouco de tempo. – Temari olhou desacreditada para trás, onde o Nara a seguia a curta distância. – Já analisamos tudo o que foi possível, estamos quase concluindo esta fase, quando Neji despertar partimos para a outra.
— Eu sei, mas era para estarmos montando uma operação e não fazendo compras! – A moça do caixa olhou para o casal na sua frente impressionada. Pela expressão da loira o homem de expressão preguiçosa estava em mau lençóis.
— Tenho que concordar com você. – Passaram as compras no caixa e pagaram o valor indicado. – Eu poderia ter ficado e você ter vindo sozinha.
Temari mordeu o lábio inferior e pôs a mão na cintura, girou nos calcanhares e praticamente o Nara poderia ter morrido com o olhar que recebeu, caso os olhos de Temari matassem, mas para sua sorte não.
Tinham se afundado juntos nas informações que tinham durante os dois dias que estavam naquele lugar. Juntos! E agora ele falava aquilo?
— Retiro absolutamente tudo o que eu disse. – Pegou as compras e levou até o carro furtado dias atrás. Shikamaru é espero o suficiente para evitar discussões desnecessárias. – E você tem alguma sugestão em qual lugar é mais apropriado para começar?
Questionou rapidamente na tentativa de Temari dissipar toda raiva que tinha juntado. Temari sorriu aberto o que fez o Nara relaxar e voltar ao seu estado habitual. Lento...quase parando.
— Não, você pode fazer isso sozinho. – Entretanto sua tentativa foi em vão. Temari não era tão ingênua a ponto de cair em suas manipulações. – Você não é muito inteligente? Se vira!
Temari se afastou e Shikamaru continuou parado. O que ele tinha feito para ela agora? Era uma pergunta simples, mas que não podia responder.
— Que bicho te mordeu, mulher? – Questionou em vão, pois Temari já não estava escutando. Foi então que decidiu ser mais cauteloso com o que fala.
*
Os últimos raios de luz solar atingiam sua pele exposta. Ino relaxava ao lado da Hyuuga na beira da piscina. Depois de tentar convencer a maioria dos membros da sua equipe a prosseguir imediatamente com a operação e não compactuar com a ideia de Naruto em fazer uma pequena pausa, ela também se juntou a causa. Não era assim? Se não pode com o inimigo se junte a ele? E como o inimigo naquele momento era terrivelmente prazeroso ela cedeu. E agora tomava um banho de sol ao lado da Hyuuga.
— Sinceramente, por mais que devêssemos prosseguir com a missão estes dias estão maravilhosos! – Comentou e Hinata abaixou o óculos escuro que comprou junto com algumas peças de roupas.
— Concordo com você. – Disse ao arrumar a tanga na cintura. – Vamos esperar o Neji acordar daí prosseguimos e além do mais Temari e Shikamaru tomaram a dianteira da operação Cadillac 52.
— Aham e bem que Neji poderia dormir por mais uns dias. – Ino riu e Hinata a acompanhou. Certo que aquela pausa estava sendo realizada em um momento inadequado, mas já que estava...que mal fazia?
— Concordo com você. – Ino franziu as sobrancelhas, pois aquelas palavras pareciam ser as únicas no repertório da Hyuuga. Entretanto deixou isso de lado, quando os últimos raios de luz solar foram bloqueados por um objeto desconhecido.
Levantou o óculos escuro, encontrou uma prancha e consequentemente o dono dela.
— Loira, nós não somos peças de lego. – Gaara começou e Ino o olhou resignada. – Mas podemos tentar nos encaixar, o que acha?
— Por Deus! Está foi de morrer, Gaara. – Hinata interviu antes de Ino perder completamente a paciência com aquelas provocações horripilantes.
— Ah! Qual é o problema de vocês hein? – Gaara rebateu inconformado, não por ser repreendido, mas pela ideia de ir a óbito surgir novamente.
— Hinata, você é sensacional! – Sasuke disse rindo enquanto Naruto balançava a cabeça negativamente. De repente Sasuke parecia estar se dando muito bem com a Hyuuga.
— Gaara, eu gostei da sua cantada, cara. – Naruto pontuou e Gaara riu. Por que aquilo era horrível. – Até me conquistou!
Naruto fazia cena, pois por mais infantil que estivesse sendo não concordaria com Hinata.
— Alguém pode atirar nele, por favor? – Ino disse tentando conter o sorriso, pois toda aquela conversa era no mínimo engraçada e obviamente idiota.
— Claro! Com todo prazer. – Gaara fechou um olho ao reconhecer a voz do amigo.
— Ele acordou. – Ino comentou enquanto Neji se aproximava do grupo sem um pingo de passividade.
— Gaara, vem aqui. – Neji o chamou sem atribuir importância aos outros. Todos tinham uma certa noção do porquê do Hyuuga parecer tão nervoso. Se afastaram e o quarteto ficou a observar o possível sermão que Gaara iria receber, algo relacionado a convidar estranhos para a casa de Neji sem sua permissão.
— Estão discutindo a relação. – Sasuke comentou e Naruto riu.
— Todo casal faz isso. – Arrematou a teoria de Sasuke sobre o possível relacionamento entre fuzileiros.
— Parem com isso! – Ino os repreendeu. Seria possível eles serem tão idiotas e preconceituosos. A relação pessoal dos outros não lhe interessava. – Qual é o problema com vocês?
— Nenhum, meu bem! – Naruto se adiantou. – Somos abertos a qualquer tipo de relacionamento, não é?
— Pare de brincar com isso. – Hinata o repreendeu.
— Não estamos brincando. – Sasuke prosseguiu. – Toda forma de amor é bem-vinda, inclusive entre eu e você.
Hinata riu. Eles eram mesmos idiotas, prepotentes e rápidos. Deixaram a teoria de lado, quando Gaara olhou na direção deles e por alguns segundos seus olhos pairaram sobre a figura da Hyuuga. Alguma coisa estava errada.
— Qualquer tipo de relacionamento? – Temari que descia do automóvel e cortava caminho pelo gramado questionou retoricamente. – Eu acredito. A relação de vocês parece ser bem estreitas.
— Fala assim da gente não, Tema. – Naruto a rebateu fingindo inconformismo, quando na verdade não estava nem aí.
— Acho melhor você ficar quieto. – Shikamaru se aproximou conformado. E a ver Neji em pé decidiu acabar com aquilo de vez. Decidiu prosseguir imediatamente com a missão.
Sakura se aproximou quieta. E Sasuke a olhou. A medica quase não abria a boca para falar, na verdade fazia isso somente quando era intimada. Naruto olhou para rosada e abriu um sorriso.
— Está pronta, Sakura? – A Haruno deixou a água da piscina de lado. O que Naruto queria desta vez? Não o compreendia.
— Lá vem! – Sasuke murmurou. Conhecia Naruto a tal ponto de saber todas suas manias. Era estranho pensar desta forma, mas era a verdade.
— Pronta para quê, Naruto? – Sakura se aproximou. Usava uma roupa casual simples.
— O sol está se pondo. – A atenção dos outros se desviaram para Naruto aguardando a continuidade da provável asneira que ele iria dizer. – Está na hora de você se sentar para observar o mar. Então de repente você irá ver um loiro atlético bronzeado correndo, que sou eu, é claro. O sol vai contribuir com a cena e você vai cair de amores por mim. E aí, vamos lá?
O silêncio foi grande, mas não foi absoluto. Shikamaru riu e Sakura também. Por que definitivamente aquilo era uma piada.
— Só pode ser brincadeira. – A Haruno disse e começou a se afastar com pretensão de retornar para o casarão. E Naruto a olhou desentendido.
— Ei! Sakura, você nem ouviu a melhor parte. – Naruto gritou e Sakura virou sorrindo.
— Ainda tem mais? – Questionou ao longe chamando a atenção de Gaara e Neji.
— Sim! A noite efervescente de amor que iremos ter. – Hinata escutava tudo em silêncio. Questionando internamente qual era o limite entre a brincadeira e o sério. Sakura negou com a mão e Naruto a deixou em paz. Ele podia ser idiota as vezes, mas apenas as vezes.
— Não vai ser hoje, Naruto. – Sasuke bateu em seu ombro forte demais. E Naruto estranhou. Sasuke estava repreendendo-o por tentar algo com a médica? Se afastou e olhou para Ino, a qual fez sinal para ele parar antes mesmo de começar. Temari já não estava mais ali e fazer aquela proposta para TenTen estava fora de questão. Afinal ninguém quer ser explodido. Restando somente ela, Hyuuga Hinata.
E definitivamente ela era carta fora do baralho. Se afastou segundos depois. Indo atrás da sua alma gêmea, vulgo Sasuke.
*************
Ele com aquela camiseta florida era um pouco broxante, isso admitia. Preferia algo mais parecido com a farda ou até mesmo aquele terno. Mas isso não era da sua conta, era apenas uma observação intima. Shikamaru sem dúvida nunca iria obter conhecimento sobre aquele pensamento, pois, Temari não contaria a ninguém.
Observava continuamente ele sério demais, analisando, computando. Olhando para o grande mapa sobre a mesa, para a tela do notebook. Então decidiu desviar os olhos daquela cena. Seu outro alvo foi Neji. E ah! Este estava mais interessante, apenas pelo fato de não estar usando nada florido. Limpava o rifle silenciosamente, como se fosse algo extremamente valioso. E vendo que não iria sair daquilo decidiu observar o restante.
E estranhou a ver o irmão quieto demais. Tinha acontecido algo e não estava sabendo. Perto da varanda Gaara estava estirando no chão enquanto amolava uma faca. Pensou em conversar com o mesmo, mas decidiu deixar para outra hora, pois Ino passou a sua frente chamando sua atenção.
A Yamanaka estava vestida apenas com uma calça grudada demais e uma regata solta cobrindo até metade das pernas torneadas. Não que estivesse reparando nelas. Observou ela tirar a atenção do Hyuuga do rifle e ele logo apontar em direção para detrás da casa. Em sequência ela se evadiu do local.
Uma loira se foi e outro tratou de ocupar sua visão. E nele com certeza ela estava reparando. Observou a tatuagem rente ao cos da calça de Naruto e deixou uma expressão questionadora na face. Ele sem dúvida era o mais folgado, andava sem camisa pela casa. E quando sua cabeça lembrou da sombra do mesmo, ele apareceu. Sasuke o empurrou no outro sofá solicitando espaço. Os dois eram mesmo unidos. E por um momento sentiu falta da barulheira que aquele pessoal fazia. Estariam eles respeitando o trabalho e a concentração do Nara?
Desviou os olhos para ele novamente e encontrou os dele lhe observando. Temari estava esperando que ele viesse até ela. Não queria um pedido de desculpas ou algo do gênero. Apenas queria que ele a chamasse para trabalhar, visto que horas antes ela mandou ele se virar. E ele se viraria sozinho, entretanto ela também queria participar daquela tarefa. Sempre deu ordens, não estava acostumada a recebe-las. Preferiria então dividir a tarefa e poder opinar invés de somente acatar e executar. Como alguns daqueles combatentes.
Estava preste a levantar e engolir o orgulho. Certo que não era mais criança e muito menos adolescente, já era uma mulher. Contudo admitia que não agiu feito uma. E a razão que já retornou para o seu corpo gritava em seus ouvidos, quando ele sentou-se ao seu lado.
Shikamaru estava vendo ela olha-lo a horas. E se perguntava em que momento iria levar um tiro, talvez uma facada, quem sabe? Pois por mais que foste duro admitir, foi um prepotente e como não bastasse isso, agiu de forma machista, como aquelas mulheres gostavam de esfregar na fuça de cada um. Então ele iria fazer o que sabia fazer de melhor. Pedir desculpas, pois para ele duas cabeças pensando é melhor que uma. E nada melhor que a cabeça dela para pensar.
— Bom. – Tentou, mas a palavra entalou na sua garganta. Shikamaru trincou os dentes. Era tão difícil assim? Observou as sobrancelhas bem desenhadas de Temari se juntando de milésimo a milésimo. – Peço desculpas pelo o que eu disse hoje mais cedo. Estávamos trabalhando juntos, não deveria ter falado daquela forma.
Temari escutou tudo com muito cuidado. Estava tentando identificar o tom de deboche ou algum resquício da manipulação que o Nara tentou mais cedo, entretanto não encontrou nenhum destes componentes. O olhou diretamente na face. Temari era destas que agarram o chifre do touro e o derruba na mão. Gosta de encarar o que vier de frente.
— Está bem. – Shikamaru escutou sua declaração. Está bem? Era apenas isso? E ao fita-lo percebeu que não. Ela o faria pedir, talvez? Não dá para saber o que esperar de uma mulher.
— Então podemos voltar para o trabalho? – Shikamaru levou as mãos para a cabeça. E queria murmurar um “ que saco”, mas tinha uma certa convicção que iria pôr tudo a perder. Temari concordou e saiu de seu lado. Indo para mesa da cozinha onde até o momento Shikamaru trabalhava.
Ele ficou a observando por um instante. Ela era quão inteligente feito ele. E estava começando a pensar que ela não tinha sentimentos a não ser raiva. Foi até a mesa segundos depois. E viu Temari apontar algo para a tela no dispositivo e em sequência para um arquivo na mesa.
— Hyuuga? – Temari questionou sobre a informação ao Nara, o qual alternou os olhos entre Neji e Hinata. Entendendo o que Temari questionava.
— Ele. – Foi o que Shikamaru decidiu responder. Não havia necessidade de usar o dicionário inteiro quando falava com ela. Por que Temari concluía suas teorias antes mesmo de apresenta-las. Ah! Pensar com ela era muito melhor do que arquitetar sem ela. Sorriu.
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